domingo, 14 de agosto de 2011

O REINO DE ANGOLA JANGA


O REINO NEGRO DOS PALMARES
“Para Zumbi, o mais importante não era viver livre, mas libertar todos os negros ainda escravos!”

CONTINENTE NEGRO
Dir-se-ia que Deus, depois se sua grandiosa criação do mundo e da distribuição das diversas raças e dos seus elementos pelos continentes, reservou para a África a borra que restou no fundo de sua retorta divina e de envolta com ela todas as manifestações e tristeza e de fealdade, de angustia e de  desespero, manifestações estas destinadas a transformar o homem no físico e no espirito e torna-lo inferior através de milênios no desdobrar paciente de todas as eras!
Assim, não somente as raças autóctones como as que invadiram a terra africana foram envolvidas pelo fluido da ira divina, mas também raças nascentes pelos séculos afora. A água lustral da purificação caída nos céus africanos fora absorvida pelo sol ardente e não tocou as raças da terra triste e infeliz, que permaneceram pagãs!.. Foi uma sentença inexorável indeterminada no tempo, dos deuses africanos, admitem os teístas em suas lucubrações românticas. Não se sabe ao certo, porém, quer sob o ponto de vista cientifico, rigorosamente sem hipóteses, quer religioso, liberado de dogmas e da infalibilidade dos cânones, em que época a vontade divina lavrou essa sentença e se foi de Deus, ou dos deuses totênicos, sentenças que se cumpriu no caminhar do tempo e que acompanhou a raça negra como a sua própria sombra em todos os recantos da terra ingrata. O que e certo é que a configuração geográfica do continente negro não a nega e nem o destino de seu povo a desmente: ao contrario, os fatos e a historia da terra a confirmam com abundância de detalhes e a arqueologia a ilustra no desdobramento das pesquisas do passado do homem e dos animais que o cercam no albor de aparecimento sobre a terra. As primeiras raças amedrontadas pelos fenômenos geofísicos tornaram-se nômades, sedentos de vinganças, de saques e de sangue, uma contra as outras, como se despertassem da selvajaria para a barbaridade! Tudo perseguia a raça negra se achava condenada, sem direito à vida sedentária, à organização de suas cidades, à pluralidade da espécie, à contemplação mística de seus deuses, à criação de suas artes, ao desenvolvimento do espirito, ao raciocínio em busca da compreensão dos fenômenos naturais do meio grandioso e bárbaro! O nomadismo forçado pelo meio e pelos elementos criou assim a ignorância e o negro não passou da idade alvar de sua espécie...
Séculos se passaram e só mais tarde, na orla do litoral, foram se aglomerando e formando os primeiros núcleos miscigenados, assim mesmo como meio de defesa, forçado pelas guerras mutua de destruição de tribos contra tribos, e não mais de tribo contra feras como em idades anteriores e longínquas, começou ai propriamente o ciclo histórico do negro como escravo, mais triste e mais horroso que o do nomadismo, ciclo este que teve a sua alvorada no contato da civilização com o homem embrutecido, quando da penetração dos descobridores das costas da África.
Os negros não são autóctones do continente africano, mas de povos invasores das diversas tribos dos Acas, Bacassequeres, Boximanes, Hotentotes, Cacuisses, Mucancalas que se encontravam espalhados pelas regiões lacustres ou desérticas, as quais se supõe que tenham vindas da Ásia ou teriam formado a raça negra, devido a emigração para Etiópia onde estabeleceram duas correntes, quando umas das correntes utilizando o Istmo de Suez e Vale do Nilo deram origem aos povos nigricianos e a outra o Estreito de Bab-Al-Mandab onde penetraram em direção das regiões montanhosas ao sul e oriente da região dos lagos onde formaram os povos do tipo Bantu que conquistaram todo o sul da África. Das migrações negras que se fixaram ao norte da África em cruzamento com a raça branca formaram-se as populações hamitas que invadiram as regiões dos lagos onde estavam constituídos os Bantu e as obrigaram a novos movimentos migratórios, desta época por diante se inicia as invasões do sul da África pelos povos Bantu e descendentes dos cruzamentos Bantus-Hamitas, os Aborígines Nigrilos manifestamente inferiores que foram arrasados e exterminados e escravizados, salvando-se raras tribos, nas indesejáveis regiões lacustre e desérticas e pelos cruzamentos realizados entre os invasores e população aborígines derivaram as atuais distinções etnográficas do sul da África, e a invasão Bantu deu origem a formação dos Império do Congo ao sul e oriente do rio Zaire, Império dos Vatuas a oriente do rio Zambege e do Império Maluas na região dos lagos até Katanga que foram vastos e autenticas realidades política. Podemos afirmar que o negro africano e um produto do meio, que independente a sua vontade foi vencido moralmente e fisicamente, quando foi condenado ao isolamento, tendo regredido socialmente até atingir a degradação de uma índole a principio guerreira, por excelência, móbil, nômade apesar da degenerescência a que atingira a raça, não desapareceram de todos as virtudes do espirito dos negros, virtude essas cristalizadas pelo sofrimento, pela submissão e pela degradação, pois nenhum outro povo teve tão ingrato destino: Ser escravo de escravos e escravo de todas as raças e em todas as terras.

INVASÃO PORTUGUESA DAS COSTAS AFRICANAS
Portugal, pequeno pais localizado na extremidade sul do continente ibérico com limites de um lado pela Espanha e do outro pelo Oceano Atlântico, procurou na vastidão das águas alargar a sua civilização, povo irrequieto e bravo, de sangue mesclado de iberos, celticos e judeus, depois de séculos não se conteve no pequeno paralelogramo de terra que lhe restou com o Rei Dom Afonso Henrique e, por isso, procurou expandir-se, e dar ao mundo, novos mundos edificado pelo seu gênio civilizador.
Após terem realizado o contorno da terra negra, e batizado a sua costa, estudado as reentrâncias das baias, istmos e penínsulas, o rei determinou que fosse penetrado o interior do continente para ser desvendado os seus segredos e para submeter as nações que ali habitavam, para tal foi organizada uma poderosa armada sob o comando de Diogo Cão, fidalgo do rei que com uma grande numero de condenados que ali deveriam ser deixado, para entrar em contato com os habitantes locais e aprenderem a língua e seus costumes, a nação portuguesa exigia esse sacrifício dos já sacrificados que ganhavam a liberdade pelos serviços prestado à pátria e a religião! Em troca os condenados, deveriam ser levados para Portugal os negros que caíssem nas mãos dos invasores para que fossem educados e depois recambiados as suas origens, para facilitar a conquista do vasto império que se estendia por toda a bacia hidrográfica do rio Zaire. Diogo Cão, experimentado navegador português cumpriu galhardamente a missão recebida de seu rei, e regressou a Portugal levando em sua armada uma numerosa embaixada de negros, que foram escolhidos na corte congolense para serem instruídos na religião católica segundo os costumes da corte lusitana e para os quais foram dispensados todo o conforto material e moral que era possível a bordo do navio capitania de sua armada, e deste modo estava ganha a primeira batalha, que era a do domínio espiritual dos negros com aquela embaixada, da qual fazia parte o negro Caçula, herdeiro do reino do Congo.
A chegada da embaixada negra a Lisboa constituiu um fato extraordinário e durante um ano os negros deslumbrados e confiantes foram educados e preparados na rigidez dos costumes da corte, para o domínio material de sua própria pátria. E um ano depois a expedição de retorno foi composta de uma esquadra sob o comando de Dom João de Souza ilustre fidalgo da casa do rei, que levava em um dos navios o negro Caçula de regresso ao reino do Congo já educado e batizado segundo os ditames da religião cristã acompanhados de numerosos frades franciscano, dominicanos e evangelista e de muitos operários, comerciantes e agricultores, e a 29 de Março de 1491 a armada chegou ao Zaire e assim se inicia a colonização africana em Angola do grande Império do Congo, sob imponentes festas e missa campal realizada em 3 de Abril com toda a tripulação quando o Rei Manisonho tio do Rei do Congo recebeu a água lustral do batismo, de imediato foi organizada uma expedição para penetrar até a embala do Rei do Congo onde foi recebida festivamente pelo poderoso Rei Manicongo e seus súditos, porém a população negra tocada de misteriosa desconfiança, não viam com bons olhos a penetração portuguesa no coração de sua terra e aproveitando-se dos festejos, as numerosas tribos dos Mundequetes levantaram-se em armas e rebelaram-se contra o Rei Manicongo e os portugueses e neste momento o rei a conselho dos frades, pediu para ser batizados, recebendo o nome de Dom João e o herdeiro do trono Mbemba-a-Nazinga o nome de Dom Afonso, e partiram com numerosos guerreiros e combatentes portugueses para derrotar os sublevados, voltando vitorioso e senhor absoluto de seu povo à embala, seguia-se desta maneira a posse pacifica do reinado negro, futuro mercado de trafico de negros escravos para outras terras, concorrentes aos Mouros nas margens monótonas do Mar Vermelho.
Os frades das três ordens religiosas não souberam ser tolerantes verdadeiros missionários catequizadores de homens selvagens das tribos poligamicas, com isto dificultavam a submissão das massas rebeladas, ao contrario dos comerciantes que estimulavam os costumes dos negros e desta maneira se estabeleceram pacificamente em quase toda a margem do rio Zaire e com isto concorriam de modo notável para a obra colonizadora. Em 1513 devido as relações comerciais entre os pretos e os portugueses em todo o rio Zaire, o Rei Dom Manoel de Portugal, oficializou o resgate dos negros o resgate dos negros estabelecidos pelos negociantes e baixou um regimento a Simão da Silveira sem lugar-tenente junto ao Rei Manicongo, pois os princípios morais da obra colonizadora havia desaparecido, e o regimento estabelecia oficialmente com o Rei do Congo o trafico dos negros, já antes iniciado pelos comerciantes do rio Zaire e também adotado pelos missionários em beneficio de suas ordens religiosas, com o trafico de negros oficializado os portugueses.
Os seus navios chegavam a África com variadas especiais de mercadoria e voltaram carregados de negros para os mais variados mercados, com isto a caça ao negro pelo sertão africano tornou-se desabusada e todo o negro que caia no laço, fosse plebeu ou da família real, eram vendidos como peças aos tráficos estabelecidos no rio Zaire, a cizânia que imperava entre varias tribos e o clamor dos negros, que se viam presos e vendidos como escravos, aumentava o mal-estar que seria mais tarde a causa da dizimação impiedosa e barbara dos portugueses que se encontravam espalhados pelas margens do rio Zaire e pelas costas do Congo. Com a morte do Rei Dom Manoel de Portugal e sucedido por Dom João III e de Dom Afonso Rei do Congo sendo sucedido por seu filho Dom Diogo e com estes dois imperantes desapareceram todos os liames morais ainda existente entre seus antecessores e o trafico se tornou absolutamente franco, imoral e com isto a obra civilizadora de Portugal baqueou em terras africanas, que tão belamente fora iniciada no final do século XV, e Dom João III, procurou remediar as coisas do Congo, para isto enviou uma comissão de jesuítas que chegou ao Pindá em 1547.
