quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PROJETO PHOENIX

Projeto Phoenix - Memorial da Escravatura*
Por: Neninho de Obalúwáiyé - 7/12/2010
No dia 26 último, deste mês de novembro, estivemos juntos, eu e o Ailton Azevedo, atualmente assessor do deputado estadual José Zito (PT), com o Dr. Dennis de Oliveira, na condição de coordenador do NEINB (Núcleo de Estudos Interdisciplinar do Negro Brasileiro), na USP (Universidade São Paulo). 
O objetivo da reunião foi a de firmar contrato de parceria junto a esta com intuito de criarmos um memorial voltado à história do negro, embora não contraditante, não somente o brasileiro nacional, mas sim de toda as Américas (do Sul, Central e do Norte).

A proposta de criar a memorial data, ainda, da década de 70, quando reiniciamos os esforços de conscientização e organização do povo negro brasileiro, que a partir da “abolição da escravatura”, donde este foi posto fora do processo produtivo, quando sua atividade foi trocada pela mão-de-obra livre e européia.

E foi quando também o negro, mormente o brasileiro, foi expurgado do jugo direto para a indigência. Sem pecúlio ou qualquer outro tipo de poupança ou ressarcimento o negro se viu às voltas com a sua marginalidade. Donde poucos conseguiram sair, mas a maioria ainda padece de carências e estigmatização, e sem o menor ou qualquer amparo do Estado. No entanto, na época a nossa proposta foi preterida, porquanto, estamos reeditando-a.

Tivemos a preocupação de superar o lugar-comum que o movimento negro brasileiro chafurdou, mesmo que involuntariamente, na questão da discriminação racial. Esta que, com o seu uso intenso, findou por ser esvaziada e se arrasta há mais de 30 anos sem quaisquer perspectivas de solução. O memorial não pretende, e nem podia, se pautar por este caminho. Não por acharmos de pouca importância, muito pelo contrário, mas acontece que como afirmávamos no passado nenhum povo consegue se organizar sem uma história, passada e definida. É muito vago se dizer que demos um “grande contribuição” ou que “o negro brasileiro tem história”.

História todo mundo a tem, seja ela boa ou má, bela ou feia. O nosso constrangimento começa quando somos incitados a contá-la. E, ou por vergonha ou por desconhecê-la mesmo nós sempre nos omitimos.

Oficialmente, nós trabalhamos 370 anos em regime de escravidão. Fizemos não somente a realização econômica da burguesia colonial nacional, muito pelo contrário, também fizemos a fortuna da antiga Metrópole, Portugal, esta que se estendeu a toda Europa, propiciando, como disse Karl Marx: “a escravidão foi fundamental para a acumulação de capital”, que por sua vez proporcionou a Revolução Industrial. Esta que colocou também a Europa na vanguarda imperialista. Quanto a nós outros ficamos apenas com o escárnio da sociedade, e execrados.

De princípio, nós pensamos em tratar, no referido memorial, enfocar a população negra nacional. Porém, esbarramos em sérios empecilhos. Primeiro que, até por força de lei, o negro brasileiro foi mantido na ignorância cultural e histórica, até mesmo de nossa origem. O Continente africano, nos dizeres dos dominantes, não passava de um local inóspito e rude, e sem quaisquer resquícios de cultura e civilidade. Esta estória nos foi contada por mais de 100 anos. Só recentemente é que começamos a conhecê-la mais amiúdo.

Não importando a nossos algozes sua história ser muito rica, em sendo a África o berço da humanidade, até então provado. Esta história somente agora começa a nos ser contada, na versão e visão de nossos opressores contemporâneos. Estes que sempre versionam visando seus próprios e exclusivos interesses. Esta história tem que ser recontada. E a história do negro brasileiro reescrita. Agora, sob a nossa óptica. Não se esquecendo, todavia, de que devamos ser ressarcidos de nossos desatinos, pois entramos nesta a nossa revelia.

No princípio do movimento negro, aqui no Brasil, assim como em todas as suas iniciativas análogas, nós fomos impelidos à busca de nosso panteão de heróis. Todos os povos deste Planeta se alicerçam em mitos... E a nós somente sobrou Zumbi de Angola Janga (Palmares). No esforço tivemos que invocarmos alguns outros que nem sequer se esmeraram, muito pelo contrário, tinham um interesse maior, sempre, na proclamação da república. Joaquim Nabuco, por exemplo, não escondia, deixando claro em seus discursos em plenário: “Eu não defendo a abolição por causa do negro. A minha preocupação é a imagem do país no Exterior”.

José do Patrocínio, por sua vez tinha um discurso parecido, tanto que ao participar da contenda quando se pagaria ou não indenização aos escravos foi eloquente: “Aos negros a liberdade por si só é suficiente”, e centrou legal em pró da Monarquia e escravistas... em detrimento ao negro brasileiro. Sendo, portanto, este, um traidor, e não herói. Economizando, o único desta fase “abolicionista” digno de nossas notas e aplausos, Luiz Gama.

Luiz Gama, filho de escrava com fidalgo português, ele foi vendido e alforriado. Aprendeu a ler e escrever com um filho de seu antigo escravista, através da Bíblia. No autodidatismo tornou-se advogado. Defendeu nesta condição negros e brancos, se consagrando. Em toda a sua carreira defendeu e libertou do cativeiro algo em torno de 500 “escravos”.

Acontece que com estes fatos a história do negro, em contraste com a deste país, é pífia. Mesmo imaginando que ocorreram ações de um “exército” de anônimos. Levando-se em consideração que a história oficial nunca se importou em registrar a história de dominados. Aliás, em momento algum estas foram registradas: pois, os derrotados nunca mereceram, por parte da História, nenhuma consideração. E o negro brasileiro tem esta dívida e desvantagem.

Sim, o negro brasileiro tem história, porém, esta de derrotado. E derrotado nunca foi visto com bons olhos – nem dos seus - como herói. E nem tem a sua história contada e registrada nos anais.

Uma de nossas deficiências era a de que, no decorrer de toda a história, seríamos minoria numérica. E hoje já nos sabemos maioria... E o que isso muda? Nada! Continuamos dominados e escorraçados físicos e moralmente. Não obstante, não há a menor perspectiva de recuperação. O movimento negro brasileiro blefa quando vende esperanças. Os morros cariocas foram ocupados, sim, há alguns anos atrás, em seguida à “abolição”. Por não termos para onde ir.

Foram escolhidos locais ermos para nosso habitat, e hoje estamos novamente sendo escorraçados destes. Novamente sendo postos no olho da rua. Foi tudo armação: primeiro vieram às drogas, depois as armas e agora as Forças Armadas e demais aparato repressivo.

Querem acabar logo a guerra. Guerra que começou, no que diz respeito a nós, no princípio do século XVI. E nestes nós não ganhamos, até agora, nenhuma só batalha. Porquanto, à luta! Não podemos esmorecer.

Outro empecilho é o de que foram queimados todos os documentos referentes ao tráfico de africano para o Brasil. Portanto isto dificulta a nossa identificação. Ledo engano! Pois estes documentos existem cópias na Europa e na própria África. Bastando, apenas e tão somente, ir buscá-los. Se este é um problema, com o memorial será fácil resolvê-lo.

Outro engano é pensar que a situação vivida pelo negro brasileiro é única. Não há diferença entre nosso dilema e os dos demais afros-descendentes da diáspora. Assim como podemos nos exemplar na situação do Haiti. Esta que também nos tentam esconder.

