segunda-feira, 22 de novembro de 2010

CREPÚSCULO DE UMA CIVILIZAÇÃO

CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!

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O MÁRTIR DE GÓLGOTA E MUNDO CÃO

A imagem que nós formamos, enquanto criança, deste mundo é a de deslumbramento. Neste momento não se está preocupado com detalhes como raça, cor da pele, origem étnica ou classe social: “Aqui no Planeta Terra todos são iguais”, esta é a primeira informação que se recebe. Primeiro pelos próprios pais. Informação esta que, se já tivéssemos desenvolvido, os nossos sentidos por certo perceberiam que estes não se expressavam com muita convicção. No entanto, somos, nesta idade, traídos por nossa inexperiência.
O deslumbramento se estende ao bairro onde se mora, primeiro, depois, gradativamente, se vão expandindo os nossos horizontes de pesquisa... Todavia, tudo continua fantástico: o Sol é belo e aconchegante; as árvores nos dão sombra e frutos; a chuva nos auxilia na consecução de alimentos; o vento nos limpa o ar, os animais, aqueles que não comemos, nos fazem companhias; e os pássaros nos embevecem com seus bailados acrobáticos aéreos e seu doce e suave cantar. Temos a impressão, nos primeiros momentos, que acabamos de adentrar num fabuloso paraíso. E este devaneio se estende até a nossa adolescência. É quando nós começamos a ter uma percepção maior de nossas experiências.
É claro que esta impressão varia de pessoa para pessoa. Neste período, apesar de sermos também informados, ainda não definimos cabalmente o que significa se ser rico ou pobre. “Somos todos iguais”, isto ainda o mundo nos assevera... Mas nesta faixa etária já começamos a perceber algumas diferenciações e que há algo de errado: uns vivem muito bem e outros muito mal. E a religião finda por nos definir estas condições: “É que uns foram bons em encarnações passadas e, porquanto, são recompensados nesta”, o que nos incute a idéia e o sentimento de pecado... Mais tarde esta mesma Igreja nega-nos a existência de alma. E inicia-se então toda a nossa total confusão. Que se bem tratada leva-nos a grandes conclusões, mas se não o for por certo chafurdamos num lodaçal tenebroso de alucinações, passamos à condição de mortos-vivos e instrumentos da vontade alheia, e sem direito a personalidade própria. Olhamos à nossa volta e percebemos que todos, com exceção de apenas alguns, convivem com o mesmo drama: o de sobreviver, apenas e tão somente. O mundo já não é mais tão aprazível assim... e as diferenciações começam a se configurar. E nossa confusão nos leva, invariavelmente, para o balcão de qualquer botequim. E lá entorpecemos-na de volatilidade etílica, ou outros artifícios psicodélicos mais fortes. E todos dizem: “Isto não é vida”. Mas, afinal, o que vem a ser vida, senão a ante-sala da morte. Esta que todos nós rejeitamos, no entanto, segue-nos, e de bem perto, por toda a nossa trajetória existencial.
A escola começa a nos dar os primeiros esclarecimentos, talvez pistas: “a História é muito importante”, dizem os nossos mestres. E nos contam uma estonteante história de aventuras, heroísmo e altivez de um povo que deixando o seu território natal, sua pátria, ou seu continente, e “se aventura Mar afora, no afã de” salvar a humanidade “de um perigo iminente proveniente do seu próprio atraso tecnológico e científico, em comparação ao seu. E não há como contestá-lo. Não por evidências que apresentam, mas sim por causa de suas armas, e somente por elas, somos” convencidos “, aliadas à sua perversidade latente”.
Depois vieram suas leis, suas justiça, seus costumes e sua “fé”. Tudo num pacote só, que nos inibe quaisquer contestações. É a chegada da voraz Civilização Judaico-Cristã Ocidental.
Contar a história toda desta “civilização” me parece um trabalho enfadonho e até impossível neste trabalho, porquanto, resumamos:
Tudo começa numa região inóspita do Oriente Médio, na Palestina, mais precisamente em Belém. Onde nasce uma criança em condições normais. Esta criança cresce e some. E somente vai aparecer para a História 27 anos depois. Já culto e militante.
A Palestina, nestes tempos, estava ocupada pelo Império Romano. A Palestina era, neste mesmo tempo, um território judeu, um dos povos semitas que habitavam aquela região. Como todo povo “ocupado”, assim como temos o Haiti atualmente, não se conforma com a condição imposta. Pois a Liberdade, mesmo que condicionada por leis, é a meta de todos os seres humanos, independente de classificação social, cultural ou étnica. Jesus foi um militante zelote.