Na antiga população Bantu, tinham-se introduzido além do branco, os mais diversos elementos, assim como os mestiços, os escravos da Guiné, os semi-civilizados, e as lutas entre os brancos e sobretudos contra os padres portugueses, devido ao comercio desenfreado de escravos dos padres que competia com os comerciantes de profissão, e a falta de autoridade portuguesa que exercesse a ação e a direção da administração e o regimento que o Rei Dom Manoel fizera para Simão da Silveira, fizera com que o negro perdessem o respeito aos portugueses, pois o Rei preto Dom Diogo mandava roubar e espancar muitos dos colonizadores, não pagavam as mercadorias que compravam junto aos comerciantes portugueses, fechou o mercado de escravo aos portugueses e abriu os mesmos para os pretos de seu reino, e pelo rumo tomado pelos acontecimentos outra coisa não poderia acontecer no Congo, a colonização pacifica estava com os dias contados. A ambição do trafico sobrepujou o tato político dos portugueses, criando uma situação de insegurança no interior do Congo e devido aos acontecimentos os portugueses substituíram a conquista pacifica pela ocupação militar, para garantir o trafico negreiro naquele sobado, a ambição de riqueza era desmedida e não tinha freios!... dos produtos da terra quase nada saia para os mercados portugueses, porém um fortuito veio aumentar esta ambição que foi a existência de prata e ouro em terras angolenses, no importante sobado do Congo ao sul, junto as tribos dos Ambundos e Nbundos que tinham como chefe o sobra N`gola que pediu ao Rei do Congo para que enviasse alguns padres existente no seu reino para a pregação da religião cristã entre suas tribos. O Rei do Congo deu conhecimento deste período a Dom Manoel acompanhado de algumas manilhas de prata, que afirmava Ter sido extraída das terras do Rei N`gola, o Rei preto Dom Afonso fizera isso para acirrar a ambição portuguesa e para enfraquecer o poder do preto N`gola que era forte ameaça ao seu reinado. A existência de prata não passava de temerária lenda, porém fez surgir na metrópole uma nova mentalidade colonial ao comércio de permuta de escravos, pois iria juntar-se a riqueza proveniente de minas de metais preciosos. Em 1520 o Rei Dom Manoel ordenou o descobrimento de Angola até o Cabo da Boa Esperança e para esta missão, encarregou Manoel Pacheco como Capitão do navio a ele destinado e como Escrivão Baltazar de Castro, que logo após desembarcarem marcharam para o embala do N`gola, onde Baltazar de Castro ficou encarcerado durante seis anos, porem assim mesmo não deixou de cumprir a missão estabelecida pelo Rei Dom Manoel, desmentiu a existência das minas de prata, porem a ambiciosa corte portuguesa insistia na sua existência e para descobri-la levou a efeito a conquista militar de Angola. A obra colonizadora iniciada no Congo e Angola em 1491 fora manchada e conspurcada no século seguinte, pois a intriga urdida pelos clérigos e portugueses contra os negros tinha quartéis sobre os destroços do Império do Congo e dos sobados de Angola e continuava na sua insânia destruidora por causa do resgate dos negros apanhados a laço por toda a parte. Era preciso que os negros se odiassem e se exterminassem mutuamente para beneficio dos traficantes e foi o que se deu por volta de 1556, nas margens do rio Dande quando da batalha entre ambundos e congolenses que o soba N`gola saiu vencedor, do Império do Congo só restava destroços e tribos errantes e o soba N`gola com isto se tornou reinante e senhor de vastas terras para gáudio da gente portuguesa, o soba negro solicitou a Dona Catarina que nesta época reinava em Portugal uma missão de padres da Companhia de Jesus para evangelizar aquela terra, a rainha despachou para Angola uma armada sob o comando do Capitão Paulo Dias de Novais, que não foi feliz em sua missão, porque quando chegou a Angola em 1560, o soba N`gola já havia falecido e o substituto não quis recebe-lo e aprisionou todos os membros, era a vingança da raça negra que explodia em grandes proporções contra os portugueses, com as tribos vivendo-se em lutas fratricidas, Paulo Dias de Novais aproveitou-se das lutas e conseguiu se libertar e fugir para Portugal, e devido aos maus tratos recebidos pelos negros, jurou ali voltar como implacável conquistador e vingar-se a ferro e fogo.

ANGOLA
Desde os primeiros anos de conquistas da terra africanas, tornou-se sementeira de resistência contra o invasor branco, contra o homem civilizado que lhe ia transformar as terras livres e barbaras em palco de tristezas e de dores, pois a liberdade que desfrutavam os negros na sua vida errante e nômade e o mais precioso legado que ficara dos primitivos povos como integrantes das colmeias de tribos errantes ou fixadas, sabiam amar e tinha a sua família poligamica e numerosa, onde o homem era macho, deus e senhor e respeitado por todas as suas mulheres, as tribos preferiam viver nos estados bárbaro, selvagem e livre do que a receber a civilização dos brancos
Se havia trégua entre os pretos e brancos era um hiato forçado pelas circunstancia do momento pois ódio aos portugueses permanecia latente no espirito dos negros constantemente. Paulo Dias Novaes, o chefe invasor que ficara prisioneiro juntamente com a missão de Jesuítas enviada pela Rainha Dona Catarina de Portugal, sentira esse ódio durante a sua longa e dura prisão e que jurara, depois de conquistar a liberdade, castigar os angolenses. A vingança cristalizou-se no espirito do capitão e em 1575 voltou a terra negra levando régios presentes para o Rei do Angola e por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva estabeleceu uma aliança ente os portugueses e angolenses e nesta época o rei de Angola via-se envolvido com a revolta do soba Quiloango-Quiacongo, foi o Capitão Paulo Dias de Novaes se ofereceu para desbaratar o soba, para poder executar a sua vingança a ferro e fogo. A vitoria das armas portuguesas sobre os rebelados e a violência de seu chefe mutilando hediondamente os vencidos, abriram caminho para melhor entendimento entre invasores e congolense e uma longa trégua se seguiu daí por diante.
O Capitão Paulo da Silva Novaes nomeou o Cabo de Guerra Pedro da Fonseca como seu embaixador junto ao rei negro e estabeleceu o resgate franco e aberto dos negros que eram enviados para a metrópole, São Tomé e para o Brasil. Os portugueses que mercadejavam no Congo e em Angola livremente com os sobas e régulos amparados e apoiados por estes, que não viram com bons olhos a chegada do Governador Paulo Dias de Novas com imensos poderes sobre a terra negra e desde logo tramaram toda espécie de intrigas, chegando a criar uma descordai entre invasores e congolenses, quebrando a paz estabelecida e estancando o comércio existente entre eles. Devido a influência dos Jesuítas pertencentes a Companhia de Jesus onde predominavam a mentalidade espanhola que era bem diferente as dos portugueses em matéria de colonização e pelo massacre efetuado contra os portugueses, Paulo Dias Novaes tornou-se para os negros um tremendo flagelo, deixou de ser civilizado e transformou-se em um bárbaro, mais bárbaro que a raça negra, ambicioso e vingativo, com os olhos fixos nas lendárias minas de prata da Serra de Cambambe, por isto invadiu o sertão angolense e espalhou o terror por toda a parte entre os Ambundos e Embundos. E no ano de 1589 Paulo Dias de Novaes armou uma grande expedição ao Congo para destruir a cidade de Baassa aonde residia o Rei do Congo, porém a morte o colheu repentinamente antes dos ataques, porém com o correr dos tempos vários governadores militares lhe sucederam e todos eles quando pisaram no solo angolense sempre vieram sedentos de sangue e ávidos de vitória. A degradação moral que contagiava os invasores em busca de riquezas, nivelando governo e governados no mesmo plano imoral do trafico e dos negócios escusos, que enfraquecia pouco a pouco os colonizados e fortalecia os bárbaros sedentos de vinganças e devido aos fatos as hostes dominadoras, dia a dia, passaram a ser dominadas pelos negros, que nesta época mais coesos e forte,
Pois estavam sendo dirigidos pela mais soberana das mulheres africanas: Ginga Bandi que surgira inopinadamente para salvação de seu povo, culta, de rara beleza de espirito, esbelta de físico, de família nobre de Matamba. Descendente diretas dos N`gola, foi embaixatriz de seu irmão o Rei N`gola e durante os acontecimentos políticos e militares de Angola no governo de João Correia de Souza que devido a má política da administração de Angola e as guerras com os portugueses, ela se refugiou numa das ilhas do Cuanza e envenenou o seu irmão e assumiu o poder, coroando-se rainha dos Jagas e tornando-se a mulher mais poderosa de toda a África, após conquistar o trono de seu irmão, faltava apenas sacudir o jugo dos invasores, sabedora que era que seu povo era carreado para os mercados da escravidão e vendidos aos portugueses. Era tempo de pôr um paradeiro em tudo aquilo para evitar que Angola tivesse o mesmo destino do Império do Congo que fora avassalado, tutelado e transformado em mercado negro, fornecedor de outros mercados. Foi quando Ginga Bandi levantou o seu povo contra o inimigo e seu grito de rebelião não se perdeu no deserto e as tribos se uniram para a liberdade ou para a morte. Ginga Bandi cristalizada e batizada com o nome de Dona Ana de Souza, uma vez no trono deu inicio ao seu gênio heróico e aventureiro, invadindo o reino do Congo que estava avassalado a Portugal no intuito de reconstituir domínios separados da antiga monarquia dos angolas, subleva os povos de Cassanje e da Matamba e põe em cheque as forças portuguesas com as quais lutou com pequenas intermitência durante os governos de João Correia de Souza, Pedro de Souza Coelho, Frei Simão de Mascarenhas e Fernão de Souza que a impôs a primeira derrota, apesar disto conseguiu se manter autônoma dos invasores e sob o seu comando ou exemplo, os povos de Cassanje, Cafuxe, Jagas, Quigilo, Sambangombe, Calumbo, Molundo e Acamahoto se revoltaram contra os portugueses, lutaram por todos os ângulos das terras ensangüentada e os negros vencidos e sacrificados são levantados pela heróica rainha que magnetizava as massas, reuniu as tribos dispersas e descrentes de liberdade para lutar e combater durante anos de dores e de desesperos com grande vontade de libertar o seu povo da odiosa opressão estrangeira.
