CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!
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A FALSA MORAL BRANCA
Partindo do princípio que os mulatos pintaram um substantivo abstrato, consciência, sentimo-nos no direito e dever de também fazê-lo com outro (ou outra, pois ambos são femininos). Sabemos lá! Agora temos até medo! Hoje em dia, segundo novos critérios, já não mais sabemos o que é feminino ou masculino. Dizem até que ambos é a mesma coisa, comum de dois. Pode? Parece que sim, pois acontece! Ou pelo menos está acontecendo.
A expressão “mulata” nós usaremos até que os mesmos reconheçam também a nossa existência e direitos, a de pretos, assim como também o nosso direito de organização e luta. Sobretudo o de militar no movimento que tem como o principal símbolo a nossa cor. Feito isso nós também respeitaremos o deles de assim também se definir como tal. Seremos então todos negros, de fato e de foto.
Nós sabemos, segundo antigos critérios brancos, que negra é raça e preto é cor. Ou ainda, sabemos lá! Pois, segundo o novo critério para o branco o conceito raça já não mais existe... Ou ainda, e pior, nunca existiu! Segundo eles. Quer dizer, enquanto a sua existência lhes eram até “benéfico” existiu... Mas, quando ela começou a se tornar perigosa – para eles é claro -, e quando o negro assim aceitou e passou a usar esse critério para se auto-organizar... Pronto! Tudo mudou. Mudaram tudo de novo, a seu sempre bel-prazer e favor. E raça deixou de existir. O que existe, ainda segundo eles, é etnia. Isso apesar de que o dicionário as define como sinônimas. E o termo é usado e abusado na literatura diversa. Mormente na didática e Biologia. Não sabemos, mas tudo isso parece mais um engodo da sociedade branca brasileira, que teima em se mostrar sabida e achar que todos os demais sejam burros e estúpidos. Polêmicas à parte, vamo-nos aos fatos recentes e atuantes.
Recentemente surgiu uma polêmica... Ah! Deixemos de eufemismo barato. Polêmica é pouco, por se tratar de uma verdadeira guerra de aberrações. Que, aliás, não começou ontem e nem hoje, e sim já vem de uma longa data. Talvez, mais precisamente, de algumas dezenas de anos.
No Princípio tudo era o Nada... E Deus criou-se a si Mesmo e se Sentiu Sozinho. Então criou o Céu e a Terra – hajam vistas que os africanos têm outra versão, mas a que prevaleceu esta, a dos até então “dominantes”, e quando isso mudar... Bem, aí então veremos qual das duas ou outra tese prevalecerá.
E na Terra Deus criou entre todas as outras coisas o homem e a mulher, e lhes Ordenou: “Crescei-vos e multiplicai-vos” – bem, nisso as duas e demais teses se combinam. Mas somente nisso. E estava tudo certo. Pelo menos os brancos chegaram dizendo que o estava. Até que...
Não obstante, no final da década de 70, no início desta que se “convencionou” chamar de nova fase de luta do negro brasileiro, inspirada nas lutas dos negros estadunidenses e africanas, a maioria dos militantes estavam envolvidos, mesmo que sorrateiramente, com a esquerda, que na época se dizia revolucionária. E dentro desta perspectiva se dizia e seduzia também combater a falsa moral burguesa.
A “falsa moral burguesa” naquele momento nada mais era que esta que, atualmente, toda a sociedade – e parte significativa do povo – combatem e renega ao mesmo tempo. E nós ficamos nos perguntando o porquê que estes brigam tanto entre si – se for que brigam – se no final findam sempre, quando o resultado é safadeza, se concordando, mais tempo ou menos tempo. Cremos que seja apenas jogo de cena. O ser humano, seja de que raça for, adora representar. Porém, sempre, seu desempenho é sofrível e pífia. Entretanto, quando o desempenho se dá somente na classe chamada básica, o povo, nós até entendemos: porque dizem que ele é ignorante, diz as dominantes. No entanto, quando esse se alastra e estende também até elas próprias... Então a coisa começa a ficar preocupante. Mormente se atinge as autoridades e o próprio Congresso nacional e demais “Poderes Públicos”! Então a coisa se tona dramática ou trágica mesmo.
Aí Deus disse: “Crescei-vos e multiplicai”. Até então nada de errado. E Ele instituiu o sexo como processo reprodutivo. Esse é lógico que desperta certo prazer, senão o ser-humano, sobre tudo, não iria praticá-lo. Por que o ser-humano não se dedica a nada que não lhe dê prazer, voluntariamente. Somente o faz se for forçado. Daí pode citar como exemplo a escravidão. Não se tem notícia de ninguém que a tenha se submetido a ela voluntariamente. O que seria um contrassenso. Ou um prazer no mínimo mórbido e masoquista. Apesar de que doentes mentais sempre existiram, porém, em outros diagnósticos e patologias. Se o sexo não tivesse o prazer o ser-humano não se reproduziria. E a espécie e reprodução estariam comprometidas.
