domingo, 5 de junho de 2011

RECORDAR É VIVER?


 

Crenja
Centro de resistência negra jagas angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!
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Blog: crenja.blogspot.com

A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA FOI UM ENGÔDO

Se precavendo às distorções que a sociedade brasileira estabelece com o intuito de confundir e controlar o povo brasileiro, mormente aos negros, com o idioma, eu acho por bem traduzir o termo empregado acima no título. Engodo significa apenas cilada. É óbvio que não pretendo subestimar a cultura de quem quer que seja, no entanto eu tenho a segurança em denunciar que até mesmo pessoas cultas, neste país, não têm o hábito de ver ou necessidade de consultar o dicionário. Chamam-no de “pai dos burros”. Esta é uma piadinha, por mais que piegas, que foi inventada apenas para enganar os incautos, mas assim como todas as demais drogas se consagrou e findou por também atingir e contagiar o uso pelas classes dominantes, principalmente a média. E com a devida vênia, vamos ao relato. Todavia, acrescento que também se constitui em outro engodo, que o povo desatento e ingênuo absolve, seja estudante ou estudado ou não. Eu poderia citar mais uma enormidade de exemplos, portanto, me atarei a este.
A abolição da escravatura, se não é do conhecimento de todos pelo menos o é da maioria, não foi do gosto e nem sequer iniciativa da “nação” brasileira. Muito pelo contrário, pois inclusive foi à última a declará-la. Coloco nação entre aspas pelo fato de este termo ter situação análoga ao que acima foram expostos. Nação, segundo o dicionário, é um conjunto de povos imbuídos do mesmo ideal... Entretanto, aqui no Brasil somente é permito e somente quem a tem e usufruiu são os brancos... Dizem-se dominantes. E diga-se, nem todos. No entanto o termo é usado maliciosamente para vitalizar o pseudo-nacionalismo nacional, Puro ufanismo e barato.
Mas voltando ao tema, na tal abolição da escravatura o negro brasileiro, hoje autodenominado “afrodescendente”, foi apenas despejado das senzalas e lançados às favelas, mocambos, alagados e demais ambientes inóspitos e ermos que puderam lhes “abrigar”. Houve, na verdade, uma dispensa em massa. Haja vista que já de antes havia emigrantes sendo importados para “poupar-lhe” do trabalho, sob o argumento de que eram mais aptos ao “trabalho livre” – se for que isso existe, pois Marx chama-o de exploração capitalista. E desta desova o negro brasileiro saiu sem eira e nem beira. Sem pecúlio ou qualquer poupança foi lançado na rua da amargura e estigmatizado. Não tinha emprego, no entanto, era perseguido pelo fato de ser “vagabundo”.
Atualmente, o que nos deixa indignado e ao mesmo tempo perplexo é que, com desfaçatez, o que se chama de movimento negro não usa desses dados para informar a sua população. Ou pelo menos aquela que este diz ser tua. O que me parece meramente suspeito. Afinal, de que lado está? Garanto que não do nosso!
Na “vida livre” o negro brasileiro não teve nesse tempo todo, 124 anos contado atualmente, a menor chance de se integrar e muito menos de se organizar. Porém, foi enganado o tempo todo de que era livre. E não somente por sua condição de discriminado, não. Havia e há todo um aparato de estratégias no sentido de mantê-lo na miséria como também de que já esteja extinto. Por aqueles que têm como finalidade “apagar a nódoa negra” de nossa história, como disse Rui Barbosa no início do século passado. Uma frase, indubitavelmente, de duplo sentido. Que levou alguns ingênuos a imaginar que ele se referia apenas à escravidão. Mas na verdade ele estava era mesmo se referindo ao extermínio físico do negro, dos descendentes de escravos, que ora incomodava e se constituía em um perigo iminente, devido o seu alto contingente e reminiscências de revoltas recentes, a dos Malê por exemplo. Volto a repetir, e com legítima segurança, que o genocídio do negro brasileiro foi arquitetado pelas classes políticas do Império ainda no século XIX, mais precisamente em 1850. Está-se enganado por que não investiga-lo? Daí então poderia até mesmo me processar, por difamação e injúria, ou sabe-se lá mais por que, e aí sim, então, me mandar para a prisão e me matar, como pretendem e como quer, ou pelo menos se esforçam muito no afã. Só não deram, portanto, sorte. Este é o meu desafio processe-me. Pois eu vou adorar levar aos tribunais a questão. E parece que só assim mesmo será possível.
Aí então, o movimento negro, também não teria nenhuma responsabilidade em me amparar. Já que diz que surgiu para defender os interesses de todos os negros... Menos o meu é claro. Será que dos demais? Todavia alega que eu sou “bandido”, mas nunca se preocupou em provar, pois a polícia ainda não o conseguiu, nos dois processos que tirei 14 anos de cadeia não há provas contra mim! O que se constitui, portanto, da parte do movimento negro mero preconceito, ou safadeza mesmo. Imagine! Um movimento safado – somente no Brasil mesmo. E deve ser por índole. Movimento negro no Brasil! Este que, aliás, desde o princípio, em 1978, alegou combater quaisquer tipo de discriminação e preconceito. São uns pulhas mesmos. E não se tocam!  