terça-feira, 21 de junho de 2011

SÓ NÃO ENXERGA QUEM NÃO QUER!


CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
União, Solidariedade, Saber e Luta!

(veja mais em nosso blog)
Blog: crenja.blogspot.com

O GENOCÍDIO SUTIL...

O termo genocídio é um neologismo. Criado a partir de 1945, com o término da Segunda Guerra Mundial com o propósito de reparar o povo judeu de seu holocausto em campos de extermínio alemães e guetos, tais como o Gueto de Varsóvia. Todavia, a prática se dá há milênios por este Planeta afora. No que diz respeito aos povos africanos ele tem início ainda no século VI a. C., quando os povos gregos e romanos aportaram nas Costas Norte do Continente africano, E teve início a Diáspora Negra.

Neste século, estes povos que até então se escravizavam entre si, seus próprios conterrâneos e passam a modificar seus “hábitos civilizatórios”. Deixam de escravizar seus próprios em detrimento aos povos africanos, já na época “amaldiçoados” por estes com argumentos dos mais esdrúxulos e vagos.

Entretanto, no século V a. C. os árabes entram também na atividade. Passam também a explorar o Norte africano e a também raptar e escravizar seus nativos. E com o passar dos tempos “sofisticam” seus métodos. E estes que são herdados e copiados pelos português e espanhol. Isso já no final do século XV e princípio do século XVI.

No princípio do século XVI, Frei Bartolomeu de Las Casas, que se dizia “defensor” dos povos indígenas brasileiros e contrário à suas escravizações sugere a troca destes por africanos. Baseavam-se nos supostos “bons resultados” obtidos no Açores e Portugal, onde africanos foram escravizados e inseridos no plantio de cana-de-açúcar. Produto este essencial, na Europa, da época. Proposta esta que foi prontamente atendido.

Os primeiros “escravos” africanos ficaram por conta da tripulação africana da esquadra de Tomé de Souza (1503? -1579?), o primeiro governador geral da Colônia portuguesa no “Novo Mundo”. A única, aliás, pois o demais território dito latino fora conquistado pelos espanhóis. No dia 27 de março de 1549, aportava na Bahia o primeiro governador geral do Brasil.

Segundo o Professor Simão Souindoula, Vice Presidente do Projecto Internacional Científico << A Rota dos Escravos >> e representante da UNESCO em Luanda, Angola. Projeto este produzido também pela UNESCO, dados estes também confirmados por François Du Bois (1529-1584), no princípio do século XX: mais de 100 milhões de africanos, em fase produtiva, entre 15 a 25 anos de idade, homens e mulheres foram arrancados de África e trazidos para o Novo Mundo. E destes somente 30 a 40 milhões chegaram com vida ao destino. E a maioria deles veio para o Brasil...

A ideia divulgada no Brasil de que “os proprietários de escravos eram bons, zelosos e responsáveis com suas propriedades, os escravos”, cai por terra quando recebemos outra de que “dada a menor distância entre a África e o Brasil barateava o preço da mercadoria”. O que transformava o então escravos descartáveis, assim como casca de legumes ou qualquer outro dejeto. A escravidão, no Brasil, foi na verdade cruel. E desta crueldade trazemos sequelas e resquícios até os dias atuais: a discriminação racial e o preconceito de cor.

No ano de 1888, afirma-se, no Brasil, que foi promulgada a Lei Áurea, (Lei Imperial n. º 3,353), que dizia ter por finalidade a “abolição da escravatura” no país, e sendo este, pelo menos em tese, um dos ideais do movimento republicano da época. República esta que foi proclamada um anos depois...  No entanto, desde 1850, na perspectiva imprescindível de que a abolição da escravatura era inexorável, as classes políticas da época se preocupavam com o enorme contingente de africanos e seus descendentes no país. Segundo Malte Brun em 1830, em seu Tableau Statistique Du Brésil, estima no momento uma população de 1.347.000 brancos contra 3.993.000 pretos e pardos no Brasil, ou seja, 74,78% de negros. Era esse, portanto, um dado preocupante para as classes dominantes e políticas da época.

Então, esta mesma classe política engendrou um plano diabólico, o extermínio gradual e sutil da população afrodescendente. “Sutil” porque esta não poderia perceber, pois sendo maioria se revoltaria. Nesse caso a miscigenação teve um papel decisivo, “encobriria e justificaria o crime”. Este que, aliás, na época nem o era assim considerado, porém, moralmente inadmissível e abominável. Além de que, também esta criaria um clima de desunião e confusão nesta população que favoreceria os dominantes. Assim como veremos mais adiante...

A violência policial não tem papel determinante no extermínio de negro no Brasil, pois ficaria muito evidente. Esta, assim como a miscigenação, pois a partir do detalhe que os brancos dizem considerar que o mulato não é mais negro, e que esta foi a “justificativa” do Imperador D. Pedro II, em 1882, quando do episódio envolvendo o Conde D’Eu, o Gobeneau, que disse “Dentro de 200 ou 300 anos não haverá mais negros no Brasil...” E concluiu, “... A miscigenação acabará com eles”. O que deixa claro que a miscigenação não é um simples “ato de amor” recíproco, como atualmente quer nos fazer crer. E sim um plano, uma arma de extermínio étnico e de massa. Entretanto, o genocídio brasileiro tem também outras facetas. A violência policial tem apenas por objetivo intimidar a população negra para que não se organize. Puro e também “sutil” terrorismo. E a miscigenação é criminosa, pois foi induzida, forçada, não restando ao negro brasileiro, alternativa, se não de “melhorar a raça”, para ser supostamente integrado. O branqueamento da população foi outra impostura. E a mulher negra a maior vítima da “sedução”, pois se prostituiu ou foi prostituída.

Há alguns anos atrás fui chamado por uma advogada, que não vou declinar nome por esta já ser falecida... Porém o fato não. A assisti-la numa pesquisa sobre o paradeiro de um morador de rua que fora internado no Hospital Municipal São Paulo, na Rua Vergueiro, em São Paulo. O dito cujo havia sido internado e ao ser procurado por seus companheiros de infortúnio receberam estes a informação de que ele já havia tido alta. Do que eles logo desconfiaram. Afinal, se ele tivesse tido de fato alta por certo teria retornado ao local de destino, ou seja, o local onde pernoitavam, à rua... No entanto não o fez.

Porquanto a advogada foi procurada, pois dizia ela ser a “advogada dos miseráveis” – basta dizer que ela era ligada ao MNU. E ao comparecer ao Hospital recebeu a mesma informação. Então resolveu perguntar onde ficava a Diretoria do Hospital. Resposta esta que teve negado. Resolveu procurar o Plantão Policial do Hospital...

Neste, encontrou um policial de plantão que lhe informou estar desconfiado daquelas ocorrências. Segundo ele eram frequentes. E ele também desconfiava de homicídio de moradores de rua. No entanto não podia, mesmo sendo policial, questionar e muito menos investigar, pois temia perder o emprego. Sugeriu então que tiraria Xerox das ocorrências daquela semana e entregaria a ela. E ela, se interessasse que investigasse. No dia aprazado ela me procurou e pediu-me que fosse com ela.

Mesmo a contragosto, pois ela dissera que o problema envolvia um “companheiro nosso”, a contragosto eu fui. E como ela era ultra preconceituosa, me neguei de princípio, pois até onde constava eu nunca morara na rua... Mas ela insistiu e eu cedi, até por que eu também já estava curioso.

