sexta-feira, 10 de junho de 2011

PAGAR PRA VER!


CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
                     União, Solidariedade, Saber e Luta!

(veja mais em nosso blog)
Blog: crenja.blogspot.com


HORA DA VERDADE

Bem, nós da resistência há muito tempo ansiávamos por este momento, e, sobretudo eu, seu coordenador, em particular. Este que em algum dia, em algum momento, haveria de chegar... Entretanto, parece que demorou uma eternidade, quarenta anos. Quarenta anos à sua procura, enfim, chegou.

Há 41 anos, quando os brancos começaram a invadir as escolas de samba e blocos carnavalescos em São Paulo, procurei alertar ao nosso povo: “Gente! Nós temos que nos organizar, pois senão teremos tudo tomado. Disso que nos resta de nossa cultura”. Foi como jogar combustível em fogo. A população negra da época explodiu em cólera, “O Neninho é racista. Ele não quer brancos no samba...” E eu estava somente falando em nos organizar. Lógico que eu queria brancos no samba, porém trazendo dinheiro e não o levando! Mas de pouco adiantou meus apelos. Fui literalmente varrido do mundo do samba... Claro que não fora somente por este motivo, pois havia outros, o despeito, por exemplo. Mas fazer o que com os pobres-de-espírito? Os cristãos dizem que deles serão o Reino do Céu! Pobre de Deus! Se for isso verdade...

A partir daquele momento, cooptado por um mulato envolvido com a esquerda branca – eu o sabia desde o princípio, no entanto também imaginava que ele saberia diferenciar as coisas – adentrei nesta de formação de um movimento negro com o intuito de conscientizar e organizar o negro brasileiro. Pelo menos esta era a proposta. Ele fora eloquente. Dizia-me estar eu certo, que de fato a discriminação racial existia, o que me deixou de certa forma perplexa, afinal, ali eu não estava discutindo discriminação e sim economia, reserva de mercado para ser mais explícito. Mas ninguém entendeu nada, obviamente “orientados” pelos brancos, que sempre de suas maneiras matreiras viviam jogando nós uns contra os outros, e já havia longo tempo. Mas a coisa era muito clara e não estava tendo início ali não, já vinha ocorrendo, havia algum tempo, no Rio de Janeiro. Somente me enganei ao imaginar que os paulistas entenderiam melhor a questão.

Sobre este aspecto há de se lembrar dum acontecimento inusitado. Muitos anos depois, uns trinta mais ou menos, vários dos antigos meus opositores sambistas negros me procuraram, dizendo, “Ah, ocê tinha razão. Os brancos nos tomaram mesmo. E agora, o que fazer?” Eu, confesso que até com certa ironia vingativa respondia simplesmente, “Nada”. Ao que eles reagiam indignados, “Como nada Neninho? Logo ocê dizendo isso?” Aquilo, de certa forma, era lisonjeiro, por saber que eles reconheciam e achavam, e eu não sei ainda por que, que eu tinha as respostas a tudo. Lisonjeiro, entretanto, não resolvia o problema. E para aquilo, apesar de minha modéstia, eu a tinha sim, e concluía, “Eu tentei lhes alertar a 30 anos atrás, e ocês não me ouviram. Agora nada mais há que fazer... Eles já tomaram”. Nessas alturas eu já não estava mais dando a mínima às escolas de samba. Era apenas uma página virada e rasgada de meu livro de memórias.

Aqui em São Paulo há um presídio específico para crimes raciais... Mas não funciona como tal. Pois não há ninguém neste país que esteja preso por ter praticado o crime de racismo. Uma sugestão maliciosa e mateira de dizer que o problema, entre nós, não existe. E apesar das evidências e as “denúncias” perpretas pelo suposto movimento negro nacional. Discriminação é algo abstrato e nunca haveremos de ser provado... Pois sempre dependerá da “boa-vontade” deles. E a tal Justiça está nas mãos dos brancos. Ou melhor, é deles. Porquanto o presídio estaria condenado ao abandono. No entanto funciona mesmo como presídio de transito. Ou seja, os presos que estão no Interior o usa quando vêm sumariar processos na Capital.

