terça-feira, 31 de maio de 2011

RECORDAR É VIVER?



CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!                                                                     
(veja mais em nosso blog)
Blog: crenja.blogspot.com

A HISTÓRIA QUE NÃO SE PODE ESQUECER

Há poucos dias atrás chegou-nos uma assombrosa informação que, paradoxalmente, nos deixa triste e aflitiva, não obstante, por outras vemo-nos com compensadores esclarecimentos. Sobre um passado que, apesar da incansável procura, ainda era-nos uma incógnita: o que de fato ocorrera com nossos antepassados, que foram capturados em África e aqui feitos cativos. As informações que recebíamos eram disparatadas, fugidas e distorcidas. Tínhamos um mistério escondendo um passado tão recente. Apenas 500 anos, que para a História nada mais passa do que um piscar de olhos. Todavia, havia algo a se desvendar.
Uma estação de televisão, a Rede Record, por intermédio de se programa Domingo Espetacular e também em referência ao dia 13 de maio, que se aproximava e relembra a todo ano um trágico engodo, a libertação dos escravos no Brasil. O referido programa fez pesquisas durante dois (2) meses, em Luanda, hoje capital de Angola, e outras de suas Regiões, para definir de onde vieram os negros brasileiros. E nos fez revelações horripilantes e estarrecedoras, de um passado igualmente tenebroso, que, confessamos, nunca havíamos imaginados que um dia ainda as fôssemos ser revelados. Assustadoras, assombrosas e revoltantes, por saber do que o branco foi e é capaz na ânsia de sua ambição e sua insanidade. E findamos por entender o porquê nos esconderam por todo este tempo estes fatos. Por puro medo. Não de nós, mas sim da própria verdade histórica. A verdade do que eles sejam realmente. E ainda teimam em querer esconder, dos homens, porém, não de Olorum, que ainda nos assiste, todavia, haverá de julgar.
Aqui no Brasil é de costume dizer que nós negros brasileiros não tínhamos origem. Éramos figuras aberrantes de um passado hostil e de uma região insólita e bárbara. Éramos e ainda somos somente brasileiros, oriundos das senzalas colonialistas sem um passado definido. Daquele episódio para trás o nosso passado era nebuloso, inexistente, confuso e difuso, uma verdadeira treva. Não existia.
Todos ao nosso redor têm uma origem definida, mesmo que miscigenada, entre seus povos europeus, mas todos têm histórias, mormente gloriosas. Somente nós não as tínhamos. Na opinião deles não tínhamos passado e consequentemente também futuro, pois nosso presente ainda é funesto. Estávamos à beira da extinção, porém hoje dizemos nos defender, e para tanto, dizemos também nos organizar.  Todavia, descobrimos agora, nós a temos, e uma história que mesmo pungente não deixa de ser gloriosa, pois a ela sobrevivemos... Por quanto tempo ainda não sabemos. Porém, lutamos por eternizá-la. Sob a égide de Olorum.
Nossa raça nessas terras resistiu... Porém, ora diluída e debilitada ora temos que nos satisfazer com uma miscigenação interna, forçada e evidentemente criminosa. Onde os dizem sermos inexistentes. Onde nosso lado negro é omitido, extinto, apagado, sem qualquer definição e sem brilho. A herança do cativeiro que haveremos de superar.
A miscigenação brasileira é flagrantemente criminosa, por fazer parte intrínseca de um plano diabólico que tem por finalidade nosso extermínio. Em 1882, disse o Imperador Dom Pedro II ao conde Gobeneau que “Dentro de 200 a 300 anos não haverá mais negros no Brasil”, e concluiu, “A miscigenação acabara com todos”. O que denota que esta não é e nem nunca foi um gesto de amor, e sim, um instrumento, uma arma de extermínio e dolosa. Sendo também esta, portanto, uma ordem imperial e porquanto cumprida a risca e literalmente até os dias atuais. Hoje por todos os brasileiros, sejam de qual etnia for incluindo inclusive os mestiços e negros ignorantes que desconhecem seus próprios designíos.
Todavia, o plano de nosso extermínio não tem origem aí, nas palavras do Imperador e nem na sua ordem imperial explícita, ao sabor nacional. O plano tem origem um pouco mais remota. Foi engendrado pouco antes, ainda no ano de 1850, pelas classes políticas brasileiras. Aquela mesma que posteriormente planejou também a “abolição da escravatura” e mais tarde a “democracia racial”.
O Imperador disse oriundo a uma provocação do segundo, talvez apenas por pura emoção. Este que dizia “o Brasil está condenado ao atraso eterno devido a sua mistura de raças”. Não obstante, ainda também não sabemos bem se o Imperador era apenas estúpido por causa de sua origem lusa, ou se era apenas relapso, pois acabou por ratificar o que o insolente visitante, mesmo sendo este seu genro, asseverava a mistura de raças. Acabou de confirmar e asseverar o vaticínio pernicioso. E ele, o Imperador, disse-se achar a “solução”. O que nos remete as outras questões... Ele não disse nada a respeito do futuro de seus mulatos preconizados – era assim que, na época, se chamavam os mestiços. E hoje estes dizem não gostar mais da denominação, mas somente quando são chamados por outro negro. Entretanto, quando por brancos não ligam e até gostam, num gesto explícito de cumplicidade. Ele não disse ou garantiu o que seria deles! Ou quais os seus destinos. E precisava? Nós achamos que sim. Pois senão as suas palavras soariam sinistras, traiçoeira e de má-fé... Como soaram. Mas ele não disse nada. Absolutamente nada a respeito dos mulatos. Somente dos pretos, Que disse acabariam. Aos primeiros ficava entre linhas a possibilidade de salvação, talvez, integração. Porém nunca dito explicitamente... E hoje tentam retornar ao berço biológico de origem... Porém, de forma matreira e pérfida.
E não era simplesmente o fato de compará-los os mulatos a animais de carga não, como se cogitava nos primórdios do movimento negro contemporâneo na década de 70. Óbvios que denunciado pelos próprios mulatos, que ora se diziam ofendidos com a comparação. O termo sim tem outra origem e motivação. Que ser comparado a animais seria mero e óbvio elogio.