Lá chegando o policial contou, de novo, a mesma história. No entanto, reconhecendo dúvidas de que ela compareceria alegou não ter tirado a Xerox do Boletim de Ocorrência. Marcou que em seu outro plantão as teria... E ela me incumbiu de ir busca-las...

Novamente, no dia aprazado lá estava eu. E este me entregou as cópias. Como eu estava próximo de minha casa resolvi passar por lá primeiro, talvez para almoçar. E também resolvi ler as tais cópias, afinal, era um direito meu, pois fui eu quem as foi buscar! Quase tive um colapso... Eu tinha em mãos dezesseis cópias de Boletim de Ocorrência... Destes quatorze eram de pretos e dois de brancos, explicitamente. Todavia não foi somente isso que me estarreceu não!

Era que ao lembrar que quando nós nascemos os Cartórios, até hoje, relutam em nos registrar como negros... E muito menos como pretos. No entanto, nos atestados de óbito isso constava, a cor preta. Ora! Alguém estava fazendo a contabilidade. Não de entrada neste mundo, mas somente os de saída! Isso não era somente estranho, mas surpreendentemente aterrador. Ainda mais para comigo, que já havia tempo que estava envolvido na pesquisa do genocídio de nosso povo, o negro, no Brasil. Que, aliás, já havia denunciado no Primeiro Seminário Sobre o Genocídio do Negro no Brasil, na Câmara Municipal de São Paulo, pelo CRENJA.

Bem! Se alguém tem alguma dúvida quanto ao que eu estou declarando acima e sobre casos análogos que dê uma chegadinha à Delegacia Seccional Centro, pois segundo o policial, é para lá que estes são enviados e arquivados. Eu entreguei as cópias à advogada e ela se negou a me dar cópias. Mas também, nem preciso! Pois sei onde estão os originais! Toe caroço!

Recentemente, assistindo uma entrevista de um artista-plástico, Vik Muniz, que filmou Arte no Lixo, no Lixão de Gramacho, no Bairro Jardim do mesmo nome na Baixada Fluminense, e tive uma trágica, mas também grata constatação. Trágica por que após 339 anos – dado meu – de trabalho escravo praticado por nossos ancestrais e mais 124 anos, contados até hoje, de desolação, ostracismo e marginalização são deprimentes que neste estado nos encontremos com nosso povo, sobrevivendo ao caos. Volto a repetir! Não estou dizendo que ser pobre seja desonroso, porém o é deprimente e estarrecedor, numa sociedade que se diz justa. A sociedade diz que ser pobre é melhor que roubar... No entanto sobra-nos uma pergunta, esta que não quer se calar: não será também a corrupção uma modalidade de roubo? Pois também faz uso da violência. Não aos cofres-públicos. Quanto a estes a ação até que é também cinicamente “sutil”. A violência se dá contra os interesses do povo. Este que paga caro por toda esta roubalheira. Que serve de desculpa pela má qualidade dos Serviços-Público, mormente os de Saúde, da defasagem do Mercado-de-Trabalho e falência da Educação... Nestes, o povo é prejudicado e literalmente roubado. Mormente a população negra nacional, que teve seus antepassados como construtores deste país.

A felicidade se dá por conta de reencontrar meu povo, que já na década de 70 era dada, oficialmente, como extinto. Vive combalido, porém, sobrevive ao extermínio total. Mesmo que dos apresentados 99% sejam negros, mesmo que alguns pardos. E destes, pelo menos 80% sejam pretos. Ah! Pretos ainda existem no Brasil. E não são poucos Aqueles que Oracy Nogueira (1954) define virtualmente como vítimas do Preconceito de Marca, ou seja, a cor da pele, dentre outros caracteres negroides.

Diz a sociedade ser de responsabilidade de estes estarem neste estado, que são dos próprios culpados por não estudaram. Todavia se “esquecem” de que desde a primeira Constituição, a de 1824, que escravos e doentes contagiosos foram proibidos de frequentarem escolas. Este preceito (ou preconceito se preferirem!) constitucional foi ratificado pela Lei 1331, artigo 69, § 9 de 1856. Este decreto que só teve a sua revogação 96 anos após, em 1950, já quando todas as estratégias racistas de mantiver os negros fora da escola e do mercado-de-trabalho estavam consolidados. E estes foram, e ainda o são, responsabilizados por tal. Descaradamente até também pelo tal e atual  “movimento negro brasileiro”, que se omite a respeito e até também o usa em função de seus interesses. 

O termo “sútil” empregado no título tem como modelo a expressão “racismo sutil” utilizada pela sociedade branca brasileira para justificar aquilo que o Doutor Hédio da Silva Jr tão bem definiu em sua entrevista no Programa do Jô. Questionou ele: “Racismo é crime em nossa Legislação. E como é possível haver um crime sútil?” Coisas, dentre outras, que a sociedade branca brasileira ainda terá que explicar. E se possível muito bem.

Por enquanto é isso aí! Não é somente contra a discriminação que nós negros brasileiros temos que lutar... E sim também pelas nossas vidas. Sejamos pretos ou mulatos, pobres ou classe-média. Ricos? Bem, rico de princípio não tem cor... Mas também não são pretos e nem brancos! Talvez simplesmente invisíveis. Porque não se apresentam em público.  E nem morrem assassinados... A toda hora... Ou pelos mesmos motivos.

É como disse uma antiga “mãe de santo” entrevistada no passado, perguntaram a ela se ela parava de fazer trabalhos na Quaresma? Então ela respondeu: “Não! Eu não posso... Meus inimigos não param!”.

Axé!

São Paulo, 17 de junho de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA

PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!


PELO CESSAR IMEDIATO DO EXTERMÍNIO DOS JOVENS E CRIANÇAS NEGRAS NO BRASIL!

PELO IMEDIATO DESOCUPAR DO TERRITÓRIO HAITIANO PELA ONU!

PELO DIREITO DE LEGÍTIMA DEFESA DO POVO NEGRO BRASILEIRO!

CONTRA A CADEIRA PERMANENTE NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO PELO BRASIL!

PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

PAGAR PRA VER!


CRENJA
CENTRO DE RESISTÊNCIA NEGRA JAGAS ANGOLA
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HORA DA VERDADE

Bem, nós da resistência há muito tempo ansiávamos por este momento, e, sobretudo eu, seu coordenador, em particular. Este que em algum dia, em algum momento, haveria de chegar... Entretanto, parece que demorou uma eternidade, quarenta anos. Quarenta anos à sua procura, enfim, chegou.

Há 41 anos, quando os brancos começaram a invadir as escolas de samba e blocos carnavalescos em São Paulo, procurei alertar ao nosso povo: “Gente! Nós temos que nos organizar, pois senão teremos tudo tomado. Disso que nos resta de nossa cultura”. Foi como jogar combustível em fogo. A população negra da época explodiu em cólera, “O Neninho é racista. Ele não quer brancos no samba...” E eu estava somente falando em nos organizar. Lógico que eu queria brancos no samba, porém trazendo dinheiro e não o levando! Mas de pouco adiantou meus apelos. Fui literalmente varrido do mundo do samba... Claro que não fora somente por este motivo, pois havia outros, o despeito, por exemplo. Mas fazer o que com os pobres-de-espírito? Os cristãos dizem que deles serão o Reino do Céu! Pobre de Deus! Se for isso verdade...