São Paulo, 28 de novembro de 2010.

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

*O título original do artigo é "Projeto Phoenix - Memorial da Escravatura Negra nas Américas".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MAIS SOBRE O HAITI

O Haiti e a política regional do governo Lula
No jogo entre EUA e Brasil quem paga é o povo haitiano

por : LER-QI, Brasil
sexta-feira 26 de fevereiro de 2010
Lula entra no último ano de seu mandato fazendo tudo o que está em seu alcance para se firmar como o governo que colocou o Brasil como ator importante na arena internacional, e como potência regional na América Latina em particular. Para responder a este objetivo, Lula se monta em sua alta popularidade no plano interno, nos índices de relativo crescimento econômico motorizados pelo aquecimento da demanda por commodities brasileiras por parte da China, em uma ampla política assistencialista para os setores mais pobres (programa Bolsa Família), aumento do salário mínimo, mantendo uma ampla rede de crédito que facilita o consumo popular e capitalizando a seu favor sua política externa no embate eleitoral aberto. Como parte desta política, Lula acaba de anunciar uma nova rodada de viagens pela região do Caribe, incluindo uma visita ao Haiti prevista para acontecer em 25 de fevereiro. O pretexto é a realização da reunião do Grupo do Rio em Cancun, que acontecerá dias antes e deverá reunir os principais governos latino-americanos, e que passará a presidência rotativa do grupo ao presidente chileno eleito, o direitista e candidato da burguesia chilena, Sebastian Piñera.
A ida de Lula ao Haiti se dá pouco mais de um mês depois do terremoto que deixou centenas de milhares de mortos, um número incontável de feridos e desabrigados, e que escancarou aos olhos do mundo inteiro o resultado de dezenas de anos de saque imperialista promovido sobretudo, pelos Estados Unidos, e mais recentemente, agravados pela assassina ocupação comandada por Lula com as tropas da Minustah, que desde 2004 oprime, estupra e assassina o povo haitiano. Com a ida de Lula ao Haiti, o presidente petista busca firmar sua posição mediante a ocupação do país pelas tropas norte-americanas, que já contam com um efetivo de 16 mil soldados no país, sendo uma demonstração clara de uma política de intervenção mais direta por parte do imperialismo norte-americano chefiado pelo presidente “Nobel da Paz”, Barack Obama. Este é mais um capítulo da farsa “humanitária” de Lula e do imperialismo no Haiti, e das contradições abertas pela maior intervenção do amo imperialista na América Latina para a política lulista de se alçar como mediador regional e garantir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Presença direta do imperialismo na América Latina condiciona a política lulista regional
O terrível terremoto que devastou o Haiti em janeiro transformou o país em palco das disputas internacionais pelo controle do seu destino. O governo lulista ensaiou declarações de repúdio à crescente presença norte-americana, e agora que esta já se impôs, segue atuando como braço direito do imperialismo. Mas as rixas abertas no Haiti podem anunciar as disputas e forcejos para negociar em melhores condições que sejam recorrentes em todo o próximo período. Sem exagerar o papel de Lula e o grau a que estaria disposto a se enfrentar com o amo imperialista, é preciso avaliar os efeitos da maior presença imperialista na América Latina.
Após os anos de governo Bush, responsável pelo aumento do sentimento anti norte-americano na América Latina, vemos Obama apoiando-se nas ilusões que desperta, atuando para reconquistar o espaço perdido na região, pela via de uma política de aumento da presença imperialista direta. A primeira ação neste sentido foi a instauração das bases militares da Colômbia. Agora, Barack Obama se aproveita da legitimidade que a tragédia sofrida pelo povo haitiano lhe dá para em nome de uma pretensa ajuda humanitária, comandar uma ocupação imperialista direta no Haiti, reforçando sua presença na região, e utilizando-a como disciplinador a Cuba.
Esta política de Barack Obama tem trazido contradições para as aspirações de Lula, que almejando atuar cumprindo os desígnios do amo imperialista, buscava ao mesmo tempo se firmar como protagonista em todos os temas de importância geopolítica na região, uma espécie de aparente “sócio menor” do imperialismo para os temas latino-americanos. Isso porque Lula e a burguesia brasileira, como subservientes ao imperialismo ao qual são ligados por “mil e um” laços de vassalagem, não buscam obviamente enfrentamentos com os EUA. Entretanto, o fato do imperialismo de Barack Obama ter uma política mais diretamente protagonista na América Latina impõe limites às pretensões lulistas, de emergir como o grande negociador latino-americano.
Isso se demonstrou anteriormente na crise aberta com o golpe direitista em Honduras que depôs Manuel Zelaya, quando ficou evidenciado que o imperialismo norte-americano sustentou o governo golpista, e as eleições fraudulentas que levaram recentemente ao poder o governo de Porfirio Lobo. Lula buscou aproveitar a brecha aberta pela declaração da maioria dos governos latino-americanos contra o golpe, e asilou Manuel Zelaya até poucos dias atrás na embaixada brasileira no país. Entretanto, demonstrou sua total impotência mediante o imperialismo, que conseguiu impor sua política de apoio à agenda golpista. Tudo o que restou deste, que foi o ponto máximo de questionamento à política do imperialismo por parte do governo brasileiro até o momento, é uma negativa em convidar o governo de Honduras para a participação da reunião do Grupo do Rio em Cancun. Isso demonstra os imensos limites da política externa e do “protagonismo” regional de Lula, determinados pelo caráter submisso do seu governo e da burguesia brasileira ao imperialismo.
Quem paga pelas disputas regionais: o povo haitiano que sofre com a ocupação
No que diz respeito ao Haiti, a visita de Lula atende, portanto, a uma tentativa de marcar posição, após a ida àquele país do ex-presidente norte-americano Bill Clinton - que vale mencionar foi recebido por protestos e imenso repúdio por parte do povo haitiano -, e que está chefiando a campanha imperialista ao lado de ninguém menos que George W Bush. Para isso, Lula está elaborando um plano conjunto com o presidente direitista chileno Sebastian Piñera um plano para a “reconstrução” da sede civil de Porto Príncipe, a ser apresentado na visita ao Haiti. O plano de reconstrução da casa do governo, apesar de não ter nenhum papel efetivo, busca ter o efeito simbólico de vender a idéia de que Lula estaria atuando para o restabelecimento do governo local, comandado pelo fantoche René Preval, apresentando-se como uma ação velada contra a política de permanência indefinida dos EUA no país. Isso viria ao encontro das declarações de Celso Amorim, de que após a crise aberta pelo terremoto a MINUSTAH deveria ser a única força ocupante do Haiti. Lula anunciaria ainda uma “Bolsa Haiti”, medidas não especificadas pelo governo brasileiro, mas que envolveria projetos para ampliar a participação na “reconstrução” do Haiti.
Por trás da demagogia, o que se demonstra é que a política concreta de Lula no Haiti é simplesmente o contrário de promover a independência do povo haitiano. Em primeiro lugar, por que a resposta que o governo Lula vem dando à presença norte-americana no país foi nada menos que incrementar ainda mais a presença do exército brasileiro que ocupa o país com a MINUSTAH, promovendo assassinatos, estupros e abusos diversos, já relatados por diversas organizações. Desde o terremoto, o governo brasileiro anunciou o envio de mais 2600 efetivos militares, que ao invés de atuarem como a “ajuda humanitária” que a mídia quer nos fazer crer, aumentam a miséria e o sofrimento do povo haitiano, produto de sua ação policialesca e opressora em nome de salvaguardar a propriedade privada, enquanto a imensa maioria da população continua passando fome. Assim, a “insatisfação” de Lula com a presença dos EUA no país é resultante não de uma preocupação com o povo haitiano, mas de sua tentativa de demonstrar que no quesito opressão e assassinato as tropas brasileiras não devem nada às imperialistas, e que seu governo é completamente capaz de levar adiante a ocupação criminosa no Haiti, tal como os EUA fazem no Afeganistão ou no Iraque.
Lula e os comandantes da MINUSTAH lamentaram que os efeitos do terremoto tenham lançado por terra as conquistas “pacificadoras” da ocupação que chefiam desde 2004. O “ótimo trabalho” que o governo brasileiro à frente da MINUSTAH vinha fazendo no Haiti. Podemos citar como exemplos deste “ótimo trabalho” a ação de 6 de julho de 2005 quando o ataque da MINUSTAH contra a população consumiu 22.000 cartuchos [1] de munição, deixando o saldo de 23 haitianos mortos, ¾ compostos por mulheres e crianças. Ou a de 22 de dezembro de 2005 na qual morrem 30 pessoas – mais uma vez, com maioria de mulheres e crianças. Ou ainda a de 1° de abril de 2007, quando nova incursão em Cité Soleil mata 3 crianças. Ou mesmo os inúmeros relatos de estupro e exploração sexual de mulheres e crianças pelas tropas da MINUSTAH. E a lista poderia seguir indefinidamente.
É uma necessidade urgente e imediata que todos os que querem de fato defender o povo haitiano devem se colocar pela retirada imediata das tropas imperialistas, e das tropas da MINUSTAH, chefiada pelo governo brasileiro. A política de opor a “ocupação ruim do imperialismo” e a “ocupação humanitária” de Lula é uma falácia que deve ser desmascarada com toda força por todos os que queiram de fato impulsionar uma campanha séria em defesa do povo haitiano. A reivindicação de retirada das tropas do governo Lula deve ser levantada tão decididamente quanto a luta para que as tropas norte-americanas saiam imediatamente do Haiti.
Os haitianos que sofrem na pele a cada dia a opressão, os efeitos da política assassina a que estão submetidos, e as humilhações de terem seu país ocupado, sabem que não há ocupação boa. Esperamos que Lula seja recebido com o mesmo repúdio manifestado pelos haitianos à MINUSTAH e às tropas brasileiras. Que as cenas dos mais de 10.000 haitianos que marcharam contra a ocupação em 2008, e que quase ninguém conhece [2], voltem a se repetir.