Acontece que, até então, a Biologia no período escravocrata não era muito... Ou talvez nada, desenvolvida. Cria-se que então que animais de espécies diferentes poderiam até mesmo se relacionar sexualmente, no entanto não se reproduziriam, não procriariam. Tendo como exemplo o cruzamento do jumento com a égua, os mulos e as mulas, que são estéreis, e deu-se origem ao termo. Este que, aliás, nós achamos até bonitinho – o nome é claro, não os mulatos machos, se for que existem! -, apesar de pejorativo se não! Por ter incluso outros objetivos De início lhes proporcionaria o controle de contingente, naquele tempo. Hoje que querem mesmo é o extermínio total. Como dizia Rui Barbosa, “Apagar a nódoa negra de nossa história” – frase de efeito. Uns entenderam que falava apenas da escravidão, no entanto ele se referia mesmo era ao contingente africano e afrodescendente. E aos sobreviventes, se somente não nos separa ao menos nos diferencia, internamente, biológica e socialmente (e em caso de contestações temos acima o nosso e-mail), pela sociedade os mulatos se constitui em sub-raça. O contato será providencial, pois, precisamos mesmo discutir melhor esta definição de ser ou não negro... Ou de quem é mais, ou melhor, que quem. Por certo não serão somente os estudos adquiridos nas escolas que estabelecerá a tal definição cabal no assunto.
Na época da criação do termo criam nossos algozes que éramos de espécies diferentes da deles. Que não éramos, nós negros, também humanos, e assim, compulsoriamente, nos extinguiriam. Ou pelo menos diziam que assim criam, e isso justificava os maus-tratos pelos quais nossos antepassados padeceram.
Entretanto, voltemos ao fato, esta era a forma que no século XIX os racistas imaginavam nos exterminar gradativamente. Que eram seus sonhos mórbidos, incontroláveis e irreprimíveis. Depois, não sabemos por que, achamos que eles mudaram que se arrependeram e se redimiram. Hoje se dizem bons, e nós o mal. E restando-nos apenas outra pergunta que não quer se calar: e quem estaria certo, Gobeneau ou D. Pedro II? Pelas experiências e visualizações atuais cremos que o primeiro. Todavia, não somente pela questão de mistura racial. Esta que os judeus têm uma máxima que diz “a mistura de duas raças herda a parte pior de ambas.” Evidentemente que não. Pois estes, os mestiços, nem sequer participaram do tão aclamado “desenvolvimento nacional”. Não contribuindo nem sequer com sua prole, o que os tornaria proletários. E não por serem estéreis também não. Mas sim porque também são discriminados. A sua maioria é tão carente e desempregada tanto quanto nós.
Todavia, naquele momento, ao pressentir a inevitabilidade da anunciada abolição da escravatura no país, esta sociedade se preocupava com a enorme quantidade de “escravos” – nós preferimos prisioneiros de guerra –, que se livres e organizados colocariam em risco o poder político e econômico, ora, euro-descendente... E que permanece até agora. Aliás, escravidão, de fato não terminou em 1888, apenas mudou de roupagem e de discurso. Nós fomos simplesmente lançados das senzalas à indigência. Fomos simplesmente postos no olho-da-rua, sem quaisquer ressarcimentos ou pecúlio. Antes, tínhamos que trabalhar, gratuitamente, agora, no trabalho dito livre já não mais pode nem trabalhar, dizem nos despreparados. Não terá isso um preço?
E mesmo após a promulgação da lei inglesa alberdeen, de 1850, o tráfico continuou desta vez, clandestino. E é a consumação de que as leis somente quem tem que obedecê-la e cumprir são nós... Sejamos pretos ou mulatos. Então por que não fazermos também as nossas próprias leis? Se for isso apenas uma questão de força... Bem, estão dizendo por aí, mais objetivamente o movimento negro, que somos 51,3% da população (oficialmente dizem 50,7%), e que todos são negros. O que será que falta mesmo? Ah! Talvez vergonha na cara. E organização, de fato, também é imprescindível. E isso o estudo a vida e da História dão.
Dizem que por motivo da proximidade do país “produtor”, o continente africano, que naquele momento era apenas um enorme território, sem fronteiras internas. A divisão política se deu somente após a Conferência de Berlim, em 1884 e1885, quando os europeus retalharam e dividiram entre si todo o território africano. E ainda escravizou sua população nativa, nossos ancestrais, em seus próprios territórios. E nós, a nossa revelia, viemos para cá... E esquecemos.
Contemporaneamente, Simão Souindoula, angolano e representante da UNESCO, dá-nos entender que 100 milhões de africanos foram arrancados de África, entre o século XVI e XIX – François Du Bois, no início do século passado, nos deu a mesma cifra. Destes, assevera o primeiro, que apenas 40 ou 50 milhóes chegaram ao ‘novo mundo’ vivos. E que a maior parte viera para o Brasil. Onde será e como estão seus descendentes ? Estamos prestes a desvendar o «mistério ». E vai custar caro!
Em 1830, Malte Brun, publicou em seu Tableau Statistique du Brésil,em París,  a cifra de 1.347.000 brancos para 3.993.000 negros, contados entre pretos e pardos – estes últimos na época já eram, indubitavelmente, minoria, e óbvio, sem a participação contábil dos pretos, e que ora ora assumem a ascendência – no Brasil. Na quele momento a miscigenação estava apenas começando e se acelerou... Assim como o genocídio do negro em geral. Pelos motivos que já foram expostos.
E ainda posteriormente, Edgar Roquete Pinto (1884-1954), médico legista, professor escritor e etnólogo, publicou, baseando-se em estaísticas oficiais, o seguinte diagrama :
DIAGRAMA
De construção antropológica das populações do Brasil, organizados segundo as estatísticas oficiais de 1872 a 1890 por Edgar Roquete Pinto.
ANO                        BRANCOS              NEGROS             ÍNDIOS               MESTIÇOS                TOTAL
1872
38,1%
16,5%
  7,0%
 38,4%
= 100%
1890
44,0%
12,9%
12,0%
 32,0%
 = 100%
1912
(cálculo estimado)
50,0%
  9,0%
 13,0%
 28,0%
  = 100%

