sábado, 21 de maio de 2011

E AGORA BRASIL!


Crenja
Centro de resistência negra jagas angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!

(veja mais em nosso blog)
Blog: crenja.blogspot.com

TROCANDO EM MIÚDOS
Até a poucos dias atrás nós tínhamos grandes motivos para sermos alienados à nossa própria condição e origem. Não sabíamos mais se éramos ou não negros, não sabíamos se éramos brancos, não sabíamos se éramos ambas as coisas ou se não éramos coisa alguma. Éramos apenas aquilo que ainda dizem que somos: um traste humano. Então surgiu o movimento negro para resolver a questão e aos nossos problemas... E acabou por estragar tudo mais ainda.
Como dissemos o movimento negro nacional não nasceu de uma nossa necessidade própria, e como sempre, nasceu da necessidade de outrem, dos brancos, para sermos mais objetivos. Tudo bem que de esquerda... Mas, da esquerda branca... Também para não variar!
Na década de 60 a Guerra Fria chegava ao seu auge. Contrariando a Doutrina Monroe, de 1823, que prega “A América para os americanos, mas não se embriague não! Ela está se referindo apenas aos americanos ricos e brancos estadunidenses, para sermos mais exatos, à burguesia branca” A União Soviética resolve invadir também o Continente americano. Pois, até então, a contenda se dava apenas no Leste europeu, na Ásia e na África. Mas ainda não havia chegado ao Continente americano, ode os Estados unidos, apesar de republicano, reinava – e ainda reina – “impecáveis”.
Em 1959, Fidel Castro junto a outros, Inclusive com seu companheiro Che, derrubou do poder o ditador Fugêncio Batista, e tomaram a Ilha de Cuba, e não se sabe ainda por que, mas com a ajuda até mesmo dos Estados Unidos...  – ah! Isso a escola não te contou né? Pois é! É sempre assim!
Já em 1962, Cuba – ou Fidel, sabe-se lá... A escola também não conta! - resolveu mudar de lado. Cuba virou socialista e começou a receber ajuda da União Soviética. Então Che Guevara teve que deixar o Ministério que ocupava e também de frequentar os cassinos de Las Vegas, onde exibia seus exuberantes charutos Havaianos e deixava – partido do princípio que em cassinos ninguém, ou esporadicamente alguém, ganha – lá pequena fortunas que amealhara com a revolução.
Entretanto, a 1ª Internacional não iria lhe dar trégua, e o enviou ao Continente, onde deixou a boa-vida em território boliviano, em 1967, morto. Porém, não fiquem tristes com as escolas não, elas não têm culpa. Pois são obrigadas pelas classes dominantes a mentir ou omitir fatos, mormente aos pobres e aos negros. E nem tão esmorecer quanto quando ouvir algum dia que foram os próprios americanos que implodiram o World Trade Center. Por isso ele não podia ser preso vivo, e nem tão quanto mostrar as suas fotografias enquanto morto. É que faz parte do script mundano. Assim como fizera Nero em Roma, Adolf Hitler em Berlim e vai por aí afora. Aqui no Brasil houve apenas uma frustrante tentativa de implodir o Gasômetro, assim como uma festa do Dia do Trabalho, no Pio de Janeiro, e culpar os comunistas, mas que acabou explodindo no colo do próprio Sistema. Coitado! Talvez tenha sido acidente, mas acreditamos que por imperícia mesmo.
Ah! Mais tudo isso já foi perdoado pela “Anistia Ampla, Geral e Irrestrita” – nesta se anistiaram também do racismo e do preconceito. Óbvio, que somente os contra nós negros. Mas, recordar é sempre bom... Dizem que é viver. Imagine! Viver de recordação. Afinal, o que mais nos restaria? Os americanos precisavam apenas de um forte motivo para atacar o Oriente Médio. E pelos motivos que todos nós já o sabemos. Aliás, isso não muda há milênios!
Mas, voltando ao Brasil e à era contemporânea... Aqui ela, a Internacional, precisava de um mote para desestabilizar o governo militar, e a questão racial lhe foi providencial... Já que os estúpidos negros nacionais não sabia mesmo como administrá-la!