[1] Brasil no Haiti: O Desastre da MINUSTAH, de Marcelo Carreiro em www.tempopresente.org
[2] Desde o começo da ocupação em 2004 uma série de massacres ocorreu no bairro pobre de Cité Soleil desferidos pelas tropas brasileiras. Após o que ficou conhecido como o massacre de número 12 Cité Soleil em 2008, ocorrem manifestações de até 10.000 pessoas pedindo a saída das tropas internacionais. A organização de monitoramento de mídia e censura Project Censored elege o massacre a “12° História mais Censurada de 2008”.



quinta-feira 4 de novembro de 2010
Brasil: Primeiras considerações sobre o segundo turno
As eleições de domingo expressaram a força de Lula e do clima social reformista e de continuidade. Dilma foi eleita com 55,7 milhões de votos ou 56% dos votos válidos.

quinta-feira 28 de outubro de 2010
Argentina: Declaração do PTS
quinta-feira 28 de outubro de 2010
Kirchner deixou uma crise política
Para além da presente comoção e aparente “unidade nacional”, a súbita morte de Néstor Kirchner abriu uma crise política que prepara maiores enfrentamentos e polarização entre os bandos capitalistas que disputam a cena nacional argentina.



quarta-feira 13 de outubro de 2010
O perigo do protecionismo ronda a economia mundial
Crescem as fricções interestatais como consequência de que as desvalorizações competitivas se extendam a toda a economia mundial.

quinta-feira 30 de setembro de 2010
Declaração da Fração Trotskista - Quarta Internacional
É uma tarefa prioritária para os que se reivindicam marxistas revolucionários defender um programa político claro e uma estratégia para derrotar os planos de restauração capitalista.

quinta-feira 15 de julho de 2010
Frente à interferência militar ianque na Costa Rica
A escandalosa e desproporcionada ocupação militar norte-americana em margens costa-riquenhas obedece ao interesse da potência norte-americana de controlar fortemente o conjunto da América Latina, e de utilizar como possibilidade porta-aviões na região da América Central e do Caribe e as bases de países como a Colômbia, para sustentar sua política exterior para outras partes do planeta.



quinta-feira 4 de novembro de 2010
Eleições nos Estados Unidos
O importante triunfo republicano mostra, mais que a fortaleza deste partido, um grande revés político para o governo de Barack Obama. A Casa Branca esperava o “voto castigo” da população, que sofre as conseqüências da crise econômica mais importante desde a recessão de 1930.

terça-feira 26 de outubro de 2010
Argentina
A morte de um militante revolucionário é a morte de um dos melhores filhos dos trabalhadores e do povo. Por Juan Dal Maso.

sexta-feira 22 de outubro de 2010
França em chamas
Este problema da juventude que sente que não tem futuro é uma questão que vai além das reformas das aposentadorias e do governo de Sarkozy. É uma ameaça permanente para a estabilidade e a paz social burguesa na França.



sexta-feira 23 de abril de 2010
Continuamos chamando o PSTU a unificar a campanha
É preciso unificar as forças de todas as organizações independentes do governo numa campanha comum de mobilização pela retirada das tropas do Haiti, para que o povo haitiano possa tomar em suas mãos o destino do seu país dando continuidade à sua heróica história revolucionária. Reafirmamos o chamado à juventude do PSTU a impulsionarmos conjuntamente essa campanha.

sexta-feira 26 de fevereiro de 2010
O Haiti e a política regional do governo Lula
A ida de Lula ao Haiti se dá pouco mais de um mês depois do terremoto que deixou centenas de milhares de mortos, um número incontável de feridos e desabrigados, e que escancarou aos olhos do mundo inteiro o resultado de dezenas de anos de saque imperialista promovido sobretudo, pelos Estados Unidos, e mais recentemente, agravados pela assassina ocupação comandada por Lula com as tropas da Minustah, que desde 2004 oprime, estupra e assassina o povo haitiano.

sexta-feira 26 de fevereiro de 2010
Solidariedade operária e popular
Junte-se a nós para colocar nas ruas, escolas e fábricas uma campanha que vincule a solidariedade ao povo haitiano com a luta pela retirada das tropas de Lula e para que ocorra uma frente-única, começando pela CONLUTAS-INTERSINDICAL e ANEL, que lute pela retirada das tropas brasileiras e coloque-se ativa e vivamente em movimento em solidariedade com nossos irmãos e irmãs haitianas.