Os povos mais em evidencia em civilização como os holandeses, ingleses, franceses e espanhóis disputavam com os portuguesas o grande mercado de escravo das terras africanas nesta época e no mais aceso das lutas, os holandeses fizeram causa comum com a rainha dos Jagas, derrotando os portugueses que só viram no mar uma saída, um caminho para vergonhosa fuga.  Deixando apenas um grupo de portugueses no Forte de Massangano, porém a Rainha Ginga Bandi não queria mudar de opressor. Portugal nesta época era um instrumento nas mãos da França, campo aberto a exploração inglesa, burlado pela Holanda. Portugal restaurado sem gente, sem dinheiro, sem colônias, sem vida, sem caráter era o cadáver sobre o que os Jesuítas imperava, e a herdade de Dom João IV, as armas, o dinheiro e os soldados e a coragem da raça nascente no Brasil fora a salvação de Angola e com ela, pelas conseqüências decorrentes das demais colônias portuguesas na África. E no dia 26 de Julho de 1645 chegou ao porto de Quibombo Francisco de Souto Maior comandando uma expedição militar brasileira para socorrer os bravos de Massangano, que fora organizada com os mesmos homens que haviam batido os holandeses de Recife nas fulgurantes Batalhas dos Montes Guararapes, após a derrota dos holandeses chegou outra expedição constituída de doze navios sob o comando do governador nomeado para Angola Salvador de Sá e Benevides que pôs fim a resistência dos holandeses em terras africanas. Guinga Bandi lutou desesperadamente para levantar o seu povo do caos, mas era muito tarde, pois a raça africana já estava oprimida pela destruição e envenenada pelo trafico nefando e a rainha negra depois de longos anos de resistência, estendeu a mão aos invasores portugueses, fazendo causa comum com ele, para poder dirigir o rebotalho humano a que fora reduzido o seu povo.

A ESCRAVIDÃO
A origem da escravidão humana perde-se no tempo e se acha ainda oculta pela poeira dos séculos que envolvem a própria historia do homem sobre a terra. É a luz do saber humano ainda não se projetou sobre a primeiro escravo, se branco ou negro, se asiático, africano ou europeu.
Admite-se, todavia, que surgiu a escravidão do homem com as primeiras lutas e teve origem no direito da força que foi corporificando e se espalhando entre os homens isolados, destes às famílias, às tribos e por fim, às nações e aos estados organizados. A ferocidade do vencedor exaltada sobre o vencido fora a causa potencial da escravidão do homem desde a mais remota antigüidade, desde os assírios, os egípcios, os judeus negros e romanos e bem assim os demais povos da mais alta antigüidade, adotaram a escravidão e legislaram sobre ela, sobretudo os romanos que coibiram os abusos que se cometiam à sombra dos usos e costumes dos demais povos, estabelecendo princípios do modo de ser escravos , estes princípios constituíram um grande avanço em prol da liberdade humana, mas tarde duas poderosas forças vieram modificar os modos de ser escravos; o advento do Cristianismo e a evolução natural do direito.
O escravo era considerado como coisa, era vendido como peça, contado ou pesado, trocado, doadointer-vivos ou causa mortis, legado ou herdado é por si mesmo, a mais fabulosa somação de sofrimento, de dores e desgraças. Costume este incorporado mais tarde ao Código Penal do Império,a lei impunha a pena de no máximo duzentos açoites nas grandes cidades, mas no interior, nas minas e nas senzalas, os senhores aplicavam-na no escravo arbitrariamente..
As leis tinham disposições excepcionais que permitiam que os escravos sofressem torturas para fazerem declarações, as marcas de ferro quente, as mutilações de alguma parte do corpo, e a pena de morte estavam contidas no livro V das ordenações portuguesas, e ampliadas constantemente pelas Cartas Régias expedidas pela corte, para atender a cada caso, seja no engenho, nas minas. Por toda a parte havia tortura, penas e castigos horrendos impostos aos negros e os arsenais de tortura se multiplicavam com as Cartas Régias e as ordenações e os alvarás que não eram de liberdade e sim de sentenças condenatorias, e a imaginação humana esgotou os recursos na invenção de penas e tormentos que subjugavam os negros escravos, por isto criaram viramundos, algemas, gargalheiras, cadeira ajustada aos pulsos e ao tornozelo, a pescoceira de ponta curva, a mascara de ferro, a focinheira, o açoite, a palmatória, o tronco chinês, o cinto com seu cadeado pendente, as letras de fogo que eram impressas na espádua do negro fujão e o libambo era o que compunha o arsenal de dor, maceração, tortura e mortificação dos negros a serviço do senhor dono do escravo que comprava o negro escravo e desumanizava-o, para o tornar manso e obediente, as vezes eles preferiam matar o escravos, antes de lhe permitir uma reação, que se estendesse a toda a colônia. Matava-o quando se insurgia; e mutilava-o para purifica-lo, porém o branco era egoísta e tímido, pois necessitava de companhia que o seguisse para lhe resguardar pelos caminhos, sendo assim selecionava os pretos bons e fortes e os armava para sua segurança. A escravidão na África foi uma imitação da escravidão dos Mouros e Sarracenos, que cresceu, desenvolveu-se, agigantou-se e envolveu todas as grandes potências marítimas, que eram a Inglaterra, França, Espanha e Portugal e outras quase todas arrastadas pelas rendas que o mercado de escravo oferecia, a África por conseguinte, passou a ser o grande palco da escravidão do homem pelo homem e quando criaram-se hordas de penetração ao interior desconhecido para aprisionamento dos negros, em vez de missões civilizadoras, e para legitimar a escravidão negra criou-se o principio hediondo, imoral e mentiroso do resgate.
O homem foi transformado em mercadorias e classificados nas alfândegas como objeto de utilidade para pagamento de imposto de exportação. E os primeiros negros introduzidos em Portugal constituíram, os fundamentos naturais da organização de empresas de transporte de peças e despertaram a cobiça de seu comercio rendoso e pela facilidade de aprisionar os negros em toda costa africana onde os maometanos faziam suas presas para trocarem pelos prisioneiros que os portugueses lhe faziam nas suas conquistas pelos mares afora, e as Ilhas da Madeira e as Ilhas Canárias tornaram-se o principal foco de comercio de escravos, que logo se propagou nos mercados de Lisboa e de Sevilha. Mouros, portugueses e espanhóis desfraldaram a bandeira de horrores em todos os rochedos da costa africana para a apreensão dos negros dispersos pelas orlas marítima, foi quando que os duzentos e trinta e cinco negros desembarcados no Algarves pelo escudeiro Lançarote em 1444 constituiu o prólogo que se ensaiava para ser levado no século seguinte, e estas apanha de negros tornou-se tão desumana e barbara que os próprios governos interessados nela, se viram obrigados a tomar providencias para que as mesmas fossem mais humana, por isto provocaram algumas medidas dos poderes temporais romanos e para ameniza-la a igreja interviu desde o principio contra as barbaridades aplicadas aos negros invocando as leis divinas e naturais quando o Papa Pio II, em Bula de 7 de Outubro de 1462 o censurou, e com especialidade a redução dos neófitos da África à escravidão. A compra de escravos aos poucos foi se organizando, com aquiescência e apoio e proteção de todos os governos; a competição mais forte dava-se entre os especuladores da França, Inglaterra, Holanda e Portugal que com os novos descobrimentos haviam aumentado a extensão de terras aproveitáveis, e para elas eram necessárias os escravos, riqueza sem a qual a terra nada valeria, e de inicio as ilhas de São Tomé e de Portugal e outras do Golfo da Guiné, tornaram-se entrepostos do tráfico onde o negro se submetia a um certo aprendizado a estes entrepostos eram compostos de um pequeno forte destinado a proteger a mercadoria, de algumas casas para os contratantes e de vários barracões para abrigar as levas de negros que vinham do interior. No inicio os Mouros eram os intermediários entre os portugueses e os grandes fornecedores com o decorrer do tempo os entendimentos passaram a ser feito diretamente com os régulos em suas aldeias de onde os negros eram quase sempre caçados pelos próprios mercadores, mediante ao pagamento de um tributo junto aos régulos, os negros desde a sua apanha e durante o tempo de viagem eram conservados ligado uns aos outros com um pedaço de madeira semelhante a um bridão, amarrado à boca e em volta do pescoço ficavam presos a uma forquilha, com as mãos presas atras das costas, amarrados por uma corda na cintura do condutor para evitar os gritos e fugas! Até a feitoria onde eram abrigados em barracões durante um certo período que se da o nome de refresco a espera de navios para serem embarcados, e as levas de escravos negros antes de serem embarcados para o novo mundo eram batizados pelo Bispo de Luanda e desta maneira ficavam os traficantes livre do pagamento de imposto, quando os se destinavam ao Brasil.

O TRÁFICO E OS NAVIOS NEGREIROS
A historia do trafico é por demais complexa e remota, cabendo às mais antigas sociedades das nações e a todos os povos da alta antigüidade, portanto não cabendo aos portugueses a sua primazia, que por sua vez são descendentes de povos que também foram escravizados e dominados por outros mais poderosos. Em toda a África, desde épocas imemorais, a escravidão militar ou escravidão histórica a que é própria de todas as sociedades humanas numa fase de sua evolução política e que dessa escravidão nasceu a escravidão mercantil, não só as guerras criaram a escravidão, mas também as religiões pois as vitorias do islamismo deram como resultado o estabelecimento do trafico pelo extremo nordeste do continente africano e como o religioso muçulmanos penetrou até o coração da África, as legiões do profeta conseguiram manter o monopólio do comercio do interior e o trafico de escravos destinados a suprir o sul da Ásia e grande parte do Mediterrâneo Oriental, e esse trafico ampliou-se para todo o norte da África, e pelo fato este tráfico teve então dois vastos emontórios que foram o leste pelo Mar Vermelho e do norte do deserto até o Maghreb e no principio do século XV e que se puseram os primeiros navegantes cristãos em relação com os escravos da costa africana do oeste.
E no ano de 1432 o navegador português Gil Eanes introduziu em Portugal a primeira leva de negros escravos e a partir desta época os portugueses passaram a traficar os escravos com as Ilhas das Madeiras e em Porto-Santo, em seguida levaram os negros para os Açores logo depois para Cabo-Verde e finalmente para o Brasil. Em meados do século XVI devido ao estabelecimento do Governo Geral, o que pesa para Portugal a respeito ao trafico negro, pesa também sobre a França, Espanha, Holanda e especialmente sobre a Inglaterra, pois lhe cabe a primazia como vanguardeira do tráfico e do comércio de escravos autorizado desde o reinado de Eduardo VI e começando no reinado da Rainha Elizabeth no século XVI, e John Hawkins foi o primeiro inglês a empreender o comércio de negros escravos por este motivo recebeu o titulo de Baronnet, e a  historia dos navios negreiros e a mais comovente epopéia de dor e de desespero da raça negra; homens, mulheres e crianças eram amontoados nos cubículos monstruosamente escuros das galeras e dos navios negreiros onde iam se misturando com o bater das vagas e o ranger dos mastros na vastidão dos mares. A fome e a sede, de mãos dadas com as doenças que se propagavam nos ambientes estreitos passavam pelos maribundos e não lhes ceifavam a vida, concedendo-lhes perdão e misericórdia que não encontravam aconchego nos corações dos homens, daqueles homens severos e maus de todas as embarcações e que só se preocupavam com o negócio rendoso que a escravaria oferecia.