A partir daquele momento, cooptado por um mulato envolvido com a esquerda branca – eu o sabia desde o princípio, no entanto também imaginava que ele saberia diferenciar as coisas – adentrei nesta de formação de um movimento negro com o intuito de conscientizar e organizar o negro brasileiro. Pelo menos esta era a proposta. Ele fora eloquente. Dizia-me estar eu certo, que de fato a discriminação racial existia, o que me deixou de certa forma perplexa, afinal, ali eu não estava discutindo discriminação e sim economia, reserva de mercado para ser mais explícito. Mas ninguém entendeu nada, obviamente “orientados” pelos brancos, que sempre de suas maneiras matreiras viviam jogando nós uns contra os outros, e já havia longo tempo. Mas a coisa era muito clara e não estava tendo início ali não, já vinha ocorrendo, havia algum tempo, no Rio de Janeiro. Somente me enganei ao imaginar que os paulistas entenderiam melhor a questão.

Sobre este aspecto há de se lembrar dum acontecimento inusitado. Muitos anos depois, uns trinta mais ou menos, vários dos antigos meus opositores sambistas negros me procuraram, dizendo, “Ah, ocê tinha razão. Os brancos nos tomaram mesmo. E agora, o que fazer?” Eu, confesso que até com certa ironia vingativa respondia simplesmente, “Nada”. Ao que eles reagiam indignados, “Como nada Neninho? Logo ocê dizendo isso?” Aquilo, de certa forma, era lisonjeiro, por saber que eles reconheciam e achavam, e eu não sei ainda por que, que eu tinha as respostas a tudo. Lisonjeiro, entretanto, não resolvia o problema. E para aquilo, apesar de minha modéstia, eu a tinha sim, e concluía, “Eu tentei lhes alertar a 30 anos atrás, e ocês não me ouviram. Agora nada mais há que fazer... Eles já tomaram”. Nessas alturas eu já não estava mais dando a mínima às escolas de samba. Era apenas uma página virada e rasgada de meu livro de memórias.

Aqui em São Paulo há um presídio específico para crimes raciais... Mas não funciona como tal. Pois não há ninguém neste país que esteja preso por ter praticado o crime de racismo. Uma sugestão maliciosa e mateira de dizer que o problema, entre nós, não existe. E apesar das evidências e as “denúncias” perpretas pelo suposto movimento negro nacional. Discriminação é algo abstrato e nunca haveremos de ser provado... Pois sempre dependerá da “boa-vontade” deles. E a tal Justiça está nas mãos dos brancos. Ou melhor, é deles. Porquanto o presídio estaria condenado ao abandono. No entanto funciona mesmo como presídio de transito. Ou seja, os presos que estão no Interior o usa quando vêm sumariar processos na Capital.

Todavia, eu não tenho dúvidas, este voltará a funcionar, e será até construído outros, como previsto no momento em que o negro brasileiro resolver retomar a sua própria cultura e passar a “incomodar o branco” em seus propósitos. É pagar pra ver!

Ora estas, que ora dão lucros, é objeto de cobiça do mundo branco nacional, portanto o interesse, e o samba passaram a ser “nosso”. Pois, segundo eles nós somos todos iguais. Será contrariar o mundo branco que estes lotarão imediatamente o presídio de “racistas”. O branco brasileiro é mesmo descarado. Pois sustentam até mesmo, quando lhes são conveniente, que eles próprios não existem, que “No Brasil já não há mais nem negros e nem brancos. Que somos todos misturados”. Se omitindo é claro que as classes-dominantes não se miscigenam – e ficam com 60% do PIB nacional – e muito menos as colônias fechadas, que, apesar da exclusividade e anonimato existem. 

Somente se revelando em momentos oportunos, como em alguns festivais, festas religiosas ou festas tradicionais, por exemplo, o Oktoberfast. Todavia, quando quisermos lutar por nossos direitos sociais e culturais, que estão evidentemente sendo usurpados, por certo que a lei funcionará com todo rigor, vigor e fervor.

Recentemente, por exemplo, quando denunciamos que a maioria dos poucos afrodescendentes, de fato, estão lotados nos lixões da vida, a Sinhá Presidente se apressou em apresentar um programa específico: distribuir a tal renda mínima agora aos também especificados pretos e pardos. Anteriormente, sob o jargão “famílias carentes”, nós tínhamos que subentender que éramos também contemplados, todavia, não éramos, pois diz à prática que nestas horas sempre se “beneficia” alguns poucos mulatinhos, caracterizados de negros, e dava-se a questão por encerrada, e também caracterizada a tal “democracia racial brasileira”, ou seja, a farsa, pois o preto fica sempre de fora. E quem liga? Na verdade, ao que parece nem ele próprio.

É como no caso de violência letal policial, morrem dez negros e um branco pobre, e desta forma tentam desviar o foco racial. No entanto, quando morre um branco da classe-média para cima... Bem, aí então a coisa se torna tragédia e há “comoção” nacional. Ah! O branco racista brasileiro é muito “engenhoso”! Verdadeiros gênios... Do Mal.

Ora! Sinhá Presidente, R$ 35,00, no caso de até cinco filhos dá um total de R$ 175,00. Sinceramente, Sinhá Presidente! Isso não dá nem mesmo para comprar um par de sapatos para sequer um deles! Todavia entendemos. Para quem vive na miséria imposta qualquer tostão “equivale” a um milhão. Mas que isso livra a cara dos racistas? Ah! Isso alivia simbolicamente... Pelo menos, temporariamente. Ou então dirão que o país não tem dinheiro para melhor contemplar a todos... Nesse caso sugerimos que esta questão também deveria ser sugerida a Ministro Palocci. Tudo bem que ele seja apenas médico. Mas que de negócio de economia ele entende bem. Ah! Isso ele entende. E ao que parece, até bem demais... Que tal ele fazer alguma consultoriazinha para os mais pobres? De preferência aos negros.

E não nos venham com esta de que somos ingratos, pois demagogia também tem hora. Lembramos que após 124 anos de “liberdade” nós já estamos com o saco cheio delas. Já está na hora de querermos e exigir muito mais. Cota racial simplesmente não resolve os nossos problemas. Talvez somente as de alguns mulatinhos. Porque não é de esmolas que necessitamos, e sim o direito de lutarmos e conquistarmos, por igual a qualquer um, pela nossa dignidade, existência e realização, enquanto cidadãos desse país que dizem ser também nosso. Ou pelo menos temos que respeitá-lo como tal. Mesmo não tendo nenhum motivo aparente. E isso me sugere a aparência de ditadura (?).

Estas “propostas”, como já o disseram, não foram apresentadas pela comunidade realmente negra ou afrodescendente deste país. Elas foram aproveitadas pelos mulatos. Estes que como também disse tem os dois pés posicionados em ambos os campos, assim como Michail Bakunin (1814-1876) dizia a respeito de Karl Marx, da batalha. Dependendo do interesse ora são brancos ora são negros. Não dá mais para esconder a farsa. Até por que os pretos são evidente e abertamente discriminados naquilo que estes dizem se chamar “movimento negro” – que, aliás, foram criados pelos próprios brancos, em 1978, quando estes perceberam pelo menos uma parcela deles, que não já poderiam mais frear a sua eclosão. E também descaradamente. Aos mesmos moldes do esquema dos brancos racistas encubados.