E isso tudo deverá ser mais bem explicado. Afinal, pois não defende nem os dos outros, pretos e pobres. A si próprio não é necessário, pois nada faz para correr riscos! Afinal, para que veio? Se for por dinheiro... Coitados!!! Desta subestimaram também os brancos e não só a favela. Nesse negócio de dinheiro eles não são nada bobos. E acham que estes não estão fazendo nada mais e nem menos que suas obrigações em defender a tal “democracia racial”. São uns tolos mesmos. Simplórios e ingênuos. Defendem-se algo que acha bom e justo... Mas não têm a mínima noção de como isso possa ser capaz ou possível. Mas apostam. Então para que dinheiro? E este é outro engodo engendrado pelos brancos brasileiros que eles engoliram até a vara, literalmente. E o negro brasileiro, ou seja, lá o que for, de tão “ladino” dançou. Tira daí sempre uma merreca, do que de fato nos devem. E ainda que estes se digladiem, entre si, por tal que mal dá para cumprir o “projeto” almejado... Então o ou os mais espertos ficam com tudo, enquanto que os demais se calam... Esperando as suas vezes. No entanto nada à população que diz defender, mas torce para que seja logo exterminada. Na esperança, fugida e fugaz de que escaparão ilesos. Boçais!
Como disse a violência policial é apenas uma ponta do iceberg. E tem por finalidade apenas nos manter amedrontados – aliás, como eles vivem os militantes ditos negros, e por isso me rejeitam, assim como as minhas ideias. Por puro cagaço. Pois que no fim até concordam com elas, mas temem assumi-las. Por saber que os seus “sinhôs” não querem. Têm medo. Por isso as rejeitam ou simplesmente fingem rejeitá-las. São uns covardes. Têm é medo de encarar a realidade de frente, mormente de se olharem ao espelho. Todavia, ela, desafiadora, está aí diante de nós, nua e crua, e diante de nossos olhos, e somente não enxerga quem não quer ou a teme e têm medo de lutar de fato. Ou mesmo nem sabe o que vem a ser isso! Entretanto, obstinadamente querer atrapalhar quem de fato o quer é pura perfídia. Sacanagem. Será que de fato eles sabem interpretar o significado do termo ancestral? Bem, a maioria se miscigenou – ou foi miscigenado quem sabe? Se o sabem, não o sabem mais de que lado fica... Então ficam com o que acham mais forte. E não sei de fato a quem estes querem enganar. Talvez somente a si próprios. E conseguem. Porém ficam sós. E a História sempre foi implacável com estes. Bem, com todo respeito ao livre arbítrio.
Assim como a violência policial a miscigenação é apenas uma parte visível desta estratégia branca de extermínio. A primeira mantêm-nos amedrontados. Puro jogo de cena, Agora, inventaram esta de desarmar o povo, que na verdade nada mais é que uma preocupação, diga-se justa e objetiva. Tem endereço. A de nos manter submissos às suas investidas assassinas, e sem defesa. Evitar possível retaliação de nossa parte. Por que não desarmam também a polícia. Esta que nos matam, mormente a nossa juventude covardemente e basta alegar que fora em legítima defesa... E ninguém investiga. Então poderíamos resolver tudo no braço mesmo! Todavia, isso não quer e se escondem por trás de suas leis, de mentiras e das fardas. Estas que servem também somente a nos reprimir e amedrontar. Quanto a eles...
No episódio do jornalista assassino voltou a evidenciar um disparate. Este que, aliás, já começou, e não é de hoje, a incomodar. Por achincalhar o nosso raciocínio, nosso intelecto. Afinal, não é somente na Faculdade que se adquire inteligência... O bem da verdade, nós nem sabemos de fato de que lá se adquire isso. A prática diz que não. Afinal, toda a “dinâmica” mundial foi construída por estes intelectuais... E ao que parece não está dando muito certo! Ou melhor – ou pior sabe-se lá! Não está dando nada certo. Estou me referindo ao discurso de que quem tem dinheiro tem também direito de desfrutar bons advogados em caso de delito. E na maioria das vezes nem vão para a cadeia. O caso do jornalista assassino de sua companheira foi excepcional, mesmo apesar de ser réu confesso, e anunciado antecipadamente de que ficará por pouco tempo no xilindró. Só por que tem dinheiro? E a presunção jurídica de que a lei é igual para todos? No entanto, o que intriga mesmo e mais é o fato da OAB admitir que certifique bons e mais advogados – e as Faculdades também, pois os formam -, e que estes somente são acessados por quem tem dinheiro. Quanto aos pobres só restam os maus advogados – creio que ninguém mais quererá defende-lo. Com este estigma! -, e, sendo ou não culpados findam por cumprir longas penas. Será isso de fato justiça? Ou será apenas subestimação ao raciocínio do povo? Esta é mais uma história que o Brasil e sua sociedade precisam explicar e justificar melhor, para que de fato possa ser e se gabar ser “igualitário e justo”. Isso é se puder.
Pô! Os lavradores lá na Amazônia... Eles apenas estavam defendendo a razão, pois esta é também uma das salvações da humanidade! Ou não? Ah! São tantas mentiras do mundo branco que nós findamos por nos sentir confusos. Em quem confiar? Pelo menos dizem que os intelectuais existem... Mas será que pensam realmente? Ou melhor, convencem? Ao que parece não. Poisos latifundiários matam os lavradores! Estes que defendem a legalidade. E quem os mata tem dinheiro. Irão para a cadeia? Por quanto tempo lá ficarão se o forem? Será o tal de Amargedom dos judeus? Ou simplesmente a Babel? Seja o que for, está complicado... E com ela as classes dominantes se complicam também. Perdem a moral. O que é moral mesmo? Perguntam os gays. E esta por isso fica mais “liberais, ou libertinos sabe-se lá” Dorme neste barulho quem quer, ou seja, idiota... Mas infelizmente o povo adora também a patifaria. Apenas não sabe é que quando mudar a ordem pagará sozinho o preço, não leram A idade da Rosa, de Umberto Eco... A História está cheia de exemplos... Ah! Esqueci-me! O povo não lê e nem acompanha a História. Será que a classe-média o faz? Ela está tão próxima! E, diga-se de passagem, ao que parece, nem a classe-média o faz ou é sensata, ou também se faz de besta.
