CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
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A HISTÓRIA QUE NÃO SE PODE ESQUECER
Há poucos dias atrás chegou-nos uma assombrosa informação que, paradoxalmente, nos deixa triste e aflitiva, não obstante, por outras vemo-nos com compensadores esclarecimentos. Sobre um passado que, apesar da incansável procura, ainda era-nos uma incógnita: o que de fato ocorrera com nossos antepassados, que foram capturados em África e aqui feitos cativos. As informações que recebíamos eram disparatadas, fugidas e distorcidas. Tínhamos um mistério escondendo um passado tão recente. Apenas 500 anos, que para a História nada mais passa do que um piscar de olhos. Todavia, havia algo a se desvendar.
Uma estação de televisão, a Rede Record, por intermédio de se programa Domingo Espetacular e também em referência ao dia 13 de maio, que se aproximava e relembra a todo ano um trágico engodo, a libertação dos escravos no Brasil. O referido programa fez pesquisas durante dois (2) meses, em Luanda, hoje capital de Angola, e outras de suas Regiões, para definir de onde vieram os negros brasileiros. E nos fez revelações horripilantes e estarrecedoras, de um passado igualmente tenebroso, que, confessamos, nunca havíamos imaginados que um dia ainda as fôssemos ser revelados. Assustadoras, assombrosas e revoltantes, por saber do que o branco foi e é capaz na ânsia de sua ambição e sua insanidade. E findamos por entender o porquê nos esconderam por todo este tempo estes fatos. Por puro medo. Não de nós, mas sim da própria verdade histórica. A verdade do que eles sejam realmente. E ainda teimam em querer esconder, dos homens, porém, não de Olorum, que ainda nos assiste, todavia, haverá de julgar.
Aqui no Brasil é de costume dizer que nós negros brasileiros não tínhamos origem. Éramos figuras aberrantes de um passado hostil e de uma região insólita e bárbara. Éramos e ainda somos somente brasileiros, oriundos das senzalas colonialistas sem um passado definido. Daquele episódio para trás o nosso passado era nebuloso, inexistente, confuso e difuso, uma verdadeira treva. Não existia.
Todos ao nosso redor têm uma origem definida, mesmo que miscigenada, entre seus povos europeus, mas todos têm histórias, mormente gloriosas. Somente nós não as tínhamos. Na opinião deles não tínhamos passado e consequentemente também futuro, pois nosso presente ainda é funesto. Estávamos à beira da extinção, porém hoje dizemos nos defender, e para tanto, dizemos também nos organizar. Todavia, descobrimos agora, nós a temos, e uma história que mesmo pungente não deixa de ser gloriosa, pois a ela sobrevivemos... Por quanto tempo ainda não sabemos. Porém, lutamos por eternizá-la. Sob a égide de Olorum.
Nossa raça nessas terras resistiu... Porém, ora diluída e debilitada ora temos que nos satisfazer com uma miscigenação interna, forçada e evidentemente criminosa. Onde os dizem sermos inexistentes. Onde nosso lado negro é omitido, extinto, apagado, sem qualquer definição e sem brilho. A herança do cativeiro que haveremos de superar.
A miscigenação brasileira é flagrantemente criminosa, por fazer parte intrínseca de um plano diabólico que tem por finalidade nosso extermínio. Em 1882, disse o Imperador Dom Pedro II ao conde Gobeneau que “Dentro de 200 a 300 anos não haverá mais negros no Brasil”, e concluiu, “A miscigenação acabara com todos”. O que denota que esta não é e nem nunca foi um gesto de amor, e sim, um instrumento, uma arma de extermínio e dolosa. Sendo também esta, portanto, uma ordem imperial e porquanto cumprida a risca e literalmente até os dias atuais. Hoje por todos os brasileiros, sejam de qual etnia for incluindo inclusive os mestiços e negros ignorantes que desconhecem seus próprios designíos.
Todavia, o plano de nosso extermínio não tem origem aí, nas palavras do Imperador e nem na sua ordem imperial explícita, ao sabor nacional. O plano tem origem um pouco mais remota. Foi engendrado pouco antes, ainda no ano de 1850, pelas classes políticas brasileiras. Aquela mesma que posteriormente planejou também a “abolição da escravatura” e mais tarde a “democracia racial”.