Os negros fortes, retintos e amontoados também se tornavam feras acuadas onde o dia se confundia com a noite pois as levas de negros que embarcavam na costa da África provinham de diferentes pontos e de diferentes raças e eram misturadas como carga comum nos bojos dos navios negreiros. Os gemidos dos moribundos vinham juntar a algaravia das diferentes línguas dos Mandingas, Felupos, Cabindas, Gêjes, Fulas, Congos, Bundas, Bantos, Libolos, Caçanjes e tantas outras tribos, desconhecidas umas das outras, rosnavam como feras furibundas e dilaceravam-se mutuamente nas mínimas disputas; quando o navio negreiro sofria qualquer acedio de naus piratas, os tripulantes que se preparavam para a defesa do navio negreiro, normalmente recebiam ordens do comandante que era sempre um bárbaro que sumariamente mandava atirar ao mar os negros agonizantes, para aliviar a carga para tornar o barco mais maleável, erra quando os marinheiros desciam aos porões imundos e os moribundos eram atirados ao mar, e quando isto não acontecia as epidemias lavravam os porões e só havia um remédio: o mar!
A organização da Companhia de Lagos tinha o objetivo de incentivar e desenvolver o comércio africano e dar expansão ao trafico negreiro. Logo após o navegador Antão Gonçalves ter dado entrada em Portugal de uma leva de escravos negros capturados na Ilha de Arguim, e a viagem inicial da Companhia de Lagos que foi empreendida por uma expedição composta de seis caravelas ao comando do escudeiro Lançorote que transportou 235 cativos, e pelas lutas travadas entre varias feitorias da África que se entrechocavam no fornecimento de escravos e as incursões devastadoras dos corsários e piratas e a instituição da Companhia de Lagos, motivaram a formação de varias companhias negreiras, que entre elas podemos citar a Companhia de Cacheu em 1675, Companhia de Cabo Verde e Cacheu de Negócios de Pretos em 1690, Companhia Real de Guiné e das Índias em 1693, Companhia das Índias Ocidentais em 1636 e devido ao êxito desta para o Brasil e o tino político do padre jesuíta Antônio Vieira se deu a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil em 1649.
A Companhia do Estado do Maranhão em 1679, Companhia da Costa da África em 1723,Companhia do Grão Pará e Maranhão, Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba que foram criadas pelo Marquês de Pombal, desta maneira podemos atestar que o transporte de negros da África era o melhor e mais rendoso negocio da época. E as raças transportadas durante o longo período negreiro e que se distribuíam por toda a África pode ser assim enumeradas: do grupo de Guiné e Nigricia foram exportadas os Jalofos (aptos a ida do mar), Mandingas (convertidos ao Maometismo eram inteligentes e empreendedores), Yorubas ou Minas (fortes, robustos e hábeis), Felupos (os mais selvagens), Fulas que se dividiam em pretos, vermelhos e forros (eram descendentes dos chamita), Sectários de Maomet (eram os mais valentes e organizados), Balantos ( gentios democratas), Biafadas ( eram robustos, atléticos, esforçados, bons marinheiros), Papéis, Manjacos, Nalus, Bahuns.
E do Congo e Angola tiveram do grupo Banto foram os Ba-Congos (mais adiantados da África), Djaggas (convertidos ao cristianismo), Cabindas (excelentes trabalhadores), Mussurongos, Eschicongos, Jagas e seus afins Ban-Galas e do grupo Fiote tivemos os Bamba e os Hollos, Ambaquistas, e do sertão tivemos os Ma-Quiocos (hábeis caçadores), Guissamas (valentes e hábeis), Libollos (pacíficos e agricultores), todos do grupo Bunda, e o do grupo N`bundo vieram os Ba-Nanos, Ba-Buenos, Bailundos (todos eram altos, fortes e aguerridos), Bihenos (artistas), Mondombes, e do grupo Janguellas ou Baagangellas tiveram os Ambuellas (mineradores de ferro), Guimbandes (pacíficos e artistas) Banhanecas e Ba-Ncumbis (pastores e agricultores) e dos grupos Bantos Orientais foram os Macuás (inteligentes e faladores), Manimdis e Manguanguaras (selvagens) Nyanjas ou Manganjas (inteligentes e pacíficos), Mavias (pescadores) e do Senegal tivemos os Muzinhos, Moraves e Ajaus (mercadores de marfim) e do ramos de Bochimanos e Hotentotes tiveram os Ba-Cancalas, Bacubaes, Ba-Corócas, Ba-Cuandos, Ba-Cassequeres, Basutos e Bechuanas, Nubios. A obra do negreiro na África foi verdadeiramente vandálica, destruidora, sanguinária! A eloquência do número de raças exportadas de todos os recantos africanos é frisantes atestado da gula dos comerciantes negreiros pelo rendoso negocio do trafico. Todas as nações civilizadas tinham ali na costa da África a sua feitoria e nos mares em cruzeiros simultâneos, navios de todos os efeitos empregados no trafego imoral, aberrante, desumano e sanguinário, que despovoou pouco a pouco o continente negro e seu modo cobriu-se de sangue durante asa preias desordenadas, preias levadas a efeitos a ferro e a fogo, a laço e a tiro..

PRIMEIROS PORTOS BRASILEIROS DE DESEMBARQUE DE NEGROS AFRICANOS
E difícil fixar-se nas historia, o primeiro porto de desembarque de negros africanos no Brasil, porém Francisco Adolfo Varnhagem – Visconde de Porto Seguro dá a entender que Martins Afonso de Souza em 1531 desembarcou na Bahia alguns escravos encontrados na Caravela Santa Maria do Cabo que foi aprisionada e incorporada a sua esquadra e também na cultura de cana-de-açúcar que introduziu na Capitania de São Vicente, da qual fora o primeiro donatário, onde desembarcou em 20 de Janeiro de 1532.
E que no ano de 1535, Duarte Coelho o primeiro donatário de Pernambuco importou os primeiros escravos negros, quando de sua chegada. E desta maneira a historia da escravidão negra no Brasil, pende assim para Pernambuco como o primeiro porto brasileiro de desembarque dos infelizes negros para aqui carreados e vendidos como peças ou trocados por uma simples garrafa de aguardente entre mercadores negreiros e senhores de engenho. Primitivamente, os escravos importados eram destinados aos engenhos de açúcar das Capitanias de São Vicente, da Bahia e de Pernambuco e tão logo chegados ao Brasil e logo após uma pequena triagem de refresco nos portos de desembarque eram encaminhados para o interior e os dois centros mais importantes de importação eram Pernambuco e Bahia e a distribuição do elemento servil para o interior, pode ser dividida em grandes ciclos, como o da agricultura e industria pastoril e o da mineração. A escravidão negra do Brasil tomou impulso no século XVII no período áureo da industria açucareira, tendo em vista o consumo do açúcar no mundo , e devido a pequena produção das ilhas portuguesas do atlântico, estimularam a produção do Brasil, e a mão de obra empregada nessa extraordinária industria era a do escravo africano, visto que o índio era indomável e não se acostumava com a vida sedentária dos engenhos, e por este motivo a coroa portuguesa facilitou a entrada do negro. E Angola tornou-se o centro principal de fornecimento, o negro entrava em Pernambuco por todos os meios trazidos pelos assentistas ou pelos contrabandistas e eram encaminhados para os engenhos disseminados no interior, e com a criação da Companhia de Comércio do Grão Pará e o desenvolvimento da agricultura, principalmente a do arroz no Maranhão, Belém e São Luiz tornaram-se portos negreiros em pequena escala, não só a lavoura nortista absorveu o braço escravo, mas também a pecuária, principalmente nos vales dos rios Itapicuru e Mearim no Maranhão e Piauí.
Com a descoberta de ouro, houve uma correria e abandono das lavouras e dos engenhos, foi um verdadeiro êxodo, as primeiras oitavas descobertas em Minas Gerais, no córrego de Ouro Preto, fizeram com que o preço do escravo subisse e que os fazendeiros nortistas abandonassem as suas lavouras e fazendas e rumassem para a Minas Gerais em busca do ouro. A febre do ouro provocou profundas penetrações e bandeiras para Mato Grosso, Goiás, Bahia e por todos os recantos de Minas Gerais e o porto de Recife em Pernambuco perdeu a supremacia escravista, que passou para o Rio de Janeiro, que se fez então durante todo o século XVIII como um porto africano, com todo o aspecto de Luanda na África, mais vastos e agitados.
Por este motivo foi organizado no porto do Rio de Janeiro a maior feira de escravo do Brasil, e escusado dizer que nem todo os negros que desembarcaram neste entreposto seguiram para as minas ou para as fazendas, pois grande número deles permaneceram no Rio de Janeiro nos lares servindo como servos ou fazendo serviços de estivas e de transporte local nos armazéns de comércio e até em pequenas oficinas de arte, neste período desenvolveu-se entre as pessoas mais abastada, o costume de comprar negros para os pôr de aluguel nas fabricas, de soldado nas praças ou em obras publica. As levas de negros desembarcados no Rio de Janeiro permaneciam nos galpões de refresco no bairro do Valongo por um curto prazo de tempo, para logo a seguir iniciarem as grandes caminhadas através da Serra dos Órgão para as ricas minas de ouro em Minas Gerais e da Bahia seguiam através da chapada Diamantina e pela estrada dos gerais para atingirem o Tejuco, e dentre os mercadores de negros pelo interior durante o ciclo da mineração auro-diamantina se destacava o tipo do camboeiro. A mineração auro-diamantina criou o trafico interno e a distribuição do negro se fez para Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia e em menores contingentes para São Paulo e Rio de Janeiro onde foram confinados os africanos puros. A arrecadação das rendas da coroa nas minas auro-diamantina era sistematicamente feita por contratos entre a coroa e particulares por meio de arrematação e em geral pelo período de três anos, e para isto o número de escravos empregados na mineração e que servia de base para o pagamento à coroa pelo contratante e este regime durou até 3 de Dezembro de 1771, quando a coroa passou a explorar oficialmente as minas, com administração própria a que se chamou Real Extração que iniciou os trabalhos com três mil seiscentos e dez escravos distribuídos em varias minas.

OS PRIMEIROS QUILOMBOS
Foram formados em época incerta, não coincidindo com a entrada dos primeiros negros no Brasil por volta de 1538 e nem foram originários das raças importadas da África no primeiro século da descoberta, pois as numerosas tribos importadas da Guiné, representados por grupos étnicos importantes que foram distribuídos proporcionalmente pelas diversas seções regionais da colônia portuguesa, porque não era conveniente que se juntasse na mesma capitania um grande número de negros escravos da mesma nação, o que facilmente poderiam resultar em perniciosas conseqüências, no entanto tudo leva a crer que tais intuitos de separar as nações de negros se tivessem frustado na pratica, pois na Bahia fortemente se fez sentir a ascendência dos Sudaneses, ao passo que em Pernambuco e no Rio de Janeiro prevaleceram os do grupo Banto.
Os primeiros quilombos, que a principio foram reduzidos, de poucos negros, muitos dos quais famintos, e doentes, que fugiam dos engenhos, das fazendas e dos eitos, só foram possível graça a associação que o negro efetuou com o índio na causa da resistência a escravidão, e no século XVIII foi o de grandes protesto da raça africana, quando se formaram os maiores e mais tremendos quilombos que tantos apreensões causaram aos colonos e aos governos.