A Fração Trotskista-Quarta Internacional está conformada pelo PTS (Partido de los Trabajadores Socialistas) da Argentina, la LTS-CC (Liga de Trabalhadores pelo Socialismo - Contracorriente) do México, a LOR-CI (Liga Operária Revolucionária pela Quarta Internacional) da Bolívia, LER-QI (Liga Estratégia Revolucionária) do Brasil, Classe contra Classe do Chile, LTS (Liga de Trabalhadores pelo Socialismo) da Venezuela, LRS (Liga da Revolução Socialista) da Costa Rica, Classe contra Classe do Estado Espanhol e Grupo CRI - sección simpatizante do Francia
Para entrar em contato conosco, escreva para o seguinte e-mail: contacto@ft-ci.org

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

PRIMEIRO TEMPO

CRENJA
CENTRO DE RESITÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!

Blog: crenja.blogspot.com

BANGU 0 X POLÍCIA 1

Bem, o jogo anterior havia acabado, segundo Bezerra da Silva, em um a zero para Bangu. Foi quando, segundo ele, acabou aquela partida. Bangu cresceu, e fez filial... Mas o campeonato ainda não terminou, não! Nós estamos somente na segunda rodada do primeiro turno. Ainda tem jogo! Ou seja, apenas começando. Há ainda muito jogo pela frente... Falando nisso cadê o Bin Laden, heim? Sumiu! Estou preocupado, será que não aconteceu algo de ruim para com ele? Sabe como é, coisa boa nunca acontece todo dia. Pelo menos não para a maioria: o Povo. O será que ele está no Complexo do Alemão? Alá, eu espero que esteja tudo Bin com ele. Ah! Se ele tivesse lá não ocorreria o que ouve no Morro de Cruzeiro. Ele é Macho, não sai correndo assim.
Eu tenho um DVD sobre a Ocupação do Haiti, e das incursões de "paz", promovida pela ONU, em 2004, 2005 e 2006. Confesso, estou preocupado. Mas o Bin não gosta de futebol. Já avisou: “não vou à Copa de 2014”. E ele é radical”. Isso é problema seus “, obviamente, se referindo aos Estados Unidos.

Entretanto, o campeonato brasileiro está uma droga, no mau sentido. Imagine só, e eu ainda sou Corinthiano. Já estávamos com a taça na mão... E empatamos o antepenúltimo jogo. Isso que eu chamo de “urucubaca branca”, dá tudo errado. Pô! Por isso eu preferi acompanhar o campeonato mundial de safadeza. Ah! O Brasil está em primeiro lugar. Como sempre... Quando há safadeza no meio. Eta paísinho danado pra gostar de safadeza. Precisava mesmo de um campeonato.
No entanto tudo continua na mesma, a cadeia lotada de pobre e corrupção lotada de ricos. Será que não muda nunca? Só pra sair da rotina?
Mas o Coringão não podia dar uma dessa. Deu maior mole, e o pior: o nosso poder criativo de forjar esperanças. Mas, o ano que vem tem outro. Será que eu vou aguentar? Já estou com 62... A caminho de 63. Ah! Curingão! Você parece uma mulher que tive. Cada vez que eu a dizia que ela não ia dar essa...
O Rio de Janeiro continua lindo... Mas, em matéria de “bandido” ele está muito mau.  Mas que bando de bunda-mole! Correndo um atrás do outro. Pô! Pegou mal. Pagou maior sapo! Será que o Romário aprendeu ser marrento com eles? O Baixinho é gente boa. Mas eles perderam a aula sobre Lamarca e Marighela. Ah! Eles eram paulistas!
Bom! Bangu 0 X Polícia 1... Vejamos os próximos jogos. As regras foram mudadas.

São Paulo, 30 de novembro de 2010.

Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVIDÃO NEGRA NAS AMÉRICAS!         

domingo, 28 de novembro de 2010

MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS

CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!

Blog: crenja.blogspot.com
PROJETO PHOENIX
MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS

No dia 26 último, deste mês de novembro, estivemos juntos, eu e o Ailton Azevedo, atualmente assessor do deputado estadual José Zito (PT), com o Dr. Dennis de Oliveira, na condição de coordenador do NEINB (Núcleo de Estudos Interdisciplinar do Negro Brasileiro), na USP (Universidade São Paulo). O objetivo da reunião foi a de firmar contrato de parceria junto a esta com intuito de criarmos um memorial voltado à história do negro, embora não contraditante, não somente o brasileiro nacional, mas sim de toda as Américas (do Sul, Central e do Norte).
A proposta de criar a memorial data, ainda, da década de 70, quando reiniciamos os esforços de conscientização e organização do povo negro brasileiro, que a partir da “abolição da escravatura”, donde este foi posto fora do processo produtivo, quando sua atividade foi trocada pela mão-de-obra livre e européia. E foi quando também o negro, mormente o brasileiro, foi expurgado do jugo direto para a indigência. Sem pecúlio ou qualquer outro tipo de poupança ou ressarcimento o negro se viu às voltas com a sua marginalidade. Donde poucos conseguiram sair, mas a maioria ainda padece de carências e estigmatização, e sem o menor ou qualquer amparo do Estado. No entanto, na época a nossa proposta foi preterida, porquanto, estamos reeditando-a.
Tivemos a preocupação de superar o lugar-comum que o movimento negro brasileiro chafurdou, mesmo que involuntariamente, na questão da discriminação racial. Esta que, com o seu uso intenso, findou por ser esvaziada e se arrasta há mais de 30 anos sem quaisquer perspectivas de solução. O memorial não pretende, e nem podia, se pautar por este caminho. Não por acharmos de pouca importância, muito pelo contrário, mas acontece que como afirmávamos no passado nenhum povo consegue se organizar sem uma história, passada e definida. É muito vago se dizer que demos um “grande contribuição” ou que “o negro brasileiro tem história”. História todo mundo a tem, seja ela boa ou má, bela ou feia. O nosso constrangimento começa quando somos incitados a contá-la. E, ou por vergonha ou por desconhecê-la mesmo nós sempre nos omitimos.
Oficialmente, nós trabalhamos 370 anos em regime de escravidão. Fizemos não somente a realização econômica da burguesia colonial nacional, muito pelo contrário, também fizemos a fortuna da antiga Metrópole, Portugal, esta que se estendeu a toda Europa, propiciando, como disse Karl Marx: “a escravidão foi fundamental para a acumulação de capital”, que por sua vez proporcionou a Revolução Industrial. Esta que colocou também a Europa na vanguarda imperialista. Quanto a nós outros ficamos apenas com o escárnio da sociedade, e execrados.
De princípio, nós pensamos em tratar, no referido memorial, enfocar a população negra nacional. Porém, esbarramos em sérios empecilhos. Primeiro que, até por força de lei, o negro brasileiro foi mantido na ignorância cultural e histórica, até mesmo de nossa origem. O Continente africano, nos dizeres dos dominantes, não passava de um local inóspito e rude, e sem quaisquer resquícios de cultura e civilidade. Esta estória nos foi contada por mais de 100 anos. Só recentemente é que começamos a conhecê-la mais amiúdo. Não importando a nossos algozes sua história ser muito rica, em sendo a África o berço da humanidade, até então provado. Esta história somente agora começa a nos ser contada, na versão e visão de nossos opressores contemporâneos. Estes que sempre versionam visando seus próprios e exclusivos interesses. Esta história tem que ser recontada. E a história do negro brasileiro reescrita. Agora, sob a nossa óptica. Não se esquecendo, todavia, de que devamos ser ressarcidos de nossos desatinos, pois entramos nesta a nossa revelia.
No princípio do movimento negro, aqui no Brasil, assim como em todas as suas iniciativas análogas, nós fomos impelidos à busca de nosso panteão de heróis. Todos os povos deste Planeta se alicerçam em mitos... E a nós somente sobrou Zumbi de Angola Janga (Palmares). No esforço tivemos que invocarmos alguns outros que nem sequer se esmeraram, muito pelo contrário, tinham um interesse maior, sempre, na proclamação da república. Joaquim Nabuco, por exemplo, não escondia, deixando claro em seus discursos em plenário: “Eu não defendo a abolição por causa do negro. A minha preocupação é a imagem do país no Exterior”. José do Patrocínio, por sua vez tinha um discurso parecido, tanto que ao participar da contenda quando se pagaria ou não indenização aos escravos foi eloquente: “Aos negros a liberdade por si só é suficiente”, e centrou legal em pró da Monarquia e escravistas... em detrimento ao negro brasileiro. Sendo, portanto, este, um traidor, e não herói. Economizando, o único desta fase “abolicionista” digno de nossas notas e aplausos, Luiz Gama.
Luiz Gama, filho de escrava com fidalgo português, ele foi vendido e alforriado. Aprendeu a ler e escrever com um filho de seu antigo escravista, através da Bíblia. No autodidatismo tornou-se advogado. Defendeu nesta condição negros e brancos, se consagrando. Em toda a sua carreira defendeu e libertou do cativeiro algo em torno de 500 “escravos”.
Acontece que com estes fatos a história do negro, em contraste com a deste país, é pífia. Mesmo imaginando que ocorreram ações de um “exército” de anônimos. Levando-se em consideração que a história oficial nunca se importou em registrar a história de dominados. Aliás, em momento algum estas foram registradas: pois, os derrotados nunca mereceram, por parte da História, nenhuma consideração. E o negro brasileiro tem esta dívida e desvantagem. Sim, o negro brasileiro tem história, porém, esta de derrotado. E derrotado nunca foi visto com bons olhos – nem dos seus - como herói. E nem tem a sua história contada e registrada nos anais.
Uma de nossas deficiências era a de que, no decorrer de toda a história, seríamos minoria numérica. E hoje já nos abemos maioria... E o que isso muda? Nada! Continuamos dominados e escorraçados físicos e moralmente. Não obstante, na há a menor perspectiva de recuperação. O movimento negro brasileiro blefa quando vende esperanças. Os morros cariocas foram ocupados, sim, há alguns anos atrás, em seguida à “abolição”. Por não termos para onde ir. Foram escolhidos locais ermos para nosso habitat, e hoje estamos novamente sendo escorraçados destes. Novamente sendo postos no olho da rua. Foi tudo armação: primeiro vieram às drogas, depois as armas e agora as Forças Armadas e demais aparato repressivo. Querem acabar logo a guerra. Guerra que começou, no que diz respeito a nós, no princípio do século XVI. E nestes nós não ganhamos, até agora, nenhuma só batalha. Porquanto, à luta! Não podemos esmorecer.
Outro empecilho é o de que foram queimados todos os documentos referentes ao tráfico de africano para o Brasil. Portanto isto dificulta a nossa identificação. Ledo engano! Pois estes documentos existem cópias na Europa e na própria África. Bastando, apenas e tão somente, ir buscá-los. Se este é um problema, com o memorial será fácil resolvê-lo.
Outro engano é pensar que a situação vivida pelo negro brasileiro é única. Não há diferença entre nosso dilema e os dos demais afros-descendentes da diáspora. Assim como podemos nos exemplar na situação do Haiti. Esta que também nos tentam esconder.
São Paulo, 28 de novembro de 2010.

Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS! 

PODER É QUERER

Manifesto: Consciência Negra Rumo ao Poder* 

Roque Assunção da Cruz (Roque Tarugo)
Bacharel em Direito, Filosofia, Teologia, Especialização em Economia do Trabalho, e Ciências Políticas, Advogado, Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Del Museo Social Argentino. E-mail: assunovida@hotmail.com ,assunovida33@yahoo.com.br,rtarugo@bol.com.br http://www.assunovidaconsultoria.blogspot.com

Por: Roque Assunção da Cruz (Roque Tarugo) - 24/11/2010
Raça negra                                                                                     
Cantar-te, ó negro
Pele linda
Raça de cor
Unir! Mobilizar, lutar!
Superar a opressão
É a suprema aspiração
De todo homem livre
Preso me deu consciência
Da liberdade.
Silenciado,
Você me ensinou
A falar
Não há caminhada fácil,
Para a liberdade.
A não ser lutar,
Contra a desigualdade,
A discriminação e a opressão
Na busca de um novo horizonte
Construir o socialismo
Negro camarada irmão.

A III Conferência Mundial Contra o Racismo Discriminação Racial Xenofobia e Intolerância Correlatas, que aconteceu em 2001, na África do Sul cidade de Durban, aprovado por mais de 190 países orienta:

“...Lembrar os crimes do passado e contar a verdade sobre a história são elementos essenciais para reconciliação e criação de um sociedade baseada na justiça, na igualdade e na solidariedade...”

Assim, a III Conferência Mundial Contra o Racismo, discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlatas, neste ano de 2010 completou nove anos. E nós negros do Brasil precisamos organizar uma militância de mulheres, homens, jovens, aposentados, comunitária, estudantil, partidária e sindical que tenha por objetivo o horizonte do poder político de eleger um negro ou negra a Presidência da República Federativa do Brasil, nos pilares da liberdade, igualdade, e fraternidade.

Deve ser esse o pensamento do povo negro brasileiro que congregam nas diversas matrizes religiosas, a unidade como chave da vitória. A unidade de ação rebelando-se, para conquistar a verdadeira abolição política de homens e mulheres livres produtores de riquezas nesse país da desigualdade racial.

E para podermos resgatar essa divida do Estado nação e avançar para a verdadeira abolição precisamos organizar uma pauta de interesses que aglutine a todos e todas na luta contra o racismo, o machismo, o xenofobismo, a intolerância religiosa, convocando um grande Congresso Nacional do povo negro brasileiro para novembro de 2011 que tenha como bandeira central as eleições presidenciais de 2014. 

Na realização desse Congresso podemos propalar que estaremos efetivando a Carta Magna Brasileira em seus Princípios e seus Direitos Fundamentais.

Não nos bastam as pequenas conquistas políticas e jurídicas não podemos parar na Lei Federal nº 12.288 de 20 de julho de 2010, Estatuto da Igualdade Racial, que define como dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na sociedade, especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais. 

Os Direitos Humanos nasceram desse reconhecimento do valor e da dignidade da pessoa humana. Essa dignidade de todas as pessoas significa que o ser humano vale pelo que é, por ser humano, por ser pessoa. Esse valor é inegociável. Não pode ser comprado ou vendido. Todo ser humano merece respeito. Tem DIREITOS HUMANOS!!!

Todo homem – e toda mulher! – tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Independentemente do sexo, da cor, da idade, do credo, do país, do grau de escolaridade ou até de grande cidadania, santos ou criminosos, nenéns ou vovozinhos, sendo gente – apenas gente, todo homem e toda mulher são pessoas.

E devem ser reconhecidos como tais na vida de casa e da rua, na família e na sociedade, no trabalho e no lazer, na política e na religião. Também nas fabricas, nos canaviais e nas carvoarias. Também nas penitenciárias e sob os viadutos. Diante dos olhos dos transeuntes e ante as câmeras de televisão. Em todos os lugares, pois, deste redondo planeta azul que é a Terra.