O Imperador disse oriundo a uma provocação do segundo, talvez apenas por pura emoção. Este que dizia “o Brasil está condenado ao atraso eterno devido a sua mistura de raças”. Não obstante, ainda também não sabemos bem se o Imperador era apenas estúpido por causa de sua origem lusa, ou se era apenas relapso, pois acabou por ratificar o que o insolente visitante, mesmo sendo este seu genro, asseverava a mistura de raças. Acabou de confirmar e asseverar o vaticínio pernicioso. E ele, o Imperador, disse-se achar a “solução”. O que nos remete as outras questões... Ele não disse nada a respeito do futuro de seus mulatos preconizados – era assim que, na época, se chamavam os mestiços. E hoje estes dizem não gostar mais da denominação, mas somente quando são chamados por outro negro. Entretanto, quando por brancos não ligam e até gostam, num gesto explícito de cumplicidade. Ele não disse ou garantiu o que seria deles! Ou quais os seus destinos. E precisava? Nós achamos que sim. Pois senão as suas palavras soariam sinistras, traiçoeira e de má-fé... Como soaram. Mas ele não disse nada. Absolutamente nada a respeito dos mulatos. Somente dos pretos, Que disse acabariam. Aos primeiros ficava entre linhas a possibilidade de salvação, talvez, integração. Porém nunca dito explicitamente... E hoje tentam retornar ao berço biológico de origem... Porém, de forma matreira e pérfida.
E não era simplesmente o fato de compará-los os mulatos a animais de carga não, como se cogitava nos primórdios do movimento negro contemporâneo na década de 70. Óbvios que denunciado pelos próprios mulatos, que ora se diziam ofendidos com a comparação. O termo sim tem outra origem e motivação. Que ser comparado a animais seria mero e óbvio elogio.
Acontece que, até então, a Biologia no período escravocrata não era muito... Ou talvez nada, desenvolvida. Cria-se que então que animais de espécies diferentes poderiam até mesmo se relacionar sexualmente, no entanto não se reproduziriam, não procriariam. Tendo como exemplo o cruzamento do jumento com a égua, os mulos e as mulas, que são estéreis, e deu-se origem ao termo. Este que, aliás, nós achamos até bonitinho – o nome é claro, não os mulatos machos, se for que existem! -, apesar de pejorativo se não! Por ter incluso outros objetivos De início lhes proporcionaria o controle de contingente, naquele tempo. Hoje que querem mesmo é o extermínio total. Como dizia Rui Barbosa, “Apagar a nódoa negra de nossa história” – frase de efeito. Uns entenderam que falava apenas da escravidão, no entanto ele se referia mesmo era ao contingente africano e afrodescendente. E aos sobreviventes, se somente não nos separa ao menos nos diferencia, internamente, biológica e socialmente (e em caso de contestações temos acima o nosso e-mail), pela sociedade os mulatos se constitui em sub-raça. O contato será providencial, pois, precisamos mesmo discutir melhor esta definição de ser ou não negro... Ou de quem é mais, ou melhor, que quem. Por certo não serão somente os estudos adquiridos nas escolas que estabelecerá a tal definição cabal no assunto.
Na época da criação do termo criam nossos algozes que éramos de espécies diferentes da deles. Que não éramos, nós negros, também humanos, e assim, compulsoriamente, nos extinguiriam. Ou pelo menos diziam que assim criam, e isso justificava os maus-tratos pelos quais nossos antepassados padeceram.
Entretanto, voltemos ao fato, esta era a forma que no século XIX os racistas imaginavam nos exterminar gradativamente. Que eram seus sonhos mórbidos, incontroláveis e irreprimíveis. Depois, não sabemos por que, achamos que eles mudaram que se arrependeram e se redimiram. Hoje se dizem bons, e nós o mal. E restando-nos apenas outra pergunta que não quer se calar: e quem estaria certo, Gobeneau ou D. Pedro II? Pelas experiências e visualizações atuais cremos que o primeiro. Todavia, não somente pela questão de mistura racial. Esta que os judeus têm uma máxima que diz “a mistura de duas raças herda a parte pior de ambas.” Evidentemente que não. Pois estes, os mestiços, nem sequer participaram do tão aclamado “desenvolvimento nacional”. Não contribuindo nem sequer com sua prole, o que os tornaria proletários. E não por serem estéreis também não. Mas sim porque também são discriminados. A sua maioria é tão carente e desempregada tanto quanto nós.