Alguns historiadores fixam a data de 1630 para o inicio dos quilombos constitutivos dos Palmares pela entrada e distribuição de negros escravos provenientes de Angola pertencentes a tribo Jagas que eram indomáveis e amantes da liberdade, pelas fazendas de Pernambuco e Alagoas. A razão preponderantes da formação dos quilombos no Brasil assentam-se na ferocidade atroz do colono dominante nos engenhos e nas fazendas, nos leitos e na mineração, protegidos pela mais brutal legislação negra que incluía os castigos, as penas e os maus tratos infligidos desde o momento de sua captura na África. Diversos fatos sociais tais como; de serem presos a correntes de ferro a um cepo, de trabalharem junto das caldeiras nos engenhos, de ser chicoteados para trabalharem, a alimentação e vestuário limitado, concorreram para acirrar o ódio entre o negro e o colono. O negro que chegava, era considerado como peça de trabalho, por mais abatido e rebaixado que fosse em sua dignidade, em sua vontade de liberdade, pela prepotencia de seu semelhante tendeu a sucudir o jugo, fugindo da sociedade que o acabrunhava e o esmagava, procurando a expansão de sua liberdade, em algumas vez em insurreições. O quilombo era sem duvida a ultima fase do protesto – pois o negro na sua aflição de liberdade, não sentia dificuldade nem hesitava em privar-se da vida para se livrar de seus sofrimentos infligidos pelos senhores e por isto só restava ao escravo a fuga para as montanhas, para os quilombos, para os ermos e para os antros e historicamente os Jagas da raça Banto que eram belicosos da tribo indomável do sobado do famoso N`gola Bandi, aprisionado pelos portugueses durante o governo de Luiz Mendes de Vasconcelos em Angola e mandados para o Brasil lhe cabe a paternidade do grande movimento palmerino já anteriormente iniciado com alguns negros desgarrados que seguiam para o Maranhão marchando dos centos da Bahia e pelos sertões a dentro de Caxias onde o africano ergueu as portas do grande sertão, uma cidade rica e prospera.
A região escolhida pelos negros aquilombados nas faldas da Serra da Barriga, no territorio de Alagoas, pela semelhança dos seus cômoros, colinas, montes, rochedo e sua flora e fauna dir-se-ia um pedaço de chão transplantado da África para lhes servir de abrigo das primeiras levas que por ali passaram acorrentados e voltaram os seus olhos para a região montanhosa que vinha desde o planalto de Garanhus no sertão pernambucano até as serras dos dois irmãos e do Bananal no município de Viçosa em Alagoas que compreendia as serras do Cafuchi, Jussara e Pesqueira, Comonati e da Barriga de terras virgens e extremamente fértil.
Cortada pelos rios Ipojuco, Serinhaém, Una em Pernambuco e pelos rios Paraíba, Mandau, Panema, Camaragibe, Porto Calvo e Jacúpe em Alagoas, com uma floresta povoada de arvores frutíferas e outras arvores excelentes para uso industrial, que cresciam em volta das palmeiras pindoba-palma attalea, pindoba, buriti-mauritia vinifera, catolé e inúmeros coqueiros de dendê- elaeis guineensis e no meio a essa mata se movimentava uma variada populçao animal onde puderam encontrar suas caças e pesca. Esta era a região abençoada o valhacouto dos negros palmerinos, na realidade era as matas das palmeiras às mais ricas e bonançosas de todas as regiões, cuja pujança convidava as raças oprimidas a se aquilombarem na formação do maior e mais renhido centro de resistência negra em todo o período colonial, e não foi um simples acidente geográfico e nem tampouco um campo de batalhas sangrentas que deu o nome a região de Palmares no altiplano da Serra da Barriga; foi a frondosa e grande Álea de Palmares que ali se estendiam, ululante e viçosa, magnetizada pela natureza portentosa dos trópicos, caprichosa na sua beleza e rica na sua fartura, onde se encontrava as titaras com suas guirlandes enfeitadas de espinhos galgando as arvores próceras, que mais tarde seria a coroa de espinho dos tombados em lutas feroz pela liberdade.
Todas as palmeiras desta floresta deram aos negros aquilombados os alimento para o corpo e para o espirito, material para seus tijupares de amor e seus palácios e fibras para suas roupagens e estrepes na construção de suas defesas tiradas de seus caules endurecidos e fibrosos. E se mais não dessem, deram na saudade da África um pouco de esperança na terra magnifica que delas recebeu o nome Palmares

EXPEDIÇÕES
O príncipe Maurício de Nassau após ter rechaçado as tropas portuguesas para as margens do Rio São Francisco e achando-se seguro em Pernambuco, voltou suas vistas para os quilombos, dado o clamor crescente dos senhores de engenho e fazendas das vilas e povoações pernambucanas. E para não lançar-se a uma aventura de fatais resultados, sem conhecimento das terras e da organização palmarina, fez preceder os planos de ataque para reconhecimento dos quilombos e para isso encarregou Bartolomeu Lintz dessa missão, porém os palmerinos foram avisados da formação desta expedição e se prevaleceram a tempo dos ataques holandeses, por este motivo Bartolomeu Lintz não pode desempenhar cabalmente as tarefa recebida do príncipe Maurício de Nassau. Como as noticias que chegavam ao governador sobre os negros e sua organização eram sempre concordes e com elas os clamores das populações rurais sobressaltadas para um ataque ao reino negro, o príncipe Maurício de Nassau não pode ser efetuar, devido o mesmo Ter sido substituído por Henrique Hous a frente do governo holandês em Olinda, que subestimando as informações provindas das populações e dos senhores de engenho e fazendas, por isto determinou a organização de uma expedição militar armada sob o comando de Rodolfo Bareo que era interprete do conselho da capitania de Pernambuco que já havia vivido entre os negros e que observara os seus modos e costumes, e de acordo com a sua consideração os negros não eram capazes de ato elevados propósitos guerreiros para uma reação vitoriosa diante das forças militar holandesas já experimentadas e cheias de glorias com as derrotas impostas aos portugueses.
Por isto em Janeiro de 1644 saia a primeira expedição holandesa contra os palmarinos que se encontravam no meio das matas as margens do Rio Gungouí aguardando o ataque dos holandeses no qual os negros dos palmares tiveram algumas perdas entre mortos e feridos,e o resultado dessa escaramuça de pouca monta serviu para alertar aos negros e torná-los mais forte ainda, mais precavidos contra outras expedições futura, e daí o recuo para o coração da floresta e o sertão desconhecido e em 26 de Fevereiro de 1645, partiu para Salgados o Capitão Blaer com a sua gente a mando do governador das armas holandesas, esta expedição não atingiu a meta desejada.
Por isto em Janeiro de 1644 saia a primeira expedição holandesa contra os palmarinos que se encontravam no meio das matas as margens do Rio Gungouí aguardando o ataque dos holandeses no qual os negros dos palmares tiveram algumas perdas entre mortos e feridos, e o resultado dessa escaramuça de pouca monta serviu para alertar aos negros e torná-los mais forte ainda, mais precavidos contra outras expedições futura, e daí o recuo para o coração da floresta e o sertão desconhecido e em 26 de Fevereiro de 1645, partiu para Salgados o Capitão Blaer com a sua gente a mando do governador das armas holandesas, esta expedição não atingiu a meta desejada, não passando a sua ação, como a primeira expedição de simples escaramuças, de queima de casas de um quilombo abandonados pelos negros, e sem preocupação de restabelecer as forças, marchou para o coração do reino negro para ataca-los implacavelmente segundo diretivas militares e devido ao fato de que no quinto dia de marcha o comandante João Blaer Ter adoecido gravemente e de Ter sido substituído no comando pelo Tenente Jurgens Reijmbach até o final da missão, e devido ao estado de inquietação reinante em Pernambuco, o tenente recebeu ordem de recolher-se à Alagoas do Sul, sede de seu alojamento e por isto não levou efeito a nenhum combate com as forças do Rei Zumbi que se encontravam bem preparadas para combates nos grandes centros de resistência.
A proclamação de João Fernandes Vieira em 24 de Junho de 1645 fora de desastroso efeito para os holandeses e de prolongada trégua para os palmarinos que ficaram à margem dos acontecimentos e de quando em vez desciam dos altiplanos e queimavam os canaviais e destruíam os engenhos de açúcar e a partir de 1654 com a restauração de Pernambuco pelos portugueses após uma batalha incessante de vinte e quatro anos contra os holandeses e que os portugueses começaram a tratar de enfrentar os quilombos palmerinos que se tornaram um estado excrescente, um reino com todas as formas de governo  em que os negros dispunham de uma grande independência de movimento, logo que se sentia perseguido, facilmente largavam o arraial onde se fortificavam para logo em seguir se juntar e fortificarem mais adiante, em lugar que se julgasse abrigados dos inimigos, compreendendo finalmente a impossibilidade de continuarem expostos à audácia dos negros por este motivo durante o período de 1654 a 1657 os portugueses realizaram vinte e cinco tentativas contra os domínios do Rei Zumbi. E no ano de 1657 a 1674 com a sucessão de governadores da Capitania de Pernambuco tornaram-se menos vigorosos os ataques aos quilombos palmerinos, por este motivo os negros se fortificaram e se tornaram mais combativos e vingativos e no ano de 1674 Dom Pedro de Almeida quando tomou posse da Capitania de Pernambuco comunicou às câmaras das vilas a sua determinação de destruir os Palmares e atribuiu a cada qual a sua contribuição em homens e armas e escolheu para comandar a primeira expedição o Sargento mor Manoel Lopes Galvão que em 21 de Novembro de 1675 partiu de Porto Calvo com uma tropa de duzentos e oitenta homens rumo as matas onde estavam alojados os negros em seus quilombos e em 22 de Janeiro de 1676 se deu o primeiro combate em uma populosa cidade bem guarnecida pelos aquilombados, e após duas horas de renhida peleja com perdas de ambos os lados a tropa de Manoel Lopes Galvão havia incendiado as casas e colocado os negros em fuga. Os negros que haviam fugido, e se agrupados em outro sitio em estado de pavor pelos ataque sofridos, foram novamente atacados com mais intensidade e sofrendo consideráveis perdas, os aquilombados sentiram consideravelmente o revés devido ao grande número de mortos e feridos que tiveram nestes dois ataques, por isto trataram de procurar outros locais para se estabeleceram e muitos negros dos quilombolas foram buscar seus antigos senhores, por não se julgarem seguros entre os seus naquele momento. Estas duas vitorias seguidas serviram muito para os portugueses, devido as grandes dificuldades em perseguir os negros em seus habitate, e que vieram a ser coroada de êxito o seu objetivo, por isto o governador Dom Pedro de Almeida tomou a resolução de prosseguir no seu objetivo. O governador mandou preparar psicologicamente os povos das vilas interessadas na formação de outra expedição que seria entregue a Fernão Carrilho, porem os homens simples do interior não viam no preador as qualidades apregoadas pelo governador pois o consideravam mais um intruso e feiticeiro do que mesmo um comandante de armas. Como às câmaras ficassem adstritas as despesas da expedição em homens e matérias, resolveram proceder um contrato por escrito com as condições preliminares a entrada sob o comando de Fernão Carrilho que lhes não inspirava confiança e que só por ordem do governador concordavam com o empreendimento e desta maneira teve inicio a formação da forca, com o preador Fernão Carilho encontrando grandes dificuldades em organizar a expedição punitiva aos Palmares e neste decorrer do tempo os negros palmerinos se fortificavam nas faldas da Serra da Barriga e francamente organizados nos pontos mais estratégicos e táticos do altiplano sob a direção de um judeu que penetrara no seu meio em busca de liberdade ampla e de proteção da natureza.