(...) – Não é um cara; é uma pessoa. Não é uma vagabunda; é uma pessoa. Não é um estrangeiro; é uma pessoa; não é um mendigo (para brincar de fogo com ele!); é uma pessoa. (Uma pessoa, senhora juíza!)

Por isso, se faz necessário efetivar-se além das normas constitucionais relativas aos princípios fundamentais. O Estatuto da Igualdade Racial que adota como diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas de desigualdade étnico-racial, a valorização da igualdade étnica e o fortalecimento da identidade nacional brasileira. 

E a luta pelo poder político de fato com a eleição de uma liderança negra para a presidência da República fechará um ciclo de desigualdade racial, da exploração, e opressão do povo negro e pobre desse país. 

Todos os negros e não negros que abominam o racismo e querem construir a verdadeira democracia de raça e classe devem se empenhar nesse grande debate de construção do Congresso Nacional do povo negro pela Democracia e o Poder Político rumo às eleições Presidencial de 2014.

Elegendo o Presidente ou a Presidenta da República Federativa do Brasil, é realizarmos o grande sonho do maior líder negro das Américas ZUMBI DOS PALMARES. A verdadeira sociedade SOCIALISTA!

Igualdade, canto do povo negro.
Igualdade, igualdade doutor,
Igualdade o negro sempre lutou.
Enfrentando a intolerância
O racismo e a opressão
Na luta por igualdade
Construindo a nação.
O negro não, mas, escravo
Com seu canto varonil
O negro é liberdade
Cantando o Brasil.
Oh! Oh! Igualdade, o negro lutou
Igualdade o povo negro buscou
Igualdade o seu canto ecoou.
Reafirmando os seus direitos de cidadania
Princípios de igualdade
Na Carta Magna Irmão,
Todos por igualdade
O Brasil é uma grande nação.
Racismo e intolerância
Não tem mais espaço não
O Estatuto da Igualdade não é o fim
É o caminho da não discriminação!

Salvador, Bahia, Brasil, 17 de Novembro de 2010.

*O título original do artigo é "Manifesto: Consciência Negra Rumo ao Poder Político no Brasil".

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

CREPÚSCULO DE UMA CIVILIZAÇÃO

CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!

Blogger: crenja.blogspot.com

O MÁRTIR DE GÓLGOTA E MUNDO CÃO

A imagem que nós formamos, enquanto criança, deste mundo é a de deslumbramento. Neste momento não se está preocupado com detalhes como raça, cor da pele, origem étnica ou classe social: “Aqui no Planeta Terra todos são iguais”, esta é a primeira informação que se recebe. Primeiro pelos próprios pais. Informação esta que, se já tivéssemos desenvolvido, os nossos sentidos por certo perceberiam que estes não se expressavam com muita convicção. No entanto, somos, nesta idade, traídos por nossa inexperiência.
O deslumbramento se estende ao bairro onde se mora, primeiro, depois, gradativamente, se vão expandindo os nossos horizontes de pesquisa... Todavia, tudo continua fantástico: o Sol é belo e aconchegante; as árvores nos dão sombra e frutos; a chuva nos auxilia na consecução de alimentos; o vento nos limpa o ar, os animais, aqueles que não comemos, nos fazem companhias; e os pássaros nos embevecem com seus bailados acrobáticos aéreos e seu doce e suave cantar. Temos a impressão, nos primeiros momentos, que acabamos de adentrar num fabuloso paraíso. E este devaneio se estende até a nossa adolescência. É quando nós começamos a ter uma percepção maior de nossas experiências.
É claro que esta impressão varia de pessoa para pessoa. Neste período, apesar de sermos também informados, ainda não definimos cabalmente o que significa se ser rico ou pobre. “Somos todos iguais”, isto ainda o mundo nos assevera... Mas nesta faixa etária já começamos a perceber algumas diferenciações e que há algo de errado: uns vivem muito bem e outros muito mal. E a religião finda por nos definir estas condições: “É que uns foram bons em encarnações passadas e, porquanto, são recompensados nesta”, o que nos incute a idéia e o sentimento de pecado... Mais tarde esta mesma Igreja nega-nos a existência de alma. E inicia-se então toda a nossa total confusão. Que se bem tratada leva-nos a grandes conclusões, mas se não o for por certo chafurdamos num lodaçal tenebroso de alucinações, passamos à condição de mortos-vivos e instrumentos da vontade alheia, e sem direito a personalidade própria. Olhamos à nossa volta e percebemos que todos, com exceção de apenas alguns, convivem com o mesmo drama: o de sobreviver, apenas e tão somente. O mundo já não é mais tão aprazível assim... e as diferenciações começam a se configurar. E nossa confusão nos leva, invariavelmente, para o balcão de qualquer botequim. E lá entorpecemos-na de volatilidade etílica, ou outros artifícios psicodélicos mais fortes. E todos dizem: “Isto não é vida”. Mas, afinal, o que vem a ser vida, senão a ante-sala da morte. Esta que todos nós rejeitamos, no entanto, segue-nos, e de bem perto, por toda a nossa trajetória existencial.
A escola começa a nos dar os primeiros esclarecimentos, talvez pistas: “a História é muito importante”, dizem os nossos mestres. E nos contam uma estonteante história de aventuras, heroísmo e altivez de um povo que deixando o seu território natal, sua pátria, ou seu continente, e “se aventura Mar afora, no afã de” salvar a humanidade “de um perigo iminente proveniente do seu próprio atraso tecnológico e científico, em comparação ao seu. E não há como contestá-lo. Não por evidências que apresentam, mas sim por causa de suas armas, e somente por elas, somos” convencidos “, aliadas à sua perversidade latente”.
Depois vieram suas leis, suas justiça, seus costumes e sua “fé”. Tudo num pacote só, que nos inibe quaisquer contestações. É a chegada da voraz Civilização Judaico-Cristã Ocidental.
Contar a história toda desta “civilização” me parece um trabalho enfadonho e até impossível neste trabalho, porquanto, resumamos:
Tudo começa numa região inóspita do Oriente Médio, na Palestina, mais precisamente em Belém. Onde nasce uma criança em condições normais. Esta criança cresce e some. E somente vai aparecer para a História 27 anos depois. Já culto e militante.
A Palestina, nestes tempos, estava ocupada pelo Império Romano. A Palestina era, neste mesmo tempo, um território judeu, um dos povos semitas que habitavam aquela região. Como todo povo “ocupado”, assim como temos o Haiti atualmente, não se conforma com a condição imposta. Pois a Liberdade, mesmo que condicionada por leis, é a meta de todos os seres humanos, independente de classificação social, cultural ou étnica. Jesus foi um militante zelote.
Zelote foi um partido político clandestino, de judeus, que lutavam contra a ocupação romana. Partido este do qual fazia parte também Judas Escariote e Barrabás. Jesus era aquilo que atualmente podemos chamar de “aglutinador”, fora treinado para tal, por isso as suas evasivas quando questionado se era ou não Filho de Deus (para eles Jeová ou Jafé). Ele, usando de parábolas não respondia, não no sentido que seus inquisidores almejavam, queriam que dissesse que o era, apenas para execrá-lo e condenar. Apenas deixava claro que todos o eram. Ele apenas era especial, pois tinha o poder da fala, a retórica. Mas mesmo assim não escapou da sentença dos opressores de seu povo, que se preveniam contra o surgimento de um descendente do Rei Davi, o Patriarca daquele povo oprimido. Havia a predição de que ele surgiria para salvar seu povo.
Após a morte de Jesus, 300 anos após, ainda circulava a história do mártir – assim como atualmente temos de Zumbi – e o povo judeu se organizava encima de suas idéias e sacrifício.
Os romanos, personalizados pela autoridade de Constantino, estes que já haviam até mesmo roubado a “religião” dos gregos, e seguindo as instruções de Paulo de Tarso, o grego, que posteriormente também se tornou apóstolo, criou uma nova fé. A do “Filho de Deus” que veio a Terra para ser sacrificado e, assim, salvar todos os homens – só não explicou do que. Também, naquela época, há 2.000 anos atrás, não eram necessários muitos argumentos, e muitos menos motivos, estavam em plena Idade Antiga. O fato concreto é que, após “convertido” a população ocidental, está “fé” se espalhou mundo afora pregando a “Grande Nova”. E a pilhar, matar e escravizar aquele que ele definiu como “mundo bárbaro”. Ou seja, o restante do Planeta.
Já no século XVIII aconteceu na Europa aquilo que chamam de “Revolução Industrial”. Que de fato revolucionou a produção material e transformou o sistema de capitais. E se regozijaram com isso.
O mais intrigante desta história toda é de não sabermos até hoje como um povo “tão inteligente” não previu as consequências deste seu ato e pretensão. Não podia! Pois estava preocupado demais apenas com seus lucros e realizações. Aqueles mesmos que o seu “Deus” condenava. E hoje temos as consequências.
Neste momento fica difícil deixar de mencionar um outro personagem bíblico, o Lucas. Também grego, era médico, e também, assim como Paulo de Tarso, não conviveu com Jesus, o Cristo.
Lucas predisse uma máxima: “os primeiros sintomas da decadência de uma civilização é a quebra de seus padrões morais”, obvio que estava se referindo ao Império Romano, mas, como todas as máximas, esta serve para todas e quaisquer épocas. Assim como podemos constatar no presente.
Nem mesmo o “profeta” economista Karl Marx – creio que assim posso chamá-lo por suas previsões – não se preocupou com os efeitos deste evento. Somente, também, se preocupou com a parte dos lucros. Este previa uma melhor distribuição, mas somente para eles, pois dizia ser a escravidão “um mal necessário”. Por que ela – a nossa escravização – foi o lastro financeiro de suas empreitadas.
Hoje convivemos com seus catastróficos resultados. Os lucros, como Marx previu, foram para nas mãos de uns sós poucos. Os demais ficam com seus resultados nefastos e funestos: o Desastre Ecológico e o prenúncio do fim da vida no Planeta no prazo, no máximo, de 50 anos. Que eles dizem estar procurando solução. E nós? Temos que ficar esperando? Bem, é um tanto quanto arriscado, pois se eles falharem não haverá segunda chance. Isso sem contarmos que os mais renomados cientistas do Planeta já asseveraram que o processo é: inversível.
“Dois terços da população mundial vai pro saco”, esses mesmos que comem hoje alguma coisa e não sabe quando e como farão novamente uma outra “refeição”... Isso com toda a riqueza gerada e “disposta” ao mundo contemporâneo. Esta fortuna está apenas nas mãos de alguns. Estes que o próprio Marx assevera que “um dia a massa explorada e ensandecida se organizará e varrerá da face da Terra”.
Na verdade, quando Marx disse isso, voluntariamente ou não, ele alertou muito mais a burguesia – que dizia combater – do que o proletariado, que também pretendia, segundo ele, prevenir. Obvio que ele foi combatido e perseguido por ela, pois ele também almejava o poder. Não obstante, ele foi levado muito a sério por aquela que denunciava. Esta passou a investir pesado em tecnologia, para sair da dependência da mão-de-obra humana. Daí o boom tecnológico que ora constatamos. E em segurança, claro que somente a sua.
E nós, africanos da diáspora, herdeiros da saga funesta de nossos ancestrais, mesmo que à nossa revelia, agonizamos junto a este novo Império Ocidental. Somos vítimas de desvarios de um povo que, se escondendo por trás de seu “Satanás” ousa competir com Olorum sobre a propriedade do Universo, teima por destruí-lo. Mesmo assistindo, ainda algo incrédulo, a derrocada de sua “santa” Civilização Judaico-Cristã Ocidental.
Olorum que lhes dê resposta... Pois, a nossa parte NÓS faremos.