Todavia, naquele momento, ao pressentir a inevitabilidade da anunciada abolição da escravatura no país, esta sociedade se preocupava com a enorme quantidade de “escravos” – nós preferimos prisioneiros de guerra –, que se livres e organizados colocariam em risco o poder político e econômico, ora, euro-descendente... E que permanece até agora. Aliás, escravidão, de fato não terminou em 1888, apenas mudou de roupagem e de discurso. Nós fomos simplesmente lançados das senzalas à indigência. Fomos simplesmente postos no olho-da-rua, sem quaisquer ressarcimentos ou pecúlio. Antes, tínhamos que trabalhar, gratuitamente, agora, no trabalho dito livre já não mais pode nem trabalhar, dizem nos despreparados. Não terá isso um preço?
E mesmo após a promulgação da lei inglesa alberdeen, de 1850, o tráfico continuou desta vez, clandestino. E é a consumação de que as leis somente quem tem que obedecê-la e cumprir são nós... Sejamos pretos ou mulatos. Então por que não fazermos também as nossas próprias leis? Se for isso apenas uma questão de força... Bem, estão dizendo por aí, mais objetivamente o movimento negro, que somos 51,3% da população (oficialmente dizem 50,7%), e que todos são negros. O que será que falta mesmo? Ah! Talvez vergonha na cara. E organização, de fato, também é imprescindível. E isso o estudo a vida e da História dão.
Dizem que por motivo da proximidade do país “produtor”, o continente africano, que naquele momento era apenas um enorme território, sem fronteiras internas. A divisão política se deu somente após a Conferência de Berlim, em 1884 e1885, quando os europeus retalharam e dividiram entre si todo o território africano. E ainda escravizou sua população nativa, nossos ancestrais, em seus próprios territórios. E nós, a nossa revelia, viemos para cá... E esquecemos.
Contemporaneamente, Simão Souindoula, angolano e representante da UNESCO, dá-nos entender que 100 milhões de africanos foram arrancados de África, entre o século XVI e XIX – François Du Bois, no início do século passado, nos deu a mesma cifra. Destes, assevera o primeiro, que apenas 40 ou 50 milhóes chegaram ao ‘novo mundo’ vivos. E que a maior parte viera para o Brasil. Onde será e como estão seus descendentes ? Estamos prestes a desvendar o «mistério ». E vai custar caro!
Em 1830, Malte Brun, publicou em seu Tableau Statistique du Brésil,em París, a cifra de 1.347.000 brancos para 3.993.000 negros, contados entre pretos e pardos – estes últimos na época já eram, indubitavelmente, minoria, e óbvio, sem a participação contábil dos pretos, e que ora ora assumem a ascendência – no Brasil. Na quele momento a miscigenação estava apenas começando e se acelerou... Assim como o genocídio do negro em geral. Pelos motivos que já foram expostos.
E ainda posteriormente, Edgar Roquete Pinto (1884-1954), médico legista, professor escritor e etnólogo, publicou, baseando-se em estaísticas oficiais, o seguinte diagrama :
| DIAGRAMA De construção antropológica das populações do Brasil, organizados segundo as estatísticas oficiais de 1872 a 1890 por Edgar Roquete Pinto. | |||||
| ANO BRANCOS NEGROS ÍNDIOS MESTIÇOS TOTAL | |||||
| 1872 | 38,1% | 16,5% | 7,0% | 38,4% | = 100% |
| 1890 | 44,0% | 12,9% | 12,0% | 32,0% | = 100% |
| 1912 (cálculo estimado) | 50,0% | 9,0% | 13,0% | 28,0% | = 100% |
| 2012 | 80,0% | 0,0% | 17,0% | 3,0% | = 100% |
Estes dados foram publicados no livro Espetáculo das Raças, de Lilian Schwartz, na página 97. Todavia, antevendo-nos a reação de simplórios, convém observarmos alguns aspectos. Por exemplo, atualmente circula uma informação, não oficial, mas asseverado ser do IBGE, de que a população negra, incluindo pretos e pardos, é de 51,3%. Porquanto, dirão os referidos simplórios, ”Ah! E eles erraram os cálculos!” Talvez. De princípio, em outras áreas e assuntos os brancos nunca falaram a verdade. E, por que nesta o fariam? Todos estes dados são sempre manipulados por eles. E sempre também ao seu favor.