Todavia, eu não tenho dúvidas, este voltará a funcionar, e será até construído outros, como previsto no momento em que o negro brasileiro resolver retomar a sua própria cultura e passar a “incomodar o branco” em seus propósitos. É pagar pra ver!

Ora estas, que ora dão lucros, é objeto de cobiça do mundo branco nacional, portanto o interesse, e o samba passaram a ser “nosso”. Pois, segundo eles nós somos todos iguais. Será contrariar o mundo branco que estes lotarão imediatamente o presídio de “racistas”. O branco brasileiro é mesmo descarado. Pois sustentam até mesmo, quando lhes são conveniente, que eles próprios não existem, que “No Brasil já não há mais nem negros e nem brancos. Que somos todos misturados”. Se omitindo é claro que as classes-dominantes não se miscigenam – e ficam com 60% do PIB nacional – e muito menos as colônias fechadas, que, apesar da exclusividade e anonimato existem. 

Somente se revelando em momentos oportunos, como em alguns festivais, festas religiosas ou festas tradicionais, por exemplo, o Oktoberfast. Todavia, quando quisermos lutar por nossos direitos sociais e culturais, que estão evidentemente sendo usurpados, por certo que a lei funcionará com todo rigor, vigor e fervor.

Recentemente, por exemplo, quando denunciamos que a maioria dos poucos afrodescendentes, de fato, estão lotados nos lixões da vida, a Sinhá Presidente se apressou em apresentar um programa específico: distribuir a tal renda mínima agora aos também especificados pretos e pardos. Anteriormente, sob o jargão “famílias carentes”, nós tínhamos que subentender que éramos também contemplados, todavia, não éramos, pois diz à prática que nestas horas sempre se “beneficia” alguns poucos mulatinhos, caracterizados de negros, e dava-se a questão por encerrada, e também caracterizada a tal “democracia racial brasileira”, ou seja, a farsa, pois o preto fica sempre de fora. E quem liga? Na verdade, ao que parece nem ele próprio.

É como no caso de violência letal policial, morrem dez negros e um branco pobre, e desta forma tentam desviar o foco racial. No entanto, quando morre um branco da classe-média para cima... Bem, aí então a coisa se torna tragédia e há “comoção” nacional. Ah! O branco racista brasileiro é muito “engenhoso”! Verdadeiros gênios... Do Mal.

Ora! Sinhá Presidente, R$ 35,00, no caso de até cinco filhos dá um total de R$ 175,00. Sinceramente, Sinhá Presidente! Isso não dá nem mesmo para comprar um par de sapatos para sequer um deles! Todavia entendemos. Para quem vive na miséria imposta qualquer tostão “equivale” a um milhão. Mas que isso livra a cara dos racistas? Ah! Isso alivia simbolicamente... Pelo menos, temporariamente. Ou então dirão que o país não tem dinheiro para melhor contemplar a todos... Nesse caso sugerimos que esta questão também deveria ser sugerida a Ministro Palocci. Tudo bem que ele seja apenas médico. Mas que de negócio de economia ele entende bem. Ah! Isso ele entende. E ao que parece, até bem demais... Que tal ele fazer alguma consultoriazinha para os mais pobres? De preferência aos negros.

E não nos venham com esta de que somos ingratos, pois demagogia também tem hora. Lembramos que após 124 anos de “liberdade” nós já estamos com o saco cheio delas. Já está na hora de querermos e exigir muito mais. Cota racial simplesmente não resolve os nossos problemas. Talvez somente as de alguns mulatinhos. Porque não é de esmolas que necessitamos, e sim o direito de lutarmos e conquistarmos, por igual a qualquer um, pela nossa dignidade, existência e realização, enquanto cidadãos desse país que dizem ser também nosso. Ou pelo menos temos que respeitá-lo como tal. Mesmo não tendo nenhum motivo aparente. E isso me sugere a aparência de ditadura (?).

