sábado, 14 de maio de 2011

POLÊMICAS À PARTE!


 

Crenja
Centro de resistência negra jagas angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!

(veja mais em nosso blog)
Blog: crenja.blogspot.com

RACISMO OU PRECONCEITO

No Brasil há a prática, constante, de se confundir as coisas, e na maioria das vezes propositalmente. Mormente no que diz respeito aos assuntos que envolvem negros e que sejam de interesse das classes dominantes e brancas (ou será que isso não existe também?). E os motivos são óbvios. São os de nos confundir, aproveitando-se de um antigo ardil, o de nos deixar, propositalmente, confusos, fora e longe das escolas e da realidade, e porquanto, a maioria ainda ou é analfabeta ou não tem nem mesmo o curso fundamental completo. Lógico que isso também nos mantém impossibilitados de entrar no mercado de trabalho e entender toda esta patifaria que campeia. E a ”desculpa”? Ah! É a de que “nós não estamos preparados”. Se esquecendo – ou, o mais provável, que nós somos quem não temos interesse por estudos ou pelo trabalho, e, portanto, somos os principais responsáveis pelo fato – ou, ainda, se fazem de bestas mesmo.
Não obstante, isso é tudo pura lorota. Pois foi meticulosa e primorosamente arquitetado pela própria sociedade branca... E atualmente é usada ardilosamente pelos mulatos. Estes que mesmo também sejam discriminados – em escala menor são claro -, todavia alimentam ainda a possibilidade de acordo e integração a esta sociedade esclerosada e amoral. Ah! E ainda eles, os mulatos – que se ofendem quando assim são chamados por nós, mas, adoram sê-los chamado pelos brancos, como sinal de reconhecimento - , e se mostram ofendidíssimos que fazemos tal leitura... Todavia, não querem discutir a respeito. Por que será? E também apostam alto na nossa possibilidade “de sermos acéfalos”, assim como reza o branco. E estes se contentam em serem reconhecidos de ter pelo menos a metade, originária, de seus “lados brancos”. Mas são uns antas mesmos! Acreditar logo em quê? Nos seus lados brancos. Estes que até pouco tempo atrás, devidas as “descobertas” científicas e tecnológicas que os brancos desenvolveram durante os séculos XIX e XX... Todavia, que ora se apresentam como tormento, verdadeiras tragédias do mundo contemporâneo. Eles somente insensata e insistentemente relutam em reconhecer o fato... Mas o terão em breve. A História é implacável. E já me dizia um antigo e saudoso mestre: “Com a História não se brinca!”.
O que até pouco tempo atrás a ciência do branco reconhecia era que, segundo a Biologia, os mestiços se constituem numa sub-raça.
“Raça não existe”, diz agora os hipócritas brancos. Após usarem e abusarem das “benesses” de sua existência outrora. Mas agora, ao que lhes parece, a definição começou a ficar perigosa demais para eles. Pois os negros passaram a utilizá-la para se organizar... Então, de repente, parou de existir. “O que existe são etnias”, dizem os sabichões... Entretanto, o dicionário diga-as sinônimos. Em quem acreditar? Foram eles mesmos que criaram também o dicionário!
Outra inverdade é dizer que “os negros têm racismo contra os próprios”. Ora! O mesmo dicionário diz que “racista é aquele que prega que a sua raça é melhor que a de outrem”, e como pode um negro dizer que a sua é melhor que a de outro negro? Não faz sentido! No mínimo isso é apenas preconceito – que, aliás, existe, e todos nós somos portadores deles. Se não todos pelo menos de alguns. Subjetivo e absurdo achar-se melhor que outrem, mesmo que sejam da mesma raça. Achar-se superior, não racialmente, mas, por exemplo, de classe – que, aliás, é outra asneira – e intelectualmente. Afinal, quem é dono da verdade e do saber?
Há poucos textos atrás dizia eu que nós pretos somos discriminados até pelos mulatos aqui no Brasil. E que atualmente eles se dizem também negros, em detrimento à nossa existência e experiência, pois somos, ora, discriminados também por estes, que também fingem ignorar a nossa existência e condição humana, seguindo o modelo e ensinamentos dos brancos.
