sexta-feira, 29 de abril de 2011

O POR VIR


Crenja
Centro de resistência negra jagas angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!
Blog: crenja.blogspot.com

POR QUE O BRANCO FAZ TANTA POSE?

Eu, particularmente, acho que não devia, mas eles são tão caras-duras! Todavia, não é aleatoriamente, eles ainda precisam manter as aparências para se mantiver no poder. Não obstante, eles erraram em quase tudo. No entanto, se esquecem, ou fingem fazê-lo, a maneira que eles empregaram para consegui-lo, que, aliás, não foram nada civilizados, se observarmos o como eles definem esta condição. E quanto às “aparências”, creio que isso também nós deveremos discutir melhor e avaliar, pois parece que eles não aparentam saber direito o que vem a ser isto. Polêmicas à parte, vamos nós aos fatos.
O branco começa a sair da Europa e assaltar terras alheias ainda no final do século XIV. No afã não só de estender seus territórios e levar o “progresso para o bem estar da humanidade”, assim como também buscar bem materiais e humanos de outras plagas do Planeta, para o conluio de suas pretensões. Quis conquistar tudo, não se contentando em negociar, simplesmente, com os nativos daquelas terras aportadas. Era época do Mercantilismo, e eles precisavam de capital para desenvolver seus comércios e indústrias. Foi um saque. O branco tomou o Planeta de assalto. Assim como podemos constatar neste texto:
Os europeus reformularam, com requinte ainda maior de crueldade, as estratégias de domínio sobre os espaços geográficos adotadas pelos árabes, como por exemplo, a manutenção da forma administrativa local, direito ao culto religioso, estabilidade política em troca de uma cota de escravos e prática sexual unilateral e vertical. A falsa estabilidade política reclamada pelos dirigentes africanos imersos no tráfico de escravos com os árabes foi totalmente destruída pelos europeus. Agora, todos seriam escravos, inclusive os dirigentes políticos que outrora forneciam a mercadoria, que ampliaram o grande contingente de indivíduos que eram retirados da África como objetos de compra, venda ou troca (sic).[1].

Podemos constatar dessarte que a conquista não foi assim tão “civilizada”, dentro da concepção literal do termo, como eles querem apregoar. E isenta, da mesma maneira, a responsabilidade dos sobas, aos quais jogam toda a responsabilidade e culpa do feito, no afã de se isentarem de maiores culpas. Os sobas, segundo eles, venderam e eles compraram o que traduzido para termos legais atuais foram receptadores, artigo 158 do Código Penal. E destes eles não poderão escapar.

Da escravidão de africanos foi, segundo Karl Marx, donde eles tiraram recursos para desenvolver a Revolução Industrial. Esta que no final findou por poluir todo o nosso ar, oceanos, rios, terras, o desmatamento imensurável de nossas florestas e extermínio da fauna. Isso partindo do princípio de que o Planeta é de propriedade coletiva, da humanidade. Eles apenas se fizeram donos. Hoje dado totalmente como em fase de extinção, inclusive da própria vida no Planeta Terra. Esta que ora já tem até prazo marcado. E eles ainda chamam isso de “progresso”.

O sonho de todos que adquirem algum recurso é o de comprar um automóvel. O sonho dourado de todos aqueles que conseguem, de alguma maneira, ascender-se na escala social... Todavia, atualmente deverá se preocupar em comprar também barco. Aí então poderá ir se alternando: dia de Sol sairá de automóvel, mas, nos de chuva somente poderá usar o barco. E será considerado um pragmático! Entretanto, se conseguir arrumar uma economiazinha maior será também aconselhável que adquira um aviãozinho. Sabe como é! Isso servirá para fugir aos engarrafamentos do trânsito. Aí sim! Poderá dizer-se um burguês de verdade.

Ordem e Progresso são as “nossas” divisas – se preferir somente as do país, pois este não é de fato nosso mesmo! Agora, o difícil será descobrir onde estão... Possivelmente “guardadas” em algum Paraíso Fiscal. E se não forem provadas que são provenientes de tráfico de drogas... Ah! Jamais voltarão. E também ninguém irá para a cadeia. Crime é somente quando é praticado por pobre, pois rico, se pego – se ainda tiver o tal “curso superior” também – terá o direito à “prisão especial” (Será que é grafada também em letras maiúsculas?). Esta é a Ordem. O Progresso? Bem, ainda estamos à sua espera. Pois, chamar isto que está aí de progresso é acinte ao termo.

E dizer que para que isso fosse construído e possível nossos antepassados trabalharam, em regime de escravidão, durante 370 anos. Donde saímos sem nem sequer com uma gorjeta e ainda somos escorraçados. O que vem mesmo a ser achincalhe? Ah, deixa pra lá!

E a pergunta que não quer se calar: e nesse contexto todo onde está o negro brasileiro? Eu não perguntei como está! Disso todo mundo sabe... Menos ele! É claro – no sentido de luminosidade. Eu perguntei onde está. Ah! Ele está muito bem, obrigada! Ele vive e sonha. O mundo ao seu redor está pegando fogo. É gente cingindo bombas aos redores dos corpos e explodindo multidões – em nome de seu deus é claro, nunca de si próprio -, são povos indo para rua em confronto com policiais e exércitos para derrubar ditadores, são Potências invadindo “soberanias nacionais” para garantir combustível e energia – aquela! Aquela mesma que eles mesmos dizem que polui o... Hã! O “nosso” Planeta. Este que eles mesmos dizem, com ultra desfaçatez e deboche, que o seu “deus” criou para toda a humanidade (essa sim eu tenho a certeza de que é grafada com letras minúsculas). Ó Olorum! Poupem-nos. Assim não dá!

E ainda ter que aturar o discurso de que eles construíram e frequentaram Faculdades para se prepararem. Pra quê? Pra isso? Eu creio que perderam os seus tempos. Para fazer isso não é nem preciso estudar!

E o negro brasileiro? Bem, como eu já disse ele vai bem obrigado. Ele sonha ainda com uma “sociedade plena, plural e igualitária”, ou pelo menos este é o seu discurso! Ele ainda sonha e crê na possibilidade de “democracia racial” e na miscigenação como solução de seus problemas. Pode? Meu filho diz que sim. Pois acontece...
Sem mais.

São Paulo, 29 de abril de 2011.

Neninho de Obalúwáyié
Coordenador Geral do CRENJA

v  Pelo cessar imediato do genocídio do negro no Brasil!
v  Pelo completo desocupar do Haiti!
v  Pelo fim do extermínio da juventude e infância negra no Brasil!
v  Pelo memorial da escravatura negra nas Américas!



[1] Wedderburn, Carlos Moore – O Racismo Através da História: Da Antiguidade à Modernidade – SECAD – 2007 – pp. 68-69.

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