Indiscutivelmente. Agora, que nós damos moleza? Ah! Isso nós damos. E até há, de nossa parte, muita contribuição espontânea. Ou somente um corpo-mole. Será medo? Isso nós também duvidamos, pois o negro brasileiro é muito corajoso e valente... Pelo menos os dizem! Entretanto, infelizmente somente entre nós mesmos, uns contra os outros. E para não variar, em defesa dos interesses dos brancos e nem sequer próprio. Pode? Cremos que sim, pois acontece! Não obstante, eles chamam isso de “Inteligência”.
Até o meado dos anos 70 eles diziam que nós, negros, já não mais existíamos. O que se comprovou, na prática, ser uma fragorosa mentira. Ou somos nós quem ora mentiu? Isso também tem que ficar mais claro e explícito. Se não! Pra que movimento negro? Depois, quem caracterizou o mulato também de negros foram os próprios... E ainda não também explicaram bem direito por que o fazem, e por que somente agora! Até o princípio da década de 70 se diziam todos orgulhosos da condição, até nos achincalhavam, e se de negro fossem chamados por um de nós nos agrediam, até fisicamente se possível. E o que mudou? Será que há interesse econômico também nisso? Ah, são tantas as questões... Que nós começamos, igualmente, a ficarmos confusos. E que durmam nesse barulho. Imagine! A Resistência não pode ficar confusa.
Além de que ainda excluírem os pretos, mesmo que sendo atualmente minoria – e disso se prevalecerem -, mas que ainda existem... Entretanto, não estão participativos no movimento negro e nem são aceitos como iguais pelos próprios outrora mulatos, que hoje se dizem também negros. Por que será? Esperamos que estes não tenham assumidas por definitivo a esdruxula definição de “produto nacional” – as mulatas sim, pois já fora, se ainda não são, até produto de exportação -, e de “autêntico negro brasileiro”, nos alijando do processo de libertação real. Outra das outras invencionices brancas que colou. Pois porque além de aberrante também será um acinte, uma afronta à nossa verdadeira consciência. Que, aliás, não tem cor e é como as outras quaisquer, indiscutivelmente, consciência humana.
A resposta está embutida obviamente na questão de classes. O mulato se ascendeu às classes-médias – claro que nem todos, porém os mais claros e com menos, como dizia Oracy Nogueira, acentuados traços negroides. E os pretos não. A nós não sobrou este e nem outros quaisquer recursos.
Desde os tempos de escravidão que os mulatos, por questões também óbvias, são contemplados com certos “privilégios”. Acesso às escolas, no mercado de trabalho e são até mesmos usados sexualmente, “contra as suas vontades”, pela sociedade branca. No período escravocrata eram capitães-do-mato, as mulatas mucamas e as mulheres pretas, repastos.
Aí então nos resta outra pergunta: e onde estarão atualmente os pretos? Estes que mesmo sendo minoria ainda existem? Nas prisões não estão! Pois lá somente existem em pequenos números. A maioria, em quase todos os Estados do Brasil no Sistema Carcerário, é mulata. Que, aliás, lá ainda se acham e se dizem brancos. Pelo menos é isso que consta de seus prontuários e atitudes. Que também, aliás, os dados são autodeclarados. Preto dá em contingente lá muito menos que 1,0%. Onde estarão? Outrora tínhamos tanto, afinal, 100 milhões foram arrancados de África e para cá, para o Brasil. E segundo relatos vieram para cá à maioria destes. Onde estarão se não estão na cadeia, nas escolas e nem no trabalho? Já que são considerados todos marginais, “bandidos” e por uma enormidade outras denominações depreciativas por esta sociedade que se diz... Hum! Justa. Onde estarão? Só sabemos que o gato não os comeu! Ora, não é justo! Nós temos que sabê-lo. Afinal é a História que está e jogo. E a História não é brincadeira, já dizia um velho professor. Ou mentiu também? Creio que não.