É também esta uma questão cultural. Na América do Norte, compulsoriamente, todos aqueles que até a quinta ou sexta geração tem alguma ascendência africana na sua árvore genealógica é considerado negro pelos brancos. Aqui não. Devida a uma série de fatores, dentre os quais o contingencial. Os descendentes de africanos – assim como os próprios que foram contrabandeados após 1850, quando o tráfico estava proibido – constituíram-se maioria. Aqui seria simplesmente loucura o branco bradar, “Eu não gosto de vocês” ou “Vou acabar com todos vocês”, assim como puderam dizer nos Estados Unidos. Pois lá, em 1863, data de suas abolições de escravatura negra, os negros eram apenas 20% da população total. Enquanto que aqui não. Éramos algo em torno de 78,78%, segundo Malte Brun em 1830, em seu Tableau Statistique Du Brésil publicado na França (Importante também é acrescentar que os mulatos já estavam incluídos nessa cifra total, e que naquele momento nós éramos maioria e os mulatos minoria).
Aqui no Brasil esta definição de pretos, mulatos ou pardos, sabe-se lá o que mais, era respeitada mesmo pelos próprios mestiços, isso até a década de 70. Nesta, que no seu final começou o intento de formarmos entidade política visando defender os interesses dos negros como um todo. Neste a intenção era boa, mas... O desempenho da FNB[1], neste afã fora pífia, segundo minha avaliação.
Até então, como eu já dissera anteriormente, os chamados mulatos tinham orgulho de assim serem classificados, nutriam até certo prazer, mórbido diga-se, de sê-lo, e ainda se vangloriavam de serem descendentes de europeus. Quanto mais arianos ou nórdicos, ah! Era melhor. Diziam ter orgulho disso... Depois mudaram! De repente, e, ainda, não explicaram por qual motivo ou por quê? Ora! Talvez por medo de não convencer!
Em 1990, quando eu estava retomando ao movimento negro, após um longo período de 10 anos de exílio forçado, quando não vi pretos no tal movimento questionei ao seu também tal “militante histórico”. Perguntei-lhe: “Meu! O que ocorreu com os pretos de movimento negro? Não hás mais nenhum?”. Ao que ele não respondeu. Limitou-se a me olhar com aquela cara de bunda que, aliás, sempre a teve, o que lhe dá a aparência daquele personagem Zé Grandão de Walt Disney, e se mandou.
Dias depois me deparei com o Doutor Dennis de Oliveira, que naquele momento ainda não tinha o título, mas era militante da UNEGRO, no gabinete do ex-vereador Vital Nolasco, na Câmara Municipal de São Paulo, onde militávamos no grupo de negros. E este foi logo me interpelando: “Que negócio é este Neninho? Ocê tá querendo expulsar os mulatos do movimento?”. Eu nem me permiti ao direito de perguntar quem o dissera. Conhecia já o suficiente o sinistro personagem. Simplesmente me limitei a desmentir e expliquei o que de fato dissera. No que ele, naquele momento, concordou comigo. Mesmo por que eu sou, modéstia à parte, a maior vítima da discriminação dos mulatos contra pretos no âmbito do movimento dito negro contemporâneo. Entretanto, tenho outros exemplos evidentes a expor.
O argumento destes, em defesa própria, é o de que com suas inclusões nós seríamos maioria. Então eu pergunto: “E qual é a vantagem prática disso?” Historicamente as maiorias nunca mandaram em nada. E nem sequer comandaram. Foi sim, sempre subjugado, oprimida e explorada. Até mesmo no suposto “socialismo”. Ora! Atualmente circula no cenário de movimento negro – pois eu ainda não vi a informação oficial divulgada pelo próprio IBGE[2] – a informação de que somos, mesmo junto aos mulatos, 51,3% da população. Ah! Somos maioria! E o que mudou? Nada. Continuamos a ser uma maioria explorada e discriminada. O que prova que contingente não vale nada, a não ser para ser explorado. O que prevalece é o intelecto. Isso é se for bem usado corretamente... E na direção certa.
No começo desta que convencionaram chamar de nova fase de luta do movimento negro brasileiro até que havia um número considerável de pretos. Tenho como exemplo o Edmilson.
Edmilson era um negão corpulento e extrovertido. Quando, por sugestão de alguém, foi encetada a ideia de fazermos teatro ele foi escolhido para fazer o papel de Chico Rei, naquela versão absurda de que este saia com os cabelos cheios de pó de ouro da mina, e ao chegar a sua “casa” – ou senzala sabe-se lá, a versão não deixa isso claro - lavava a cabeça. Recolhendo-o juntou capital suficiente para comprar a própria alforria e posteriormente a de outros seus companheiros de infortúnio. Como que naquele tempo o branco já fosse trouxa. Hoje até que o é, mas por outros motivos. Que não o de dinheiro é claro. Pois nisso eles sempre foram bastante “expertos...” Até demais. Expertos e ambiciosos, pois o querem sempre tudo e somente para eles.
