domingo, 14 de novembro de 2010

UNIÃO? MOTIVOS NÓS TEMOS.

CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!

Blogger: crenja.blogspot.com

O COTIDIANO NEGRO

A cena, que postamos abaixo poderá para algum – o que duvidamos muito – pareça um caso isolado, mas não o é, ele é apenas mais um caso de descaso do Estado para com seus concidadãos. Que, aliás, não cabe a ele defini-lo, classificá-lo a seu bel prazer, pois a definição cabal já está a cargo da Constituição Federal, que rege todos os poderes e vontade... Ou pelo menos deveria ser assim. Se for coisa séria. E ela nos diz que somos, todos, iguais perante a Deus, à Lei e aos Homens.
Uma zeladora de uma religião, que por sua vez se diz de “matriz africana”. O apóio solidário é compulsório e inconteste. Ela tem todos os requisitos que nos coloca na sua luta, a sua luta individual, a luta pela religião e os Orixás. Estes que têm, de fato, origens no continente africano. Em África, a Pátria Mãe utópica dos africanos da diáspora. A nossa origem. E tudo aquilo que nos traz lembrança a esta Pátria querida, impele-nos de postar em defesa, para que nossa memória não seja também extinta, como extintos serão os nossos corpos e a lembrança de nossos ancestrais. Se não nos preservarmos.
Não! Não é um caso isolado. Este é o dia-a-dia da população de ascendência africana no Brasil, desde 1888. Sejam estas naturais ou miscigenados todos recebem o mesmo tratamento desde de que “não se comportem”. E “se comportar” significa submissão... e nem isso evitará o “nosso” destino. Ele já foi decidido, e não por nós E o prêmio para que “se submetam” não é lá muito convidativo. Apenas umas poucas outras regalias.
A ofensa moral, deste episódio, eu tenho a certeza, pois passei recentemente por uma situação semelhante. Além de ter sido vilipendiado em meus princípios constitucionais garantidos, fui preso, acusado, processado e torturado gravemente, e sobrevivi... Ganhei ação penal contra o Estado. Fato inédito. Mas isso somente interessa a mim mesmo. Ninguém mais se importou. Muito pelo contrário. Ainda, veladamente, sou acusado de algum mal, “que não sabemos ainda qual é”, mas que ele cometeu... Ou cometerá! São uns imbecis, Pois, eu sobrevivi. Aos fatos e fofocas.
O caso da Zeladora africanista é emblemático, partido de que é uma referência para todos os outros demais casos que se referem à comunidade negra deste país. Que, aliás, nunca são favoráveis. O que o caso demonstra é a total falta de respeito com que este país tem para com seus concidadãos negros, sejam homens, mulheres, jovens ou crianças. E ainda não temos a quem recorrer se não for que à gente mesmo. Solidariedade étnica e racial é a solução pro problema. Estamos encurralados e amordaçados. Precisaremos gritar muito alto para que sejamos ouvidos. D.Benedita Souza Ferreira dos Santos, que por certo não será esquecida, mesmo não sendo a primeira. Entretanto, não é só de sentimentos e lágrimas que o mundo funciona. Aliás, nem se comove. Há, também, que se ter muita luta. Luta pela dignidade, luta pela sobrevivência da raça. Esta que não exista(e) biologicamente, porém, existe político e socialmente. E é esta que combatemos. A falsa “democracia racial”. Que é apenas cortina de fumaça para as desgraças as quais estamos expostos. A verdadeira fal(r)sa moral burguesa.
Estamos o mais um passo do que chamam de “Marcha da Consciência Negra”. É complicado. Não se pode criticar sem correr o risco de se passar por “desmancha prazeres”. Ainda não ficou claro que o negro brasileiro vai à rua. Vai por que? Pra que? O negro brasileiro ainda não deixou isso claro. O negro brasileiro ainda não percebeu que já está na rua há muito tempo, morando. Ou talvez não esteja sendo suficientemente objetivo. Interpretações são interpretações, e elas podem ser das mais variadas, se não mostrarmos objetividades. O outro lado tem que saber o que queremos, o que almejamos. Senão não há justificativa para o ato. Agora, se nos darão ou não o que solicitamos... Bem, isto é coisa que resolveremos no tapetão.
As regras do jogo são claras, uma delas, aliás, diz que: “pra se atingir ou se manter no poder há de se ter moral”. O que é a moral? Bem, quanto a isto basta consultar um qualquer bom dicionário. Polêmicas à parte, a luta começou. Queremos saber o que somos, o quanto valemos e qual o nosso destino. Até por que todos nós entramos à nossa revelia nesta história estúpida e inconsequente de “civilização judaico-cristã ocidental”. A causadora de todos os nossos males, independente de gênero, raça, credo e nacionalidades, mas somente de classe social. Estamos todos no mesmo barril, que outrora fora um Planeta. E nosso.
Estamos bradando do Fundo do Grotão...

São Paulo, 14 de novembro de 2.010.

Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

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