No jornal Versos – um jornal gay, diga-se de passagem – trabalhava um estudante de jornalismo chamado Hamilton Cardoso, e por coincidência ou não também participava de uma tentativa, deveras frustrante, de se formar o tal de “movimento negro”. Isso era a moda na época! Em África os negros lutavam por retomar seus territórios ocupados desde século passado, e nos Estados Unidos os mesmos lutavam por direitos civis. Ah! A mulatada brasileira – por serem mais inteligentes por terem um “lado” branco – não podiam ficar de fora! E com a ajuda da esquerda branca fizeram um ato-público, em 1978, que mobilizou algumas centenas de pessoas – milhões aqui somente mobilizam os viados, com os quais se juntam os Poder Executivo, Legislativo e o Judiciário (e até a polícia!), em defesa da sua “nobre” causa...
... E tudo ia muito bem, obrigada. Até que... Até que a TV Record, em 10 de maio de 2011 – ainda também não se saber por que – resolveu investigar a trajetória do trafico de escravos e publicar... E pôs a tona um passado que, indubitavelmente, nem o tal negro brasileiro queria mais recordar ou que fosse revelado. Já estava tudo certo! Faltando apenas uns breves retoques.  Já estávamos à apenas alguns passos da tão almejada “democracia racial brasileira”! De uma “sociedade plena, plural e igualitária”. Onde negros brancos e índios, todos de mãos dadas dançariam ciranda cirandinha, ou talvez – o mais provável – o vira. E viveriam felizes para o resto da existência humana e eternidade. A primeira, aliás, ao que parece não que vai ter mais muito tempo de duração não. Ora! É o progresso da raça humana que chega ao seu galopante, “glorioso” epílogo de “esplendor”. Quem quiser melhor que nasça em outro Plano. No Culto aos Orixás há nove (9). Em outro Planeta não resolve... Pois, já “estamos” chegando lá! Nós quem? Ora! Não amole.
E agora negrada brasileira? O que dirá? Os Mesticinhos da Silva, que hoje já são maioria, porquanto sentirão o drama em apenas a metade. A maioria preta é analfabeta – se for por culpa própria ou não pouco importa -, não obstante, não estão impedidos de entenderem o vídeo e áudio – o que a Record foi arrumar! Agora não terão mais desculpas. Até podem continuar a ir para a cama com os brancos e gerar mais mesticinhos. Podem! Até podem miscigenar, alvejar e almejar uma plena democracia racial. Podem! Todavia terão que fazê-lo, pelo menos, com a metade de suas “consciências” – se for que as têm. Ah sim! Mas é negra, portanto também ignorante como todo negro brasileiro - doloridas. Foi isso aí. Esta é a história de sua metade ancestral. Sabemos que vocês já se esqueceram dela, mas ela existe. Assim como existe também o nosso sofrimento. Pelo menos daqueles que, como dizia Oracy Nogueira, traz na pele e fenótipo as características que estimulam o preconceito de marca, que, aliás, os mestiços também o nutrem. E assim como os brancos também o nega.
E olha que a televisão fez uso de eufemismo. Pois, a coisa foi e ainda o é bem pior. E agora Brasil? Bem, cremos que devamos também esquecer... Ou, vejamos o que dirá o movimento negro nacional. Este? Ah! Já até já esqueceu! Se for que o assistiu... Lembrar pra quê? Isso não dá dinheiro!
Agora, o que nos deixa de fato escandalizado e indignado é ver o senhor Luís Inácio Lula da Silva ir à África e cinicamente chorar e pedir- pasmem! -, perdão! Desculpa pra quem? Pra África? Ora! O Brasil nesta história toda foi mero receptador. Não é para a África que o Brasil deve não. E sim a nós outros, os verdadeiros afrodescendentes. Àqueles que trazem na pele a marca de sua ascendência e , segundo eles, “pecadora” – pecado este que, aliás, nunca explicou qual foi? - e ainda preserva as suas tradições e cultura. Ir à África chorar e pedir perdão é marca indelével e evidente de ironia e cinismo, se não simples acinte àqueles que deveras têm consciência histórica.
Lá, em África, a escravidão acabou segundo a reportagem. Lá “os negros são livres e podem traçar os seus próprios destinos”. Aqui não! Não é à África que o Brasil deve pedir perdão. E aqui nem adianta, não é pedido de perdão que queremos ou esperamos... Até porque não o daremos. O que queremos é no mínimo sermos tratados e respeitados como seres humanos. Não como quaisquer outros, porque o ser-humanos nunca se respeitou, mas por uma questão bem especial: devem-nos. Coisa que, supostamente, o Brasil já reconheceu indevidamente lá... Mais aqui ainda não.