Dos primitivos Jagas chegados só restavam os sagrados ossos que eram veneráveis relíquias, reunidos à sombra de uma tatajuba frondosa e secular – arvore que se tornara sagrada para todos os quilombolas como o baabab africano,e todos os anos a corte negra se reunia a sombra desta arvore e juravam aos seus deuses defender aqueles ossos sagrados que se tornaram milagreiros com o decorrer do tempo. Era uma cerimônia cívico-fúnebre de alta valia onde se exorcizava os espíritos contrários a liberdade da raça negra, realizavam essa cerimonia no dia 21 de Setembro de cada ano e exatamente nesta data deixava Porto Calvo a expedição de Carrilho que trazia dependurado ao pescoço a imagem do Senhor Bom Jesus a qual foi escolhida como protetor de suas armas contra os palmerinos que trazia em suas fileiras velhos guerreiros de campanhas anteriores levadas ao Palmares e entre eles constavam Cristóvão Lins e seu irmão Sibaldo, o Capitão Alvares Camêlo. A coluna se movimentou bafejada de esperanças, não de gloria, mas de presas valiosas; representadas pelos negros aquilombados nas selvas, onde residia a mãe do rei, e este posto fortificado ficava a vinte e cinco léguas a noroeste de Porto Calvo, onde os negros haviam organizado mais como de observação das investidas do que mesmo de resistência aos expedicionários. A fama do preador Carrilho já chegara aos palmerinos, devido a ligação dos negros com os comerciantes de Porto Calvo e de Alagoas e por este motivo os negros se retiraram estrategicamente do Mocambo de Aqualtune para o sertão, deixando uma pequena guarnição que quando da chegada do preador Carrilho, não ofereceu grandes resistências sendo facilmente dominada e com o sucesso da posse sem resistência do Mocambo do Aqualtune, resolveu o preador avançar em direção da cerca real do Sucupira onde esperava encontrar tenaz resistência dos palmerinos não só pela importância da praça fortificada, como também por ser dirigido pelo cabo de guerra dos negros o já celebre e conhecido Gangazuma, o rei do mocambo. Os palmerinos haviam construído as suas duas cidades a seis léguas distante da primeira que devido aos fatos se transformou em posto avançado, o preador Carrilho fez preceder uma coluna exploradora de oitenta homens com a missão de tomar contato, na explorar da situação defensiva do mocambo e da disposição dos defensores, porem Carrilho não sabia que o rei negro junto com os seus homens já havia adotado o sistema de guerra de terra devastada e de retirada para o interior das matas, tática esta em que o terreno aconselhava e impunham os meios de que possuíam para uma guerra prolongada, sem trégua, desumana que os portugueses estavam resolvidos a faze-los. A missão exploradora alcançou as proximidades da cerca real de sucupira e nada mais viu senão cinzas, onde outrora existira uma cidade e feliz vivera parte de um povo aguilhoado; nada mais restou a Fernão Carrilho do que avançar sem cautela e apossar-se da cidade e assentar o seu arraial de nome Bom Jesus da Cruz.
O Rei Gangazuma preferira assim, queimar a sua cidade predileta a sacrificar seus súditos e pôr em pratica a tática adotada pelos maiorais de aguardar nos penhascos da Serra da Barriga os seus ferozes inimigos e perseguidores, E o abandono da cidade pelos negros do Rei Gangazuma, foi de grande vantagem para o predador, pois convencido disto expediu incontinentemente uma ordem de que seus comandados deveriam bater o mata a fim de descobrir os negros em fuga, esta expedição foi infeliz em suas incursões pois ao final de oito dias de amargas esperanças, sem alcançar o que buscavam, regressaram com a sua gente desunida e amotinada, e devido as duras privações e rigor do trabalho vinte e cinco homens desertaram, e no arraial o preador Fernão Carrilho se via as voltas com os mercenários da expedição que não lutavam por um ideal e sim por grandes recompensas e que neste momento começavam a abandonar a luta pelo fato de não a terem encontrado presas e nem objeto para saques nas cidades invadidas. Fernão Carrilho desfalcado em sua expedição devido as deserções, enviou um mensageiro ao governador solicitando que lhe fosse enviado mais homens e armas, o mensageiro retornou ao arraial com a noticia que seria armado uma expedição composta pelo Sargento mor Manoel Lopes, e isto criou novo animo nos homens que viviam no arraial e por isto Carrilho armou uma coluna sob o comando dos capitães Gonçalo Pereira da Costa, Mathias Fernandes e Estevão Gonçalves para descortinar os segredos das matas.
Quando se defrontaram com um grupo de negros comandados pelo Rei Gangazuma, que ao final deste combate tiveram grandes perdas e entre mortos se encontravam o famoso Cabo de Guerra dos palmerinos Gangamuiza. O Rei Gangazuma conseguiu escapar com vida e se refugiando no Mocambo do Amaro, porém na sua fuga acabou deixando nas mãos das tropas portuguesas a sua espada e uma pistola dourada que simbolizavam no quilombo a sua força e poder de chefe negro invencível, o que deixou o rei negro perdido e dominado, pois considerava esta perda como sendo do poder oculto da magia negra, tão temida de todos os negros cuja pratica nos quilombos era punida com a pena de morte. A morte de Gangamuiza foi um desastre para os negros e uma consagração para os homens de Carrilho, que se aproveitou da situação e ordenou que os capitães tomassem a direção do Quilombo do Amaro em busca do Rei Gangazuma, cuja prisão era considerada como fato muito importante para a campanha. Comandante e comandados penetraram na selva, seguindo o mesmo rumo, porém por diferentes caminhos onde encontraram uma tropa de negros aterrorizados e sem rumo certo, ordem e governo que foram destroçados em breve batalhas e neste encontro o bravo guerreiro palmerinos Gone encontrou a morte.
Devido aos fatos acontecidos, reinava entre os negros um profundo desespero e por todas as partes da floresta eram encontrados grupos de negros desorientados, por este motivo, muitos negros que não haviam morrido em combate caíram prisioneiros das tropas de Carrilho. Em 21 de Setembro de 1677 após quatro meses de perseguição e destruição dos quilombos pela floresta o preador Carrilho resolveu regressar a Porto Calvo levando os negros capturados com os mesmo quadro de dor e de desespero que haviam experimentado quando tangido do interior africano para as feitorias, eles eram presas valiosas que foram conduzidos amarados uns aos outros em pequenos grupos separados de homens das mulheres que deu entrada em 29 de Janeiro de 1678 em Porto Calvo sob o alvoroço da população e felicidade do Capitão mor Fernão Carrilho por ter destruído os Quilombos dos Palmares e por ter vencido o terrível inimigo. Depois das manifestações do povo e da nobreza da vila de Porto Calvo, seguiu-se a cerimonia da distribuição das presas pelos soldados, depois de retirados os quintos do rei; que recaíram na mulher, filho e netos do Rei Gangazuma descobriram entre os prisioneiros um negro de nome Mateus Dambi e a mulher dele Magdalena Angola sendo que ambos apresentava avançadas idades e dizem ser sogros de um dos filhos do rei; ambos foram mandados embora de volta par aos seus que haviam ficados dispersos pelos Palmares com o recado de Fernão Carrilho de que esperasse por ele e seus soldados que um dia voltaria para exterminar os restos dos quilombos. Com a noticia das vitorias sobre os negros nos quilombos, onde restavam poucas pessoas divididas por vários lugares e que qualquer tropa com poucos soldados poderia destruir o que restou dos inimigos por isto o Governador Dom Pedro de Almeida ficou tão Convencido, que mandou um alferes de encontro aos negros, para avisar-lhos que uma nova expedição comandada por Fernão Carrilho estaria armada para em breve ataca-los e destruir, tudo aquilo que restara dos Palmares, caso não aceitassem em viver em paz com os moradores, e que asseguraria toda a união e bom tratamento e que assinalaria algumas terras para viverem e que lhes seriam entregues as mulheres e filhos que estavam em seu poder e alem disto baixou um bando oferecendo vantagem aos voluntários que subissem aos palmares para capturar os poucos negros ali espalhados, e este bando foi o ultimo ato do governador Dom Pedro de Almeida que em Abril passou o governo para Aires de Souza Castro.
O Rei Gangazuma pela sua experiência, julgou-se incapazes de resistir a outros assaltos por isto aceitou a proposta de Dom Pedro de Almeida e em 18 de Junho entrou na praça de Recife o alferes trazendo em sua companhia dois filhos do rei e mais dez negros dos mais importante daqueles quilombos enviados pelo Rei Gangazuma, que vinham na forma da proposta se prostra aos pés de Dom Pedro de Almeida em nome do rei para render vassalagem e pedir paz e amizade e disseram que só ele Dom Pedro de Almeida poderá conseguir com felicidade aquilo que tantos governadores e cabos maiores intentaram e nunca puderam alcançar ou conquista-los e que eles iam render-se e sujeitar-se ao seu domínio que não queriam mais guerra e que Dom Pedro de Almeida dispusesse deles conforme sua vontade o determinasse. O novo governador ignorando a situação política e a organização do Reino Negro dos Palmares e louvando-se nas informações de seu antecessor e seus Cabos de Guerra Carrilho e Manoel Lopes, foi complacente com a embaixada do Rei Gangazuma e prometeu fazer a paz nas bases pedidas, e no dia 20 de Junho com grande aparato o Governador Aires de Souza e Dom Pedro de Almeida e a embaixada de negros seguiram para a Matriz de Santo Antônio de Lisboa acompanhados de enorme massa do povo, onde se efetivou a cerimonia ritualista de rendição de graças pela paz alcançada entre os palmerinos e os portugueses. No dia seguinte o Governador Aires de Souza convocou o seu conselho para deliberar sobre a paz pedida pelo Rei Gangazuma e entre os presentes estavam Dom Pedro de Almeida, o Ouvidor Geral da Capitania de Pernambuco Lino Camêlo, o Provedor da Fazenda Real João do Rego Barros, os Sargentos mor Manoel Lopes e Jorge Lopes Afonso, um dos filhos do Rei Gangazuma que representava o seu pai, e para assentar os termos da paz solicitada; foi quando o Governador Aires de Souza deu a palavra a Dom Pedro de Almeida para dar seu parecer como proponente da paz aos palmerinos e o ex-governador votou pela sua concessão, com o conselho aceitando as bases propostas por Dom Pedro de Almeida e quando alguns dos presentes duvidou que o Rei Gangazuma era capaz de sujeitar os remissos ao domínio do governador, foi quando o filho do Rei Gangazuma respondeu que seu pai conduziria todos ao domínio dos portugueses, tendo o conselho se dado por satisfeito com a resposta do filho de Gangazuma foi assentado a paz e lavrado o seu termo, em três copias sendo uma enviada ao Rei de Portugal por um sargento do terço de Henrique Dias. O Governador Aires de Souza de Castro concedeu ao Rei Gangazuma a região de Cucáu nas cabeceiras do Rio Formoso e Serinhaém para onde enviou dois padres da Recoleta de Santo Amaro para dar assistência religiosa aos negros, liberou todas as pessoas pertencentes a família do rei e de seus cabos de guerra.