2012
 80,0%
   0,0%
  17,0%
     3,0%
   = 100%

Estes dados foram publicados no livro Espetáculo das Raças, de Lilian Schwartz, na página 97. Todavia, antevendo-nos a reação de simplórios, convém observarmos alguns aspectos. Por exemplo, atualmente circula uma informação, não oficial, mas asseverado ser do IBGE, de que a população negra, incluindo pretos e pardos, é de 51,3%. Porquanto, dirão os referidos simplórios, ”Ah! E eles erraram os cálculos!” Talvez. De princípio, em outras áreas e assuntos os brancos nunca falaram a verdade. E, por que nesta o fariam? Todos estes dados são sempre manipulados por eles. E sempre também ao seu favor.
Indiscutivelmente. Agora, que nós damos moleza? Ah! Isso nós damos. E até há, de nossa parte, muita contribuição espontânea. Ou somente um corpo-mole. Será medo? Isso nós também duvidamos, pois o negro brasileiro é muito corajoso e valente... Pelo menos os dizem! Entretanto, infelizmente somente entre nós mesmos, uns contra os outros. E para não variar, em defesa dos interesses dos brancos e nem sequer próprio. Pode? Cremos que sim, pois acontece! Não obstante, eles chamam isso de “Inteligência”.
Até o meado dos anos 70 eles diziam que nós, negros, já não mais existíamos. O que se comprovou, na prática, ser uma fragorosa mentira. Ou somos nós quem ora mentiu? Isso também tem que ficar mais claro e explícito. Se não! Pra que movimento negro? Depois, quem caracterizou o mulato também de negros foram os próprios... E ainda não também explicaram bem direito por que o fazem, e por que somente agora! Até o princípio da década de 70 se diziam todos orgulhosos da condição, até nos achincalhavam, e se de negro fossem chamados por um de nós nos agrediam, até fisicamente se possível. E o que mudou? Será que há interesse econômico também nisso? Ah, são tantas as questões... Que nós começamos, igualmente, a ficarmos confusos. E que durmam nesse barulho. Imagine! A Resistência não pode ficar confusa.
Além de que ainda excluírem os pretos, mesmo que sendo atualmente minoria – e disso se prevalecerem -, mas que ainda existem... Entretanto, não estão participativos no movimento negro e nem são aceitos como iguais pelos próprios outrora mulatos, que hoje se dizem também negros. Por que será? Esperamos que estes não tenham assumidas por definitivo a esdruxula definição de “produto nacional” – as mulatas sim, pois já fora, se ainda não são, até produto de exportação -, e de “autêntico negro brasileiro”, nos alijando do processo de libertação real. Outra das outras invencionices brancas que colou.  Pois porque além de aberrante também será um acinte, uma afronta à nossa verdadeira consciência. Que, aliás, não tem cor e é como as outras quaisquer, indiscutivelmente, consciência humana.
A resposta está embutida obviamente na questão de classes. O mulato se ascendeu às classes-médias – claro que nem todos, porém os mais claros e com menos, como dizia Oracy Nogueira, acentuados traços negroides. E os pretos não. A nós não sobrou este e nem outros quaisquer recursos.
Desde os tempos de escravidão que os mulatos, por questões também óbvias, são contemplados com certos “privilégios”. Acesso às escolas, no mercado de trabalho e são até mesmos usados sexualmente, “contra as suas vontades”, pela sociedade branca. No período escravocrata eram capitães-do-mato, as mulatas mucamas e as mulheres pretas, repastos.
Aí então nos resta outra pergunta: e onde estarão atualmente os pretos? Estes que mesmo sendo minoria ainda existem? Nas prisões não estão! Pois lá somente existem em pequenos números. A maioria, em quase todos os Estados do Brasil no Sistema Carcerário, é mulata. Que, aliás, lá ainda se acham e se dizem brancos. Pelo menos é isso que consta de seus prontuários e atitudes. Que também, aliás, os dados são autodeclarados. Preto dá em contingente lá muito menos que 1,0%. Onde estarão? Outrora tínhamos tanto, afinal, 100 milhões foram arrancados de África e para cá, para o Brasil. E segundo relatos vieram para cá à maioria destes. Onde estarão se não estão na cadeia, nas escolas e nem no trabalho? Já que são considerados todos marginais, “bandidos” e por uma enormidade outras denominações depreciativas por esta sociedade que se diz... Hum! Justa. Onde estarão? Só sabemos que o gato não os comeu! Ora, não é justo! Nós temos que sabê-lo. Afinal é a História que está e jogo. E a História não é brincadeira, já dizia um velho professor. Ou mentiu também? Creio que não.
No Rio de Janeiro, nos morros e favelas não estão. Pois pelo o que vimos nas últimas investidas das UPPs [1], lá somente mulatos existiam... E saíram quase todos correndo. Que feio! Isso depois de pagarem o maior sapo. “Bandidos" uma ova, são todos uns coitados. Estes sim, não estão preparados para a vida, e muito menos para a História. Será que poderemos confiar neles? Bem! Isso é tudo coisas pra se conversar! O que for combinado não será caro. Pois tudo era assim antigamente. Ou será que também mudou? O que não será de se estranhar. Porque hoje em dia já não nem mais existem homens e mulheres... Somos “todos” iguais em gênero, jurídica e socialmente (?). Somente queremos ver como é que procriarão! Pois do jeito que a coisa anda em breve não terão nem mais crianças para adotarem. É! Isso deve ser a tal de “evolução da humanidade”, tão apregoada e aclamada. Que, aliás, já até estava prevista por eles brancos é claro, há séculos. Nós outros só não sabíamos que seria desta forma! O Loco!
Também do Rio de Janeiro chega-nos algumas outras pistas. Uma maior parte de nós está no Lixão, do Jardim Gramacho. Agora só resta-nos saber quantos lixões existem em todo país – ah! E também procurar nos cemitérios – e encontraremos todos os “sumidos” e saberemos quanto somos, ou o quanto sobrou de nós. Poxa! 100 milhões... Parece que não sobrou lá muita coisa não! E eles ainda insistem em quer negar o genocídio. Pior ainda, e ainda querem uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU com direito a veto, para vetar quaisquer sanções. São muitos espertos estes tais de brancos brasileiros! Será que são mesmo? Pagamos pra ver... E veremos.
Claro que também restarão, e também se apresentarão, alguns com algum diplomazinho de merda tirado numa Facu qualquer, pois garantimos que estes “diplomas” não lhes garantem nem sequer a própria subsistência, no entanto, somente para defender e justificar a tal “democracia racial” e as atitudes nefastas dos brancos. E olha que eles, os brancos, têm uma enormidade de advogados! Para que defendê-los? Acontece que há bajuladoras pra tudo, e que pelegos existem em todos os credos, gêneros e raças, sejam estes politizados ou não. E por que não também na nossa? Todavia, achamos aconselhável que a estas alturas do campeonato que fiquem com suas boquinhas bem fechadas... Pra não entrar mosquitos! Pois o tempo aspirou e está pra virar. E quem sai à chuva é pra se molhar... E os brancos saíram. Saíram à caça de conquista ao mundo. Falharam-se terão que prestar contas... E como disse o seu Santo Agostino, “Quem perde se torna escravo de quem vence”. Ou será que também mudou de ideia? No nosso tempo valeu! E este igualmente para eles se vê aspirado.
Ó Tempo Zara Tempo. Tu que vieste com Deus (Olorum)... Ou melhor, Tu que és Deus. E que sempre nos traz as boas novas com o sopro de Seu Sagrado Hálito. Aguardamos-Te há 500 anos... Ou mais. Entretanto, sabemos que não nos Decepcionará.
Bem! A sorte foi lançada, e não foi por nós. Para aqueles que esperavam ouvir o branco dizer ele já o fez. Em todos os idiomas, todos os símbolos e com todos os sons e tons e com gestos e atos. Não são todos os brancos que são ruins? Concordamos. Todavia também sabemos que nem todos são bons... E então? Muda o quê? Para nós nada é claro. Pois à medida que os bons se calam diante da barbárie, para nós, eles se tornam tão ruins quanto aos maus. São somente cúmplices por omissão. E também se beneficiam com nossa desgraça... E nossas mulheres. Que, indubitavelmente, também as puseram contra nós e na prostituição. Com o seu sujo dinheiro, sua arrogância e desdém. Não há do que reclamar.
Bem, vovó já disse que não quer mais casca de coco no terreiro...
São Paulo, 28 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié.
                                                                                                                                                                                                                                     Coordenador Geral do CRENJA
v   PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v   PELO IMEDIATO CESSAR DO EXTERMÍNIO DE JOVENS E DA INFÂNCIA NEGRA NO BRASIL!
v   PELA IMEDIATA DESOCUPAÇÃO DAS TERRAS HAITIANAS PELO BRASIL!
v   CONTRA O DESARMAMENTO DO NEGRO BRASILEIRO!
v   PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMERICAS NO BRASIL!