Como eu disse, esta é a hora da verdade, pois no Brasil ainda existem verdadeiros afrodescendentes. Podemos até sermos minoria, desorganizados e alienados da realidade. Isso de fato dificulta, sobremaneira, a nossa luta... Mesmo sabendo que não é de nossa responsabilidade o fato. Não obstante, ainda não a temos como perdida. E quanto à questão de contingente eu já esclareci, historicamente nunca, em momento algum do tempo e do espaço, a maioria dominou o que quer que seja. Muito pelo contrário, sempre foi dominada e explorada. Esta é apenas mais uma questão de foco. E vence o mais objetivo. Objetividade esta que os brancos há muito tempo a perdeu   – só faltava esta! Agora telefone celular também provoca câncer! Afinal, o que deu certo... E o que mais falta a acontecer? Atualmente o mundo branco está somente patinando no lodaçal de suas frustrações adquiridas e erros. E prestes a chafurdar. Ó Olorum nos salve! Pois senão sucumbiremos com eles.

Quanto aos mulatos será conveniente perguntar-lhes quem foi que lhes deu procuração para “defender” os nossos interesses. Tomaram sim e de maneira desleal, aquele que deveria se o nosso melhor instrumento político de luta e o deturparam. Desviaram o seu real objetivo, que era o de defender os interesses de todos nós. E isso não há como negar. Todavia, que tentem. Afinal, esta é a hora da verdade. Não terão mais como desviar os designíos do verdadeiro movimento negro que inevitavelmente surgirá. A farsa acabou. Acabou a farra do boi. Quem ganhou dinheiro ganhou... Quem não o ganhou não ganhará mais. Pelo menos não mais por longo tempo e às nossas custas.

A Resistência Negra prevalecerá. E azar de quem acreditou que ela não existia... Ou que todos os pretos são otários...

E como também eu disse, não estou dizendo que estes não possam e nem devam lutar ao nosso lado – pois contra nós já o vem fazendo há muito tempo, usando os mesmos artifícios dos brancos -, todavia, terão que romper, de vez, com seus corrompidos lados brancos. E lógico, deixar isso bastante claro e evidente.

O preconceito de origem somente tem valor nos Estados Unidos. Ou seja, bastam apenas alguns caracteres negroides para que se definam quanto negros. Pois, aqui no Brasil ainda prevalece o de cor, e por certo os critérios serão outros. E estes, no decorrer de todos estes ano, ditos de luta, ainda não deixaram evidentemente definido de que são realmente negros, ou mesmo de que lado está. Haja vista que ainda nos discriminam, exacerbadamente, internamente. E como os brancos, exibem subterfúgios para descaracterizá-lo, ou seja, jogar a responsabilidade sobre o próprio discriminado. Isso funcionou nos últimos trinta anos... Porém não mais funcionará. Não na hora da verdade. Eu, pessoalmente, já paguei meu preço, entretanto, às duras penas aprendi. E não vou abrir mãos de meus direitos de negro e afrodescendente apenas sobre pressão. Se alguém deve estar fora por certo que não sou eu. Se alguém deve sair do movimento negro por certo também não deva ser eu.

Um dia destes fui convidado a uma festa de reeleição de um deputado negro. Compareci apenas por ter sido, anteriormente, atacado por feitiço de morte, e sabia da origem do ataque. Queria apenas eu deixar claro que, mais uma vez, estes falharam e que ainda têm muito que aprender sobre feitiçaria – haja vista que não fora o primeiro, e sim terceiro. Que são ainda meros aprendizes na atividade. Imagine! Lançar feitiço sobre feiticeiro... Que aguardem o troco. Pois não preciso fazer nada, por que meu Pai responderá. Atotô Ajuberu Sapatá.

Estava lá eu sambando nos pés, para mostrar aos brancos presentes que ainda não fomos totalmente roubados em definitivo à nossa arte. Em dado momento sou abordado por duas mulheres brancas. Estas se apresentaram como repórteres e uma delas foi direta à pergunta, “Você já esteve preso”. Eu fiquei perplexo. A primeira vista não me pareceu tê-las conhecido antes. Afora o fato de que nestes exatos anos eu completo 21 anos do episódio, a de saída do presídio. Pela lei devo estar reabilitado em cinco, após o cumprimento da pena. Portanto, já se passaram 16 anos do prazo.

No começo não dei muita importância ao episódio. Apenas respondi que sim, e elas, talvez com o intuito de disfarçar a faltasses de sutileza do gesto imaturo arrematou, “É que nós vamos fazer uma matéria sobre à Casa de Detenção, que este ano completará vinte anos do massacre... E sabe como é seu depoimento será importante”. Não convenceu. A sua desculpa foi por demais esfarrapadas e não me esclareceu nada, pois lhe apercebi o despeito, afinal, eram mulheres brancas. Os brancos nutrem despeitos também em atividades que são originalmente nossa. E eu apercebi-lhes o sentimento. 

Mas havia algo mais que me incomodava no momento, que eu não consegui de imediato identificar. Só sabia que queriam me complexar, eu estava aparecendo. Isso é muito comum com os brancos. Portanto, voltei à atividade anterior, sambar no pé. Até por que o meu maior desafeto no movimento negro estava presente e à espreita, e eu o conheço sobremaneira e também o seu sentimento de inveja, que este nutre por minha pessoa... Ah! E eu adoro provoca-lo. Ele é tão estúpido! Assim como sabia estar incomodando todos os demais racistas invejosos que me acercam. E algo me dizia que havia outros mais de plantão. Pois aqueles ‘repórteres’ não havia se aproximado sequer dele ou da mesa que ele ocupava. A informação a meu respeito haveria de ter vindo de outra fonte. Qual? Eu ainda não identificara. E como disse, no momento não dei lá muita importância... É que eu estava rodeado de mulheres. E todas elas querendo dançar comigo. Que maravilha! Confesso que já estava com saudades disso. Ah! Eu já estou cansado de ouvir falar, assim como ouvir os seus discursos, de passeatas gays.  É que envelheci e fiquei caseiro... Mas não viado!

Em dado momento o meu desafeto político e pessoal foi intimado a se levantar também e dançar. Coitado!!! Sambando ele parece um elefante ferido. Mas insiste em querer ser mais negro que eu. Ficou atoleimadamente girando de um lado para outro. Bem, no nosso tempo para se for negro tinha-se que saber sambar. Mesmo que isso fosse considerado, pelos brancos, execrável, ah, e também pelos negros que se diziam chiques. E quanto ao meu desafeto, eu sou hostilizado gratuitamente, pois eu nunca o provoquei por este respeito ou outros quaisquer motivos. Eu só o chamo de cagoeta... E despeitado. Por que tenho provas. E nem preciso provoca-lo. Pois ele é também mulato. Ou seja, meio negro meio branco, produto da surubada nacional.

No entanto, a ficha somente foi cair realmente no dia seguinte. Relembrando o dia anterior o fato veio à tona em minhas reflexões. Afinal, quem havia prestado tal informação às tais repórteres? Que obviamente havia perguntado sobre quem eu era! E o mais relevante é que de um rol de atividades que eu desenvolvo esta se lembrou de somente daquela. Que como disse findou há mais de 20 anos, e eu, pessoalmente já quase a havia esquecido. Estranho! Há vinte e um anos para ser mais exato. Ela, a pessoa que as informou, poderia se lembrar, por exemplo, que sou escritor com livro publicado, compositor, cantor, interprete escultor, pintor, ogã, dançarino, mestre em capoeira, técnico em computação e sei lá que mais infinidade de atividades que desenvolvo – que, aliás, sou impedido de praticá-las apenas porque somente não querem deixar-me que prove dominá-las. Querem que eu seja apenas um pária... Assim como eles, aliás, o são.

