Crenja
CENTRO DE RESITÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!
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AGORA, FALEMOS SÉRIO
Bem, depois de abaixada a poeira de nossos ânimos eu creio que possamos conversar bastante sérios e com clareza. E se possível de maneira sensata. A questão racial no Brasil há tempos que vem sendo escamoteada e distorcida, e justamente por quem a pratica, a discriminação, e seus lacaios.
A maioria dos dados e detalhes que o vídeo que a TV Record apresentou no dia 10 de maio próximo passado já era do meu conhecimento, porque – mesmo que todos olvidem – cultuo o hábito de ler.
O livro A Escravidão, de M. Senin, dá todos estes detalhes, que ora foram expostos pelo Domingo Espetacular, e alguns mais. Ele tece sobre a origem da escravidão. O nome, em inglês, “Slave” tem origem etimológica no termo de tradução “eslavo”, e que aqui traduzimos por escravo. Estes que eram, na Idade Média, usados como mercadoria de troca pelos venezianos, no comércio que faziam com os árabes, que dominavam o comércio no Mar Mediterrâneo.
Carlos Moore Wedderburn, em A História do Racismo: Da Idade Antiga à Modernidade também o faz, fluentemente. O primeiro livro eu não o tenho no HD, todavia, o segundo sim, e já o distribui a todos os meus desafetos “negros” do movimento negro e a alguns amigos. Leram-se ou não eu não sei... Entretanto, os meus “desafetos” tenho a certeza que não, pois continuam com a mesma postura e acinte a meu respeito e, de outra sorte, essas informações não lhes interessam. Pois vão de encontro e detrimento aos seus desígnios pérfidos de emperrar a nossa luta.
Quanto à maioria negra, ou mais precisamente preta, de nosso país é de conhecimento geral que foi mantida na ignorância, até por força de lei, e porquanto não sabem ler. E para esconder tal fato, alegam que não se interessam por livros. Ou mesmo que não gosta de lê-los.
Desculpas à parte, a verdade é que isso dificulta as nossas discussões a respeito dos problemas que nos atingem e afligem, enquanto raça. “Raça não existe”, diz atualmente os brancos, todavia, como sempre, isso apenas para nos manter confusos. Pois, quanto esta definição os interessava ela existia, agora que lhes tornou perigosa, por se tornar motivação para a nossa organização... Deixou de existir. Eles são muitos “espertos”! Mas, somente para as suas brancas, negas e mulatas.
A mulher negra, desde o tempo da escravidão, nos deixaram sozinhos na luta. E atualmente auxiliam os brancos no processo de nos achincalhar. Tudo isso consta dos anais e da pratica.
Volto a repetir, não tenho nada contra mulatos, e nem os quero fora do movimento negro. Isso é invencionice de um mulato safado que todos conhecem, pois até o elegeram “militante histórico” do movimento negro... Isso mesmo sem nunca contar-lhe a verdadeira história, ou outra qualquer que lhe pertença.
Repito, o mestiço não tem culpa ou responsabilidade de sê-lo. Em existindo essas, por certo que serão de seus pais e avós. Da parte negra por evidente ignorância política e histórica; da parte branca, igualmente política e por mau-caratismo.
A miscigenação é, sem sombra às dúvidas, mais uma estratégia, segundo o branco, de acabar conosco. Isso! Mais uma estratégia do genocídio que sobre nós se abate. E isso o branco já disse e diz em versos e prosas. Só não entende quem não quer... Ou seja igualmente safado.
Como disse, o negro brasileiro é “adverso” à literatura – pelos motivos já explicados -, e isso dificulta os seus entendimentos quanto à questão racial. Mas, agora, veremos o que dirão a respeito do vídeo e do áudio. É isso aí! Isso aconteceu com nossos ancestrais – quanto aos mestiços somente com a metade deles – e acontece, pelo menos aqui no Brasil, conosco até hoje: somos portadores do “pecado original”, mesmo sem nos explicar qual foi (?). Ah! Mas quando são eles quem erra... Aí então foi o seu Diabo quem os atentou! Também muito “original”! Diabo este que também não existe na nossa Mitologia Ancestral. Por isso, quando erramos assumimos que somos nós mesmos os responsáveis... E eles não. Por isso devem a Olorum e também para nós.