No Rio de Janeiro, nos morros e favelas não estão. Pois pelo o que vimos nas últimas investidas das UPPs [1], lá somente mulatos existiam... E saíram quase todos correndo. Que feio! Isso depois de pagarem o maior sapo. “Bandidos" uma ova, são todos uns coitados. Estes sim, não estão preparados para a vida, e muito menos para a História. Será que poderemos confiar neles? Bem! Isso é tudo coisas pra se conversar! O que for combinado não será caro. Pois tudo era assim antigamente. Ou será que também mudou? O que não será de se estranhar. Porque hoje em dia já não nem mais existem homens e mulheres... Somos “todos” iguais em gênero, jurídica e socialmente (?). Somente queremos ver como é que procriarão! Pois do jeito que a coisa anda em breve não terão nem mais crianças para adotarem. É! Isso deve ser a tal de “evolução da humanidade”, tão apregoada e aclamada. Que, aliás, já até estava prevista por eles brancos é claro, há séculos. Nós outros só não sabíamos que seria desta forma! O Loco!
Também do Rio de Janeiro chega-nos algumas outras pistas. Uma maior parte de nós está no Lixão, do Jardim Gramacho. Agora só resta-nos saber quantos lixões existem em todo país – ah! E também procurar nos cemitérios – e encontraremos todos os “sumidos” e saberemos quanto somos, ou o quanto sobrou de nós. Poxa! 100 milhões... Parece que não sobrou lá muita coisa não! E eles ainda insistem em quer negar o genocídio. Pior ainda, e ainda querem uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU com direito a veto, para vetar quaisquer sanções. São muitos espertos estes tais de brancos brasileiros! Será que são mesmo? Pagamos pra ver... E veremos.
Claro que também restarão, e também se apresentarão, alguns com algum diplomazinho de merda tirado numa Facu qualquer, pois garantimos que estes “diplomas” não lhes garantem nem sequer a própria subsistência, no entanto, somente para defender e justificar a tal “democracia racial” e as atitudes nefastas dos brancos. E olha que eles, os brancos, têm uma enormidade de advogados! Para que defendê-los? Acontece que há bajuladoras pra tudo, e que pelegos existem em todos os credos, gêneros e raças, sejam estes politizados ou não. E por que não também na nossa? Todavia, achamos aconselhável que a estas alturas do campeonato que fiquem com suas boquinhas bem fechadas... Pra não entrar mosquitos! Pois o tempo aspirou e está pra virar. E quem sai à chuva é pra se molhar... E os brancos saíram. Saíram à caça de conquista ao mundo. Falharam-se terão que prestar contas... E como disse o seu Santo Agostino, “Quem perde se torna escravo de quem vence”. Ou será que também mudou de ideia? No nosso tempo valeu! E este igualmente para eles se vê aspirado.
Ó Tempo Zara Tempo. Tu que vieste com Deus (Olorum)... Ou melhor, Tu que és Deus. E que sempre nos traz as boas novas com o sopro de Seu Sagrado Hálito. Aguardamos-Te há 500 anos... Ou mais. Entretanto, sabemos que não nos Decepcionará.
Bem! A sorte foi lançada, e não foi por nós. Para aqueles que esperavam ouvir o branco dizer ele já o fez. Em todos os idiomas, todos os símbolos e com todos os sons e tons e com gestos e atos. Não são todos os brancos que são ruins? Concordamos. Todavia também sabemos que nem todos são bons... E então? Muda o quê? Para nós nada é claro. Pois à medida que os bons se calam diante da barbárie, para nós, eles se tornam tão ruins quanto aos maus. São somente cúmplices por omissão. E também se beneficiam com nossa desgraça... E nossas mulheres. Que, indubitavelmente, também as puseram contra nós e na prostituição. Com o seu sujo dinheiro, sua arrogância e desdém. Não há do que reclamar.
Bem, vovó já disse que não quer mais casca de coco no terreiro...
São Paulo, 28 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié.
Coordenador Geral do CRENJA
v PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v PELO IMEDIATO CESSAR DO EXTERMÍNIO DE JOVENS E DA INFÂNCIA NEGRA NO BRASIL!
v PELA IMEDIATA DESOCUPAÇÃO DAS TERRAS HAITIANAS PELO BRASIL!
v CONTRA O DESARMAMENTO DO NEGRO BRASILEIRO!
v PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMERICAS NO BRASIL!
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