O que fazer para salvar o negro brasileiro? Bem, isto já é lá um problema do movimento negro. Pois se comprometeu a fazê-lo! O que é mesmo compromisso? Ah! Deixa para lá... O dicionário está assaz distante e inacessível. Mas diz o ditado que quem pariu Mateus que o balance!
A violência policial como disse é apenas a parte visível do projeto macabro, assim como a miscigenação, que nos é vendida como panaceia. Mas se prestarmos atenção ao Setor de Saúde Pública desvendaremos o total do projeto e o entenderemos. Por que este setor não funciona? Por que a maioria de seus dependentes além de ser pobre é negra. E o atendimento Vips é somente prestado a quem tem recursos... E também não é atoa, afinal, por que não procuram atendimento médico em hospitais particulares? Não existem lá mais recursos? O problema é que procuram também o público. E a estratégia é ocupar as vagas dos pobres, sobretudo as dos negros – todos sabem da “necessidade de se eliminar os negros”, mesmo sem saber com detalhes quais os motivos. Como eu disse, é um projeto. Estes que têm que ser extinto e pouco importa o porquê isso é necessário. E se quisermos mais exemplos basta visitarmos os Manicômios Públicos e principalmente os Lixões Sanitários da vida. E lá veremos quem são a maioria... E a que estão destinados. E quem se importa? Por certo que não o movimento negro. Pois é negro apenas de nome e isso não dá dinheiro. Por que defende os interesses apenas dos brancos. E nem os seus próprios. Se o fazem... Ah! Muito mal e esmeradamente pérfido, até contra si próprios, que dirá àqueles que dizem ser o seu povo. Mera frase de efeito para enganar os incautos. Todavia o povo realmente negro está alerta, e saberá cobrar na hora exata.
Os negros saíram das senzalas sem pecúlios ou quaisquer ressarcimentos. A “convenção” era de que não pudesse arranjar quaisquer recursos que lhe garantisse o sustento e consequentemente a sobrevivência. A sociedade branca foi radical, já que não servia para ser escravo não serviria mais para coisa alguma, mesmo que para o trabalho livre. Também é óbvio que houve algumas exceções, para apenas estabelecer o disfarce.
A “vadiagem” compulsória passou a ser apenas mais uma ferramenta do extermínio, sem emprego ou meus de adquirir a subsistência o negro estaria condenado, não sobreviveria. Os estudos já estavam suprimidos desde 1854, pela lei 1331, que, aliás, só veio ratificar a Constituição de 1823, onde escravos e portadores de doenças contagiosas não podiam frequentar escolas. E a partir daí todo o negro que aparecesse com algum recurso, se não justificado, teria que obrigatoriamente ser ladrão – hoje traficante de drogas – que para eles é uma coisa “terrível”! Apesar de consumi-las... E até, estrategicamente, financiá-lo.
Em 1810, os negros livres, na Bahia, fizeram um congresso, onde deliberaram que se devíamos usar a nossa cultura como instrumento de sobrevivência. Na época as escolas de samba ainda não existiam, surge somente a partir de 1910. Todavia, à medida que estas atividades começam a gerar algum recurso... O branco chega, com a sua cínica postura e proposta de integração e toma. O exemplo mais recente se dá exatamente com as escolas de samba. Antes discriminada e achincalhada. Porém, a partir de um determinado momento começou a trazer turistas até mesmo do Extremo-Oriente, para ver o “teatro de rua” que os negros desenvolviam. Pronto! Logo o branco passou a gostar de escolas de samba... E, inexplicavelmente, também de nós! Não são umas fábulas! Mas, o pior mesmo é que o negro brasileiro, por ingenuidade ou não, acredita.
De uns tempos para cá, quando o samba começou a ser aceito pela sociedade, todo conjunto de samba de negro, obviamente para garantir aceitação, começou a se compor com pelo menos um branco entre seus integrantes. Agora que os brancos aprenderam o macete já iniciaram também a composição de seus próprios conjuntos. Todavia, não fazem “fair play”, não colocam nem ao menos um negro em seus conjuntos... E novamente o negro nada vê. Ou se fazem de besta mesmo. Pois dizem não ser por medo!
Este conceito – ou preconceito – se mantem até os dias atuais. O que mudou? Bem, o que mudou foi somente que os próprios negros e mulatos intrometeram-se à prática. Passaram a também se discriminarem entre si. Ser preto nestas terras significa ser indigente. E ninguém pode ajuda-lo, não é lei, mas é “crime” ajudar preto. Ajudá-lo significa ser visto como criminoso, e se for branco, traição. E todos sabem disso... ”Menos” o negro brasileiro. Por isso o racismo brasileiro é diferente, por exemplo, do norte-americano. Lá o negro era efetivamente minoria na época da abolição, aqui não, e, portanto devemos ser extintos, no entender dos agora “amigos” brancos. Por garantia, óbvia, dos brancos, como eles dizem, “de suas próprias seguranças”. Aqui ninguém ajuda o negro, mormente se for preto, não dá emprego e nem sequer esmola. E o atual e denominado movimento negro brasileiro se aproveita disso e também o pratica, e se reproduz. O que além de pérfido é repugnante. Por dizerem-se defensores da raça. 