Ela poderia ter-lhes informado sobre qualquer uma... No entanto, por que somente se lembrou daquela? Seria também despeito? Ou mais um tentativa de me estigmatizar. Assim como tantas que ocorreram nestes últimos 40 anos? Claro que sem o efeito desejado! E sua motivação?

A motivação é por demais fáceis de detectar. Desde o seu princípio que o movimento negro evita a minha participação, ou até mesmo nega-a. Na verdade este já começou mal-intencionado. A pretensão de faturar encima da desgraça de nosso povo já era evidente desde o primórdio. Simplesmente pelo fato de que todos sabiam que na hora que eu tivesse elementos suficientes para comprová-lo os denunciaria... E também porque sou preto.  E a prova mais cabal do fato é que todas as pessoas bem-intencionadas que compunham o movimento hoje estão todas fora. E talvez, não o denunciem os seus podres objetivos, pelo fato de não querer acumular dissabores, incômodos e transtornos. E por que não também? Ameaças. Quiçá, contratempos, como os quais até hoje eu me confronto e defronto. Incluindo os episódios que ora são utilizados para me achincalhar. Querendo queimar a minha foto. Que tolos! Afinal, talento não se adquire, se nasce com ele. Quem não os tem... – deixe-me dar uma eufemizada. É lamentável!

Tentei através do telefone que as repórteres me deram identificar a despeitada informante – que, aliás, eu tenho certeza de quem é, porém é tão baixa e medíocre que eu não devo perder meu precioso tempo ou sequer descer do pedestal, em interpela-la. No entanto, a que me atendeu pulou logo fora com aquele argumento de ter o direito de manter em sigilo suas fontes. Ao que parece isso também ser lei. Eu não sei como os congressistas tem tempo suficiente para dedicar às essas futilidades. Imagine! Alguém me faz acusação e eu não posso identifica-la. Bem! Este país se diz, ainda, ser sério.

E quanto a estes convém lembrar que, segundo a lei, seja eu culpado ou não, depois de cumprida a pena ninguém mais poderá me cobrar e nem tão quanto fazer-me cumprir por tais novamente. E eu saio de pena cumprida, integralmente, mas ainda pago por ele até os dias atuais. Na prática, agora para o tal movimento negro, que se diz também lutar contra preconceitos. Este não é um voto meu de inocência, e nem tão quanto de culpa. Apenas uma exigência de que a lei seja cumprida. Afinal, o movimento negro se diz integro. Se for inocente ou não isso são coisas que ainda haverei de provar em juízo... E eles também. Somente aguardo a oportunidade.  Assim como o fiz no último episódio no qual fui envolvido. Mas, de que adiantou? Nada. Por isso desde 1990 eu me afastei do tal movimento negro. Por estar enojado de me relacionar com gente mesquinha, peçonhenta, mal-intencionada e suja. Um covil de víboras. Onde a desgraça alheia é seu principal prato e o mais valioso troféu.

No último episódio, acima citado, desde o começo que eu denunciei aos demais “militantes” que fora uma cilada e que o seu “militante histórico” estava envolvido, ou pior, foi o pivô, e tudo esteve combinado antecipadamente, o seu papel no episódio. E isso ninguém me contou, eu vi.

De princípio eu imaginava – e não sei por que, pois já tinha elementos suficientes para reconhecer que não -, que este tal movimento era composto também por pessoas sérias e bem-intencionadas... O final somente não foi decepcionante pelo fato de que, como disse, eu já o previra. Ou melhor, conhecia-o.  No final ficou comprovado que estavam mesmos eram todos envolvidos com o fato, que receberam como disseram os tiras no Tribunal, “ordens superiores”. Queriam todos me afastar de vez, se possivelmente morto, do tal movimento; antes que eu descobrisse toda a verdade, ou melhor, desculpe-me, a falcatrua. Que é a farsa que o movimento negro nacional, no que se constitui. Farsa somente não, mas sim fraude, usurpação mesquinha e igualmente suja. Abusar da ignorância de seu próprio povo, ou que pelo menos diz ser seu. Esta corja de salafrários haverá de pagar... E bem caro. Mas que mais esta perdeu fragorosamente. E ora somente tentam, até com certo desespero, protelar a consumação de seus fracassos.

Após 17 longos anos eu consegui provar no Tribunal de Justiça de São Paulo a minha inocência no episódio, e sai, de antes réu em vítima. Tanto que estou sendo indenizado, ou melhor, recebendo uma pensão vitalícia. Eu tenho, e já apresentei várias, cópias do Acordam prolatado do Tribunal. Esta que assevera que os policiais, sim, foram bandidos... Mas isso não interessa ao movimento negro. E este também é uma de minhas cabais provas de seu mau-caratismo.

A tal indenização ainda não saiu. O movimento negro continua turro. Ainda tenta com todos os seus “recursos” acreditar que eu fraudei também a Justiça. No entanto ainda não é só isso. É que ele teme a minha vitória. O que determinará, impreterivelmente, no desmascaramento de sua farsa. A de que existe para defender os interesses da população negra brasileira em geral, mas que na verdade é igualmente algoz. Todavia, são tão ruins que não sabem nem sequer mentir ou disfarçar. Nem para si próprios. Porquanto continuam a reproduzir, e de maneira ainda mais grotesca, o seu despeito. Não se servem nem sequer ser hipócritas. E nem para assumir os seus fracassos. Data vênia, que na verdade não é fracasso e sim, dependendo do ponto de vista, de êxito. 

Porque o movimento negro nacional fez acerto com nossos algozes, e o resultado seria exatamente este, o de nos trair, impedirmo-nos de organização, e consequentemente de realização de soluções aos nossos problemas e desatinos. Mormente das vítimas do Preconceito de Marca, definido por Oracy Nogueira.

Dei-lhes a chance de se redimirem. Se não total apenas parcialmente. Quando soube que somente receberia, se recebesse em vida, a tal indenização somente após dez anos, que no final não me deixaria milionário, no entanto me auxiliaria a reconstruir a vida, esta que, aliás, foi destruída pelo episódio – e que, por sua vez, tinha também esta finalidade, pois aqui no Brasil preto não pode nem sair vitorioso e muito menos realizado. Após dez anos depois da sentença judicial, e também pelo movimento negro foi consagrado. Até com certo deboche: “Ocê não receberá. Ocê vai ver!”. Todos tem obrigação de pagar suas dívidas... No entanto o Estado não? E todos concordam com isso. E no meu caso então... Há ao que parece, consenso nacional. Mas eu venci. O dinheiro fica porquanto em segundo plano. Há outras formas de angariá-los... Que não será bem da maneira que esta corja anseia.