São Paulo, 22 de novembro de 2010.

Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA

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sábado, 20 de novembro de 2010

É! NÃO ESTAMOS SÓS...

QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA*

Paulo Colina

Mascar granito. O negro brasileiro se volta para o passado em busca de suas raízes históricas. E arca sob o peso de quatrocentos anos de escravidão. Regime justificado pela teologia cristã, que acenou aos brancos com o destino à superioridade. Quatro séculos suficientes para sedimentar nas mentes da classe dominante brasileira o dogma estúpido de que o negro estaria condenado hereditariamente à inferioridade. Mascar granito. A 14 de maio de 1888, os negros acordaram no Brasil para uma realidade tão opressora quanto a que viviam antes da “Abolição”. A sociedade os elevou à categoria de cidadãos, porém lhes reservou a banda podre do processo social brasileiro. Oportunidades justas? Aos negros, após o 13 de maio, foi destinado o desemprego, a subnutrição, a ignorância, a marginalidade. A chibata, o garrote, o pelourinho foram substituídos por um método ideológico de atrofiamento físico e mental. Havia que se manter os negros em seu estado de congênita inferioridade. Recusar a perplexidade, enquanto manto morno e suave do conformismo. Quase um século depois da Lei Áurea, o negro brasileiro encara o presente e constata que ainda lhe são negadas oportunidades econômicas, sociais e culturais.
Serra da Barriga, século XVII. O Quilombo dos Palmares resistiu por quase cem anos a inúmeras expedições de guerra custeadas por Portugal. Os brancos pintaram Palmares como um simples povoado de escravos fugitivos. Ou antro de salteadores negros. A realidade, entretanto, bem outra. Para os negros, Palmares significou o exercício pleno da liberdade, o resgate de seu real status de seres humanos. Um Estado Negro dentro do Estado de Alagoas, onde negros, brancos e índios exerciam democraticamente o direito de viver do que produziam. De um dos inúmeros mocambos palmarinos, uma criança com poucos dias de vida foi raptada, no começo de 1655. O menino foi dado de presente a um padre português e batizado com o nome de Francisco. Aos 17 anos fugiu. E retornou à Palmares. Para defender o Quilombo e torna-se seu líder, sob o nome temido e  respeitado de Zumbi.
Manhã de 20 de novembro de 1695. Traição. Emboscada. O corpo de Zumbi tomba, peneirado por 15 tiros e diversas punhaladas.
Resistência; liberdade; efetiva e organizada participação social, política e cultural dos negros neste País: os símbolos de Palmares não poderiam jamais se perder com o sangue de Zumbi na mata da Serra Dois Irmãos. Por isso, a proposta, em 1978. Se os negros brasileiros têm que celebrar uma data, que seja o 20 de novembro.
Como o Dia Nacional da Consciência Negra. Organizados.
Mascando granito. Com a certeza de quem verga tempestades. E constrói nações.

