CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!
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SEM PRECONCEITO ALGUM
Agora, sem preconceito algum analisemos a sociedade dominante brasileira. Esta que há quinhentos anos se instalou na Américas e passou a ditar todas as regras, todas as leis e todos os seus credos, pondo-se como paradigma da evolução humana. Bem, forçado até que funcionou! Mas, o que acontece quando essa mesma sociedade começa a negar os seus próprios valores... Quer dizer... De princípio nada.
Há quinhentos anos, nós podemos usar um dos sermões de Pe. Vieira (1608 - 1697) para exemplificar a conduta (?)... Ou pelo menos o discurso da sociedade da época: “Escravos estais sujeitos e obedientes em tudo a vossos {sic} senhores, não só nos bons e modestos, senão também aos maus e injustos... Porque nesse estado em que Deus vos pôs, é a vossa vocação semelhante à de Seu Filho, o qual padeceu por nós, deixando-vos o exemplo que haveis de imitar (O Loco!)” [1]. Grifo meu... E dispensa comentário. Foi só para ilustrar o que vem pela frente...
No entanto, os tempos mudaram. E ao que parece o comportamento da sociedade também. E como mudou! Ela se diz, agora, “evoluída”. Só o que nada e nunca muda somos nós e nossa condição. Estou me referindo a nós negros. Àqueles que o são de verdade. Para as “fantasias” eu creio que já tenha mudado. Até por que eles não reclamam... Só um pouquinho. O que deve ser sinal de que está bom e tudo bem. Os pretos também não reclamam, porém, por outros motivos. Não Podem! Ouviram e atenderam o Pe. Vieira.
Ainda no ano de 1978, quando começou essa palhaçada de “organizar movimento negro” – só agora sei que fora palhaçada, na época pensei ser coisa séria, e por isso aderi... Essa fria. Não por medo de morrer que eu devia ter recusado... É que eu odeio fiascos. E nesse momento os viados também encetaram o mesmo propósito, se organizar para reivindicar direitos. Na época nós éramos ainda considerados minoria. Então fomos postos todos, mulheres, gays, lésbicas – que pra mim é tudo viado – e negros. Eu particularmente achava aquilo estranho. Pois até onde eu sabia os viados também não gostavam de negros. Mormente os pretos. Faziam até discursos, tal quais as mulheres em geral o fazem, até as negras. “Preto pra mim só sapato”, diziam estas. O tempo passou, mas estas, ao que parece não mudaram de opinião a respeito... Mas ninguém liga! Assim como todas as outras coisas “mudaram”.
As bichas eram discriminadas, e também eram consideradas “minorias” – hoje em dia já deram o troco, e eu nunca havia visto tantas! Num congressos delas, ainda no mesmo ano citado, no Teatro Ruth Escobar, uma delas declarou: “O Sistema tem por habito considerar-nos minoria. Mas negro não é minoria, as mulheres idem e viados muito menos”. Eu achei engraçado... Já sei! Está todo mundo perguntando o que eu estava fazendo lá. E eu explico. É que chegou a nossa sede um convite para o tal congresso. Então os “machões negros – estes que a maioria, no final, acabou assumindo” ficaram arredios. Pô! A Ruth Escobar, mesmo que demagogicamente, estava nos dando a maior força. E nós não podíamos deixar de atender um convite teu. Mas os “machões” não se decidiam... Quem iria.
No final de muita discussão eu me decidi e disse; “Eu vou!” Nossa!!! Foi um escândalo. Todos me olharam atônitos. Uns com ares de malícia. Eu recebi até algumas piscadelas e tudo. Mas não me abalei. “Esses viados vão ver!” Pensei comigo. E lá fui eu e a minha... Hã! Mulher – esta que mais tarde também acabou assumindo que era também “entendida”... Não me pergunte no quê! Anos mais tarde.
Entretanto, tudo isso é passado. O tempo passou... E as coisas também. Os viados começaram por pôr um milhão na rua, depois subiu, no ano seguinte, para dois milhões, no ano passado foram três... E a gente não sabe mais onde isso vai parar. Mas como disse, não é preconceito. Talvez um pouquinho de inveja. Imagine! Nós negros e os demais grupos começamos todos juntos, as “minorias”. As caras já colocam milhões na rua em passeatas... E nós, ainda, gastamos todo o nosso esforço e talento para pôr uma meia dúzia no dia 20 de novembro, dia nacional da... Hã! Ah! “Consciência Negra”. Um dia aí que eles inventaram. E dizem que em homenagem a Zumbi – o clone é claro, pois o nosso é de Angola Janga – dos Palmares.
Tudo bem que nós da resistência negra entendemos que há falta de investimento. O Deputado Bolsonaro – que, aliás, estou com ele em 99% no que disse, somente discordo sobre os presos e os direitos humanos. Nisso ele foi mal -, denunciou um deputado petista, o Chico(a) Alencar, que disponibilizou verba de alguns milhões para que elas pudessem fazer a sua passeata gay. Pode? Lógico que sim! Já foi disponibilizado... E aqui é brasil... Ah! Desculpe=me, é com letra maiúscula. Mas eu estou falando é da safadeza.
Então eu me pergunto: “Será que ele também disponibilizaria esta mesma verba – ou até um pouco menos já servia – para o tal dia supracitado?”. Claro que não! Somos todos iguais, mas viado é viado e negro é negro – só se difere se for preto ou mulato. E o que fazer com as bichas pretas? Que dizem que são também discriminadas? Bem, isso é problema delas. Além de ser negras ainda querem ser viados!
SALTO À FRENTE DO STF, destacou a manchete no jornal de ontem[2] sobre ao casamento gay. Volto a novamente a pensar! A nossa denúncia sobre o genocídio que se abate contra o nosso povo, o povo negro brasileiro, ele, o Supremo Tribunal de Justiça, não aceitou! Será isso discriminação? Claro que não, no Brasil “não existe isso”. Pelo menos falam. E quanto a nós? Não adianta falar. O que adianta? Ora! Sei lá! Só não vale dizer que é ser viado também. Aí eu peço exílio! E usa até mesmo a Constituição: Artigo 3º; Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de discriminação (é brincadeira isso?).
Mas falando sério – será que eu não estou falando? -, as classes dominantes são cheias de ardis e artimanhas. E eu outrora achava que somente o povo não entendia isso. Devida à ignorância impelida que lhe foi imposta. Mas agora descobri que não é bem assim. A classe-média também a é. Imagine! Não faz nem trezentos anos que a Inquisição passou. Que o povo não tem memória eu já sabia. Mas, agora a classe-média...
As classes realmente dominantes – por que a classe-média, definitivamente, não o é, só inicia a escala -, em momentos de crise aguda fica “liberal”, às vezes até libertina. Isso, porque não se expõem é claro, só prende o rabo de incautos. Dá corda, dá corda... E depois, quando é oportuno puxa de vez. E quem estiver com ela no pescoço que se dane! Quem viver verá! De momento é apenas um cala boca. Aquela velha história, quando for reivindicar e denunciar austeramente ouvirá: “Você não pode falar”, e o complemento, “E você sabe por quê!”.
E quanto ao negro... Ah! Este não pode falar mesmo há muito tempo, desde o princípio desta história. Mas, obviamente, por outros motivos... Por que é frouxo e burro, além de covarde.
São Paulo, 8 de março de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA
v PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v PELO IMEDIATO DESOCUPAR DAS TERRAS HAITIANAS!
v PELO FIM DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE E INFÂNCIA NEGRA NO BRASIL!
v PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!
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