Segundo minha atual advogada, “em uma probabilidade de 1 a 100, eu tinha 110% de não ganhar”. Porém eu ganhei. Por isso procurei parlamentares, o partido político, advogados e inclusive o movimento negro. Todos se negaram em me sequer me atender ou ouvir. Quanto ao demais eu os entendo, pois nunca tiveram quaisquer compromissos assumidos, de fato, para com o negro brasileiro... Sejam estes parlamentares negros ou não a maioria é mulata. Porém, o movimento negro não. Quanto a este não tem perdão. Este desde o princípio se diz defensor dos interesses de todos nós em geral. Todavia também se omitiu. E para piorar ainda mais sua situação, nunca apresentou nem tão sequer qualquer justificativa. Simplesmente finge ignorar... Entretanto, o seu tempo também se esgotou. Agora vamos bater de frente. Eu o estou denunciando de farsa, blefe e fraude. Fraude contra a população realmente negra deste país. Os verdadeiros afrodescendentes. E de seus também legítimos direitos, dentre eles o direito pleno de cidadania, pois nós entramos à nossa revelia nesta história estúpida de Civilização Judaico-Cristã Ocidental (que, aliás, eu já expliquei, no entanto nunca será demais repetir. Eu a chamo desta forma porque os primeiros colonizadores da colônia eram “cristãos novos”, que fugiam de Portugal devido a conflitos religiosos, da Inquisição para ser mais explícito, e eram judeus). Nós não somos descendentes de imigrantes, e isso todo mundo sabe... E esta história todos conhece... Ou pelo menos deviam conhecer! Se for que são cultos realmente.

O movimento negro ajuda a sociedade a manter-nos no ostracismo e na miséria, e nem sequer, de fato, se beneficia por isso. O que os faz de além de traidores também estúpidos. E agora? Quem vai dar a cara à tapa. Ou prefere a minha? Que tentem! Esperaram eu envelhecer? Já o fiz. Daqui a quatro meses completarei 64 anos de idade... Entretanto, ainda não virei covarde não. Por ser isso alguns de seus restritos “privilégios”. Eu ando livre e solto pelas ruas desta Paulicéia Desvairada. Tal qual como andava no período em que diziam que eu estava “sendo procurado pela polícia”. Coloco entre aspas pelo motivo de que nunca foi apresentada oficialmente, durante todo este longo e tenebroso período, qualquer denúncia contra minha pessoa. Estava-se de fato sendo procurada a polícia não me encontrou porque não quis. Pois eu tinha meu endereço registrado em todos os órgãos Oficiais de Segurança, isso sem contar com a vigilância ostensiva... Ou seja, repressão. E compareci a todas as audiências as quais tive que me apresentar, poxa, tudo bem que “nossa” polícia seja incompetente, mas aí também já há exageros! Está, portanto, aí mais uma mentira deslavada disseminada pelo tal “movimento negro”. Com o intuito explícito de me excluir da luta. Que como disse de negro este só tem a denominação, e mesmo assim também de forma fraudulenta e indevida.

E agora que se segurem! Pois a verdadeira luta está apenas começando. Lamento que infelizmente ainda por entre nós. Não era este o meu propósito e plano, pois conheço meus reais inimigos. O tal “movimento negro brasileiro” não tem legitimidade alguma. É apenas mais uma máquina de fazer dinheiro... Para os brancos. De que forma? Provoque-me! Então que pague o preço justo pelo merecido!

São Paulo, 4 de junho de 2011.

Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA

v  PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v  PELO CESSAR DO EXTERMÍNIO DE JOVENS E CRIANÇAS NEGRAS NO BRASIL!
v  PELO IMEDIATO DESOCUPAR DO TERRITÓRIO HAITIANO PELO BRASIL!
v  PELO DIREITO DE LEGÍTIMA DEFESA DO NEGRO BRASILEIRO!
v  CONTRA A INCLUSÃO DO BRASIL NO CONSELHO PERMANENTE DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!
v  PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

domingo, 5 de junho de 2011

RECORDAR É VIVER?


 

Crenja
Centro de resistência negra jagas angola
União, Solidariedade, Saber e Luta!
(veja mais em nosso blog)
Blog: crenja.blogspot.com

