quinta-feira, 11 de novembro de 2010

CLAMOR CRENJA

Crenja                                                            
Centro de Resistência Negra Jagas Angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!
Blogger: crenja.blogspot.com

DIZER QUE EXISTIMOS

A Sociedade e o Estado têm que admitir que eu, negro – preto ou mulato, existo, legal e judicialmente. Por que não houve libertação de escravatura, houve sim um engodo. Uma tremenda armação. Onde nós ficamos com todo o prejuízo. Nós fomos lançados do cativeiro direto para a indigência. Não obstando os casos isolados, que sabemos a que preço, estes que se projetam artificialmente e servem de exemplo emblemático para a idéia estapafúrdia de “democracia racial”, mesmo sendo minoria. O “laboratório” do projeto macabro: a nossa extinção enquanto raça (político socialmente). Apenas um artifício político sugerindo que foi possível. Eles contavam com seus aliados infiltrados em nossas fileiras para o êxito de suas “empreitadas”. Não obstante, o nosso destino, este que está nele inserido, ser draconiano, demoníaco. Imagine! Extinguir todo um povo, a seu bel prazer, e sem que este o perceba... Será que não passou por suas cabeças a pergunta: “E se ele descobrir?” Isso já seria mais que suficiente para fazê-los pensar duas vezes... Mas não pensaram. E o processo também é inversível. A “Máquina Mortífera” não poderá mais ser cessada. Não pode parar. Ou pelo menos eles não sabem como fazê-la parar. E somente quem estiver organizado é quem se salvará. Prevê a nossa extinção... Mesmo com todos os “louvores” de que fomos importantes para as suas culturas... E só? Claro que não!  Ainda tem a acumulação de riquezas, que, aliás, financiou a Grande Revolução Industrial – esta que findou por poluir todo os nossos ar, água e meio-ambiente. Um desastre. Que eles teimam em chamá-lo de “progresso”. Tudo muito simples e computado é só necessário acertamos na ponta do lápis. Não precisa briga e nem nada. Ou qualquer impropério causado. Basta apenas abrir as portas dos Tribunais de Justiça. Quanto aos procedimentos também quereremos discutir. E estaremos com a metade da solução para o problema resolvida. A outra metade resolveremos de maneira empírica. Do jeito que a vida nos gerou e criou. Ou foi dada pela sociedade? Pouco importa! Pois para nós, que vivemos no fundo do grotão, ambas são a mesma coisa. O outro lado da mesma moeda...
Agora, a Taís de Araújo, vir a público e dizer-se preta... Ah!  Aí ela forçou. Quererá também roubar-nos a cor? Que ela se contente em ser negra. Já é o suficiente... E só nos basta saber de, na luta, que lado ela está. Olorum permita que do nosso.
O negro brasileiro precisa participar mais da política. É discutir política, economia, educação, saúde e lazer. Participar de todos os debates de âmbito nacional e de efeitos generalizados. O negro brasileiro ainda está acanhado, com aquilo que podemos batizar de “complexo da servidão”, e ele é sempre submisso... Mesmo quando está certo.
Dois mil e quinhentos (2.500) anos de perseguição... E ninguém deu sequer resposta a isso? E, nem sequer ao menos nossos ancestrais Zumbis de Angola Janga, Lawrence D’Louverture, Dessaline, Martin Luther King, Marcus Gayer, Du Bois, Stockley Calmichel, Malcon X, Nelson Mandela, e ninguém. Ninguém o cobrou ou deu resposta a isso. Diante disso, só o que eles fizeram foi provocar um sutil arranhão na epiderme da História.
Não estamos com isso sugerindo a idéia de que todos os brancos sejam culpados e mortos. Isso não nos interessa. Não é problema nosso. Isso não nos impede de continuarmos a tomar nossa cerveja com o “branco legal”. Apenas uma indagação! “Se ele é tão legal assim por que ele não me avisou de que eu estava sendo exterminado? O genocídio?” Ou ele não sabia? Claro que sabia. Apenas achou que isso não nos interessava. Ele decidiu isso sozinho. E ele é nosso amigo!
E quanto à questão de que como nos pagar? Por que já não mais sabem quem é negro ou não. Quanto a isso nós já temos resposta: é só dar a indenização na nossa mão que nos saberemos quem são ou não.
A resistência negra nunca deixou de existir na diáspora. Ela às vezes fica confusa, atordoada, mas nunca perece. Ela se camufla, tal qual um camaleão, para pespontar quando lhe for conveniente. A resistência negra no Brasil foi introduzida, ainda no período escravocrata, no princípio do século XIX, pelos povos jagas. Proveniente de uma tribo que era a guarda real de Kiluange M’Bandi. Estes aprisionados em guerra eram transladados para o Brasil, para cessar-lhes a “beliculosidade”. Sugeridas por seus capturadores, e aqui feitos escravos. Não se sujeitando a esta humilhação fugiam, e se encontravam em um lugar, que futuramente batizaram de Reino de Angola Janga (Pequena Angola), após também libertarem figuras reais de seu antigo reino, dentre eles, Ganga Zumba e a princesa Alquatune.
Este reino teve a duração de algo em torno de cem (100) anos. E foi dizimada em 1694, um ano antes de ter sido o seu rei, Zumbi de Angola Janga, assassinado pelas “forças legais”, os bandeirantes. Dessa sorte, pôs se fim ao reinado... Mas, à resistência não. Pois o povo jagas, habitantes de seu território também foi assassinado. Eram 45.500 pessoas. Homens, mulheres e crianças que tinham somente um “pecado”, amar a vida e a liberdade. Eles foram lançados ao abismo somente por que almejavam isso. Que, aliás, atualmente todos nós a aclamamos: LIBERDADE!
 E este é mais um caso que clama também por JUSTIÇA!

São Paulo, 11 de novembro de 2010.

Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍIDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

Nenhum comentário:

Postar um comentário