Aqui, não foi atoa que um “operário” – o que ele foi muito pouquinho, diga-se – chegou ao... Hã? Poder ou governo? Isso o PT também ainda não explicou direito. Fica apenas no jogo de palavras. Assim como na América do Norte um “negro” chegou à Casa Branca. Não! Não foi atoa. Existem algumas atitudes espinhosas que branco nenhum se submeteriam a tomá-las. Lá, um “negão” as fazem e aqui o fez um “operário” – que, aliás, somente se lembra disso nos seus discursos demagógicos e talvez nas suas memórias que deixará aos netos. Onde será um herói e nunca vilão. O que obviamente que o foi.
Não nos venha com esta de que o Brasil com o intuito de reconhecimento e de desculpas ou que está empenhando-se em ajudar a África. Isso é mentira!!! Se o Brasil gostasse realmente de negros já teria resolvido os problemas – Ah! Mas quanto eufemismo nosso! Drama mesmo, ou mais objetivamente, tragédia, senão massacre – dessa mesma ordem interna.
O que o Brasil pretende mesmo atualmente é uma cadeira permanente no Conselho de Segurança na ONU. E com direito a veto. A mídia nacional já encetou até mesmo um esfarrapado discurso, diga-se vago e insípido. De que o quer apenas “por pura necessidade de status”, mas isso também é mentira. O que o Brasil realmente pretende e anseia é uma saída “honrosa” para as acusações e espectros de genocídio que paira sobre sua cabeça, afora outras arbitrariedades, é claro. E não é somente o genocídio do negro tão somente, mas também há o dos índios. Em caso de sanção ele pretende vetá-las – não são práticos? Ah! Pragmáticos, fica mais bonito! Aquele jeitinho brasileiro! Eles são muito malandros... E nós negros somos todos imbecis e estúpidos! Mas para nós da Resistência eles são somente malandros é lá para as brancas deles – e para suas pretas e mulatas deles também, pois são todas umas vagabundas. Desta vez o truque não vai funcionar. No passado nós negros éramos todos “pecadores”, e isso justificou a nossa escravidão. Atualmente eles fazem todos juntos às passeatas gays e postulam o direito de se casarem com o mesmo sexo... Não seria isso pecado também? Não! Eles são donos da verdade e também da moral. Por isso mudam por conta própria velhos e consagrados conceitos! Que, aliás, cobraram de outrem no passado. E isso sem o menor pudor. Somente não se purgam por nossa escravidão. Esta culpa também é indelével. Esta que continua perene e insana. Antes tínhamos que trabalhar, de graça... Agora já nem mais podemos fazê-lo... Mesmo no chamado “trabalho livre”. Qual que é a desses caras? Não sabemos.
O Continente africano tem 56 Estados com direito a voto na ONU. E é isso que Brasil está atualmente procurando lá. E será bom que a África tenha conhecimento disso, pois, seja consciente ou não, seja por questões de sobrevivência ou não, ele também nos deve, pois colaborou com a vinda de nossos ancestrais para este Inferno. Lá a escravidão acabou (?), aqui ainda não. E o pior, estamos sendo exterminados. E não somente aqui no Brasil, mas também por toda a América. Nos Estados Unidos apenas a burguesia e classe-média negra se salvou (?), e para cá querem importar o mesmo modelo... O sonho de uma América branca, de ascendência europeia ainda não acabou. E isso é bom que os “negros bons”, brasileiros ou não, não se esqueçam.
Todavia, se diante de todos estes fatos o negro brasileiro ainda não acordar ou se importar, para nós outros, da resistência, pouco importa. E será uma maravilha que não mais tenhamos que nascer negros nestas plagas. Pois nunca vimos uma raça assim tão sem brios e burra. Quereremos nascer negro sim em quaisquer outros lugares do Planeta ou do Universo... Menos aqui. Por que é por demais degradantes e deprimentes. Sermos discriminados por nós próprios! Pela nossa própria raça... Ou o que restou dela.
E os mulatos que façam bom uso de sua “democracia racial”... Isso é se puderem.
São Paulo, 21 de maio de 2011.

Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA
v  PELO IMEDIATO CESSAR DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v  PELO CESSAR DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE E INFÂNCIA NEGRA!
v  PELO DESOCUPAR IMEDIATO DO TERRITÓRIO HAITIANO!
v  CONTRA O DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO NEGRA!
v  CONTRA O INGRESO DO BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!

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