A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA FOI UM ENGÔDO

Se precavendo às distorções que a sociedade brasileira estabelece com o intuito de confundir e controlar o povo brasileiro, mormente aos negros, com o idioma, eu acho por bem traduzir o termo empregado acima no título. Engodo significa apenas cilada. É óbvio que não pretendo subestimar a cultura de quem quer que seja, no entanto eu tenho a segurança em denunciar que até mesmo pessoas cultas, neste país, não têm o hábito de ver ou necessidade de consultar o dicionário. Chamam-no de “pai dos burros”. Esta é uma piadinha, por mais que piegas, que foi inventada apenas para enganar os incautos, mas assim como todas as demais drogas se consagrou e findou por também atingir e contagiar o uso pelas classes dominantes, principalmente a média. E com a devida vênia, vamos ao relato. Todavia, acrescento que também se constitui em outro engodo, que o povo desatento e ingênuo absolve, seja estudante ou estudado ou não. Eu poderia citar mais uma enormidade de exemplos, portanto, me atarei a este.
A abolição da escravatura, se não é do conhecimento de todos pelo menos o é da maioria, não foi do gosto e nem sequer iniciativa da “nação” brasileira. Muito pelo contrário, pois inclusive foi à última a declará-la. Coloco nação entre aspas pelo fato de este termo ter situação análoga ao que acima foram expostos. Nação, segundo o dicionário, é um conjunto de povos imbuídos do mesmo ideal... Entretanto, aqui no Brasil somente é permito e somente quem a tem e usufruiu são os brancos... Dizem-se dominantes. E diga-se, nem todos. No entanto o termo é usado maliciosamente para vitalizar o pseudo-nacionalismo nacional, Puro ufanismo e barato.
Mas voltando ao tema, na tal abolição da escravatura o negro brasileiro, hoje autodenominado “afrodescendente”, foi apenas despejado das senzalas e lançados às favelas, mocambos, alagados e demais ambientes inóspitos e ermos que puderam lhes “abrigar”. Houve, na verdade, uma dispensa em massa. Haja vista que já de antes havia emigrantes sendo importados para “poupar-lhe” do trabalho, sob o argumento de que eram mais aptos ao “trabalho livre” – se for que isso existe, pois Marx chama-o de exploração capitalista. E desta desova o negro brasileiro saiu sem eira e nem beira. Sem pecúlio ou qualquer poupança foi lançado na rua da amargura e estigmatizado. Não tinha emprego, no entanto, era perseguido pelo fato de ser “vagabundo”.
Atualmente, o que nos deixa indignado e ao mesmo tempo perplexo é que, com desfaçatez, o que se chama de movimento negro não usa desses dados para informar a sua população. Ou pelo menos aquela que este diz ser tua. O que me parece meramente suspeito. Afinal, de que lado está? Garanto que não do nosso!
Na “vida livre” o negro brasileiro não teve nesse tempo todo, 124 anos contado atualmente, a menor chance de se integrar e muito menos de se organizar. Porém, foi enganado o tempo todo de que era livre. E não somente por sua condição de discriminado, não. Havia e há todo um aparato de estratégias no sentido de mantê-lo na miséria como também de que já esteja extinto. Por aqueles que têm como finalidade “apagar a nódoa negra” de nossa história, como disse Rui Barbosa no início do século passado. Uma frase, indubitavelmente, de duplo sentido. Que levou alguns ingênuos a imaginar que ele se referia apenas à escravidão. Mas na verdade ele estava era mesmo se referindo ao extermínio físico do negro, dos descendentes de escravos, que ora incomodava e se constituía em um perigo iminente, devido o seu alto contingente e reminiscências de revoltas recentes, a dos Malê por exemplo. Volto a repetir, e com legítima segurança, que o genocídio do negro brasileiro foi arquitetado pelas classes políticas do Império ainda no século XIX, mais precisamente em 1850. Está-se enganado por que não investiga-lo? Daí então poderia até mesmo me processar, por difamação e injúria, ou sabe-se lá mais por que, e aí sim, então, me mandar para a prisão e me matar, como pretendem e como quer, ou pelo menos se esforçam muito no afã. Só não deram, portanto, sorte. Este é o meu desafio processe-me. Pois eu vou adorar levar aos tribunais a questão. E parece que só assim mesmo será possível.
Aí então, o movimento negro, também não teria nenhuma responsabilidade em me amparar. Já que diz que surgiu para defender os interesses de todos os negros... Menos o meu é claro. Será que dos demais? Todavia alega que eu sou “bandido”, mas nunca se preocupou em provar, pois a polícia ainda não o conseguiu, nos dois processos que tirei 14 anos de cadeia não há provas contra mim! O que se constitui, portanto, da parte do movimento negro mero preconceito, ou safadeza mesmo. Imagine! Um movimento safado – somente no Brasil mesmo. E deve ser por índole. Movimento negro no Brasil! Este que, aliás, desde o princípio, em 1978, alegou combater quaisquer tipo de discriminação e preconceito. São uns pulhas mesmos. E não se tocam!  E isso tudo deverá ser mais bem explicado. Afinal, pois não defende nem os dos outros, pretos e pobres. A si próprio não é necessário, pois nada faz para correr riscos! Afinal, para que veio? Se for por dinheiro... Coitados!!! Desta subestimaram também os brancos e não só a favela. Nesse negócio de dinheiro eles não são nada bobos. E acham que estes não estão fazendo nada mais e nem menos que suas obrigações em defender a tal “democracia racial”. São uns tolos mesmos. Simplórios e ingênuos. Defendem-se algo que acha bom e justo... Mas não têm a mínima noção de como isso possa ser capaz ou possível. Mas apostam. Então para que dinheiro? E este é outro engodo engendrado pelos brancos brasileiros que eles engoliram até a vara, literalmente. E o negro brasileiro, ou seja, lá o que for, de tão “ladino” dançou. Tira daí sempre uma merreca, do que de fato nos devem. E ainda que estes se digladiem, entre si, por tal que mal dá para cumprir o “projeto” almejado... Então o ou os mais espertos ficam com tudo, enquanto que os demais se calam... Esperando as suas vezes. No entanto nada à população que diz defender, mas torce para que seja logo exterminada. Na esperança, fugida e fugaz de que escaparão ilesos. Boçais!
Como disse a violência policial é apenas uma ponta do iceberg. E tem por finalidade apenas nos manter amedrontados – aliás, como eles vivem os militantes ditos negros, e por isso me rejeitam, assim como as minhas ideias. Por puro cagaço. Pois que no fim até concordam com elas, mas temem assumi-las. Por saber que os seus “sinhôs” não querem. Têm medo. Por isso as rejeitam ou simplesmente fingem rejeitá-las. São uns covardes. Têm é medo de encarar a realidade de frente, mormente de se olharem ao espelho. Todavia, ela, desafiadora, está aí diante de nós, nua e crua, e diante de nossos olhos, e somente não enxerga quem não quer ou a teme e têm medo de lutar de fato. Ou mesmo nem sabe o que vem a ser isso! Entretanto, obstinadamente querer atrapalhar quem de fato o quer é pura perfídia. Sacanagem. Será que de fato eles sabem interpretar o significado do termo ancestral? Bem, a maioria se miscigenou – ou foi miscigenado quem sabe? Se o sabem, não o sabem mais de que lado fica... Então ficam com o que acham mais forte. E não sei de fato a quem estes querem enganar. Talvez somente a si próprios. E conseguem. Porém ficam sós. E a História sempre foi implacável com estes. Bem, com todo respeito ao livre arbítrio.
Assim como a violência policial a miscigenação é apenas uma parte visível desta estratégia branca de extermínio. A primeira mantêm-nos amedrontados. Puro jogo de cena, Agora, inventaram esta de desarmar o povo, que na verdade nada mais é que uma preocupação, diga-se justa e objetiva. Tem endereço. A de nos manter submissos às suas investidas assassinas, e sem defesa. Evitar possível retaliação de nossa parte. Por que não desarmam também a polícia. Esta que nos matam, mormente a nossa juventude covardemente e basta alegar que fora em legítima defesa... E ninguém investiga. Então poderíamos resolver tudo no braço mesmo! Todavia, isso não quer e se escondem por trás de suas leis, de mentiras e das fardas. Estas que servem também somente a nos reprimir e amedrontar. Quanto a eles...
No episódio do jornalista assassino voltou a evidenciar um disparate. Este que, aliás, já começou, e não é de hoje, a incomodar. Por achincalhar o nosso raciocínio, nosso intelecto. Afinal, não é somente na Faculdade que se adquire inteligência... O bem da verdade, nós nem sabemos de fato de que lá se adquire isso. A prática diz que não. Afinal, toda a “dinâmica” mundial foi construída por estes intelectuais... E ao que parece não está dando muito certo! Ou melhor – ou pior sabe-se lá! Não está dando nada certo. Estou me referindo ao discurso de que quem tem dinheiro tem também direito de desfrutar bons advogados em caso de delito. E na maioria das vezes nem vão para a cadeia. O caso do jornalista assassino de sua companheira foi excepcional, mesmo apesar de ser réu confesso, e anunciado antecipadamente de que ficará por pouco tempo no xilindró. Só por que tem dinheiro? E a presunção jurídica de que a lei é igual para todos? No entanto, o que intriga mesmo e mais é o fato da OAB admitir que certifique bons e mais advogados – e as Faculdades também, pois os formam -, e que estes somente são acessados por quem tem dinheiro. Quanto aos pobres só restam os maus advogados – creio que ninguém mais quererá defende-lo. Com este estigma! -, e, sendo ou não culpados findam por cumprir longas penas. Será isso de fato justiça? Ou será apenas subestimação ao raciocínio do povo? Esta é mais uma história que o Brasil e sua sociedade precisam explicar e justificar melhor, para que de fato possa ser e se gabar ser “igualitário e justo”. Isso é se puder.
Pô! Os lavradores lá na Amazônia... Eles apenas estavam defendendo a razão, pois esta é também uma das salvações da humanidade! Ou não? Ah! São tantas mentiras do mundo branco que nós findamos por nos sentir confusos. Em quem confiar? Pelo menos dizem que os intelectuais existem... Mas será que pensam realmente? Ou melhor, convencem? Ao que parece não. Poisos latifundiários matam os lavradores! Estes que defendem a legalidade. E quem os mata tem dinheiro. Irão para a cadeia? Por quanto tempo lá ficarão se o forem? Será o tal de Amargedom dos judeus? Ou simplesmente a Babel? Seja o que for, está complicado... E com ela as classes dominantes se complicam também. Perdem a moral. O que é moral mesmo? Perguntam os gays. E esta por isso fica mais “liberais, ou libertinos sabe-se lá” Dorme neste barulho quem quer, ou seja, idiota... Mas infelizmente o povo adora também a patifaria. Apenas não sabe é que quando mudar a ordem pagará sozinho o preço, não leram A idade da Rosa, de Umberto Eco... A História está cheia de exemplos... Ah! Esqueci-me! O povo não lê e nem acompanha a História. Será que a classe-média o faz? Ela está tão próxima! E, diga-se de passagem, ao que parece, nem a classe-média o faz ou é sensata, ou também se faz de besta.
O que fazer para salvar o negro brasileiro? Bem, isto já é lá um problema do movimento negro. Pois se comprometeu a fazê-lo! O que é mesmo compromisso? Ah! Deixa para lá... O dicionário está assaz distante e inacessível. Mas diz o ditado que quem pariu Mateus que o balance!
A violência policial como disse é apenas a parte visível do projeto macabro, assim como a miscigenação, que nos é vendida como panaceia. Mas se prestarmos atenção ao Setor de Saúde Pública desvendaremos o total do projeto e o entenderemos. Por que este setor não funciona? Por que a maioria de seus dependentes além de ser pobre é negra. E o atendimento Vips é somente prestado a quem tem recursos... E também não é atoa, afinal, por que não procuram atendimento médico em hospitais particulares? Não existem lá mais recursos? O problema é que procuram também o público. E a estratégia é ocupar as vagas dos pobres, sobretudo as dos negros – todos sabem da “necessidade de se eliminar os negros”, mesmo sem saber com detalhes quais os motivos. Como eu disse, é um projeto. Estes que têm que ser extinto e pouco importa o porquê isso é necessário. E se quisermos mais exemplos basta visitarmos os Manicômios Públicos e principalmente os Lixões Sanitários da vida. E lá veremos quem são a maioria... E a que estão destinados. E quem se importa? Por certo que não o movimento negro. Pois é negro apenas de nome e isso não dá dinheiro. Por que defende os interesses apenas dos brancos. E nem os seus próprios. Se o fazem... Ah! Muito mal e esmeradamente pérfido, até contra si próprios, que dirá àqueles que dizem ser o seu povo. Mera frase de efeito para enganar os incautos. Todavia o povo realmente negro está alerta, e saberá cobrar na hora exata.
Os negros saíram das senzalas sem pecúlios ou quaisquer ressarcimentos. A “convenção” era de que não pudesse arranjar quaisquer recursos que lhe garantisse o sustento e consequentemente a sobrevivência. A sociedade branca foi radical, já que não servia para ser escravo não serviria mais para coisa alguma, mesmo que para o trabalho livre. Também é óbvio que houve algumas exceções, para apenas estabelecer o disfarce.
A “vadiagem” compulsória passou a ser apenas mais uma ferramenta do extermínio, sem emprego ou meus de adquirir a subsistência o negro estaria condenado, não sobreviveria. Os estudos já estavam suprimidos desde 1854, pela lei 1331, que, aliás, só veio ratificar a Constituição de 1823, onde escravos e portadores de doenças contagiosas não podiam frequentar escolas. E a partir daí todo o negro que aparecesse com algum recurso, se não justificado, teria que obrigatoriamente ser ladrão – hoje traficante de drogas – que para eles é uma coisa “terrível”! Apesar de consumi-las... E até, estrategicamente, financiá-lo.
Em 1810, os negros livres, na Bahia, fizeram um congresso, onde deliberaram que se devíamos usar a nossa cultura como instrumento de sobrevivência. Na época as escolas de samba ainda não existiam, surge somente a partir de 1910. Todavia, à medida que estas atividades começam a gerar algum recurso... O branco chega, com a sua cínica postura e proposta de integração e toma. O exemplo mais recente se dá exatamente com as escolas de samba. Antes discriminada e achincalhada. Porém, a partir de um determinado momento começou a trazer turistas até mesmo do Extremo-Oriente, para ver o “teatro de rua” que os negros desenvolviam. Pronto! Logo o branco passou a gostar de escolas de samba... E, inexplicavelmente, também de nós! Não são umas fábulas! Mas, o pior mesmo é que o negro brasileiro, por ingenuidade ou não, acredita.
De uns tempos para cá, quando o samba começou a ser aceito pela sociedade, todo conjunto de samba de negro, obviamente para garantir aceitação, começou a se compor com pelo menos um branco entre seus integrantes. Agora que os brancos aprenderam o macete já iniciaram também a composição de seus próprios conjuntos. Todavia, não fazem “fair play”, não colocam nem ao menos um negro em seus conjuntos... E novamente o negro nada vê. Ou se fazem de besta mesmo. Pois dizem não ser por medo!
Este conceito – ou preconceito – se mantem até os dias atuais. O que mudou? Bem, o que mudou foi somente que os próprios negros e mulatos intrometeram-se à prática. Passaram a também se discriminarem entre si. Ser preto nestas terras significa ser indigente. E ninguém pode ajuda-lo, não é lei, mas é “crime” ajudar preto. Ajudá-lo significa ser visto como criminoso, e se for branco, traição. E todos sabem disso... ”Menos” o negro brasileiro. Por isso o racismo brasileiro é diferente, por exemplo, do norte-americano. Lá o negro era efetivamente minoria na época da abolição, aqui não, e, portanto devemos ser extintos, no entender dos agora “amigos” brancos. Por garantia, óbvia, dos brancos, como eles dizem, “de suas próprias seguranças”. Aqui ninguém ajuda o negro, mormente se for preto, não dá emprego e nem sequer esmola. E o atual e denominado movimento negro brasileiro se aproveita disso e também o pratica, e se reproduz. O que além de pérfido é repugnante. Por dizerem-se defensores da raça. 