[1] Unidades de Polícias Participativas.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O ADEUS CRENJA



CRENJA
Centro de resistência negra jagas angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!

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É! MAIS UM GUERREIRO QUE PARTE...

Estávamos no gabinete da Deputada Lecy Brandão, e foi quando recebemos a noticia por intermédio de um assessor teu, Roberto Almeida de Oliveira (o Beto), de que o Senador Abdias do Nascimento acabara de ser visitado por “Iku” [1]. E deixava-nos...
Foi terrível e profundamente lamentável! Pois o Abdias – desculpe-nos a intimidade, que, aliás, tínhamos -, acompanhou-nos em momentos mais difíceis e adversos de nova vida e luta na nossa trajetória militante. Assim como nós também o acompanhamos por toda a tua e o admiramos por tal. Dizemo-la, reluzente e profícua.
Dizer que fora ele um mero militante do movimento negro... Cremos ser um exagero de eufemismo. Abdias do Nascimento lutava pela classe artística negra. Revoltou-se – aliás, como todos nós à época, mesmo que não manifesto de nossa parte -, ao ver em sua época os personagens negros consagrados internacionalmente e aqui protagonizados por artistas, embora também talentosos e consagrados, brancos.
Pintavam-se seus rostos de preto, para desempenhar tais personagens. E sob o argumento de que “não havia atores negros capacitados em representar tais papéis”, estes foram alijados. E isso se caracteriza não somente em simples luta de classe, mas sim luta pela dignidade de um povo aviltado e ultrajado, que ora protagoniza o papel de vítima e do desprezível papel real, nesta peça tragicômica que se transformou  e ainda se encena a história da realidade brasileira.
Defendeu também a classe acadêmica, até com muito brilhantismo, que se na condição de leigos nos seja isso permitido e legítimo avaliar. Todavia, sendo, portanto mais esta outra de sua luta de classe e de raça que resplandece em nosso rico repertório de interpretações. Ou melhor, por classe e por raça. Em ambos os casos, e também em ambos refletidos e grafados em nossa verdadeira história.
Não que a luta de classe não seja, atualmente, mais um dos problemas para o negro brasileiro, hoje dito, sem muita propriedade, “afrodescendente”.
Pois o é. Edificado e herdado do capitalismo que nossos ancestrais, mesmo que contra a vontade própria ou inconsciente, ajudou a criar. Todavia, como dissemos, seu efeito é um problema recente que ora nos assola. E ainda estamos por “degusta-lo”, e consequentemente resolvê-lo. Se o branco não o fez, nós o faremos. Pois não gostamos ou toleramos revoluções pela metade... Ou nada.
O movimento negro se visualizou, no Brasil, não por iniciativa do próprio negro nacional. Não! Muito pelo contrário, pois ele o temia no passado e, diga-se, o teme até a atualidade. Pois, em caso contrário, ele o comporia massivamente como ativista. Ou não o entendeu ainda! A culpa? Bem, isso é o que nós ainda estamos analisando.
Mas seu surgimento, aqui no Brasil, foi indiscutivelmente por influência da esquerda branca e classe-média brasileira, estimuladas pela Internacional, que se debatia contra o “autoritarismo”, este que a espoliava, e que, naquele momento crucial, esta detectou como uma arma contundente, objetiva e eficaz para intimidar e arrefecer os ânimos e ímpetos da ditadura militar: a questão racial.
Todavia! Infelizmente – e mais uma vez talvez por ingenuidade -, nós fomos simples e simploriamente usados. Como já o fôramos anteriormente a inúmeras vezes. A nossa revelia e sem contrapartida. Que o diga a História. E isso também Abdias denuncia em seus livros. E nós, da Resistência, o entendemos.
Num ato de descontento e por que não de raiva, Abdias rompeu com esta esquerda pérfida, que se propõe a defender os interesses do povo, no nosso caso o geral, partindo do princípio de que somos uma sociedade multirracial, obstantemente, que sabemos não totalmente miscigenada, como dizem! Entretanto, sim, somos de povos e origens diferenciados. Isso sem sombra de dúvidas. Senão somente moral e espiritualmente.
Todas as demais raças preservam suas culturas. No entanto, nós ainda somos reprimidos, ou temos que aceitar determinações e ainda somos discriminados, apesar de louvores a uma suposta “democracia racial”, fundamentada esta até por leis, porém, estas não respeitadas, e que nunca vingou ou vingará. Somos discriminados e desrespeitados mesmo dentro de nossa própria cultura, história e comunidade. Ora ainda sob os seus controles.
Não éramos escravos, e ainda o somos aos seus entenderes. Ah! Isso é. Temos apenas uma cultura miscigenada, aos seus sabores. Não obstante ainda também temos origens. E esta Sua Excelência Abdias também destacou e nos revelou em seus escritos e atitudes.
Na luta de classes, no entanto, tanto o movimento negro quanto a esquerda, dita “progressista”, falhou. Pois nos deixaram de fora da luta, se for que a venceram. O que pelo que vemos nós o duvidamos muito. Findos, se ainda existirem, por defender somente os seus próprios interesses e os dos nossos opressores. Os de classe e raciais. E para não variar nós, os negros pobres e pretos, ficamos novamente de fora. Outrora somente do mundo branco, há 124 anos passado, e ora também do mundo dos negros. Pura abstração. Delírio, ser discriminado por aquele que se diz ser nosso próprio povo.
O movimento negro atual foi surgido da criação da esquerda branca. Que nos levou para mais este engodo. A perpetuação da maldição da senzala e serventia. Nesta que, aliás, entramos à nossa mais absoluta revelia, assim como a ociosidade imposta. E de maneira dramática e pungente.