Estas “propostas”, como já o disseram, não foram apresentadas pela comunidade realmente negra ou afrodescendente deste país. Elas foram aproveitadas pelos mulatos. Estes que como também disse tem os dois pés posicionados em ambos os campos, assim como Michail Bakunin (1814-1876) dizia a respeito de Karl Marx, da batalha. Dependendo do interesse ora são brancos ora são negros. Não dá mais para esconder a farsa. Até por que os pretos são evidente e abertamente discriminados naquilo que estes dizem se chamar “movimento negro” – que, aliás, foram criados pelos próprios brancos, em 1978, quando estes perceberam pelo menos uma parcela deles, que não já poderiam mais frear a sua eclosão. E também descaradamente. Aos mesmos moldes do esquema dos brancos racistas encubados.

Como eu disse, esta é a hora da verdade, pois no Brasil ainda existem verdadeiros afrodescendentes. Podemos até sermos minoria, desorganizados e alienados da realidade. Isso de fato dificulta, sobremaneira, a nossa luta... Mesmo sabendo que não é de nossa responsabilidade o fato. Não obstante, ainda não a temos como perdida. E quanto à questão de contingente eu já esclareci, historicamente nunca, em momento algum do tempo e do espaço, a maioria dominou o que quer que seja. Muito pelo contrário, sempre foi dominada e explorada. Esta é apenas mais uma questão de foco. E vence o mais objetivo. Objetividade esta que os brancos há muito tempo a perdeu   – só faltava esta! Agora telefone celular também provoca câncer! Afinal, o que deu certo... E o que mais falta a acontecer? Atualmente o mundo branco está somente patinando no lodaçal de suas frustrações adquiridas e erros. E prestes a chafurdar. Ó Olorum nos salve! Pois senão sucumbiremos com eles.

Quanto aos mulatos será conveniente perguntar-lhes quem foi que lhes deu procuração para “defender” os nossos interesses. Tomaram sim e de maneira desleal, aquele que deveria se o nosso melhor instrumento político de luta e o deturparam. Desviaram o seu real objetivo, que era o de defender os interesses de todos nós. E isso não há como negar. Todavia, que tentem. Afinal, esta é a hora da verdade. Não terão mais como desviar os designíos do verdadeiro movimento negro que inevitavelmente surgirá. A farsa acabou. Acabou a farra do boi. Quem ganhou dinheiro ganhou... Quem não o ganhou não ganhará mais. Pelo menos não mais por longo tempo e às nossas custas.

A Resistência Negra prevalecerá. E azar de quem acreditou que ela não existia... Ou que todos os pretos são otários...

E como também eu disse, não estou dizendo que estes não possam e nem devam lutar ao nosso lado – pois contra nós já o vem fazendo há muito tempo, usando os mesmos artifícios dos brancos -, todavia, terão que romper, de vez, com seus corrompidos lados brancos. E lógico, deixar isso bastante claro e evidente.

O preconceito de origem somente tem valor nos Estados Unidos. Ou seja, bastam apenas alguns caracteres negroides para que se definam quanto negros. Pois, aqui no Brasil ainda prevalece o de cor, e por certo os critérios serão outros. E estes, no decorrer de todos estes ano, ditos de luta, ainda não deixaram evidentemente definido de que são realmente negros, ou mesmo de que lado está. Haja vista que ainda nos discriminam, exacerbadamente, internamente. E como os brancos, exibem subterfúgios para descaracterizá-lo, ou seja, jogar a responsabilidade sobre o próprio discriminado. Isso funcionou nos últimos trinta anos... Porém não mais funcionará. Não na hora da verdade. Eu, pessoalmente, já paguei meu preço, entretanto, às duras penas aprendi. E não vou abrir mãos de meus direitos de negro e afrodescendente apenas sobre pressão. Se alguém deve estar fora por certo que não sou eu. Se alguém deve sair do movimento negro por certo também não deva ser eu.