QUEBRA DO TRATADO DE PAZ
A proposta de paz pedida pelo Rei Gangazuma foi um dos mais inteligentes golpes político de sua vida para reaver a sua família e de seus cabos de guerra que se achavam prisioneiros do governo português em Pernambuco pois o tratado de paz solenemente assinado em 21 de Junho de 1678 entre o Governador Aires de Souza de Castro e a embaixada negra do Rei Gangazuma presidida pelo seu filho, não teve longa duração de trégua porque não foi ratificado pelo rei supremo dos palmerinos e deus da guerra dos quilombos devido as constantes ações de segurança desenvolvida pelo governador nas faldas da Serra da Barriga pelo Sargento-mor Manoel Lopes e pelas numerosas incursões do bando autorizado em Fevereiro de 1678 assinado por Dom Pedro de Almeida e que não fora revogado pelo tratado de paz, estes fatos trazia os palmerinos em constantes sobressaltos, e por outro lado os moradores de Porto Calvo e Serinhaém não viam com bons olhos a concessão dado aos negros na floresta de Cacau, todos estes fatos colaborava para fermentação da queda da paz, que não tinha sido aceita e ratificada pelo Rei Zumbi, o último coroado, segundo os usos e costumes preestabelecidos no reino. Devido aos acontecimentos os seguidores do Rei Gangazuma começaram a discordar e a se reunir secretamente, e planejaram o envenenamento do soba negro, apesar da relutância de Gangazona, irmão do rei e fiel aos termos do tratado de paz, porém estava pregada a discórdia no sobado de Cacau devido a influencia do poderoso Zumbi e de seus embaixadores que soturnamente arrebanhavam nas vilas aramas, munições, mantimentos e escravos dos moradores das vilas para a resistência e desafio que o Rei Zumbi planejava oferecer aos portugueses e devido aos fatos o Governador Aires de Souza de Castro lançou mãos de Gangazona para chamar a ordem seus iramos, porém era tarde demais pois esta já havia sido envenenado e retirado dos bastidores da contenda. Heróico, resoluto e sublime entre seus vassalos, Zumbi se impõe e jura aos seus não ensarilhar as armas da liberdade e Terça-las em defesa da raça negra com isto a trégua foi quebrada.
Tão logo tomou conhecimento dos atos de rebeldia do Rei Zumbi, o Governador Aires de Souza de Castro mandou preparar duas expedições contra o Rei Zumbi, sendo uma comandada pelo Capitão João de Freitas Cunha com destino ao Palmares a qual sofreu grandes danos nas marchas até aos Palmares onde teve um tremendo revés no encontro os homens do Rei Zumbi que pelo fato se tornara ainda mais enfurecido e mais insolente. E este ataque serviu de lição aos palmerinos que a partir desta data passaram a defender os Palmares em uma única frente de combate, e a outra expedição enviada a floresta de Cacau sob o comando do Capitão mor Gonçalo Moreira foi mais feliz, pois seguindo a direção anteriormente traçada por Fernão Carrrilho encontrou vários quilombos despovoados em virtude da nova tática adotada pelo Rei Zumbi por isto atacaram a Aldeia de Una e Cucau onde fizeram de prisioneiro diversos negros com suas famílias e ali permaneceram por um período de três meses, sem contudo tentar um única investida direta sobre o quilombo fortificado do Rei Zumbi. A campanha de Palmares entrava em uma fase aguda, dada a reconstituiçao das forças palmerinas, sob um único comando e absoluta obediência ao rei e deus da guerra: Zumbi. O Governador da Capitania de Pernambuco, por seu turno, tomava medidas acertada, pois fundara diversos arraias nas proximidades de Palmares e organizara permanentemente o serviço de provisão das tropas sob o comando Sargento mor Manoel Lopes, porém as vilas não suportavam mais os ataques que vinham sofrendo dos negros dos Palmares, por estes motivo em 1680 o Capitão mor João da Fonseca pediu a Câmara de Alagoas mais recursos para as tropas ali estacionadas, estando a Capitania de Pernambuco arruinada economicamente, teve que apelar para os moradores para enfrentar as despesas com a guerra contra os palmerinos e devido a grave situação não houve a inadimplemento por parte dos moradores para manter as tropas ali estacionadas, pois de diversas vilas mais distante chegaram oferecimento de gente e alimentos em face do apelo do governador, que aproveitando a boa vontade recebida dos moradores e para angariar novos adeptos à causa de libertação da raça negra. Ele concedeu uma carta patente do posto de Capitão mor de Campo a André Dias, morador do povoado de São Miguel da jurisdição da Vila de Alagoas, com amplos poderes de agir. André Dias de imediato organizou diversas expedições de caça ao negro pelas faldas da Serra da Barriga porém não chegou a penetrar nos sertões palmerinos, se tornando um Capitão do Mato privilegiado na apanha do negro fugido.
No final do governo de Aires de Souza de Castro e inicio do governo de Dom João de Souza no ano de 1682 foi muito desgastante e de grande guerra de nervos, que os negros bem compreendiam e desta situação se aproveitaram para dilatar o seu reinado. As tropas portuguesas estavam sempre bastante alarmadas, não havia um plano de guerra sistemático, pois a luta mudava de aspecto todas as vezes em que era trocada a administração da Capitania de Pernambuco pois com a chegada de um novo governador os planos de guerra eram sempre diferentes um dos outros. Porém entre os palmerinos era bem diferente a situação, tanto política como militar, porque todos obedeciam a um comando único: do Rei Zumbi. Em 1683 o novo Governador Dom João de Souza organizou uma forte expedição sob o comando de Fernão Carrilho aparado em um regimento escrito com minuciosas diretivas para a expedição, do qual Fernão Carrilho discordou e pediu permissão ao governador para alterar o regimento que lhe fora dado no tocante, em que proibia terminantemente qualquer entendimento de paz com os negros, porém o seu pedido foi negado e Fernão Carrilho segui par ao Arraial do Outeiro na Serra da Barriga onde se tornou um espantalho para os negros, devido a sua fama de perigoso feiticeiro que mantinha entre os palmerinos. Os negros palmerinos, diante dos resultados obtidos com o tratado de paz de 1678, lançaram mãos dos mesmos recursos, propondo a Fernão Carrilho, um novo tratado de paz, que ele aceitou sob o fundamento de cobrir as suas despesas, contrariando, assim, as diretivas da guerra baixada pelo governador da capitania. Devido as confraternizações entre os portugueses e negros aquilombados em seu arraial, fatos estes que chegaram ao conhecimento do governador, que de imediato suspendeu e ordenou que viesse preso para Recife o comandante Fernão Carrilho.
E para substitui-lo foi enviado o Capitão João de Freitas Cunha e quando da chegada de Fernão de Carrilho a Capitania de Pernambuco ele foi desterrado e mandado preso para o Ceará sem soldo e tendo Dom João de Souza apelado da sentença para o Conselho Ultramarino que encaminhou o processo para a coroa portuguesa, e com a chegada do Capitão João de Freitas da Cunha ao Outeiro na Serra da Barriga os negros já avisados por seus agentes, puseram-se em posição de oferecer resistência ao novo comandante das tropas portuguesa. Em 8 de Agosto de 1685 tomava posse o novo Governador da Capitania de Pernambuco João da Cunha souto Maior, que ao tomar posse deu conta a coroa portuguesa a situação que se encontrava a Capitania de Pernambuco, pois sem recursos para continuar a guerra contra os Palmares, ele se via na situação de aceitar a paz se os palmerinos a pedissem. Fernão Carrilho o famoso preador da paz em 1678 se achava sem soldo e degredado no Ceará escreveu uma carta ao Governador Souto Maior oferendo-se para tomar parte como soldado na expedição que estava-se organizando em Pernambuco. O governador por falta de meios, comtemporizava a situação angustiosa dos moradores e estava disposto a aceitar as pazes com os negros, quando chegou a carta de Fernão Carrilho, o governador aceitou o seu oferecimento e o nomeou-o comandante da expedição e em carta a coroa em 7 de Novembro de 1685 deu conhecimento das razoes que o levaram a eleger Fernão Carrilho para comandante da expedição, pois sua escolha eqüivalia a um indulto ou perdão, a rija vontade de vencer os palmerinos do governador, casava-se plenamente com a de Fernão Carrilho, por isto em 10 de Janeiro de 1686 ele partiu laureado por ter sido julgado útil e necessário pelo governador como único e capaz de comandar uma tropa para semelhante façanha. E ao chegar nas regiões dos Palmares sofreu diversas emboscadas dos negros em suas fortificações inexpugnáveis e invencíveis, porém Ferrão Carrilho e seus bandos conseguiu pô-los em fuga desordenadas, entretanto com a chegada do inverno as operações tiveram de ser suspensas, e com a chegada do verão o governador recomeçou as perseguição aos negros com grande êxito.
