CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!
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“DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA”
Mais uma vez a população negra brasileira é convocada (e ludibriada) a participar de mais uma farsa. A data até que existe, porém, o que não existe é o conteúdo, ou seja: a consciência negra.
Na verdade o que existe é a ação de um bando de “espertalhões” que usam a data do assassinato de Rei Zumbi de Angola Janga, 20 de novembro de 1695, para procurarem os poderes-públicos e as entidades de classes, todos racistas, hipócritas e demagogos para arrecadarem algum dinheiro, este que não usam, em hipótese alguma, em benefício da população que dizem defender e sim em benefício próprio. Por serem também hipócritas e pérfidos.
Para começar, abraçam a versão branca de definição histórica. Angola Janga, que chamam de “Palmares”, nunca foi quilombo – que no entender do branco brasileiro significa “refúgio de fujões” – e sim um reinado.
No princípio do século XI, o rei de Portugal resolve invadir o reino de Angola, uma vasta região (que incluía inclusive o atual Congo), e que era reinado pelo rei Kiluanje M’Bandi, o pai de sua sucessora, futura rainha N’Zinga.
Os povos jagas, segundo Mario Martins de Freitas, em O Reino Negro de Palmares[1], na impossibilidade de voltarem ao continente africano fundou, aqui, a sua nova pátria:
“Já afirmamos sem medo de errar, bastando tão-somente profunda busca nos arquivos portugueses e africanos a determinação rigorosa e história de que aos jagas – belicosa tribo indomável do sobado do famoso N’Gola Bandi, aprisionados pelos portugueses durante o mandato do governador de Angola, Luiz Mendes de Vasconcelos, nomeado em 1616, e mandado par o Brasil como escravos [2] - cabe a paternidade do grande movimento palmerino já anteriormente iniciado com alguns negros desgarrados que seguiam para o Maranhão e ‘marcham a pé do centro da Bahia pelos sertões adentro até Caxias, onde o africano ergueu, às portas do grande sertão, uma cidade rica e próspera’”.
Portanto, esta história de que o reinado fora uma “república” é puro invencionismo dos racistas, apenas para não admitir que nós negros implementamos aqui um reinado, ainda no período colonial.
Mas o mais estonteante é que, o movimento negro contemporâneo não contempla em suas homenagens o povo que o habitava, prende-se apenas à figura de Zumbi, esquecendo- se dos demais personagens desta admirável história: seus súditos.
Numa projeção de média aritmética, pois o autor não define cabalmente a população do reino, mas somente dá a de duas de suas cidades. Pegando estas populações somadas e multiplicando por nove (9), que era o total de suas cidades, chegamos à cifra de 45.500 pessoas. Estas que foram arremessadas abismo abaixo, e depois declarada suicida por seus assassinos, estes que posteriormente escrevem a história com suas versão. Sendo porquanto também vítimas do desvario racial branco e desmando. No entanto, estas também vítimas não são lembradas pela tal “consciência negra”. Que como dissemos “é elitista” e somente se preocupam com os seus “líderes” e figuras de projeção social, esquecendo-se sempre do povo. Então perguntamos: que consciência é esta? Ou para o que serve?
E voltamos a alertar que não é somente a juventude negra que está sendo genocizada. E que o termo genocídio é atribuído a toda a uma raça ou povo, sem distinção de gênero, classe ou faixa etária. E que esta abordagem contemporânea é apenas a prova da ignorância, covardia e ambição de parte do povo negro brasileiro, que pretende cooptar a juventude negra para faturar às suas custas em benefício de suas entidades, ditas hipocritamente de “defesa da comunidade negra”, como um todo. Esquecendo-se de que este truque é por demais velho, já data de no mínimo trinta (30) anos - sem contarmos com o período da Frente Negra Brasileira (FNB), da década de 30 -, desde a fundação da primeira entidade dita de movimento negro. Bem, avisados já estão... Mas se quer continuar com suas farsas... O tempo dará sua resposta. E que nos perdoe os bem-intencionados, que são raros mas existem. É que estão apenas equivocados, e não alertas a esta corja de salafrários e usurpadores, que estão entranhados em seus seios, expulsam os pretos de nossa luta. Se não simplesmente nos descriminam, usando os mesmos artifícios dos brancos, negam ou simplesmente evitam, a todo custo, a discussão. Mas, quando atingirem a verdadeira consciência por certo estes serão, todos, identificados... E evidentemente punidos.
Por enquanto, só resta ao negro brasileiro, apenas marchar sem rumo. E sem saber em busca de que ou do que...
Axé aos nossos ancestrais!
Axé ao povo de Angola Janga!
E axé a todos os verdadeiros guerreiros da causa negra!
São Paulo, 5 de novembro de 2010.
Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA
PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!
[2] Grifo nosso. O que prova que a informação de que os primeiros prisioneiros africanos, e depois feitos escravos, não chegaram aqui após 1632, e sim bem antes.
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