Vossa Excelência, Abdias do Nascimento, foi também político. Impuseram no Parlamento e Congresso normas, procedimentos e questionamentos que estes não esperavam e nem estavam preparados para recebê-los... Tiveram que engolir as nossas vestes tradicionais de origem como de rigor. Porquanto, apenas contemporizaram... E tendo que engolir os seus próprios desconfortos.
Lemos todas de suas revistas Thoth publicadas no seu período de Senado Nacional. Onde lhes impunha a nossa presença e a nossa altivez, embora tímida de nossa parte, mas protagonizadas nas figuras mundanas, e que estas foram grafadas por gestos singulares. Revistas estas que, aliás, foi nos agraciadas e disponibilizadas pela, agora, indiscutivelmente inconsolável e respeitosíssima viúva, Senhora Eliza Larkin Nascimento. A quem agradecemos o permanente apoio e apresentamos os nossos mais sinceros votos de pesares, com extensão a toda família. Que Olorum também a tenha em aura e destino profícuo em toda a sua trajetória pelo “Aiyê”, seja ela acadêmica ou em outras. Por sabemo-la modeladora da criatura que ora se vê a velar. Pêsames e nosso profundo constrito consternamento, e que estes se estenda a toda família e amigos, mais uma vez repetimos.
Excelência! Lemos vários de teus livros. Dos quais destacamos é o Genocídio do Negro Brasileiro, onde bebemos da fonte, onde também Sua Excelência desenhou em denúncias, à sua maneira singular, como que o crime “sutil”  do branco brasileiro ocorre no nosso cotidiano; e como as esquerdas pérfidas manipularam isso. Abdias não foi somente um negro defendendo suas ideias e origens, incontestavelmente. Foi um verdadeiro “Oluwó” [2], um soba.
Não costumamos lamentar nossos mortos. Mesmo por que a morte, para nós, não significa o desaparecer eterno. Dizemo-nos encontrar em Deus (Olorum). Não. Morte? Isto não existe mais. A morte é apenas um acontecimento, aliás, previsto. Somente não sabemos onde e quando. O que existe de fato é apenas uma passagem para outra esfera, para outra dimensão. Passagem para outro Plano Astral. Para nós, mesmo que africanos de diáspora, ao Sagrado “Orum” [3]. Que tem nove (9) espaços. Por onde são distribuídos os “ara-Orum” [4]. Onde são separados os bons dos piores e dos maus – para aonde será que vão os brancos? Ah! Isso não nos importa. Problema deles. É como diz o ditado de cativeiro, “em briga de brancos não metemos nossa colher”, e acrescento, e nem em seus problemas.  Somente esperamos que não seja para lá. Pois não queremos nosso Orum seu Inferno.
De Lá, alguns haverão de voltar. Em outras encarnações. Queira que esta Alma esteja dentre estas... E que venha novamente negro para nos auxiliar nesta imensa, pungente e dura jornada, que por certo nessa ou numa só geração não haveremos de solucionar.
O que solicitamos a “Òrúmilà” [5] é que cuide deste “ara-Orum” e os designíos de que seja novamente “ara-àiyê...” [6] E novamente, que seja negro. Mas, que com a Sua Resplandecente e Magnânima Consciência quiseres aliviar o sofrer do apenado, não o deixe mais ser negro no Brasil. É por demais sofríveis. E ele, cremos, não merecerá mais tal martírio – se teve pecados, nós cremos que já os pagou, por ter sido negro brasileiro.
Lembramo-nos que daqui Vossa Excelência até já fugiu – ah! Essa nós temos certeza de que você ira até gostar!  Hum! -, deste Vossa Excelência fugiu por saber o que viria então se auto exilou. Pois sabia o que estava povir num futuro próximo. E, evidentemente, o nosso parco e fraco desempenhar seria inútil. A nossa negra brasileira contribuição contra a bandalheira. Danado! Mas não há de ser nada! Recuperarmo-nos.
 Lamentamos que logo agora que a “festa” ira ficar boa! Aqui no “Àiyè”. E Vossa Excelência vem novamente com esta de nos abandonar! E desta vez em definitivo... Pelo menos com esta roupagem. Seria esta também mais uma de suas preconizações? Esperamos que não. Pois a cada dia nos convencemos de que esta luta será por demais fáceis. Se for uma luta, de fato, a do Bem contra o mal, como eles apregoam, assevera e preconiza. Eles de maneira falsa e supérflua. Pérfida ao seu próprio “deus” se de fato creem em sua existência. O que, aliás, é difícil de acreditar; porém, o nosso não. Se for, desta vez, por designo e intercessão de Olorum sabemo-la fácil. E nada nos deterá. Pois senão não haveria Ogum. Axé! Indiscutivelmente  a nossa luta... Ah! Ficará mesmo boa! E a vitória mais certa ainda. É como dizia Abraão Lincoln, “pode se enganar um povo durante um determinado período, porém, não o tempo todo”. Eis um axioma.
É! Olorum sabe o que faz! Entretanto, a sua ausência nos fará falta. Nós nunca olvidamos disso, nem de Olorum e nem de ti Abdias. Então sabemo-nos recompensados, e que tu recebas as tuas glórias e graças.  O que, entretanto, não nos ressarcirá e nem compensará o desfalque. A luta continua e nós haveremos de vencer. Custe o que custar. Agora em sua honra, homenagem e louvor.
Adeus Mestre Abdias. Mestre de vivência e cultura. Quando expressamos adeus não dizemos o o fim ou jamais... Dizemo-nos se encontrar em Deus (Olorum). E que seus caminhos sejam eternos e floridos. Que sejas acolhido, e com honras, no Sagrado Balé de Oiyá, com a benção de sua, nossa, Mãe Oxum. Ora Yeieó!
Que do reinado de Angola Janga, donde 45.500 Almas, outrora, lançadas ao abismo, lhe assegurem  e cubram de Santo Manto e que ao seu trilhar glorioso rumo ao Orum a ti lhe dão louvores.
Perde-se mais um guerreiro, que derramará suas cinzas, por iniciativa própria, às Estepes da Barriga junto aos seus ancestrais sacrificados outrora. Segue-se o designo previsto. Vai-se mais um soldado, porém, a luta continua... Até a vitória completa.