A grande verdade é que o preconceito de marca, como diz Oracy Nogueira, e eu de cor, se estende até à própria comunidade negra, se for que assim possamos chama-la, que o reproduz. E talvez por falta de originalidade, também o nega.  O negro brasileiro de pele mais escura tem seu caminho e sua realização cerceada até mesmo pelos de pele mais clara que a sua, ou seja, os “ex-mulatos”, que ora se dizem também negros. E não só, mais que os outros, apenas pelo fato de terem acesso e frequentado escolas e terem ocupações no mundo branco. Uma idiotice! Mas que até agora vem funcionando... Se bem ou não se sabe. E a nós pretos não restou mais alternativa. Ou vamos para cima e resolvemos o problema de vez... Ou seremos exterminados todos... E os tontos dos mulatos também, porém, ainda não acreditam. Pois acham que escaparão ilesos – não se sabe também quem os garante. Todavia, isto já é problema apenas deles, já que nos abandonaram. Pior, traíram e não há como contestar. O que por certo o farão. Esta lição eles aprenderam bem com os brancos. Tiraram nota dez.

Agora não há mais como retroceder, pelo menos para nós, pretos, não. O dia está claro, o mar está calmo... Porém o tempo virou.
São Paulo, 31 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA

v PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v PELO CESSA IMEDIATO DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE E INFÂNCIA NEGRA!
v PELO IMEDIATO DESOCUPAR DOS TERRITÓRIOS HAITIANOS PELO BRASIL!
v CONTRA O DESARME DA POPULAÇÃO NEGRA!
v CONTRA O INGRESSO DO BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!
v PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

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