Apesar do seu feito e de estar comandando a casa forte dos Palmares, o Governador Souto Maior já estava se comunicando com o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho que se encontrava no Piauí com sua gente, para descer a Pernambuco e atacar os Palmares, que por essa época já não existiam mais os chamados Palmares maiores e menores dos primeiros tempos dos quilombos, devido ao fato do Rei Zumbi ter assumido todos todos os poderes temporais e espirituais e a direção da guerra, tornando coesos todos os aquilombados que haviam recuado mais para o sertão e se engastado nos penhascos da Serra da Barriga com uma administração bem superior daqueles velhos tempos, havia coesão entre todos os elementos que eram dirigidos pelo próprio Rei Zumbi, os postos avançados tomaram caráter militar e eram constituído de grupos de homens dispostos a morrer pela liberdade, as lavouras ficavam sob uma única direção e atras das organizações militares e em todos os caminhos e carreiros foram colocado armadilhas, tocaias e postos de sentinelas avançadas para impedir os avanços dos portugueses. Os negros assim dispostos, acompanhavam os avanços das tropas inimigas e aguardavam a chegada dos bandeirantes paulistas. No decorrer dos anos de 1686 e 1687 a situação na capitania era grave e o Governador Souto Maior nada pode fazer para reverter a situação e os índios Janduins ocuparam algumas aldeias no interior de Pernambuco e nas Capitanias de Itamaraca, Paraíba e do Rio Grande do Norte constituindo uma outra potencial ameaça aos portugueses; esta ameaça se tornou realidade e o governador mandou contra eles um forte contigentes de soldados, que foram facilmente vencidos pelos índios ao primeiro encontro, ateando a fogueira da insurreição geral, e as tropas destinadas para as guerras dos Palmares foram desviadas para combater os valentes índios Janduis durante seis anos, e desta trégua os palmerinos souberam aproveitar para reforçar suas defesas. Sem derrotar os índios primeiro não era possível vencer os Palmares e todos os esforços foram feitos, para evitar a junção dos índios com os negros e para isto Domingos Jorge Velho marchou com sua gente para abater os índios Janduins no Rio Grande do Norte em meados de 1689, e com os entendimentos entre o Rei Caninde dos Janduins e os portugueses; Domingos Jorge Velho recebeu ordem para marchar sobre os Palmares do novo Governador da Capitania de Pernambuco, Marques de Montebelo. Domingos Jorge Velho subestimou os palmerinos pois regressando vitorioso da campanha contra os índios Janduins, preferiu mudar de caminho e seguir diretamente para os Palmares em vez de fazelo para Porto Calvo, onde iria descansar e juntar-se com outras tropas, não procurou refazer-se das fadigas causadas pelas longas caminhadas do altiplano da Serra da Barriga, estacionou nos Campos dos Garanhus perto do quilombo do Rei Zumbi e tratou logo de guerrear os negros rebelados, atirando-se a luta de corpo aberto, sendo fragosamente derrotado na primeira investida contra o Rei Zumbi, por isto retirou-se para a praia deserta de Paratagi onde permaneceu por dez meses descansando e se refazendo da derrota. Por sua vês os palmerinos com a vitoria alcançada sobre as gentes de Domingos Jorge Velho tornaram-se soberbos e já se consideravam invencíveis dentro de suas organizações e os negros das fazendas e engenhos se tornaram desaforados e insolentes e muitos fugiram para os Palmares de onde voltavam com os palmerinos para roubar, saquear e incendiar as vilas

ATAQUE AOS MACACOS
O Governador Caetano de Melo de Castro, armado de poderes extraordinário conforme o Alvará Real de 7 de Abril de 1693 para levar a guerra ao coração dos Palmares, e cercado dos melhores combatentes da capitania, dentre eles o grande Bernardo Vieira de Melo em Dezembro de 1693 iniciou os preparativos em Porto Calvo com o apoio das melhores e mais abastadas famílias de Olinda e de Recife, e em 16 de Janeiro de 1694 com o Mestre de Campo Domingos Jorge Velho no comando teve início a marcha das tropas para o Outeiro da Barriga e em 23 de Janeiro junto aos seus batedores Domingos Jorge Velho remeteu-se a um assalto contra posições de negros.
Da qual sofreu tremenda resistência dos comandados do Rei Zumbi deus e senhor da guerra que aparecia em todos os ângulos da fortificação que era precedida pela parte de fora, em toda a sua extensão de fossos, buracos, poços de água, paus de ponta aguçadas e trançados, enfim toda a sorte de empecilhos para os avanços inimigos que os palmerinos conseguiram arranjar na sua industria rudimentar, posta a serviço da guerra, a estimular com sua presença os destemidos defensores. Fracassado o primeiro ímpeto do ataque, Domingos Jorge Velho tomou a decisão de dispor as suas tropas ao centro da fortaleza sob o comando de Bernardo Vieira de Melo; a esquerda da estrada ficando Sebastião Dias e a direita da estacada Domingos Jorge Velho se colocou com a sua gente, desta maneira formou-se um verdadeiro cerco a cidadela negra em cujo interior sem alarido homens e mulheres se dispuseram a defendê-la a todo transe, sendo que os primeiros avançaram e alcançaram a cerca galgaram-na por meio de escada e bailéus para caírem nos tachos de água fervente colocadas pelos defensores do Rei Zumbi, encontraram mortes horríveis devido a ousadia de tão temerário avanço, os que se aproximaram foram repulsados pelas flechas e armas de fogo disparadas pelos palmerinos. Devido a resistência encontrada as tropas atacantes esmoreceram por um instante e retrocederam para não serem dizimadas pelos negros vigilantes. Desta maneira o ataque geral empregado foi sem resultado, onde as tropas atacantes perderam muitos dos seus combatentes, por este motivo o Capitão mor Bernardo Vieira de Melo diante da impossibilidade de um avanço geral e temendo uma sortida dos negros sobre sua gente, resolveu com os seus homens fazer uma estacada frente a frente à dos palmerinos em todo o seu setor e em pouco tempo a cerca do Rei Zumbi estava envolvida por uma contracerca dos portugueses.
E no dia 29 de Janeiro efetuaram o segundo ataque geral contra os palmerinos que com a mesma energia e a mesma ferocidade, defenderam a cidadela, obrigando as tropas do bravo Capitão mor Bernardo Vieira de Melo a recuar devido as sensíveis perdas e na ala esquerda as tropas do Sargento mor também sofrera duros reveses, não sendo totalmente desbaratada por ter sido socorrida pelas tropas do centro comandadas pelo Mestre de Campo Domingos Jorge Velho, que recuou vencido, desta dantesca batalha, sendo perseguido pelos negros que ao cair da noite desistiram do intento. O Rei Zumbi recompôs as suas legiões e determinou que os velhos, mulheres, inválidos e as crianças empregassem seus esforços na industria de guerra para defesa geral do mocambo, após a refrega que sofrera o Mestre de Campo Domingos Jorge Velho determinou que a cerca de pau-a-pique fosse reforçada para evitar uma sortida dos negros, trabalho este efetuado debaixo de frechadas e estrepes atirados pelos negros palmerinos furiosos e vingativos e a partir deste momento a vigilância dos portugueses teve que se dobrado, permanecendo atentos de armas nas mãos, contra qualquer ataque. Os assaltos a cerca do Rei Zumbi dos dias 23 e 29 de Janeiro de 1694 deixaram as tropas de Domingos Jorge Velho desfalcadas de muitos homens por este motivo o mestre de campo solicitou que fossem enviado para ele reforços de homens e artilharia, e estabeleceu o cerco total dos mocambos, impedido desta maneira que os negros tivessem contato com o mundo exterior do mocambo, pois deste modo venceriam os negros pela fome e pelo desespero. O Rei Zumbi sentia a falta de armas e munição, que não havia recebido durante este período de sitio, porém restavam-lhes o moral e o heroísmo, as únicas forças ainda intangíveis para antepor aos sitiantes, os negros sofriam as maiores privações possíveis, por este motivo estavam se convencendo que toda resistência seria inútil, a repulsa aos atacantes estava cada vez menos impetuosa, e quando Gabriel de Gois, bravo alferes do Terço de Infantaria do Recife chegou de Alagoas com os reforços mandado pelo Governador Caetano de Melo de Castro se dirigiu para o Outeiro da Barriga e conseguiu abrir a cerca do Rei Zumbi com diversos tiros de artilharia  
Quebrando-lhes o moral e abrindo passagens para as tropas sitiantes ao mando de Bernardo Vieira Melo e Sebastião Dias, a reação no interior da cidadela foi medonho, dantesca e terrível, devido a selvageria dos invasores por todas os ângulos da cidadela, com os dois lados se enfrentando corpo a corpo trucidando-se mutuamente e o baluarte resistindo bravamente protegido pela escuridão da noite, foi quando o Rei Zumbi reuniu as suas tropas na extremidade da cerca na ala da direita saltando do penhasco para a fuga, que levou de roldão as forças ali dispostas por Bernardo Vieira de Melo, escapando-se assim do cerco tenebroso de vinte e dois dias que foram impostos pelo mestre de Campo Domingos Jorge Velho. O desfecho inesperado que o Rei Zumbi dera ao sitio do Mocambo dos Macacos, precipitando-se do penhasco pela estreita faixa aberta na cerca, quando se vira perdido e impotente para conter pelas armas o ataque dos invasores, fora para os portugueses tão inopinado e brusco que eles não sabiam se faziam a perseguição aos fugitivos ou se entravam no Mocambo.
O heróico Zumbi preferiu lançar-se do penhasco a estender com os seus bravos comandados os pulsos as algemas do cativeiro, pois somente ele possuía o poder de fascinação de arrastar a tamanho sacrifico muitos homens dispostos a lutar, homens estes nascidos no magnifico altiplano da Serra da Barriga e ali criado e fascinados pela liberdade. Passados cinco meses da tomada e destruição da cidade negra dos Macacos e da espantosa mortandade dos negros que a habitava e a defendiam e do heróico protesto de Zumbi que se atirou no despenhadeiro com seus bravos guerreiros, os negros fugitivos ainda dispersos pelas matas e pelas furnas ou pelos alcantis das serras palmerinas não preferiam mais resistência, pois famintos e maltrapilhos, enfermos e desenganados de obterem a liberdade que tanto se bateram e lutaram durante tantos anos iam sendo aos pouco capturados pelos capitães do mato e seus índios. Rei morto, rei posto – sentenciaram os sobreviventes em demanda pela mata fechada na procura de outro sitio para instalação de outro mocambo, e segundo as ultimas disposições do grande rei morto na reunião que precedera à arrancada decisiva na orla do despenhadeiro! Surgirá outro grande Rei Zumbi, sobrinho do que havia havia morrido para continuar a guerra por mais alguns tempo, até ser traído por Antônio Soares, mulato de sua confiança. O novo Rei Zumbi, foi preso e morto pelas tropas de André Furtado em 20 de Novembro de 1695 e a sua cabeça foi enviada para Recife, onde foi exposta para servir de escarmento aos negros fugidos, por ordem do Governador da Capitania de Pernambuco Caetano de Melo de Castro.

ZUMBI
Um dos lideres mais famoso dos Palmares, nasceu no ano de 1655 em uma das aldeias do Quilombo de Palmares, foi feito prisioneiro ainda recém nascido, e entregue ao Padre Antônio Melo da freguesia de Porto Calvo, foi batizado com o nome de Francisco, foi coroinha, estudou latim e português, em 1670 fugiu da paroquia para Palmares onde se tornou o grande líder após ter passado por grandes provas de coragem, era corajoso e tinha grande capacidade de organização e comando, tornou-se um mito entre os negros. Não o mito que esconde, mas o mito que revela, e muito jovem já era chefe de um povoado e na época do acordo de Gangazumba em 1678, Zumbi era o chefe das forças armadas de Palmares.
heróico Zumbi preferiu lançar-se do penhasco a estender com os seus bravos comandados os pulsos as algemas do cativeiro, pois somente ele possuía o poder de fascinação de arrastar a tamanho sacrifico muitos homens dispostos a lutar, homens estes nascidos no magnifico altiplano da Serra da Barrigae ali criado e fascinados pelaliberdade, a mortandade no Mocambo dos Macacos foi tremenda e sangrenta, tão sangrenta que abriu um hiato na historia das guerras colônias brasileiras com capítulos especiais dedicado exclusivamente à raça negra que erigiu o seu templo de sofrimento em alicerces de lagrimas e de sangue.
E com a morte do último rei negro, que não desmentiu na seqüência do tempo de mais de meio século de lutas os seus antepassados, estava terminada a campanha dos Palmares, morreu lutando e lutando manteve as tradições dos Jagas que tinham no mais elevado grau a liberdade humana.
Foi se o último Zumbi, mais ficou um poema na historia colonial para ser contada pelos descendentes da raça negra, brava e valorosa dos Jagas!
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