M’berunlo, Tata Abdias do Nascimento!

São Paulo, 25 de maio de 2011.

Axogum de Oiyá
 Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO CESSAR IMEDIATO DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE E INFÂNCIA NEGRA!
PELO IMEDIATO DESOCUPAR DAS TERRAS HAITIANAS!
CONTRA O DESARMAMENTO DO POVO NEGRO!
CONTRA O INGRESSO AO CONSELHO DE SEGURANÇA PELO BRASIL COM DIREITO A VETO!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!


[1] Na língua Ioruba, a Morte – levando-se em consideração que na tradição  Nagô é “okó” (masculino).
[3]  Senhor do Destino.
[4] Habitantes do Céu (Orum).
[5] Dono dos Segredos.
[6] Habitante da Terra.

RECORDAR É VIVER, PORÉM, TAMBÉM LUTAR


Crenja
CENTRO DE RESITÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!
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Blog: crenja.blogspot.com

AGORA, FALEMOS SÉRIO
Bem, depois de abaixada a poeira de nossos ânimos eu creio que possamos conversar bastante sérios e com clareza. E se possível de maneira sensata. A questão racial no Brasil há tempos que vem sendo escamoteada e distorcida, e justamente por quem a pratica, a discriminação, e seus lacaios.
A maioria dos dados e detalhes que o vídeo que a TV Record apresentou no dia 10 de maio próximo passado já era do meu conhecimento, porque – mesmo que todos olvidem – cultuo o hábito de ler.
O livro A Escravidão, de M. Senin, dá todos estes detalhes, que ora foram expostos pelo Domingo Espetacular, e alguns mais. Ele tece sobre a origem da escravidão. O nome, em inglês, “Slave” tem origem etimológica no termo de tradução “eslavo”, e que aqui traduzimos por escravo. Estes que eram, na Idade Média, usados como mercadoria de troca pelos venezianos, no comércio que faziam com os árabes, que dominavam o comércio no Mar Mediterrâneo.
Carlos Moore Wedderburn, em A História do Racismo: Da Idade Antiga à Modernidade também o faz, fluentemente. O primeiro livro eu não o tenho no HD, todavia, o segundo sim, e já o distribui a todos os meus desafetos “negros” do movimento negro e a alguns amigos. Leram-se ou não eu não sei... Entretanto, os meus “desafetos” tenho a certeza que não, pois continuam com a mesma postura e acinte a meu respeito e, de outra sorte, essas informações não lhes interessam. Pois vão de encontro e detrimento aos seus desígnios pérfidos de emperrar a nossa luta.
Quanto à maioria negra, ou mais precisamente preta, de nosso país é de conhecimento geral que foi mantida na ignorância, até por força de lei, e porquanto não sabem ler. E para esconder tal fato, alegam que não se interessam por livros. Ou mesmo que não gosta de lê-los.
Desculpas à parte, a verdade é que isso dificulta as nossas discussões a respeito dos problemas que nos atingem e afligem, enquanto raça. “Raça não existe”, diz atualmente os brancos, todavia, como sempre, isso apenas para nos manter confusos. Pois, quanto esta definição os interessava ela existia, agora que lhes tornou perigosa, por se tornar motivação para a nossa organização... Deixou de existir. Eles são muitos “espertos”! Mas, somente para as suas brancas, negas e mulatas.
A mulher negra, desde o tempo da escravidão, nos deixaram sozinhos na luta. E atualmente auxiliam os brancos no processo de nos achincalhar. Tudo isso consta dos anais e da pratica.
Volto a repetir, não tenho nada contra mulatos, e nem os quero fora do movimento negro. Isso é invencionice de um mulato safado que todos conhecem, pois até o elegeram “militante histórico” do movimento negro... Isso mesmo sem nunca contar-lhe a verdadeira história, ou outra qualquer que lhe pertença.
Repito, o mestiço não tem culpa ou responsabilidade de sê-lo. Em existindo essas, por certo que serão de seus pais e avós. Da parte negra por evidente ignorância política e histórica; da parte branca, igualmente política e por mau-caratismo.
A miscigenação é, sem sombra às dúvidas, mais uma estratégia, segundo o branco, de acabar conosco. Isso! Mais uma estratégia do genocídio que sobre nós se abate. E isso o branco já disse e diz em versos e prosas. Só não entende quem não quer... Ou seja igualmente safado.
Como disse, o negro brasileiro é “adverso” à literatura – pelos motivos já explicados -, e isso dificulta os seus entendimentos quanto à questão racial. Mas, agora, veremos o que dirão a respeito do vídeo e do áudio. É isso aí! Isso aconteceu com nossos ancestrais – quanto aos mestiços somente com a metade deles – e acontece, pelo menos aqui no Brasil, conosco até hoje: somos portadores do “pecado original”, mesmo sem nos explicar qual foi (?). Ah! Mas quando são eles quem erra... Aí então foi o seu Diabo quem os atentou! Também muito “original”! Diabo este que também não existe na nossa Mitologia Ancestral. Por isso, quando erramos assumimos que somos nós mesmos os responsáveis... E eles não. Por isso devem a Olorum e também para nós.
“Sentimento de mágoa”, não! O nosso irmão angolano esta tremendamente equivocado. A nós outros, do outro lado do Oceano Atlântico, o sentimento é mesmo de revolta. Lá, dizem que a escravidão acabou, mas aqui ela não.
Na escravidão éramos obrigados a trabalhar, agora, em “liberdade” somos obrigados a não trabalhar, e ainda somos taxados de “vagabundos”, “bandidos” e “traficantes”. E isso serve não somente para nos eliminar, assim como, também, nos excluir e deslocar, como fizeram recentemente nos morros e favelas cariocas, e ainda ficaram com mais um de nossos mais expressivos patrimônios: as escolas de samba... Porque estas passaram a nos trazer lucros. Isso também faz parte de suas estratégias genocidas.
E quanto aos mulatos brasileiros eu não vou retirar um ponto ou sequer uma vírgula do que falei anteriormente. Apoderaram-se do movimento negro apenas para defender o seu interesse e o do branco e a posição do branca racista brasileira. Se há alguma exceção dentre eles, estes então que não vistam a carapuça. Por que se a vestirem... Serão iguais. Os mulatos brasileiros, agora, terão que decidir, ou trabalham para Deus (que chamamos de Olorum) ou trabalham para o Diabo – este que, como disse, não temos correspondente mitológico. Exu? Ah! É outra coisa. E bem outra! Este que também foi difamado e discriminado pelos brancos.
É isso aí! Ou os mulatos reneguem o seu lado branco ou assuma-o de vez. Ficar encima do muro já não dará mais para se sustentar. Ou é negro ou é branco, pois raça mulata não existe. Se for negro será nosso irmão... Mas se for branco será nosso, também, inimigo.
E não me venham com esta de que “não são todos os brancos que são ruins”, também porque não são todos que são bons. E aí? Muda o que? Se não são todos ruins o fato de se omitirem, mormente quanto a nossa degradante situação, isso os fazem tão iguais quanto aos outros, por omissão.
O genocídio contra nós negros, por exemplo, eles nunca nos alertaram... Tivemos que descobri-lo sozinhos, e eles ainda tentam encobrir, com suas nefastas omissões. São, porquanto, cúmplices... E os mulatos também. Isso é, inclusive aqueles que são protagonistas, consciente, de nosso extermínio. Quanto a estes não haverá perdão. Somente precisaremos obter provas. Que nos a dêem!
Agora já não há mais desculpa para não lutarmos. Os judeus, na Segunda Guerra Mundial, perderam meia dúzia e capitalizam por isto até hoje, e nós perdemos, segundo relato, 100 milhões, somente no tráfico e na escravidão – de 1888 até a atualidade nós não sabemos, ainda, quantos.
“É que nós preservamos a nossa cultura e religiosidade, por isso resistimos”, dizem os judeus. E nós também? Agora quero ouvir a resposta. O candomblé, o samba, a capoeira e demais manifestações ditas de origem africanas há séculos vem sendo assediadas pelos brancos de maneira maliciosa, que, aparentemente, até já os tomaram todos, pois nos ditam procedimentos e regras, além de também, com a ajuda de mulatos, nos expulsarem da prática. Mas, o dito negro brasileiro, hoje auto dizem “afrodescendentes” (?), dizem também que os preservaram na íntegra. E é agora que vamos ver o que nos resta. O que ainda há de africano nisso tudo. Pô, vai ser legal!
Há um velho ditado que diz: nunca cuspa para cima pois lhe poderá cair ao rosto. Foi lançada a sorte. É isso aí. Foi exatamente isso – olha que há muito mais a ser revelado – que ocorreu com nossos ancestrais. E vai ficar barato? Eu espero que não.
Agora! Avante movimento negro. Mostre-nos, de vez, a sua cara. Explique-nos, também de vez, a que veio! Senão, vá plantar batatas junto aos brancos.