Um dia destes fui convidado a uma festa de reeleição de um deputado negro. Compareci apenas por ter sido, anteriormente, atacado por feitiço de morte, e sabia da origem do ataque. Queria apenas eu deixar claro que, mais uma vez, estes falharam e que ainda têm muito que aprender sobre feitiçaria – haja vista que não fora o primeiro, e sim terceiro. Que são ainda meros aprendizes na atividade. Imagine! Lançar feitiço sobre feiticeiro... Que aguardem o troco. Pois não preciso fazer nada, por que meu Pai responderá. Atotô Ajuberu Sapatá.

Estava lá eu sambando nos pés, para mostrar aos brancos presentes que ainda não fomos totalmente roubados em definitivo à nossa arte. Em dado momento sou abordado por duas mulheres brancas. Estas se apresentaram como repórteres e uma delas foi direta à pergunta, “Você já esteve preso”. Eu fiquei perplexo. A primeira vista não me pareceu tê-las conhecido antes. Afora o fato de que nestes exatos anos eu completo 21 anos do episódio, a de saída do presídio. Pela lei devo estar reabilitado em cinco, após o cumprimento da pena. Portanto, já se passaram 16 anos do prazo.

No começo não dei muita importância ao episódio. Apenas respondi que sim, e elas, talvez com o intuito de disfarçar a faltasses de sutileza do gesto imaturo arrematou, “É que nós vamos fazer uma matéria sobre à Casa de Detenção, que este ano completará vinte anos do massacre... E sabe como é seu depoimento será importante”. Não convenceu. A sua desculpa foi por demais esfarrapadas e não me esclareceu nada, pois lhe apercebi o despeito, afinal, eram mulheres brancas. Os brancos nutrem despeitos também em atividades que são originalmente nossa. E eu apercebi-lhes o sentimento. 

Mas havia algo mais que me incomodava no momento, que eu não consegui de imediato identificar. Só sabia que queriam me complexar, eu estava aparecendo. Isso é muito comum com os brancos. Portanto, voltei à atividade anterior, sambar no pé. Até por que o meu maior desafeto no movimento negro estava presente e à espreita, e eu o conheço sobremaneira e também o seu sentimento de inveja, que este nutre por minha pessoa... Ah! E eu adoro provoca-lo. Ele é tão estúpido! Assim como sabia estar incomodando todos os demais racistas invejosos que me acercam. E algo me dizia que havia outros mais de plantão. Pois aqueles ‘repórteres’ não havia se aproximado sequer dele ou da mesa que ele ocupava. A informação a meu respeito haveria de ter vindo de outra fonte. Qual? Eu ainda não identificara. E como disse, no momento não dei lá muita importância... É que eu estava rodeado de mulheres. E todas elas querendo dançar comigo. Que maravilha! Confesso que já estava com saudades disso. Ah! Eu já estou cansado de ouvir falar, assim como ouvir os seus discursos, de passeatas gays.  É que envelheci e fiquei caseiro... Mas não viado!

Em dado momento o meu desafeto político e pessoal foi intimado a se levantar também e dançar. Coitado!!! Sambando ele parece um elefante ferido. Mas insiste em querer ser mais negro que eu. Ficou atoleimadamente girando de um lado para outro. Bem, no nosso tempo para se for negro tinha-se que saber sambar. Mesmo que isso fosse considerado, pelos brancos, execrável, ah, e também pelos negros que se diziam chiques. E quanto ao meu desafeto, eu sou hostilizado gratuitamente, pois eu nunca o provoquei por este respeito ou outros quaisquer motivos. Eu só o chamo de cagoeta... E despeitado. Por que tenho provas. E nem preciso provoca-lo. Pois ele é também mulato. Ou seja, meio negro meio branco, produto da surubada nacional.