*Texto feito em 1988 para a Agenda Cultural Afro-Brasileira -1888

GENOCÍDIO NO HAITI

CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
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O CLAMOR DE HAITI
                  
Estou sentado à sala de casa. O tempo lá fora continua indefinido. Estamos em plena Primavera. Uma época tradicionalmente de chuva... E está chovendo. E há ainda aquelas famosas "frente polares", ou "frente frias", como queiram. O fato é que nós continuamos assombrados, afinal, alguém disse que a vida no Planeta não terá mais cinqüenta (50) anos... E já se passaram uns três (3) ou quatro (4) anos – será que ninguém está contando? Não creio que o povo seja assim tão displicente. Pode até mesmo ser desinformado, mas quando a barriga ronca de fome ele sabe bem o que significa isso, que deve reagir. Não há como evitar.
Nesses devaneios pseudo-s bucólicos e pessimista minha mente se fixa numa paisagem desoladora e crítica: o Haiti... E isso me faz lembrar de sua história, outrora, diga-se de glória.
“O Haiti é aqui”, diz o poeta baiano Gilberto Gil. Não obstante, com toda a vênia que sua excelência da verve sugere, a que tu és depositário, lamentamos dizer que se equivocou, pois lá é bem pior... Pois ele é um povo de fato consciente. E aqui não muito melhor que lá. Somos herdeiros do mesmo signo, protagonistas de uma mesma sina e história: a História da Diáspora Negra nas Américas.
Digo que lá é pior, pois o povo haitiano que é negro, e ainda preto, convive com a sua realidade, tem consciência de sua luta e do seu querer. Não obstando não conseguir suas pretensões. Cá convivemos com a ilusão, com a mentira e temos-na chamar de “consciência negra”. Que para ser atingida teremos, primeiro, que olhar ao nosso redor, perscrutar o "nosso" Planeta. E não necessário é se ter longo alcance. Mas, lá é pior, e eles têm, realmente, consciência disso.
Tenho em mão um DVD que é um escândalo, um verdadeiro escárnio ao respeito de nossa condição humana. Dá vontade até de renegarmos-nos em quanto tal, a essa condição humana, ora indigna e fétida. Outrora dita digna... Porém, o tempo passou! Bem, para quem tem de fato consciência.
Ele, o DVD, tece por três (3) massacres que ocorreram durante o período entre 2004 a 2006  (foram três (3) ataques: 2004, 2005 e 2006) deste “auspicioso” milênio. E não por coincidência, na vigência, aqui no Brasil, de um governo dito de esquerda, e que diz que também luta pela a erradicação da discriminação racial, pela democracia e contra preconceito sociais, aqui no Brasil e no mundo. Ufa! E este governo saiu aclamado... Fazendo por conta sucessora. Bem! Vamos ver como esta história irá terminar. Rogo que bem.
O DVD é impressionante. Eu pessoalmente, já aos meus sessenta e dois (62) anos de idade, acreditava que não mais me estarreceria diante de situação ou coisa alguma. Eu fiquei, fiquei provisoriamente perplexo... Depois indignado. E mais uma vez ter que recomeçar e dizer: "daqui por diante já não mais será assim..." E tempos depois voltarmos a constatar que nos enganamos novamente e se reindignar. Que prevalece a máxima de que "não se deve confiar em humanos, e sim somente nas feras". Ao vermos afros-descendentes, irmãos históricos de nossas desventuras, sendo exterminados como outrora fizeram com os animais de nossa fauna e nossa flora. Mas, no entanto, nos rejuvenescemos diante da lembrança de Lourence de L’Ouverture, Jean Jacques Dessaline, e do povo aguerrido haitiano, nossos irmãos da diáspora. Esta ex-colônia, que outrora fora chamada de “A Pérola da Coroa”, quando a mais próspera colônia das Américas, sob a ocupação colonial francesa - que como ressarcimento de guerra teve que pagar um elevadíssimo preço econômico, e nunca mais se recuperou. Povo que proclamou sua própria abolição da escravatura, em 1789. E logo após, em 1801, Lourence D’Louverture, filho de ex-escravos, foi eleito o primeiro presidente da República do Haiti. Pouco tempo depois, Jean Jacques Dessaline proclamou-se imperador, combatendo e vencendo o estrepito exército de Napoleão Bonaparte. O Ocidente nunca, em momento algum da história, esta que ainda se desenrola, perdoou a “audácia negra”, que entende como afronta, por querer ocultar que sim por preocupação quanto ao exemplo que este povo pode dar à diáspora negra das Américas. E o mundo branco teceu retaliações sinistras no calar de suas (in) consciência humana e doentio interesse. Nunca! Jamais o Haiti foi perdoado.
Dizer que não se ajuda o Haiti por que lá só tem governos corruptos é hilário. Conversa pra boi dormir! Todos os países da América têm governos corruptos, quiçá, do Planeta. O que muda, às vezes, são as legislações e a cultura, apenas isto. Todavia, os resultados são sempre os mesmos, eles ficam sempre impunes, ou chame-se isso lá do nome que quiser. O fato é que o branco já se sente dono do mundo, entretanto, a posse ainda não está consolidada... 500 anos é apenas um instante na História.
Mas na verdade, o mais terrificante foi saber que quem comandou o processo foi a própria ONU (Organização das Nações Unidas), esta que foi criada para "fomentar a paz no Planeta Terra", e naquele momento sob o comando de um negro, africano, e “prêmio nobre da paz”. Ora! Se isso tudo não é uma encenação de uma piegas e astronômica, uma tremenda armação, de mais uma farsa criminosa do Ocidente. Ou apenas de mais um capítulo, desta que já dura quinhentos (500) anos. Não! Esta história não vai ocorrer não... Ela já ocorreu. Agora, somente teremos e conferiremos os resultados. E com um forte “tempero”: o de que o Exército Brasileiro também participou e comandou a “força de paz” que praticou a chacina em 2006. Ô Loco! E aqui dizem que gostam de nós! E nós? Acreditamos ainda em “democracia racial!” Apenas por que eles disseram que isto é bom, somente se esquecendo de demonstrá-la. Somente se esquecendo de dizer pra quem! E este episódio não é uma simples retaliação, e sim: genocídio, pois está previsto nas Legislações, nacionais e internacionais. Porquanto, não carecem eufemismos baratos.
Bem, teremos mais quatro (4) anos para provar que o PT é de fato um partido do povo (e por certo que não do negro)... Ou se pelo menos está por ele preocupado de fato... Só que não dará para esperar mais oito (8) anos para constatar isto não! Achamos bom que o PT cumpra tudo em seus somente quatro (4) anos, que lhe resta. Afinal, foi anunciada a continuação da gestão anterior (Olorum queira que não aja mais genocídios... Se Ele puder evitar)... E ora aclamamos pela conclusão. Nós não temos mais tempo. O PT não tem mais tempo. Ninguém tem mais tempo, pois o tempo urge. Ambos têm que mostrar a que viemos. E quem não puder se provar perderá o jogo. É! Este e o eterno jogo do poder... E agora que vença o melhor! A diáspora negra na América acordou.
Que Olorum que salve o Haiti e nos proteja.
Axé,

São Paulo, 18 de novembro de 2010.

Neninho de Obalúwáiyé
Coordenador Geral do CRENJA

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