No entanto, igualmente não há notícia de alguém que tenha engravidado pelo ânus ou lambendo a xana de outrem. O que nos leva a também crer que este “prazer extra” e “supremo” deva ser outra patologia. O sexo dá prazer, todavia, esse “prazer superior” ao natural é produto apenas e tão somente “fruto” da mente doentia de algumas pessoas – será de algumas sós? Pelo o que vemos nos parece que não! Entretanto, como não somos clínicos nos ateremos nos aspectos superficiais da questão. Denominam-na, safadeza.
No entanto, não estamos aqui para criticar ou condenar a opção sexual de quem quer que seja. Mas, apenas para fazer as devidas comparações entre dois acontecimentos simultâneos, que, aliás, começaram a se organizar na mesma época, no final dos anos 70. Já dissemos que tantos nós negros quanto os chamados gays foram comparados às minorias naquele momento. E que, anos depois, desfizeram o mencionado mito. Atualmente já sabemos que nós negros não somos, aqui no Brasil, minoria... E que os gays também não. Bem! Aí então qual é o problema? É justamente aí que novas diferenças começam a se evidenciar e destacar.
Primeira que a maioria dos homossexuais diz que não gostam de negros, mormente pretos, e isso se constitui, na pratica, um direito deles. Por que não? Até por que não temos a quem ou ao que recorrer mesmo isso sendo, como dizem mas não provam, crime. Por outro lado, em contra partida, nós não podemos dizer que não gostamos deles. E agora por força de lei e o apoio da sociedade em geral, paradoxalmente, até mesmo da maioria dos negros.
O segundo se dá por conta que este apoio e amparo da lei e da sociedade são unilaterais e arbitrárias. Nós negros começamos a denunciar na mesma época que estes. E até agora não fomos ainda contemplados com a preocupação idêntica ou mesmo atenção desta mesma sociedade. Muito pelo contrário, a discriminação toma outras roupagens.
O movimento gay há quatro anos colocou – numa marca histórica – um milhão de pessoas nas ruas – sejam elas assumidas ou não em passeata, segundo dizem. No ano retrasado dois milhões. E depois, no passado três milhões. Enquanto que o movimento negro ainda, saudoso, comemora apenas um ato-público pífio, efetuado há 33 anos, que diz ser seu marco histórico. Este que nem foi realmente organizado por ele mesmo, fomos usados pela mesma esquerda política, esta mesma que apoia os gays até hoje, mas que a nos abandonou, logo no primeiro ato... E o movimento negro nunca mais voltou às ruas. E sua eficiência foi a de colocar, na época apenas algumas dezenas de pessoas na rua... E essa prática e evidência continuam até os dias atuais.
Não resta a menor dúvida de que aos gays, em seus eventos, há investimentos e financiamentos. Como o do caso denunciado pelo Deputado Bolsonaro, ao também deputado – Oh! Desculpe-nos. Ele não é do PT... Mas que jeito leva – Chico Alencar. Que cederam alguns milhões para que a passeata seja efetuada. E isso suscita novas dúvidas – ou serão certezas –, e de discriminação. Se esta verba existe por que nós nunca a recebemos para no dia 20 de novembro, por exemplo, dia nacional da tal “consciência negra”. Será esta é menos importante? E por quê? Por certo que não é por falta de parlamentares negros não. Pois na gestão passada, na Câmara dos Deputados, havia 13 parlamentares negros... Ou pelo menos se diziam negros. Pô! Que a verba existe, ah, ela existe, pois o deputado “frutinha” a disponibilizou. Será que os deputados ditos negros não estão jogando de Mandrake para conosco não? Ah! Não tenham dúvidas. E o pano caiu no meio do ato. O pano ou a máscara? Talvez ambos! Mas agora comparar heterossexualíssimo com corrupção... Desculpe-nos, mas não foi pisada na bola não‘, foi sim Assunção.
Entretanto o que mais nos incomoda é que existe um quê de farsa nessa trama toda. Ora! O branco nunca embarca nessas ou em qualquer outra sem visar, no mínimo, como sempre acontecem antecipadamente, lucros. Este é o Sistema Capitalista. Sua essência. E qual será o lucro neste caso? Apenas monetário? Claro que não! E não é necessária nem grande elucubrações para detectá-las. E nem sequer ser PhD, ou sequer ter cursos superiores. Será necessário apenas ser atento e sensato.
