CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!
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PT PENSA QUE TODO NEGRO É BOBO!
Ainda na década de 70, quando começamos a nos organizar politicamente, o Partido dos Trabalhadores não existia. A cogitação de sua formulação ocorre já no final desta década.
Desde o princípio, quando a idéia começou a ser cogitada eu fui adverso à participação do negro no evento, e tinha as minhas razões. Alegava-me, como álibi, que o tal partido haveria de ter outro nome, que o identificasse de fato com o povo. “Partido Operário”, por exemplo. Pois aí poderíamos, tranquilos, entender a quem se referia, mesmo que não nos contemplasse, afinal, partido algum, ou mesmo setores das classes dominantes, estas que começam de maneira ascendente pela classe-média, se preocupou deveras com a sorte do povo. Todavia, partido operário, mesmo que não o fizesse genericamente, por que a maioria do povo vive, há milênios, desempregada – mormente o negro no Brasil -, pelo menos viveríamos a ilusão de que uns poucos o seriam.
Creio não ser necessário dizer que à época fui execrado pelos demais militantes do movimento negro, que naquele momento que se diziam “revolucionários”. E estes tinham um discurso assaz esdrúxulo. Diziam que: “O Partido dos Trabalhadores quando chegassem ao poder implantaria o socialismo. E como nesse todos seriam iguais, então não haveria mais discriminações”. Eu sei que o discurso soa, atualmente, um tanto quanto estapafúrdio, porém, na época não. A esquerda branca dizia que estava lutando para derrubar a ditadura militar, esta que fora imposta pela burguesia, e que era também adversa ao sistema capitalista.
Quanto a este sistema o incipiente movimento negro definia como: “A discriminação racial e preconceito tem origem no capitalismo. Motivado pela exploração. Quando este for derrocado e quando consolidado o socialismo que não haverá mais discriminações. Seremos todos iguais”. E completavam que o PT seria o veículo certo e seguro para que alcançássemos este “paraíso terrestre”. Parece pieguice, mas naquele momento eles diziam crer nisso. E ponto final. E quem poderia contestá-los ou olvidar. Eram todos “intelectuais”, ou pelo menos diziam frequentar escolas... que não a de samba!
Creio também ser desnecessário dizer que no tal partido não havia muitos negros. Tinha assim, alguns poucos mulatinhos, que ora se diziam negros, e era o princípio da farsa que futuramente viria a se autodenominar: “movimento negro”. Pretos mesmo não havia, em destaque, nenhum. Aliás, como não o tem até hoje. Quando querem ser simpáticos aos negros contemplam alguns mulatinhos e exigem que todos nós nos consideremos que também o sejamos. Isso faz parte da comédia – diga-se, de péssimo gosto – brasileira. Ou melhor: pornochanchada.
Passaram-se vinte e um anos e o PT finalmente chegou ao poder. Ao que logo reagiu e declarou formalmente, “Nós chegamos ao governo, porém não no poder”. E tivemos que engolira mais esta.
Quando “chegamos” no poder, ou sabe-se lá no governo, o número de “negros” no partido não era muito maior. E até com o apoio tácito destes mesmos “negros”, estes que não queriam concorrência e porquanto manter certa exclusividade. Coisa de mulatos mesmos!
A aproximação do Brasil com o continente africano não é coisa recente, como alguns podem conceber, porém, erroneamente. Esta começou ainda no período ditatorial, mais precisamente no governo Médici. Foi quando o senhor Delfin Neto formou uma comitiva de empresários brasileiros e se mandou para lá.
Na época, vários países africanos acabaram de se libertar de suas metrópoles colonizadoras europeias e se negavam peremptoriamente a comercializar com estas. Quanto aos Estados Unidos faziam no por causa da discriminação racial que lá era – se for que ainda não o é – praticada contra os negros. Então estas ex-metrópoles tinham que encontrar uma “cabeça de ponte”. E um país que tinha “fama” internacional de não ser racista era o Brasil, e foi escolhido. Aquele negócio, os países africanos venderiam suas matérias primas para o Brasil e este os entrega aos países europeus e América. Aliás, o Brasil já tem “Know Round” nisso. Há séculos.
O senhor Delfin Neto, ora Ministro da Fazenda, formou seu staff e para a África se dirigiu. Porém, cometeu um “pequeno” deslize, nesta não colocou nenhum negro. O que causou estranheza junto aos dirigentes africanos. Afinal, “No Brasil não havia discriminação como era que na comitiva não tinha nenhum empresário negro?” O senhor Ministro ficou perplexo, mas logo se recuperou.
No Brasil havia na época um deputado, este que fora criado pelo senhor Paulo Maluf, que era junto à ex-deputada Theodosina Ribeiro, os únicos parlamentares negros da época, senhor Adalberto Camargo. E este foi às pressas chamado. E os africanos, assim, disseram agô e fizeram as tais negociações.
No retorno o senhor Adalberto Camargo ficou encarregado de pagar todas as despesas do hotel ao qual a staff ficou hospedada. A partir de então, todos os dias, o senhor Adalberto sai do hotel com dois ternos sobrepostos, até retirar tudo seus pertences do hotel e então se mandou para o Brasil, sem pagar as contas. Era ele mais um negro de bolso de colete dos brancos brasileiros usados nestas ocasiões.
É óbvio que, quando perceberam, a negrada africana chiou. Através do Itamarati cobraram o Brasil. E o Ministro em um raro arroubo de honestidade pagou. Mas não sem antes mandar o seu recado: “Vocês estão vendo por que no Brasil não há empresários negros? Aqui eles são todos assim”. E desse azar estigmatizou todo negro brasileiro em África. A política de nos dividir, ora num âmbito internacional, para continuar dominando. Porém nos ficamos ainda com um pequeno lenitivo, enquanto petistas, o senhor Adalberto Camargo não era do PT! Mas, se o fosse? Seria diferente? Tenho a certeza que não. Por serem estes negros brasileiros e petistas todos os pelegos – ah! Agora minha expulsão sai!
Atualmente o senhor Luís Inácio Lula da Silva – o pelegão das elites -, em seus governos, voltou a assediar a África. Mas começou mal... Disse que o Brasil deve muito ao continente africano, se contradizendo afinal, pois, “não foram os sobas que venderam nossos antepassados? Por que das desculpas?” Sim! Senhor Lula! O Brasil deve muito... Mas não é para o povo africano não, e sim para o povo negro brasileiro. Este que, aliás, vocês sabem que terão que pagar, mais cedo ou mais tarde. E já passou da hora! E não será com o nosso extermínio não.
O namoro atual com o continente africano não é desproposital, acidental e nem tão quanto aleatório. O continente africano tem 56 países filiados à ONU, porquanto, cinquenta e seis votos, e o Brasil pretende, desesperadamente, ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança desta entidade... E com direito a veto. Já pensou? Aí que estaremos definitivamente ferrados mesmos... E adeus às denúncias de genocídio.
Ó negro brasileiro (estou me dirigindo aos de verdade)! Abra os olhos, acorde por amor a Olorum.
São Paulo, 1º de maio de 2011.
Neninho de Obalúwáyié
Coordenador Geral do CRENJA
v
P PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v PELO IMEDIATO DESOCUPAR DO TERRIÓRIO HAITIANO!
v PELO CESSAR DO EXTERMÍNO DA JUVENTUDE E INFANCIA NEGRA!
v PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!
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