No entanto, a ficha somente foi cair realmente no dia seguinte. Relembrando o dia anterior o fato veio à tona em minhas reflexões. Afinal, quem havia prestado tal informação às tais repórteres? Que obviamente havia perguntado sobre quem eu era! E o mais relevante é que de um rol de atividades que eu desenvolvo esta se lembrou de somente daquela. Que como disse findou há mais de 20 anos, e eu, pessoalmente já quase a havia esquecido. Estranho! Há vinte e um anos para ser mais exato. Ela, a pessoa que as informou, poderia se lembrar, por exemplo, que sou escritor com livro publicado, compositor, cantor, interprete escultor, pintor, ogã, dançarino, mestre em capoeira, técnico em computação e sei lá que mais infinidade de atividades que desenvolvo – que, aliás, sou impedido de praticá-las apenas porque somente não querem deixar-me que prove dominá-las. Querem que eu seja apenas um pária... Assim como eles, aliás, o são.

Ela poderia ter-lhes informado sobre qualquer uma... No entanto, por que somente se lembrou daquela? Seria também despeito? Ou mais um tentativa de me estigmatizar. Assim como tantas que ocorreram nestes últimos 40 anos? Claro que sem o efeito desejado! E sua motivação?

A motivação é por demais fáceis de detectar. Desde o seu princípio que o movimento negro evita a minha participação, ou até mesmo nega-a. Na verdade este já começou mal-intencionado. A pretensão de faturar encima da desgraça de nosso povo já era evidente desde o primórdio. Simplesmente pelo fato de que todos sabiam que na hora que eu tivesse elementos suficientes para comprová-lo os denunciaria... E também porque sou preto.  E a prova mais cabal do fato é que todas as pessoas bem-intencionadas que compunham o movimento hoje estão todas fora. E talvez, não o denunciem os seus podres objetivos, pelo fato de não querer acumular dissabores, incômodos e transtornos. E por que não também? Ameaças. Quiçá, contratempos, como os quais até hoje eu me confronto e defronto. Incluindo os episódios que ora são utilizados para me achincalhar. Querendo queimar a minha foto. Que tolos! Afinal, talento não se adquire, se nasce com ele. Quem não os tem... – deixe-me dar uma eufemizada. É lamentável!

Tentei através do telefone que as repórteres me deram identificar a despeitada informante – que, aliás, eu tenho certeza de quem é, porém é tão baixa e medíocre que eu não devo perder meu precioso tempo ou sequer descer do pedestal, em interpela-la. No entanto, a que me atendeu pulou logo fora com aquele argumento de ter o direito de manter em sigilo suas fontes. Ao que parece isso também ser lei. Eu não sei como os congressistas tem tempo suficiente para dedicar às essas futilidades. Imagine! Alguém me faz acusação e eu não posso identifica-la. Bem! Este país se diz, ainda, ser sério.

E quanto a estes convém lembrar que, segundo a lei, seja eu culpado ou não, depois de cumprida a pena ninguém mais poderá me cobrar e nem tão quanto fazer-me cumprir por tais novamente. E eu saio de pena cumprida, integralmente, mas ainda pago por ele até os dias atuais. Na prática, agora para o tal movimento negro, que se diz também lutar contra preconceitos. Este não é um voto meu de inocência, e nem tão quanto de culpa. Apenas uma exigência de que a lei seja cumprida. Afinal, o movimento negro se diz integro. Se for inocente ou não isso são coisas que ainda haverei de provar em juízo... E eles também. Somente aguardo a oportunidade.  Assim como o fiz no último episódio no qual fui envolvido. Mas, de que adiantou? Nada. Por isso desde 1990 eu me afastei do tal movimento negro. Por estar enojado de me relacionar com gente mesquinha, peçonhenta, mal-intencionada e suja. Um covil de víboras. Onde a desgraça alheia é seu principal prato e o mais valioso troféu.