São Paulo, 24 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA


v  PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v  PELO COMPLETO DESOCUPAR DAS TERRAS HAITIANAS!
v  PELO FIM DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE E INFÂNCIA NEGRA!
v  CONTRA O DESARMAMENTO DO POVO NEGRO!
v  CONTRA O INGRESSO DO BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!
     PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS! 

sábado, 21 de maio de 2011

E AGORA BRASIL!


Crenja
Centro de resistência negra jagas angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!

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TROCANDO EM MIÚDOS
Até a poucos dias atrás nós tínhamos grandes motivos para sermos alienados à nossa própria condição e origem. Não sabíamos mais se éramos ou não negros, não sabíamos se éramos brancos, não sabíamos se éramos ambas as coisas ou se não éramos coisa alguma. Éramos apenas aquilo que ainda dizem que somos: um traste humano. Então surgiu o movimento negro para resolver a questão e aos nossos problemas... E acabou por estragar tudo mais ainda.
Como dissemos o movimento negro nacional não nasceu de uma nossa necessidade própria, e como sempre, nasceu da necessidade de outrem, dos brancos, para sermos mais objetivos. Tudo bem que de esquerda... Mas, da esquerda branca... Também para não variar!
Na década de 60 a Guerra Fria chegava ao seu auge. Contrariando a Doutrina Monroe, de 1823, que prega “A América para os americanos, mas não se embriague não! Ela está se referindo apenas aos americanos ricos e brancos estadunidenses, para sermos mais exatos, à burguesia branca” A União Soviética resolve invadir também o Continente americano. Pois, até então, a contenda se dava apenas no Leste europeu, na Ásia e na África. Mas ainda não havia chegado ao Continente americano, ode os Estados unidos, apesar de republicano, reinava – e ainda reina – “impecáveis”.
Em 1959, Fidel Castro junto a outros, Inclusive com seu companheiro Che, derrubou do poder o ditador Fugêncio Batista, e tomaram a Ilha de Cuba, e não se sabe ainda por que, mas com a ajuda até mesmo dos Estados Unidos...  – ah! Isso a escola não te contou né? Pois é! É sempre assim!
Já em 1962, Cuba – ou Fidel, sabe-se lá... A escola também não conta! - resolveu mudar de lado. Cuba virou socialista e começou a receber ajuda da União Soviética. Então Che Guevara teve que deixar o Ministério que ocupava e também de frequentar os cassinos de Las Vegas, onde exibia seus exuberantes charutos Havaianos e deixava – partido do princípio que em cassinos ninguém, ou esporadicamente alguém, ganha – lá pequena fortunas que amealhara com a revolução.
Entretanto, a 1ª Internacional não iria lhe dar trégua, e o enviou ao Continente, onde deixou a boa-vida em território boliviano, em 1967, morto. Porém, não fiquem tristes com as escolas não, elas não têm culpa. Pois são obrigadas pelas classes dominantes a mentir ou omitir fatos, mormente aos pobres e aos negros. E nem tão esmorecer quanto quando ouvir algum dia que foram os próprios americanos que implodiram o World Trade Center. Por isso ele não podia ser preso vivo, e nem tão quanto mostrar as suas fotografias enquanto morto. É que faz parte do script mundano. Assim como fizera Nero em Roma, Adolf Hitler em Berlim e vai por aí afora. Aqui no Brasil houve apenas uma frustrante tentativa de implodir o Gasômetro, assim como uma festa do Dia do Trabalho, no Pio de Janeiro, e culpar os comunistas, mas que acabou explodindo no colo do próprio Sistema. Coitado! Talvez tenha sido acidente, mas acreditamos que por imperícia mesmo.
Ah! Mais tudo isso já foi perdoado pela “Anistia Ampla, Geral e Irrestrita” – nesta se anistiaram também do racismo e do preconceito. Óbvio, que somente os contra nós negros. Mas, recordar é sempre bom... Dizem que é viver. Imagine! Viver de recordação. Afinal, o que mais nos restaria? Os americanos precisavam apenas de um forte motivo para atacar o Oriente Médio. E pelos motivos que todos nós já o sabemos. Aliás, isso não muda há milênios!
Mas, voltando ao Brasil e à era contemporânea... Aqui ela, a Internacional, precisava de um mote para desestabilizar o governo militar, e a questão racial lhe foi providencial... Já que os estúpidos negros nacionais não sabia mesmo como administrá-la!
No jornal Versos – um jornal gay, diga-se de passagem – trabalhava um estudante de jornalismo chamado Hamilton Cardoso, e por coincidência ou não também participava de uma tentativa, deveras frustrante, de se formar o tal de “movimento negro”. Isso era a moda na época! Em África os negros lutavam por retomar seus territórios ocupados desde século passado, e nos Estados Unidos os mesmos lutavam por direitos civis. Ah! A mulatada brasileira – por serem mais inteligentes por terem um “lado” branco – não podiam ficar de fora! E com a ajuda da esquerda branca fizeram um ato-público, em 1978, que mobilizou algumas centenas de pessoas – milhões aqui somente mobilizam os viados, com os quais se juntam os Poder Executivo, Legislativo e o Judiciário (e até a polícia!), em defesa da sua “nobre” causa...
... E tudo ia muito bem, obrigada. Até que... Até que a TV Record, em 10 de maio de 2011 – ainda também não se saber por que – resolveu investigar a trajetória do trafico de escravos e publicar... E pôs a tona um passado que, indubitavelmente, nem o tal negro brasileiro queria mais recordar ou que fosse revelado. Já estava tudo certo! Faltando apenas uns breves retoques.  Já estávamos à apenas alguns passos da tão almejada “democracia racial brasileira”! De uma “sociedade plena, plural e igualitária”. Onde negros brancos e índios, todos de mãos dadas dançariam ciranda cirandinha, ou talvez – o mais provável – o vira. E viveriam felizes para o resto da existência humana e eternidade. A primeira, aliás, ao que parece não que vai ter mais muito tempo de duração não. Ora! É o progresso da raça humana que chega ao seu galopante, “glorioso” epílogo de “esplendor”. Quem quiser melhor que nasça em outro Plano. No Culto aos Orixás há nove (9). Em outro Planeta não resolve... Pois, já “estamos” chegando lá! Nós quem? Ora! Não amole.