Zelote foi um partido político clandestino, de judeus, que lutavam contra a ocupação romana. Partido este do qual fazia parte também Judas Escariote e Barrabás. Jesus era aquilo que atualmente podemos chamar de “aglutinador”, fora treinado para tal, por isso as suas evasivas quando questionado se era ou não Filho de Deus (para eles Jeová ou Jafé). Ele, usando de parábolas não respondia, não no sentido que seus inquisidores almejavam, queriam que dissesse que o era, apenas para execrá-lo e condenar. Apenas deixava claro que todos o eram. Ele apenas era especial, pois tinha o poder da fala, a retórica. Mas mesmo assim não escapou da sentença dos opressores de seu povo, que se preveniam contra o surgimento de um descendente do Rei Davi, o Patriarca daquele povo oprimido. Havia a predição de que ele surgiria para salvar seu povo.
Após a morte de Jesus, 300 anos após, ainda circulava a história do mártir – assim como atualmente temos de Zumbi – e o povo judeu se organizava encima de suas idéias e sacrifício.
Os romanos, personalizados pela autoridade de Constantino, estes que já haviam até mesmo roubado a “religião” dos gregos, e seguindo as instruções de Paulo de Tarso, o grego, que posteriormente também se tornou apóstolo, criou uma nova fé. A do “Filho de Deus” que veio a Terra para ser sacrificado e, assim, salvar todos os homens – só não explicou do que. Também, naquela época, há 2.000 anos atrás, não eram necessários muitos argumentos, e muitos menos motivos, estavam em plena Idade Antiga. O fato concreto é que, após “convertido” a população ocidental, está “fé” se espalhou mundo afora pregando a “Grande Nova”. E a pilhar, matar e escravizar aquele que ele definiu como “mundo bárbaro”. Ou seja, o restante do Planeta.
Já no século XVIII aconteceu na Europa aquilo que chamam de “Revolução Industrial”. Que de fato revolucionou a produção material e transformou o sistema de capitais. E se regozijaram com isso.
O mais intrigante desta história toda é de não sabermos até hoje como um povo “tão inteligente” não previu as consequências deste seu ato e pretensão. Não podia! Pois estava preocupado demais apenas com seus lucros e realizações. Aqueles mesmos que o seu “Deus” condenava. E hoje temos as consequências.
Neste momento fica difícil deixar de mencionar um outro personagem bíblico, o Lucas. Também grego, era médico, e também, assim como Paulo de Tarso, não conviveu com Jesus, o Cristo.
Lucas predisse uma máxima: “os primeiros sintomas da decadência de uma civilização é a quebra de seus padrões morais”, obvio que estava se referindo ao Império Romano, mas, como todas as máximas, esta serve para todas e quaisquer épocas. Assim como podemos constatar no presente.
Nem mesmo o “profeta” economista Karl Marx – creio que assim posso chamá-lo por suas previsões – não se preocupou com os efeitos deste evento. Somente, também, se preocupou com a parte dos lucros. Este previa uma melhor distribuição, mas somente para eles, pois dizia ser a escravidão “um mal necessário”. Por que ela – a nossa escravização – foi o lastro financeiro de suas empreitadas.
Hoje convivemos com seus catastróficos resultados. Os lucros, como Marx previu, foram para nas mãos de uns sós poucos. Os demais ficam com seus resultados nefastos e funestos: o Desastre Ecológico e o prenúncio do fim da vida no Planeta no prazo, no máximo, de 50 anos. Que eles dizem estar procurando solução. E nós? Temos que ficar esperando? Bem, é um tanto quanto arriscado, pois se eles falharem não haverá segunda chance. Isso sem contarmos que os mais renomados cientistas do Planeta já asseveraram que o processo é: inversível.
“Dois terços da população mundial vai pro saco”, esses mesmos que comem hoje alguma coisa e não sabe quando e como farão novamente uma outra “refeição”... Isso com toda a riqueza gerada e “disposta” ao mundo contemporâneo. Esta fortuna está apenas nas mãos de alguns. Estes que o próprio Marx assevera que “um dia a massa explorada e ensandecida se organizará e varrerá da face da Terra”.
Na verdade, quando Marx disse isso, voluntariamente ou não, ele alertou muito mais a burguesia – que dizia combater – do que o proletariado, que também pretendia, segundo ele, prevenir. Obvio que ele foi combatido e perseguido por ela, pois ele também almejava o poder. Não obstante, ele foi levado muito a sério por aquela que denunciava. Esta passou a investir pesado em tecnologia, para sair da dependência da mão-de-obra humana. Daí o boom tecnológico que ora constatamos. E em segurança, claro que somente a sua.
E nós, africanos da diáspora, herdeiros da saga funesta de nossos ancestrais, mesmo que à nossa revelia, agonizamos junto a este novo Império Ocidental. Somos vítimas de desvarios de um povo que, se escondendo por trás de seu “Satanás” ousa competir com Olorum sobre a propriedade do Universo, teima por destruí-lo. Mesmo assistindo, ainda algo incrédulo, a derrocada de sua “santa” Civilização Judaico-Cristã Ocidental.
Olorum que lhes dê resposta... Pois, a nossa parte NÓS faremos.

São Paulo, 22 de novembro de 2010.

Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

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