Mas, voltando ao Edmilson, em determinado momento chegou uma mulher exuberante, a Nega Dida. Ela era irmã de outra companheira nossa e tinha aquilo que se chamava de cintura de pilão, e com a devida vênia, um rabo que não tinha mais tamanho, que os brancos chamavam pejorativa e maliciosamente de “nega mina”. A mulher apavorou todo mundo. Eu mesmo me odiei por estar compromissado naquele momento, e de uma também militante. Mas sabe-se lá por quais ironias do destino a tal Nega Dida se embandeirou pelo tal Edmilson. E foi um “escândalo”! Todo mundo foi contra. E teceram os mais estapafúrdios dos argumentos. A vida da Nega Dida no movimento desandou. Virou um Inferno... E a dele também pra não variar. Mas isso durou até a Nega Dida vir perguntar a mim o que estava acontecendo. Então eu lhe expliquei: “Ora, desde que ocê chegou que todos aqui ficaram loucos, por ocê é claro. E confesso, até eu... Entretanto eu tenho outros métodos. Mas, ocê foi logo se enrabichar pelo negão aí!”. Ela ficou perplexa.
Tempos depois, quando voltei de meu primeiro exílio, perguntei pelo Edmilson, “Morreu de AIDS”, vociferaram maldosos e venenosos. Naquele tempo a doença tinha apelido de Peste Gay, sugerindo que ele também o fosse. Wanderlei Maria Rosa foi outro, também preto foi acusado de morrer do mesmo mal. Esse eu não posso dizer se era mesmo viado ou não, pois o vi apenas umas poucas vezes pessoalmente. Porém, teve o mesmo diagnóstico funeral do movimento negro. Se for mentira que Olorum os tenha.
“Ser viado não tem nada!”, isso por que eu não sou. Se o fosse todos veriam como teria! Estou com o Deputado Bolsonaro até a morte. Se ele for crucificado quererei sê-lo junto. E parafraseio o Dimas, “Senhor, quando entrares no Reino do Céu lembre-se de mim”. É óbvio que não entrarei, pois sou de outro credo. Já fui do candomblé e hoje sou do culto aos Orixás Africanos. É a mesma coisa? Não! Não são não. Decididamente não. E eu estou fora do candomblé justamente pelos mesmos motivos que alega o parlamentar. Nossa!!! Como tem viados e roçadeiras naquele antro! Afinal, isto aqui é um país de fato ou um bordel? Vocês brasileiros têm que decidir! Como dizia Lucas, o Apóstolo, segundo Helen White, em sua biografia. Ela atribui a ele a seguinte frase: “Os primeiros sintomas da queda de uma civilização é a quebra de princípios morais”. Antiquado? Talvez eu o seja... Mas, paradoxalmente, foi justamente com os brancos mesmos que eu adquiri esta educação! Agora eles querem de repente mudar tudo! E sem consultar os mais velhos e a mais ninguém. Ah! Assim não dá! Será que o Congresso não tem mais nada de sério a discutir? Eu dou uma sugestão: que tal discutir o genocídio do negro brasileiro? E aí? Forcei? Eu acho que não... Mas se é coisa séria que estão procurando... Nós negros temos provas suficientes para sustentar a acusação em quaisquer tribunais do Planeta, quiçá, do Universo... Menos aqui! Que se diz um país sério. Agora! Sinceramente senhora deputada, comparar heterossexualíssimo com corrupção... Sinceramente, a “senhora” pisou na bola! E se ele tiver que sair o Congresso, eu creio que tem mais uma penca que também deverá fazê-lo... E o Congresso Nacional ficará vazio! Pois, do jeito que a coisa anda nós não teremos nem mais a quem por lá.
Outro foi o José Carlos. Este era estudante de Direito. Apareceu no movimento e começou a se destacar. Também é preto – se tivesse morrido com certeza também seria “gay”. Nesse tempo o tal movimento negro era “machista” ao extremo. Agora, não sei, mas ao que parece esta assaz liberal... Até demais pro meu gosto! Mas somente dorme neste barulho quem não o conhece! Hoje o Zé Carlos está morando na Cidade Tiradentes, em São Paulo. Mas também não conseguiu ficar por muito tempo na sela do movimento negro. Também era preto... E também se enamorou pela Nega Dida... E parece-me que foi correspondido. Ah! Mas isso já é fofoca. E macho de verdade não deve se meter com tal.