“Sentimento de mágoa”, não! O nosso irmão angolano esta tremendamente equivocado. A nós outros, do outro lado do Oceano Atlântico, o sentimento é mesmo de revolta. Lá, dizem que a escravidão acabou, mas aqui ela não.
Na escravidão éramos obrigados a trabalhar, agora, em “liberdade” somos obrigados a não trabalhar, e ainda somos taxados de “vagabundos”, “bandidos” e “traficantes”. E isso serve não somente para nos eliminar, assim como, também, nos excluir e deslocar, como fizeram recentemente nos morros e favelas cariocas, e ainda ficaram com mais um de nossos mais expressivos patrimônios: as escolas de samba... Porque estas passaram a nos trazer lucros. Isso também faz parte de suas estratégias genocidas.
E quanto aos mulatos brasileiros eu não vou retirar um ponto ou sequer uma vírgula do que falei anteriormente. Apoderaram-se do movimento negro apenas para defender o seu interesse e o do branco e a posição do branca racista brasileira. Se há alguma exceção dentre eles, estes então que não vistam a carapuça. Por que se a vestirem... Serão iguais. Os mulatos brasileiros, agora, terão que decidir, ou trabalham para Deus (que chamamos de Olorum) ou trabalham para o Diabo – este que, como disse, não temos correspondente mitológico. Exu? Ah! É outra coisa. E bem outra! Este que também foi difamado e discriminado pelos brancos.
É isso aí! Ou os mulatos reneguem o seu lado branco ou assuma-o de vez. Ficar encima do muro já não dará mais para se sustentar. Ou é negro ou é branco, pois raça mulata não existe. Se for negro será nosso irmão... Mas se for branco será nosso, também, inimigo.
E não me venham com esta de que “não são todos os brancos que são ruins”, também porque não são todos que são bons. E aí? Muda o que? Se não são todos ruins o fato de se omitirem, mormente quanto a nossa degradante situação, isso os fazem tão iguais quanto aos outros, por omissão.
O genocídio contra nós negros, por exemplo, eles nunca nos alertaram... Tivemos que descobri-lo sozinhos, e eles ainda tentam encobrir, com suas nefastas omissões. São, porquanto, cúmplices... E os mulatos também. Isso é, inclusive aqueles que são protagonistas, consciente, de nosso extermínio. Quanto a estes não haverá perdão. Somente precisaremos obter provas. Que nos a dêem!
Agora já não há mais desculpa para não lutarmos. Os judeus, na Segunda Guerra Mundial, perderam meia dúzia e capitalizam por isto até hoje, e nós perdemos, segundo relato, 100 milhões, somente no tráfico e na escravidão – de 1888 até a atualidade nós não sabemos, ainda, quantos.
“É que nós preservamos a nossa cultura e religiosidade, por isso resistimos”, dizem os judeus. E nós também? Agora quero ouvir a resposta. O candomblé, o samba, a capoeira e demais manifestações ditas de origem africanas há séculos vem sendo assediadas pelos brancos de maneira maliciosa, que, aparentemente, até já os tomaram todos, pois nos ditam procedimentos e regras, além de também, com a ajuda de mulatos, nos expulsarem da prática. Mas, o dito negro brasileiro, hoje auto dizem “afrodescendentes” (?), dizem também que os preservaram na íntegra. E é agora que vamos ver o que nos resta. O que ainda há de africano nisso tudo. Pô, vai ser legal!
Há um velho ditado que diz: nunca cuspa para cima pois lhe poderá cair ao rosto. Foi lançada a sorte. É isso aí. Foi exatamente isso – olha que há muito mais a ser revelado – que ocorreu com nossos ancestrais. E vai ficar barato? Eu espero que não.
Agora! Avante movimento negro. Mostre-nos, de vez, a sua cara. Explique-nos, também de vez, a que veio! Senão, vá plantar batatas junto aos brancos.
São Paulo, 24 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA
v PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v PELO COMPLETO DESOCUPAR DAS TERRAS HAITIANAS!
v PELO FIM DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE E INFÂNCIA NEGRA!
v CONTRA O DESARMAMENTO DO POVO NEGRO!
v CONTRA O INGRESSO DO BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!
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