As classes dominantes estão em apuros. Não financeiro é claro. Pois quando a inflação sobe elas aumentam os preços e repassam os seus prejuízos para o povo. E quando ela caiu a Bolsa de valores sobe, e eles novamente aumentam os seus lucros... O povo não investe na Bolsa! E nesse momento somente diminui um pouquinho o custo de vida para o povo... E esse fica tão contente! É que, na verdade, todo o seu plano mirabolante de civilização e progresso não caíram por terra não, transpiraram em poluição. E está a cada dia mais fácil de constatar. E também a corrupção está muito, até demais, evidente. O sonho Ocidental de evolução da raça humana aspirou... E somente ele não vê ou não se dá conta disso. Claro que porque não quer. Mas, mesmo assim, se o vê tenta desesperadamente desviar as atenções de outrem, mormente do povo. A qualquer preço ou custos. Pois se não der certo- e sabe antecipadamente que não dará... Quem paga sempre o preço é o mesmo e principal personagem do “espetáculo”: o povo – e aqui, nós outros, as vítimas do preconceito de marca, somos a parte substancial deste... Protagonista do Circo Romano. E não é por mera coincidência não! Este que protagoniza, para o quase sempre, o esdrúxulo papel de vítima eterna. O sparing das classes dominantes. Isso se patenteia nos anais – e por que não? Da minoria branca pobre também. Que não abre mão mesmo de seus poucos privilégios.
Quase todos. Falamos nós, felizmente, por um lado minoritário que não se contagia pela farsa mundana. Porém, mesmo que atenta, só precisa mesmo é se manifestar. No entanto, por outro lado, esta mesma minoria se omite na covardia em se tornando, desse azar, cúmplice das elites. E finda também por pecar, perante Olorum, por omissão. Fica-nos impossível acreditar que todos concordam com tudo que vem ocorrendo. É impossível! Desastroso. Então perguntamos, “por que contemporizam”? A isso somente o futuro dará a resposta.
Certa feita nós frequentávamos um “terreiro” de umbanda que era frequentado também por homossexuais. E havia grande contestação quanto ao fato. Diziam os “machões” do mesmo que isso não podia ocorrer. No que nos pusemos abertamente em defesa dos primeiros. Afinal, estavam ali defendendo as suas crenças, e possivelmente defendendo os seus interesses. Se não cometessem atos que contrariassem as regras da casa nada os podiam impedir de ali estar ou frequentar, era nosso argumento. Todavia, os radicais não se convenciam, não arredavam pés de suas... Hã... Convicções.
Então foi chamada uma entidade espiritual para dirimir a questão. E veio um egum, um Caboclo para sermos mais exatos. E a ele foi apresentada a questão. E sugeriu em resposta dizendo que ninguém podia, de fato, impedir de pessoas, sejam lá de que qualidade fosse de procurar soluções para seus problemas. Estávamos certos! E nesse rumo, que os mesmos tinham o mesmo direito que os demais para ali permanecer e frequentar. Não houve a mais leve ou breve contestação, e, portanto tudo ficou resolvido a contento. Ou quase tudo...
Em determinado momento alguém de nós – não vamos dizer quem! - chamou o Caboclo de lado e indagou, “Mas, Seu Caboclo, o que acontece com esses caras que eles ficam assim”? O Caboclo deu uma esticada de bico, e, torcendo a boca para um lado vociferou: “Safadeza”. E isso nos convenceu.
As classes dominantes sempre, quando se vê acuada, usam de artifícios, verdadeiros ardis, para desviar o entendimento popular... E se puder também comprometê-lo, o que lhes é melhor, exulta. E dentre o povo não faltará, nunca, postulantes a estes absurdos e engodos. Pois a tal “falsa moral” não é atributo somente, infelizmente, das classes dominantes. Mas como dissemos, também nem todos dentre o povo são adeptos destes desvios morais. No entanto, quando estes se constituem maioria... Aí então podemos dizer que será um grande problema, senão desafio. Pois os opressores, dessa sorte (ou azar?) se fortalecerão, e forçarão os opositores ou a aderir ou se submeter à nova ordem compulsoriamente. E é justamente isso que atualmente ocorre por aqui. Todavia, quando o embate – que, aliás, não devia sê-lo -, bate às portas do Congresso e do Judiciário, pois no Executivo já está há tempos permanentemente, mesmo que disfarçado, a questão fica dúbia: será certo ou será errado? Aí então se vence no grito o lado mais forte ou numeroso. E ao que parece eles estão gritando bem mais alto, mas não sabemos se mais forte. Neste, por puro disparate... Até o Ministro Negão entrou nessa dança! Pode? Já dissemos que sim. Porque acontece! Ou pior, aconteceu.