No último episódio, acima citado, desde o começo que eu denunciei aos demais “militantes” que fora uma cilada e que o seu “militante histórico” estava envolvido, ou pior, foi o pivô, e tudo esteve combinado antecipadamente, o seu papel no episódio. E isso ninguém me contou, eu vi.

De princípio eu imaginava – e não sei por que, pois já tinha elementos suficientes para reconhecer que não -, que este tal movimento era composto também por pessoas sérias e bem-intencionadas... O final somente não foi decepcionante pelo fato de que, como disse, eu já o previra. Ou melhor, conhecia-o.  No final ficou comprovado que estavam mesmos eram todos envolvidos com o fato, que receberam como disseram os tiras no Tribunal, “ordens superiores”. Queriam todos me afastar de vez, se possivelmente morto, do tal movimento; antes que eu descobrisse toda a verdade, ou melhor, desculpe-me, a falcatrua. Que é a farsa que o movimento negro nacional, no que se constitui. Farsa somente não, mas sim fraude, usurpação mesquinha e igualmente suja. Abusar da ignorância de seu próprio povo, ou que pelo menos diz ser seu. Esta corja de salafrários haverá de pagar... E bem caro. Mas que mais esta perdeu fragorosamente. E ora somente tentam, até com certo desespero, protelar a consumação de seus fracassos.

Após 17 longos anos eu consegui provar no Tribunal de Justiça de São Paulo a minha inocência no episódio, e sai, de antes réu em vítima. Tanto que estou sendo indenizado, ou melhor, recebendo uma pensão vitalícia. Eu tenho, e já apresentei várias, cópias do Acordam prolatado do Tribunal. Esta que assevera que os policiais, sim, foram bandidos... Mas isso não interessa ao movimento negro. E este também é uma de minhas cabais provas de seu mau-caratismo.

A tal indenização ainda não saiu. O movimento negro continua turro. Ainda tenta com todos os seus “recursos” acreditar que eu fraudei também a Justiça. No entanto ainda não é só isso. É que ele teme a minha vitória. O que determinará, impreterivelmente, no desmascaramento de sua farsa. A de que existe para defender os interesses da população negra brasileira em geral, mas que na verdade é igualmente algoz. Todavia, são tão ruins que não sabem nem sequer mentir ou disfarçar. Nem para si próprios. Porquanto continuam a reproduzir, e de maneira ainda mais grotesca, o seu despeito. Não se servem nem sequer ser hipócritas. E nem para assumir os seus fracassos. Data vênia, que na verdade não é fracasso e sim, dependendo do ponto de vista, de êxito. 

Porque o movimento negro nacional fez acerto com nossos algozes, e o resultado seria exatamente este, o de nos trair, impedirmo-nos de organização, e consequentemente de realização de soluções aos nossos problemas e desatinos. Mormente das vítimas do Preconceito de Marca, definido por Oracy Nogueira.

Dei-lhes a chance de se redimirem. Se não total apenas parcialmente. Quando soube que somente receberia, se recebesse em vida, a tal indenização somente após dez anos, que no final não me deixaria milionário, no entanto me auxiliaria a reconstruir a vida, esta que, aliás, foi destruída pelo episódio – e que, por sua vez, tinha também esta finalidade, pois aqui no Brasil preto não pode nem sair vitorioso e muito menos realizado. Após dez anos depois da sentença judicial, e também pelo movimento negro foi consagrado. Até com certo deboche: “Ocê não receberá. Ocê vai ver!”. Todos tem obrigação de pagar suas dívidas... No entanto o Estado não? E todos concordam com isso. E no meu caso então... Há ao que parece, consenso nacional. Mas eu venci. O dinheiro fica porquanto em segundo plano. Há outras formas de angariá-los... Que não será bem da maneira que esta corja anseia.