A grande verdade é que o preconceito de marca, como diz Oracy Nogueira, e eu de cor, se estende até à própria comunidade negra, se for que assim possamos chama-la, que o reproduz. E talvez por falta de originalidade, também o nega.  O negro brasileiro de pele mais escura tem seu caminho e sua realização cerceada até mesmo pelos de pele mais clara que a sua, ou seja, os “ex-mulatos”, que ora se dizem também negros. E não só, mais que os outros, apenas pelo fato de terem acesso e frequentado escolas e terem ocupações no mundo branco. Uma idiotice! Mas que até agora vem funcionando... Se bem ou não se sabe. E a nós pretos não restou mais alternativa. Ou vamos para cima e resolvemos o problema de vez... Ou seremos exterminados todos... E os tontos dos mulatos também, porém, ainda não acreditam. Pois acham que escaparão ilesos – não se sabe também quem os garante. Todavia, isto já é problema apenas deles, já que nos abandonaram. Pior, traíram e não há como contestar. O que por certo o farão. Esta lição eles aprenderam bem com os brancos. Tiraram nota dez.

Agora não há mais como retroceder, pelo menos para nós, pretos, não. O dia está claro, o mar está calmo... Porém o tempo virou.
São Paulo, 31 de maio de 2011.
Neninho de Obálúwayié
Coordenador Geral do CRENJA

v PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
v PELO CESSA IMEDIATO DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE E INFÂNCIA NEGRA!
v PELO IMEDIATO DESOCUPAR DOS TERRITÓRIOS HAITIANOS PELO BRASIL!
v CONTRA O DESARME DA POPULAÇÃO NEGRA!
v CONTRA O INGRESSO DO BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU COM DIREITO A VETO!
v PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!