No Congresso a coisa tomou aspectos de descalabro total. Uma “senhora” deputada desafia e agride um parlamentar que tenta fútil e até desesperadamente, defender os seus pontos de vista e conceitos. De ser militar e apologista da ditadura, para nós negros, até que não causa maiores problemas ou transtornos Não faz lá muita diferença, pois a já vivemos uma que duram quinhentos anos... Ou está prestes a se completar... Se chegarmos até lá. Porque o genocídio é concreto e voraz.
Numa atitude típica de “democracia brasileira”, parte ela, a deputada, pra pancada. E ainda se faz de vítima, provocando o opositor de suas “sadias” ideias: a de ensinar nas escolas: dos “benefícios” de se ser gay – nós não vamos novamente perguntar se pode! Há de se fazer justiça, ela não estava só .“Bata-me, me bata”, grita e tripudia ela desesperada no calor de suas emoções. Coisa típica do quem e o que é. E todos à sua volta confraternizam-se com ela. De princípio, ela até parecia uma senhora séria e de respeito – cremos que por isso os seus correligionários a elegeu. Mas aparência aqui no Brasil não diz nada não e nem faz diferença. Até governador de Estado já compareceu a passeata gay! ”E se defendeu: “Eu não sou”. Sou apenas simpatizante...” Porém, não convenceu. Simpatizante os cambaus! Enrustido, sem sombras às dúvidas. “Maricona”, como dizem as próprias “bonecas”. Quem não é não comparece, e simpatizante assiste pela televisão, pensamos nós. E machos e fêmeas de verdade nem a isso se presta. Mas! Como dissemos: “cada um cada um”!
A partir do século XVI os europeus em busca de matérias primas e mercado para as suas mercadorias produzidas por suas indústrias, ora, manufatureiras, estas que suplantavam as suas próprias expectativas e necessidades de consumo. Chegaram às Américas e encontraram mulheres nuas e não entendeu que isso somente fazia somente parte de suas culturas tropicais, diferente das suas. “Sem vergonhas”, “vagabundas”, “prostitutas”, prolataram. E sentaram lhes a pica, e nos homens balas ou escravidão. Somente escapou os nativos que fugiram ou morreram em combate defendendo os seus habitat, daquele bando de invasores e tarados.
Mais tarde foram buscar, em outro continente a além-mar, nativos deste que cujas mulheres, que disseram serem suas “propriedades”, e também sentaram a pica. Lógico que usando a sua força e poder bélica superior – e naquele tempo. E também começaram com a produção destes que atualmente se dizem também negros, e sem nem ao menos ter consciência do que vem a ser isso na realidade. Sabem apenas a metade. E até o são mais que os outros. Em detrimento daqueles que trazem no fenótipo os traços do que Oracy Nogueira (1917-1996) disse serem características das principais vítimas do Preconceito de Marca.
Agora, o mais estarrecedor disso é que fizeram isso tudo em nome de um “deus”, dito por eles supremo, superior e bondoso. Aquele que até enviou o seu próprio filho predileto para que eles executassem e se salvarem – e ainda não se sabe bem do quê! E esse mesmo “deus” que os protegeu – será que ainda os protegem? - e instituiu, segundo eles mesmos, toda a moral que a partir daquele momento histórico passou a propagar e disseminar pelo resto do Planeta. Dizendo-a superior. E agora eles a renegam toda. Dizem ser uma “falsa moral” e que a “evoluíram”, modernizaram-na. E nós outros? Como ficamos nessa história toda? Bem, àqueles que aderiram à nova moda nós cremos que satisfeitíssimos. Quanto aos demais... Aqueles que tiveram sua Cultura, seu Deus e sua Religião usurpada e vilipendiada... Cremos que só resta o sentimento à revolta. Mesmo que ela seja excomungada e condenada, execrada aos olhos de seu “deus” e de sua justiça; o Nosso regozijará.
E como está o tal movimento negro nesta história toda? Ah! Muito bem abrigada. Ele ainda ânsia por uma “sociedade plural, igualitária e justa”. Pode? Já dissemos que sim. Acontece!
São Paulo, 15 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA
v PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v PELO IMEDIATO DESOCUPAR DO TERRITÓRIO HAITIANO!
v PELO CESSAR DO EXTERMÍNIO DOS JOVENS E INFÂNCIA NEGRA NO BRASIL!
v CONTRA DO DESARMAMENTO DO POVO NEGRO BRASILEIRO!
v CONTRA O INGRESSO NO CONSELHO PERMANENTE DE SEGURANÇA DA ONU PELO BRASIL COM DIREITO A VETO!
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