E agora negrada brasileira? O que dirá? Os Mesticinhos da Silva, que hoje já são maioria, porquanto sentirão o drama em apenas a metade. A maioria preta é analfabeta – se for por culpa própria ou não pouco importa -, não obstante, não estão impedidos de entenderem o vídeo e áudio – o que a Record foi arrumar! Agora não terão mais desculpas. Até podem continuar a ir para a cama com os brancos e gerar mais mesticinhos. Podem! Até podem miscigenar, alvejar e almejar uma plena democracia racial. Podem! Todavia terão que fazê-lo, pelo menos, com a metade de suas “consciências” – se for que as têm. Ah sim! Mas é negra, portanto também ignorante como todo negro brasileiro - doloridas. Foi isso aí. Esta é a história de sua metade ancestral. Sabemos que vocês já se esqueceram dela, mas ela existe. Assim como existe também o nosso sofrimento. Pelo menos daqueles que, como dizia Oracy Nogueira, traz na pele e fenótipo as características que estimulam o preconceito de marca, que, aliás, os mestiços também o nutrem. E assim como os brancos também o nega.
E olha que a televisão fez uso de eufemismo. Pois, a coisa foi e ainda o é bem pior. E agora Brasil? Bem, cremos que devamos também esquecer... Ou, vejamos o que dirá o movimento negro nacional. Este? Ah! Já até já esqueceu! Se for que o assistiu... Lembrar pra quê? Isso não dá dinheiro!
Agora, o que nos deixa de fato escandalizado e indignado é ver o senhor Luís Inácio Lula da Silva ir à África e cinicamente chorar e pedir- pasmem! -, perdão! Desculpa pra quem? Pra África? Ora! O Brasil nesta história toda foi mero receptador. Não é para a África que o Brasil deve não. E sim a nós outros, os verdadeiros afrodescendentes. Àqueles que trazem na pele a marca de sua ascendência e , segundo eles, “pecadora” – pecado este que, aliás, nunca explicou qual foi? - e ainda preserva as suas tradições e cultura. Ir à África chorar e pedir perdão é marca indelével e evidente de ironia e cinismo, se não simples acinte àqueles que deveras têm consciência histórica.
Lá, em África, a escravidão acabou segundo a reportagem. Lá “os negros são livres e podem traçar os seus próprios destinos”. Aqui não! Não é à África que o Brasil deve pedir perdão. E aqui nem adianta, não é pedido de perdão que queremos ou esperamos... Até porque não o daremos. O que queremos é no mínimo sermos tratados e respeitados como seres humanos. Não como quaisquer outros, porque o ser-humanos nunca se respeitou, mas por uma questão bem especial: devem-nos. Coisa que, supostamente, o Brasil já reconheceu indevidamente lá... Mais aqui ainda não.
Aqui, não foi atoa que um “operário” – o que ele foi muito pouquinho, diga-se – chegou ao... Hã? Poder ou governo? Isso o PT também ainda não explicou direito. Fica apenas no jogo de palavras. Assim como na América do Norte um “negro” chegou à Casa Branca. Não! Não foi atoa. Existem algumas atitudes espinhosas que branco nenhum se submeteriam a tomá-las. Lá, um “negão” as fazem e aqui o fez um “operário” – que, aliás, somente se lembra disso nos seus discursos demagógicos e talvez nas suas memórias que deixará aos netos. Onde será um herói e nunca vilão. O que obviamente que o foi.
Não nos venha com esta de que o Brasil com o intuito de reconhecimento e de desculpas ou que está empenhando-se em ajudar a África. Isso é mentira!!! Se o Brasil gostasse realmente de negros já teria resolvido os problemas – Ah! Mas quanto eufemismo nosso! Drama mesmo, ou mais objetivamente, tragédia, senão massacre – dessa mesma ordem interna.
O que o Brasil pretende mesmo atualmente é uma cadeira permanente no Conselho de Segurança na ONU. E com direito a veto. A mídia nacional já encetou até mesmo um esfarrapado discurso, diga-se vago e insípido. De que o quer apenas “por pura necessidade de status”, mas isso também é mentira. O que o Brasil realmente pretende e anseia é uma saída “honrosa” para as acusações e espectros de genocídio que paira sobre sua cabeça, afora outras arbitrariedades, é claro. E não é somente o genocídio do negro tão somente, mas também há o dos índios. Em caso de sanção ele pretende vetá-las – não são práticos? Ah! Pragmáticos, fica mais bonito! Aquele jeitinho brasileiro! Eles são muito malandros... E nós negros somos todos imbecis e estúpidos! Mas para nós da Resistência eles são somente malandros é lá para as brancas deles – e para suas pretas e mulatas deles também, pois são todas umas vagabundas. Desta vez o truque não vai funcionar. No passado nós negros éramos todos “pecadores”, e isso justificou a nossa escravidão. Atualmente eles fazem todos juntos às passeatas gays e postulam o direito de se casarem com o mesmo sexo... Não seria isso pecado também? Não! Eles são donos da verdade e também da moral. Por isso mudam por conta própria velhos e consagrados conceitos! Que, aliás, cobraram de outrem no passado. E isso sem o menor pudor. Somente não se purgam por nossa escravidão. Esta culpa também é indelével. Esta que continua perene e insana. Antes tínhamos que trabalhar, de graça... Agora já nem mais podemos fazê-lo... Mesmo no chamado “trabalho livre”. Qual que é a desses caras? Não sabemos.
O Continente africano tem 56 Estados com direito a voto na ONU. E é isso que Brasil está atualmente procurando lá. E será bom que a África tenha conhecimento disso, pois, seja consciente ou não, seja por questões de sobrevivência ou não, ele também nos deve, pois colaborou com a vinda de nossos ancestrais para este Inferno. Lá a escravidão acabou (?), aqui ainda não. E o pior, estamos sendo exterminados. E não somente aqui no Brasil, mas também por toda a América. Nos Estados Unidos apenas a burguesia e classe-média negra se salvou (?), e para cá querem importar o mesmo modelo... O sonho de uma América branca, de ascendência europeia ainda não acabou. E isso é bom que os “negros bons”, brasileiros ou não, não se esqueçam.
Todavia, se diante de todos estes fatos o negro brasileiro ainda não acordar ou se importar, para nós outros, da resistência, pouco importa. E será uma maravilha que não mais tenhamos que nascer negros nestas plagas. Pois nunca vimos uma raça assim tão sem brios e burra. Quereremos nascer negro sim em quaisquer outros lugares do Planeta ou do Universo... Menos aqui. Por que é por demais degradantes e deprimentes. Sermos discriminados por nós próprios! Pela nossa própria raça... Ou o que restou dela.
E os mulatos que façam bom uso de sua “democracia racial”... Isso é se puderem.
São Paulo, 21 de maio de 2011.

Neninho de Obálúwayié
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