Os hoje Doutores, Celso e Wilson Prudente, eram ironizados, por trás. Apelidaram-nos de Pego e Nego, aqueles dois corvinhos personagens de desenho animado de Hanna Barbera. Admitamos que eles, naquela época, eram terríveis, mas o apelido tinha um quê de exagero e discriminação. Era no mínimo preconceituoso e pejorativo. Bem, não preciso falar que ambos eram pretos!
O Hamilton Cardoso, apesar de ser um dos principais articuladores do movimento era um dos mais contestados. Foi tão sacaneado que findou por ficar severamente pirado. O último encontro que tive com ele, isso foi num trem do Metrô... Ele já não estava falando coisa com coisa... O que também me fez lembrar-se dum episódio ocorrido comigo, que me marcou, e que me fez optar – pois eu me considerava até então, erroneamente, ateu. Mesmo crendo na existência de Deus. Eu ainda não conhecia Olorum -, pelo candomblé.
Um dia eu estava no terreiro de Wundembe Wuasse, ou Osvaldinho, como era mais conhecido. E em determinado momento ele “virou”. Havia também presente um ogã da Casa, o Guinão. A personagem incorporada em Wundembe não falava, apenas fazia gestos. E em determinado momento o Guinão me alertou, “Ela está falando d‘ocê”. Eu fiquei perplexo. Primeiro por que ele estava se referindo a “ela”, e o pai-de-santo então, ou até então, eu o tinha como homem. E segundo, até então eu imaginava que “ela”, fosse quem fosse, não me conhecia. Como então se poderia se referir a mim? Achei tudo aquilo muito estranho. Eu não era ainda muito familiarizado com este negócio de Orixás. Eu estava começando. Isso no princípio do movimento negro, em meados dos anos 70.
Dada a minha cara de perplexidade o Guinão entendeu e concluiu, “Quem está aí é Oyá”, e eu continuei atônito. E ele completou, “É Iansã”. Por este nome eu a identifiquei. Mas continuava curioso sobre o que Ela falava de mim. E ele também traduziu, “Ela está dizendo que ocê tem que fazer santo, e o mais breve possível, pois senão ocê ficará louco”. Minha perplexidade então se elevou à enésima potência. “Ficar louco? Ora! Por quê?”, pensava eu com ingenuidade e comigo mesmo... Somente vim a entender o significado daquelas palavras anos depois. Muitos anos depois. Para ser mais exato, recentemente. E aos trancos e barrancos fiz minhas obrigações. Hoje sou um axogum da própria Oyá, no candomblé. E este é um título que ninguém poderá me tirar. A não ser a própria, isso é claro. E ao me recordar disso eu sempre me lembro do Hamilton e de nosso último encontro... E passei também a “entender” melhor o tal movimento negro. Volto a repetir, o Hamilton Cardoso não se suicidou, ele foi impelido a isto. E o tal movimento negro foi o pivô, ou pelo menos deu a maior força para que isso acontecesse. Indubitavelmente.
Poxa! Eu nunca havia visto tanta patifaria. Disso eu tenho plena certeza, pois, vi, senti, vivi e ainda vivo a experiência na pele.
O que dizer do Adão? Um negro que – ah! Deixe-me corrigir, ele não é só negro, mas também preto -, eu o achava comportado demais para preto, pois, naquelas condições em que a tal movimento negro “progredia” era quase difícil, senão impossível, não se rebelar. A última notícia que tive do Adão, pois há alguns anos que não nos encontramos, disse-me que ele está também pinel. E os motivos são fáceis de detectar. Adivinhem a cor dele? Acertou!
Todos estes personagens que ora relato estão fora do tal “movimento negro”. Menos o professor Eduardo de Oliveira. O Dudu, como eu gosto de chama-lo, que, aliás, é um apelido familiar. Ele tem uma personalidade atípica a um preto. Ele sempre educado é extremamente concordado. Está sempre de bem com a vida e com todos. Mesmo em situações das mais extremadas e adversas. Daquelas que qualquer cordeiro sairia doido dando chifradas... Ele contemporiza. Mas também não ficou no MNU. Saiu, não sei quando, e criou a sua própria entidade, o CNAB[3]. Não obstante, da última vez que nos conversamos, por telefone – recebi a notícia de que ele esteve doente. Deram-me o endereço do Hospital no qual ele deveria estar internado. Fui até lá e não o encontrei. Creio que já tenha melhorado. Pois se tivesse piorado... Ah! Eu saberia de pronto. É como diz o ditado: notícia ruim corre como o vento ou fogo em mato seco. Já notícia boa ainda está nos tempos dos correios!