Segundo minha atual advogada, “em uma probabilidade de 1 a 100, eu tinha 110% de não ganhar”. Porém eu ganhei. Por isso procurei parlamentares, o partido político, advogados e inclusive o movimento negro. Todos se negaram em me sequer me atender ou ouvir. Quanto ao demais eu os entendo, pois nunca tiveram quaisquer compromissos assumidos, de fato, para com o negro brasileiro... Sejam estes parlamentares negros ou não a maioria é mulata. Porém, o movimento negro não. Quanto a este não tem perdão. Este desde o princípio se diz defensor dos interesses de todos nós em geral. Todavia também se omitiu. E para piorar ainda mais sua situação, nunca apresentou nem tão sequer qualquer justificativa. Simplesmente finge ignorar... Entretanto, o seu tempo também se esgotou. Agora vamos bater de frente. Eu o estou denunciando de farsa, blefe e fraude. Fraude contra a população realmente negra deste país. Os verdadeiros afrodescendentes. E de seus também legítimos direitos, dentre eles o direito pleno de cidadania, pois nós entramos à nossa revelia nesta história estúpida de Civilização Judaico-Cristã Ocidental (que, aliás, eu já expliquei, no entanto nunca será demais repetir. Eu a chamo desta forma porque os primeiros colonizadores da colônia eram “cristãos novos”, que fugiam de Portugal devido a conflitos religiosos, da Inquisição para ser mais explícito, e eram judeus). Nós não somos descendentes de imigrantes, e isso todo mundo sabe... E esta história todos conhece... Ou pelo menos deviam conhecer! Se for que são cultos realmente.

O movimento negro ajuda a sociedade a manter-nos no ostracismo e na miséria, e nem sequer, de fato, se beneficia por isso. O que os faz de além de traidores também estúpidos. E agora? Quem vai dar a cara à tapa. Ou prefere a minha? Que tentem! Esperaram eu envelhecer? Já o fiz. Daqui a quatro meses completarei 64 anos de idade... Entretanto, ainda não virei covarde não. Por ser isso alguns de seus restritos “privilégios”. Eu ando livre e solto pelas ruas desta Paulicéia Desvairada. Tal qual como andava no período em que diziam que eu estava “sendo procurado pela polícia”. Coloco entre aspas pelo motivo de que nunca foi apresentada oficialmente, durante todo este longo e tenebroso período, qualquer denúncia contra minha pessoa. Estava-se de fato sendo procurada a polícia não me encontrou porque não quis. Pois eu tinha meu endereço registrado em todos os órgãos Oficiais de Segurança, isso sem contar com a vigilância ostensiva... Ou seja, repressão. E compareci a todas as audiências as quais tive que me apresentar, poxa, tudo bem que “nossa” polícia seja incompetente, mas aí também já há exageros! Está, portanto, aí mais uma mentira deslavada disseminada pelo tal “movimento negro”. Com o intuito explícito de me excluir da luta. Que como disse de negro este só tem a denominação, e mesmo assim também de forma fraudulenta e indevida.

E agora que se segurem! Pois a verdadeira luta está apenas começando. Lamento que infelizmente ainda por entre nós. Não era este o meu propósito e plano, pois conheço meus reais inimigos. O tal “movimento negro brasileiro” não tem legitimidade alguma. É apenas mais uma máquina de fazer dinheiro... Para os brancos. De que forma? Provoque-me! Então que pague o preço justo pelo merecido!

São Paulo, 4 de junho de 2011.

Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA

v  PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v  PELO CESSAR DO EXTERMÍNIO DE JOVENS E CRIANÇAS NEGRAS NO BRASIL!
v  PELO IMEDIATO DESOCUPAR DO TERRITÓRIO HAITIANO PELO BRASIL!
v  PELO DIREITO DE LEGÍTIMA DEFESA DO NEGRO BRASILEIRO!
v  CONTRA A INCLUSÃO DO BRASIL NO CONSELHO PERMANENTE DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!
v  PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

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