Naquele momento do telefonema em determinado momento ele me diz, “Neninho, ocê tem que escrever um livro sobre o movimento negro”. Ao que lhe respondi, “Por que ocê não escreve? Afinal Ocê também é escritor”. E ele com sua voz calma me responderam, “Não! Tem que ser ocê”. E eu entendi o recado. Mas o que mais me alertou em sua fala foi quando ele concluiu confidencialmente, “Olha, quem fundou o movimento não foi um só!”.
Bem, não é somente por uma questão de modéstia que eu vou me omitir neste relato. É que minha história ao nível de movimento negro já é por demais conhecidas. Óbvio que a versão apresentada é sempre a deles, do tal movimento negro, que, aliás, de negro somente tem a denominação. O resto é resto mesmo. Falam de mim, nele, o diabo a quatro, no entanto, nada do que falam podem provar. Numa escalada de um a cem por cento, cento e dez é mentira. Ou pelo menos, como digo, eles não podem provar. Fica porquanto, por conta de mero boato. E lanço novamente o desafio. Já disse, tenho direito a três revisões nos processos que dos quais cumpri, integralmente, 14 anos e meio... E somente preciso de um dado novo para acessá-los. Ah! Fui abrir o jogo. Agora eles não vão me dar à chance. Ah! Eles são tão ruins! Tão maus! E também porque não quero ser também acusado de estar legislando em causa própria. Prefiro fazê-lo no congresso. Será que este acontecerá? Pago pra ver. É como diz o Rafael Luís Pinto, o Xuxa – outro branqueiro inveterado, apesar de preto -, “Não devemos lavar roupa sujas no quintal alheio”. Mas acontece que o movimento negro não quer lavá-las no próprio quintal! E de roupas sujas é só o que tem. Sujas sós não! Encardidas.
Ah! Já ia me esquecendo do Doutor Juarez Tadeu Xavier. Este que apesar de sua erudição vive esquecido, e de ser também fundador da UNEGRO[4]. Este também nunca chegou a ser na sua entidade, coordenador geral. Será por quê? E eu também me esqueci de lhe perguntar se foi por vontade própria. Bem, se ele mo disser eu corrijo... Hum! Ele também passou, aliás, iniciou a sua militância no MNU.
Não me venham com esta que eu quero expulsar os mulatos do movimento negro! Eu nunca disse isso e nem o quero. Não sou burro! Somente o que quero é que estes mulatos que se dizem militantes que assumam de fato o seu lado negro – já que, inegavelmente, têm os dois. Mas terá que descartar um deles para demonstrar sinceridade. Pelo menos para com um deles. O que não dá é ficar encima do muro e ainda discriminando os pretos de maneira igualmente “sutil”, no entanto, bárbara, como os brancos. Desta forma será mais honesto e, também, será tudo muito mais fácil entendermo-nos. Afinal, contingente é contingente. Mesmo que só para fazer soldados! Somente terão que deixar claro e provar que assim o fizeram. Ou são negros ou são brancos! Eles decidem! Ou então assumir, de vez, o lado branco e parar de encher o nosso saco. Ou então lutar de fato. Paciência tem também limite. Aí então saberemos declaradamente quem são os reais inimigos e os aliados de fato. E não serão considerados meramente pérfidos. E também apenas por uma questão de caráter. Aqueles que o tiver.
Agora, para aqueles que acreditaram que nós negros nunca iríamos acordar que fiquem alerta... Pois já não mais passarão batidos. Olorum está conosco. E quem não quiser acreditar, creia que tudo que está ocorrendo atualmente é apenas obra do acaso. E não precisem rezar!
Declaro, portanto, que todos os que acima eu citei são pretos. E cabe ao movimento negro explicar o porquê estão fora... E não a mim. E também por que não há pretos no movimento negro? Nossa! Que incongruência.  Mormente em posição de direção? Qual é o problema? Diga que iremos resolver! Em tempo.
É isso aí Senhor Bolsonaro: Peroba neles!
São Paulo, 13 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA
v  PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v  PELO IMEDIATO DESOCUPAR DO TERRITÓRIO HAITIANO!
v  PELO CESSAR IMEDIATO DO EXTERMÍNIO DE JOVENS E CRIANÇAS NEGRAS NO BRASIL!
v  CONTRA O DESARMAMENTO DO POVO NEGRO BRASILEIRO!
v  CONTRA O INGRESSO NO CONSELHO PERMANETE DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!
v  PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!


[1] Frente Negra Brasileira.
[2] Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico.
[3] Congresso Nacional Afro Brasileiro.
[4] União de Negros Pela Igualdade (?).

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